domingo, 14 de março de 2010

Dilma, Serra, Aécio, Lula e a crõnica da sucessão

Percorrendo as frases

Jaime Leitão *

O assunto do momento é a sucessão presidencial. O crescimento das intenções de voto na ministra Dilma Rousseff, pela Pesquisa Datafolha, que praticamente encostou em José Serra, esquenta o debate.
O cientista social Marco Antônio Villa afirmou ontem na “Folha”: “Será um trabalho de Hércules transformar Dilma em candidata popular. Mesmo assim, a oposição vai ter muitas dificuldades”. Dilma está crescendo pela popularidade de Lula, não pela própria, que praticamente não existe. E a oposição está perdendo espaço porque não se define. Serra, claudicante, acaba vitaminando a candidatura de Dilma.
A articulista Dora Kramer, no “Estado”, escreveu: “Até agora, o que sustenta o ânimo da oposição é a dianteira de Serra, a despeito da campanha explícita, diária e poderosa do presidente Luiz Inácio da Silva em prol de sua candidata”. Não estou vendo nenhum ânimo na oposição. Muito pelo contrário. Esse desânimo é tão poderoso quanto o esforço de Lula para dar ainda mais fôlego à candidata do governo.
Fernando de Barros Silva, na “Folha”, afirmou: “Aécio Neves faz questão de deixar claro que não quer ser candidato a vice numa chapa com José Serra. Isso não significa, necessariamente, que não será”. Na verdade, Aécio não quer se queimar. Ele sabe que, se for candidato ao Senado, está praticamente eleito. Como vice de Serra, corre o risco de perder e de ver a sua candidatura a presidente daqui a quatro ou oito anos ameaçada. Mesmo assim, tudo é possível. Em política, o impossível se torna possível de um momento para outro, depende dos interesses em jogo. No caso, são muitos. É uma presidência da República, com centenas de cargos de confiança e com muitos políticos interessados nas suas cotas.
Merval Pereira, no “Globo”, disse: “Ainda existem bolsões de resistência à candidatura Serra, que veem nos resultados das últimas pesquisas um sinal de fraqueza, embora ele continue na liderança”. A liderança de Serra a cada dia se torna menos sólida, e um dos motivos é a indecisão do governador de São Paulo de definir a sua candidatura.
O vice-governador Alberto Goldman, sobre o mesmo tema, opinou: “É surpreendente, é heroico que Serra tenha mais de 30% depois da exposição de Dilma”. Não há nenhum heroísmo em Serra. Ele está deixando o barco de Dilma navegar livre e, numa dessas, poderá morrer afogado bem antes da hora.
Há mais bastidores na política do que possamos imaginar. Até outubro, muita água e muita lama devem correr embaixo e em cima da ponte. Nenhum dos dois candidatos me comove, ambos são inexpressivos. O problema é suportar um deles quatro ou até oito anos. Estamos precisando de políticos melhores, principalmente para cargos majoritários. Infelizmente, eles não vêm se apresentando, e nada sinaliza para o surgimento de um, com novas ideias e com chances reais de se eleger.

* - O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. O texto acima saiu publicado no Jornal Cidade, de Rio Claro, interior de São Paulo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Cabral iria a 2º turno com Garotinho e Gabeira

CORREIO DO BRASIL

Pesquisa mostra evolução das eleições no Rio para um segundo turno

O bispo Crivella é forte candidato ao Senado

Ex-prefeito do Rio e possível candidato a uma vaga no Senado, o economista Cesar Maia (DEM) divulgou, nesta quinta-feira, resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto GPP, no qual atua, no qual o segundo turno é uma possibilidade real no cenário político do Estado do Rio. Segundo o estudo, "a soma de (Anthony) Garotinho e (Fernando) Gabeira é maior do que a de (Sérgio) Cabral, que está na frente".

"A intenção de voto espontânea para governador dá a Cabral menos da metade do que tem na induzida. É um resultado muito ruim. Em outros estados, os governadores na espontânea têm pelo menos 70% dos votos que têm na induzida. Garotinho e Gabeira vêm empatados na espontânea. Na pesquisa de intenção de voto induzida, Cabral lidera na faixa dos 35%, Garotinho tem 25%, e Gabeira está próximo a 20%", acrescentou.

A avaliação de Cabral, segundo Maia, está na faixa de 40% de ótimo e bom. "Mas um dado importante: são 55% os que querem mudar o governo e 40% os que querem continuidade", acrescentou.

No cenário nacional, de acordo com a pesquisa de Cesar Maia, "Dilma se aproximou de Serra e estão em empate técnico. Serra abre no Interior e empata na capital e municípios metropolitanos. Num segundo turno Serra vence na margem (de erro)".

Na eleição para Senador tanto no primeiro como nos dois votos, Crivella e Cesar Maia lideram, com vantagem para Crivella, dentro da margem de erro. Na alternativa com Benedita ela tem performance melhor do que na alternativa com Lindberg: praticamente o dobro.

Ainda segundo a pesquisa, Lula atingiu seu melhor momento na avaliação ótimo+bom no Estado do Rio: cerca de 75%.

Será que Lula é um dos lesados pela Bancoop?

Jornal Zero Hora escreveu:

Cooperativa também atrasou imóvel de Lula

A Bancoop, cooperativa habitacional dos bancários que está sob investigação do Ministério Público de São Paulo por desviar recursos para campanhas do PT, tem como seu mais ilustre cooperado nada menos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele é um dos petistas que, dado o relacionamento histórico entre o partido e o Sindicato dos Bancários, enxergou na cooperativa a oportunidade de adquirir um imóvel a preço reduzido.

A família de Lula espera há anos a entrega de uma cobertura triplex na praia das Astúrias, no Guarujá. O apartamento consta da declaração de bens que o presidente apresentou à Justiça Eleitoral em 2006, como parte dos requisitos para se lançar candidato à reeleição. Até maio de 2005, Lula havia pago R$ 47.695,38.

Incapaz de concluir a obra, a Bancoop repassou-a para a construtora OAS, mas ela continua parada. Um imóvel como o de Lula naquele local pode passar de R$ 1 milhão.

O fato de Lula esperar as chaves tem servido de argumento por parte da cooperativa para argumentar que não houve desvio de dinheiro, e sim desequilíbrio financeiro nas contas.

Já o promotor José Carlos Blat calcula que o suposto esquema de desvio de dinheiro pode superar a cifra dos R$ 100 milhões. O tesoureiro do PT e ex-presidente da Bancoop, João Vaccari Neto, é um dos investigados pelo MP.
Fernando Herkenhoff enviou ao Correio da Lapa:

O que escrever em seu túmulo se você é....

ESPÍRITA
Volto já.

INTERNAUTA
www.aquijaz.com.br

AGRÔNOMO
Favor regar o solo com Neguvon. Evita vermes.

ALCOÓLATRA
Enfim, sóbrio.

ARQUEÓLOGO
Enfim, fóssil.

ASSISTENTE SOCIAL
Alguém aí, me ajude!

BROTHER
Fui.

CARTUNISTA
Partiu sem deixar traços.

DELEGADO
Tá olhando o quê? Circulando, circulando...

ECOLOGISTA
Entrei em extinção.

ENÓLOGO
Cadáver envelhecido em caixão de carvalho, aroma formol e after tasting que denota presença de microorganismos diversos.

FUNCIONÁRIO PÚBLICO
É no túmulo ao lado.

GARANHÃO
Rígido, como sempre.

GAY
Virei purpurina.

HERÓI
Corri para o lado errado.

HIPOCONDRÍACO
Eu não disse que estava doente?!?!

HUMORISTA
Isto não tem a menor graça.

JANGADEIRO DIABÉTICO
Foi doce morrer no mar.

JUDEU
O que vocês estão fazendo aqui? Quem está tomando conta do lojinha?

PESSIMISTA
Aposto que está fazendo o maior frio no inferno.

PSICANALISTA
A eternidade não passa de um complexo de superioridade mal resolvido.

SANITARISTA
Sujou!!!

SEX SYMBOL
Agora, só a terra vai comer.

VICIADO
Enfim, pó!

ADVOGADO
Disseram que morri.... mas vou recorrer!!!

Marcus F. di Cavalcanti enviou para Fernando, o re-enviador, creio: não creio, porém... DEMIL MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA

Brasil e guerra civil

Brasil amanheceu fratricida. O petróleo é uma desgraça. Macaé, uma especulação imobiliária, poluição, crime. banditismo. O deputado gaúcho é pífio. O que essa casa quer o país acaba querendo. Ele é ficha limpa. Collor também. Mas não convencem. Metade do royalty vai para o Poder Executivo, para o Planalto Central Total. Caxias, usina, miséria em volta, Campos Eliseos da Morte. A Baía de Guanabara ameaçada totalmente. ICMS paulista, SP chegou agora. Serra não chorou ainda. Saco. Zona Franca. Francamente. Estou quase mudando o meu voto.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Lula critica Serra por inaugurar maquete de obra

Presidente do Brasil se referiu a evento em que o governador tucano apresentou projeto da ponte Santos-Guarujá, uma obra inexistente, já que não passou sequer ainda por uma licitação. É a campanhada da polarização plebiscitária já nas ruas

Segue o texto de Anne Warth, da Agência Estado, e Roberto Almeida, enviado especial, avistado no site do Estadão:

CUBATÃO, SP - Numa crítica claramente direcionada ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mas sem citar diretamente o nome dele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 10, em Cubatão, na Baixada Santista (SP), que a campanha política neste ano já começou. "Estamos num ano de campanha e estamos percebendo que tem gente inaugurando até maquete", disse, em discurso na cerimônia de inauguração da Usina Termelétrica Euzébio Rocha, obra integrante do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dentro das instalações da Refinaria Presidente Bernardes.

Lula se referiu ao evento realizado na terça-feira, 9, pelo tucano em Santos, em que foi apresentada a maquete da ponte Santos-Guarujá, que ainda não foi licitada. "Político mentiroso dizia que ia matar a cobra e mostrar o pau, mas não adianta só mostrar o pau. Tem que mostrar a cobra morta", disse o presidente.

"Mas, como nós somos política e ambientalmente corretos, nós não vamos matar cobra nenhuma, vamos deixar a bichinha viver o tempo inteiro e não encher o saco dela (sic), que ela não vai picar ninguém", concluiu.

As declarações apontam uma afinação entre Lula e Dilma nas críticas a gestões tucanas. Ambos relembraram o apagão de 2001 para contrapor ao que Lula classificou como "momento de quase estado de graça" do País. "Nunca mais teremos apagão, a não ser por queda de torre, e aí é com Deus", disse Lula, em referência ao apagão que atingiu o País no final do ano passado.

O presidente cutucou Serra ao defender a atuação do governo federal durante a crise financeira global. Ele citou que 950 mil empregos com carteira assinada foram criados no Brasil em 2009, no que classificou como o "pior ano" do governo, e 181 mil postos de trabalho foram abertos em janeiro. "Eu vou repetir essas coisas", afirmou, para, então, fazer a provocação ao provável candidato do PSDB a presidente. "Nós queremos mostrar como as coisas acontecem nesse país", completou.

Lula e Dilma cumprimentaram trabalhadores e posaram para fotos. Por causa do intenso calor que fazia na cidade de Cubatão, Dilma dispensou o vermelho que costuma vestir em eventos do PAC e vestiu uma camisa branca com colar e brinco de pérola. Lula suava muito e, no início do discurso, disse que iria abreviá-lo em respeito aos presentes. Acabou falando por quase 30 minutos.

Vargas Llosa ataca Lula por bajular tirania cubana

A decepcionante visita de Lula

Mario Vargas Llosa


Minha capacidade de indignação política atenua-se um pouco nos meses do ano que passo na Europa. Suponho que a razão disso seja o fato de que, lá, vivo em países democráticos nos quais, independentemente dos problemas de que padecem, há uma ampla margem de liberdade para a crítica, e a imprensa, os partidos, as instituições e os indivíduos costumam protestar de maneira íntegra e com estardalhaço quando ocorrem episódios ultrajantes e desprezíveis, principalmente no campo político.

Entretanto, na América Latina, onde costumo passar de três a quatro meses ao ano, esta capacidade de indignação volta sempre, com a fúria da minha juventude, e me faz viver sempre temeroso, alerta, desassossegado, esperando (e perguntando-me de onde virá desta vez) o fato execrável que, provavelmente, passará despercebido para a maioria, ou merecerá o beneplácito ou a indiferença geral.

Na semana passada, experimentei mais uma vez esta sensação de asco e de ira, ao ver o risonho presidente Lula do Brasil abraçando carinhosamente Fidel e Raúl Castro, no mesmo momento em que os esbirros da ditadura cubana perseguiam os dissidentes e os sepultavam nos calabouços para impedir que assistissem ao enterro de Orlando Zapata Tamayo, o pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição - depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere - depois de 85 dias de greve de fome.

Qualquer pessoa que não tenha perdido a decência e tenha um mínimo de informação sobre o que acontece em Cuba espera do regime castrista que aja como sempre fez. Há uma absoluta coerência entre a condição de ditadura totalitária de Cuba e uma política terrorista de perseguição a toda forma de dissidência e de crítica, a violação sistemática dos mais elementares direitos humanos, de falsos processos para sepultar os opositores em prisões imundas e submetê-los a vexames até enlouquecê-los, matá-los ou impeli-los ao suicídio. Os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente.

DESCARAMENTO

Mas de Luiz Inácio Lula da Silva, governante eleito em eleições legítimas, presidente constitucional de um país democrático como o Brasil, seria de esperar, pelo menos, uma atitude um pouco mais digna e coerente com a cultura democrática que teoricamente ele representa, e não o descaramento indecente de exibir-se, risonho e cúmplice, com os assassinos virtuais de um dissidente democrático, legitimando com sua presença e seu proceder a caçada de opositores desencadeada pelo regime no mesmo instante em que ele era fotografado abraçando os algozes de Zapata.

O presidente Lula sabia perfeitamente o que estava fazendo. Antes de viajar para Cuba, 50 dissidentes lhe haviam pedido uma audiência durante sua estadia em Havana para que intercedesse perante as autoridades da ilha pela libertação dos presos políticos martirizados, como Zapata, nos calabouços cubanos. Ele se negou a ambas as coisas.

Não os recebeu nem defendeu sua causa em suas duas visitas anteriores à ilha, cujo regime liberticida sempre elogiou sem o menor eufemismo.

Além disso, este comportamento do presidente brasileiro caracterizou todo o seu mandato. Há anos que, em sua política exterior, ele desmente de maneira sistemática sua política interna, na qual respeita as regras do estado de direito, e, em matéria econômica, em vez das receitas marxistas que propunha quando era sindicalista e candidato - dirigismo econômico, estatizações, repúdio dos investimentos estrangeiros, etc. -, promove uma economia de mercado e da livre iniciativa como qualquer estadista social-democrata europeu.

Mas, quando se trata do exterior, o presidente Lula se despe de suas vestimentas democráticas e abraça o comandante Chávez, Evo Morales, o comandante Ortega, ou seja, com a escória da América Latina, e não tem o menor escrúpulo em abrir as portas diplomáticas e econômicas do Brasil aos sátrapas teocráticos integristas do Irã.

O que significa esta duplicidade? Que Lula nunca mudou de verdade? Que é um simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral? Segundo alguns, os desígnios geopolíticos para o Brasil do presidente Lula estão acima de questiúnculas como Cuba, ou a Coreia do Norte, uma das ditaduras onde se cometem as piores violações dos direitos humanos e onde há mais presos políticos.

O importante para ele são coisas mais transcendentes como o Porto de Mariel, que o Brasil está financiando com US$ 300 milhões, ou a próxima construção pela Petrobrás de uma fábrica de lubrificantes em Havana. Diante de realizações deste porte, o que poderia importar ao "estadista" brasileiro que um pedreiro cubano qualquer, e ainda por cima negro e pobre, morresse de fome clamando por ninharias como a liberdade? Na verdade, tudo isto significa, infelizmente, que Lula é um típico mandatário "democrático" latino-americano.

Quase todos eles são do mesmo feitio, e quase todos, uns mais, outros menos, embora - quando não têm mais remédio - praticam a democracia no seio dos seus próprios países, mas, no exterior, não têm nenhuma vergonha, como Lula, em cortejar ditadores e demagogos, porque acham, coitados, que desta maneira os tapinhas amistosos lhes proporcionarão uma credencial de "progressistas" que os livrará de greves, revoluções e de campanhas internacionais acusando-os de violar os direitos humanos.

Como lembra o analista peruano Fernando Rospigliosi, em um artigo admirável: "Enquanto Zapata morria lentamente, os presidentes da América Latina - entre eles o algoz cubano - reuniam-se no México para criar uma organização (mais uma!) regional. Nem uma palavra saiu dali para exigir a liberdade ou um melhor tratamento para os mais de 200 presos políticos cubanos." O único que se atreveu a protestar - um justo entre os fariseus - foi o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera.

De modo que a cara de qualquer um destes chefes de Estado poderia substituir a de Luiz Inácio Lula da Silva, abraçando os irmãos Castro, na foto que me revoltou o estômago ao ver os jornais da manhã.

Estas caras não representam a liberdade, a limpeza moral, o civismo, a legalidade e a coerência na América Latina. Estes valores estão encarnados em pessoas como Orlando Zapata Tamayo, nas Damas de Branco, Oswaldo Payá, Elizardo Sánchez, a blogueira Yoani Sánchez, e em outros cubanos e cubanas que, sem se deixarem intimidar pelas pressões, as agressões e humilhações cotidianas de que são vítimas, continuam enfrentando a tirania castrista. E se encarnam ainda, em primeiro lugar, nas centenas de prisioneiros políticos e, sobretudo, no jornalista independente Guillermo Fariñas, que, enquanto escrevo este artigo, há oito dias está em greve de fome em Cuba para protestar pela morte de Zapata e exigir a libertação dos presos políticos.

O curioso e terrível paradoxo é que no interior de um dos mais desumanos e cruéis regimes que o continente conheceu se encontrem hoje os mais dignos e respeitáveis políticos da América Latina.

Diógenes e o Bar do Mineiro em Santa Teresa

O colega Romildo Guerrante enviou ao Correio da Lapa um email com foto e perfil de uma das personalidades mais marcantes do charmoso bairro carioca de Santa Teresa: Diógenes, que aparece na imagem varrendo o asfalto diante do seu Bar do Mineiro. Eis o texto do jornalista Romildo:

Essa figura aí da foto é um ex-colega do Banco do Brasil, Diógenes Paixão, marchand e um dos maiores colecionadores de Volpi no Brasil. Há cerca de 30 anos, fomos vizinhos na Rua Aarão Reis, em Santa Teresa, quando nos frequentamos muito. Uma cunhada dele preparava uma feijoada de arrepiar. E nós éramos convidados sempre. Lá conhecemos muita gente que vivia de arte. Diógenes sempre conviveu com isso. Mas ele tinha alguns sonhos interessantes, como o de ser dono de botequim. E tanto fez que comprou um pé-sujo na Rua Paschoal Carlos Magno, que se chamava, na época, rua Mauá. O Bar do Rosa era um botequim mal frequentado, que vivia de vender cachaça e prato feito para gente que não tinha onde cair morto. Mas Diógenes foi, aos poucos, mudando as características do bar. Foi adaptando o bar, mudando a frequência, convidando artistas, enfeitando as paredes com coisas de bom gosto. Em poucos anos o Bar do Mineiro virou um sucesso. Até hoje é um sucesso, principalmente pela feijoada que rolava na casa dele, e que foi transplantada para o bar... Mas Diógenes não muda a rotina: todo dia, exceto segunda-feira, quando o bar não abre, ele vai pro meio da rua de pá e vassoura para recolher o lixo que os frequentadores do bairro atiram em todos os cantos. Diógenes chega sempre antes dos garis da Comlurb. E os garis torcem para que o exemplo dele prolifere, assim o bairro ficaria mais limpo - e, claro, o trabalho pesado deles diminuiria. Diógenes Paixão é mineiro de Carangola, não larga as raízes, mas é um carioca que jamais abandonaria o Rio por Nova York ou Paris, as duas cidades que mais admira no mundo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Salvatore Quasimodo, Leopardi e Dilma Rousseff

Ognuno sta solo sul cuore della terra / trafitto da un raggio di sole: / ed é subito sera.

TRADUZO QUASIMODO, DA SICILIA, MA BADA, CHE ROBA PAZZESCA É QUESTO PICCOLO POEMA:

Cada pessoa se sente firme no centro do universo e curte as luzes do amor, e de repente escurece.



TRADUZO GIACOMO LEOPARDI, PARA SILVIA: COMECINHO DO POEMA:

Silvia, rimembri ancora / Quel tempo della tua vita mortale, / Quando beltà splendea / Negli occhi tuoi ridenti e fuggitivi, / E tu, lieta e pensosa, il limitare / Di gioventù salivi?

Oi, se lembra do tempo em que você era mortal, com uma beleza resplandecente nos olhos risonhos e ágeis? Se lembra quando você, alegremente pensativa, galgava os degraus da juventude?

All’apparir del vero / Tu, misera, cadesti: e con la mano / La fredda morte ed una tomba ignuda / Mostravi di lontano...

TRADUZO LEOPARDI, PARA SILVIA, FINZINHO DO POEMA:

Com o surgimento da verdade, você, pobrezinha, caiu e ficou na distância com a mão apontando para a frieza da morte e a crueza do túmulo...

Brasil dos pobres de Lula e dos pobres de Serra

KIT DO BRASILEIRO

*Vai transar?*
O governo dá camisinha.



*Já transou?*
O governo dá a pílula do dia seguinte.




*Teve filho?*
O governo dá o Bolsa Família..


*Tá desempregado?*
O governo dá Bolsa Desemprego.



*Vai prestar vestibular?*
O governo dá o Bolsa Cota.



*Não tem terra?*
O governo dá o Bolsa Invasão e ainda te aposenta.




*Mas experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece!*




"Trabalhe duro, pois milhões de pessoas que vivem do Fome-Zero e do Bolsa-Família, sem trabalhar, dependem de você"





Se vc é brasileiro passe adiante.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Lula critica imprensa por suposta mania de desvio

"Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados".
Millôr Fernandes


Imprensa brasileira não gosta de falar de inauguração de obras, critica Lula

Isabela Vieira, repórter da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje, 8 de março de 2010, duras críticas à imprensa durante inauguração de obras na Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ao comentar a publicação de uma reportagem questionando a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na inauguração de um hospital ontem (7), na Baixada Fluminense, o presidente disse que “há um desvio de comportamento” na imprensa.

“A imprensa brasileira, por hábito, ou por desvio, não gosta de falar de obras inauguradas. Quando a coisa está boa não interessa. O que interessa é a desgraça.”

O presidente justificou a participação da ministra explicando que a construção do hospital com verbas do governo estadual só foi possível porque o governo federal financia outras unidades ou construções na área de saúde.

Para o presidente, a imprensa privilegia fatos menos relevantes. “É um desvio de comportamento. Quase nenhuma obra de inauguração merece matéria. O que merece é uma gafe, um erro que a gente comete ou alguma coisa que não aconteceu”, criticou o presidente.

Fanatismo mata centenas de cristãos na Nigéria

Cerca de 500 pessoas mortas em confrontos étnicos e religiosos

Por Ana Salgueiro

Lagos, Nigéria, 08 mar (Lusa) - Cerca de 500 pessoas de três aldeias cristãs localizadas junto a Jos, no centro da Nigéria, foram mortas na sequência dos ataques perpetrados por um grupo étnico muçulmano, anunciou hoje um funcionário governamental do Estado de Plateau.

"Pelo menos 500 pessoas foram mortas devido a um ato abominável levado a cabo pelos pastores Fulani, de etnia muçulmana", precisou o mesmo responsável, adiantando que 95 pessoas foram já detidas.

O número de vítimas mortais não é, no entanto, consensual, dado que outras fontes referem um saldo diferente, com Shamaki Gad Peter, membro de uma Organização Não Governamental de Defesa dos Direitos do Homem, a indicar a existência de "202 corpos". Um outro membro da organização, Shehu Kani, evoca 250 mortos.

© 2010 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

domingo, 7 de março de 2010

Menino fumando aos seis anos de idade


Humor na internet:

Um sujeito está andando na rua e vê o Pequeno Johnny a fumar um cigarro.
Impressionado com tal situação ele diz:
-MAS O QUE É ISSO??? VOCÊ AINDA É UMA CRIANÇA… NÃO PODE FUMAR!
Johnny olha para cima mas não diz nada.
O homem ainda perplexo com a situação, pergunta:
"Filho, quantos anos você tem?"
O pequeno Johnny responde: "Seis."
Atordoado, o homem diz: "Seis!? Mas isto não pode ser… Você é muito pequeno ainda…
Quando você começou a fumar?"
Johnny responde:
"Logo após a primeira vez que fiz sexo".
O QUÊ?????
"Logo após ter feito sexo? Mas quando foi isso?"
Little Johnny responde:
"Já não me lembro. Estava bêbado".

sexta-feira, 5 de março de 2010

Uma lágrima por Johnny Alf

Por Marcelo Moutinho
no seu excelente blogue Pentimento *

Sobretudo quando se trata de música, nossas afinidades eletivas não se esgotam no senso estético, na mera avaliação crítica. A memória afetiva tem razões estranhas, desviadas, singulares (sempre). Assim, ao lamentar aqui a morte do grande Johnny Alf, não vou me deter no seu talento, na capacidade de inovar, na importância para a música brasileira – tópicos que serão, merecidamente, destacados em todos os epitáfios.

Minha homenagem se dá a partir de lembranças pessoais. Da primeira vez em que ouvi o nome de Alf: eu era bem garoto e meu pai, que sempre organizava serestas em nossa casa de Madureira, pediu que cantassem Eu e a brisa. Ele então se virou para mim e comentou: “Filho, essa música foi eliminada na primeira fase de um festival. Você acredita?”.

Foi curioso, porque isso me fez prestar uma atenção especial naquela canção. Parecia diferente das que costumavam fazer parte do repertório das festas do pai, destoava dos boleros, dos sucessos de Nelson Gonçalves e Altemar Dutra que em geral dominavam as reuniões musicais.

Já adulto, comprei o CD Cult Alf, e conheci um pouco melhor a obra do artista. Mas foi na casa de meu amigo Rodrigo Zaidan, maestro e pianista, que me aproximei definitivamente de Alf. Rodrigo era meu vizinho na Urca, e costumávamos promover pequenos saraus na casa dele, chamando músicos conhecidos nossos para beber, tocar e cantar. Ontem, ao saber da morte de Alf, deu uma baita saudade dessa época. Um tempo de risos largos, parcerias, de conversas na varanda defronte à vista-poesia dos barcos da Urca. Meu reencontro comigo mesmo, depois de uma temporada de vazios.

Às vezes, eu comprava uma caixa de cerveja, descia da Av. São Sebastião (onde morava) para a Av. João Luís Alves (onde fica a casa do Rodrigo) e passávamos horas e horas escutando discos, bebendo, papeando. Foi numa dessas ocasiões que ele me mostrou o CD Olhos negros. Era uma cópia velhinha, cujo encarte trazia marcas de liquid paper (soube, depois, que cobriam a dedicatória de uma ex-namorada do Rodrigo).

Olhos negros, uma seleta em que as canções de Alf ganharam interpretações de Gal Costa, Zizi Possi, Emilio Santiago, Leny Andrade, Caetano Veloso e muitos outros, virou imediatamente meu "disco de cabeceira". Eu e Rodrigo sempre voltávamos a ele, comentando as expressões inusuais que Alf usava nas letras ("me apraz essa ilusão à toa", "ah, o evento do amor"...), os arranjos, a beleza amargurada daquelas músicas. Como estava fora de catálogo, Rodrigo reproduziu o disco para mim, mas acabei dando essa cópia para alguém que não a merecia. Vida que segue.

No ano passado, reencontrei o CD, que voltou às lojas, e - claro - comprei-o. Ontem, retirei do armário e, desde a manhã de hoje, é Olhos negros que está tocando: em casa, no carro, no computador em que digito essas palavras, com as janelas do peito escancaradas. Um saudação àquelas noites na Urca; uma lágrima por Johnny Alf.

O depoimento de João Carlos Rodrigues

Logo que li a notícia do falecimento, enviei um email ao jornalista e escritor João Carlos Rodrigues. Fã de primeira hora, produtor de discos de Alf e agora seu biógrafo, João Carlos certamente está sentindo fundo a morte. Disse-lhe, na mensagem, que o espaço estava aberto aqui no Pentimento, caso quisesse homenagear o compositor. E ele nos deu, mais do que uma simples declaração, um lindo depoimento sobre o artista que acabamos de perder. Com a palavra, João Carlos Rodrigues:

“Ele foi grande. E um inovador, pai de uma das correntes principais da bossa nova, o samba jazz (a outra é o samba zen do João Gilberto). Cantava como ninguém e teve como influenciados gente importante como Leni Andrade, Simonal, Ellis, Emílio Santiago, quem sabe lá até Elza Soares. Pro meu gosto era melhor que todos eles. E como pessoa era uma jóia, educado, delicado, intelectualizado, nunca reclamou de nada, e olhe que não teve muita sorte na vida. Adorava o cinema de Antonioni, Tarkovsy mas também Gene Kelly e Vincente Minnelli.

Eu produzi dois discos dele ("Cult Alf" e "Eu e a bossa" e também dois vídeos) e posso falar. O primeiro eu tento relançar há dois anos e nenhuma gravadora quis, nem a Biscoito Fino, nem a Trama, sem falar nas majors. Estou também escrevendo a biografia dele para a coleção Aplauso, tarefa nada fácil, pois não guardou uma foto, um documento, nada, era inteiramente só.

A perda do amigo não vai me afastar dessa empreitada, vai ser a minha última homenagem. Se alguém puder ajudar com alguma informação ou foto ou documento do período da sua juventude (anos 50 até 70) seria de grande ajuda. Ou da misteriosa fase de Ribeirão Preto nos anos 70/80. Ele merece qualquer sacrifício. Séculos atrás eu conheci o João Gilberto em Nova York e, conversa vai, conversa vem, um dia perguntei sobre o Alf (para os íntimos era Alf, para os outros, era Johnny). O João deu aquela pausa, coçou a cabeça e depois falou: "Johnny era tudo". Não há como não concordar. Foi com ele que começou a renovação, lá em 1951, 52. Mais cedo ou mais tarde o Brasil vai ter seu reencontro com esse grande músico.

Ficou o projeto de um disco de estúdio, "Avatar", onde entre músicas inéditas, haveria gravação de "Tudo que aprendi do amor" da Fátima Guedes (nessa ele dava show) e da velha seresta "Noite cheia de estrelas", que ele cantava divinamente transformando o belcanto do Vicente Celestino numa suavidade só, e dissonante, e para terminar "Quando eu me chamar saudade" do Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, aquela que diz "sei que amanhã quando eu morrer os meus amigos vão dizer que eu tinha bom coração/ alguns até hão de chorar e querer me homenagear fazendo de ouro um violão/ mas depois que o tempo passar/ sei que ninguém, vai se lembrar que eu fui embora/ porisso é que eu canto assim/ se alguém quiser fazer por mim, que faça agora". Sic transit gloria mundi. Me desculpem que agora vou dar uma chorada. E a vida continua, um pouco mais pobre".

* Escrito em 05 de março de 2010

Dura Lex: Souza Cruz não tem de indenizar fumante

Rio de Janeiro, 5 de março:
Justiça: pode fumar que o problema é seu,
não do fabricante!

A 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) confirmou na última terça (2/3), porunanimidade (3x0), dec isão de 1ª instância e rejeitou a ação indenizatória proposta por Rachel Rosenberg contra a fabricante de cigarros Souza Cruz. O TJ/RJ já rejeitou outras 33 ações indenizatórias similares por danos atribuídos ao consumo de cigarros. Em âmbito nacional, existem mais de 560 pronunciamentos judiciais, de 1ª e 2ª instâncias, rejeitando esse tipo de demanda, totalizando 285 casos encerrados, sem qualquer pagamento.

Outros 14 Tribunais Estaduais de todo o país também já se pronunciaram sobre
o tema, totalizando 183 decisões de 2ª instância pela rejeição desse tipo de demanda.

O caso teve início com uma ação indenizatória proposta por Rachel Rosenberg na 38ª Vara Cível do Rio de Janeiro. Em síntese, a autora alega que seu marido teria falecido em decorrência de males pulmonares e cardíacos associados ao consumo de cigarros. Como reparação, solicitava indenização por danos morais
e materiais. No entanto, a juíza de 1ª instância rejeitou os pedidos indenizatórios da autora com base, dentre outros argumentos: no livre arbítrio dos consumidores em optar (ou não) por fumar, já que a decisão de consumir o produto é uma questão de livre escolha; na ausência de nexo causal direto e imediato entre os
danos alegados e o consumo de cigarros; e na licitude da atividade de produção e comercialização de cigarros.

Na decisão confirmada pelo TJRJ, a juíza de 1.ª instância ressaltou ainda que "não se pode atribuir à ré a conduta do consumidor, que fuma livremente, por opção exclusiva e pessoal". Rachel Rosenberg recorreu, levando o caso à 1ª Câmara Cível do TJRJ. No entanto, os desembargadores confirmaram a decisão de 1ª instância e rejeitaram os pedidos indenizatórios da autora. Até o momento, já foram propostas 70 ações dessa natureza contra a Souza Cruz no Rio de Janeiro, sendo que o Judiciário carioca já proferiu 85 decisões, de 1ª e 2ª instâncias, afastando tais pretensões indenizatórias, totalizando 46 casos já encerrados. De acordo com a Souza Cruz, até o momento, do total de 601 ações judiciais ajuizadas contra a Companhia desde 1995 em todo o país, pelo menos 385 possuem decisões rejeitando tais pretensões indenizatórias (285 definitivas) e 15 em sentido contrário (as quais estão pendentes de recurso). Em todas as 285 ações com decisões definitivas já proferidas pelo Judiciário brasileiro, as pretensões indenizatórias dos fumantes, ex-fumantes ou seus familiares foram afastadas.

Correio da Lapa na parada:
Como dizia o amigo poeta Luiz F. Papi, ele mesmo um ex-fumante, mas com a sabedoria de um Rubem Braga: "Fumar faz mal ao bolso". Já o cronista maior se declarava contra a cruzada de reperessão aos tabagistas com a seguinte frase para irritação dos proselitistas precursores incaicos dos Dudu boys na Prefeitura:
"Quem quiser fumar que se fume".

Ora, todos sabemos que fumar faz mal. Da mesma forma sabemos que a birita, idem. Sobre a danada, Papi, com extrema ironia, também tinha uma pérola de sua própria lavra emocional:
"Sabe que bebe, por que faz mal?"

Fumante que não for analfabeto sabe muito bem o que faz com os pulmões!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Luiza Brunet em lingerie na soleira da juventude

Foto de Danilo Borges / Maxim, diulgação em 2010 para uma lingerie

A solteira na soleira da eterna juventude

Luiza Brunet em março de 2010: Tenho prazer em mostrar meu corpo. Você tem que chegar no espelho e ficar orgulhosa, se achar linda e se sentir poderosa. Não tenho necessidade compulsiva de sexo nem de ter um homem a meu lado. Tem sido muito gostoso ficar comigo mesma. Agora meus namorados são meus filhos.


Luiza Brunet became a celebrity in the 80's, as a model of Dijon, a sexy simbol rivaling with young girls like Xuxa. Luiza viene sposata nel 1985 dal argentino Armando Fernandez. Oggi é divorziata. Da relação com o antiquário que vive no Brasil nasceram Yasmin, em 1988, e Antônio, em 1997. Yasmin Brunet suit les étapes de sa mère comme top model.. Luiza ha lavorato nella televisione como atrice, ma non é mica una grande stella in questo campo teatrale.

Luiz Brunet verließ die Dijon und kämpfte für die Nachname in to give Gerechtigkeit. The owner Humberto Saade had registered Brunet as his trade mark. The young girl was 24 years of age when she travelled for Europe. Luiza Brunet aparecía en publicaciones populares como Figaro y trabajaba para las marcas famosas como Calvin Klein. Assim consolidou a fama.

Luiza nasceu no mato, Itaporã, em Mato Grosso do Sul. Elle a voyagé pour Rio de Janeiro à neuf ans d'âge, s'est devenue baby-sitter à 12 ans et s'est marié aux 16 avec l'entrepreneur Gumercindo Brunet. O sobrenome Brunet vem do francês arcaico, diminutivo de "brun", que sigmifica marrom, termo originário de um alemão ainda mais antigo, brown, brown sugar, yeah! Brunet então é o nosso galicismo para moreninha. A vitória há de ser tua, tua, moreninha prosa, lá no Céu a própria Lua não é mais formosa. Luíza nós te damos grau 10! Exibição Dez! Nota Dez! Brunet, apenas o de Luiza é um carnaval incomum. Em si o sobrenome é um Pereira da Silva mundo afora, como se pode ver nesta galeria de fotos extraídas ao leu na profusão do Facebook, Google Image e congêneres:Marie Brunet


Julia Brunet


Tessie Brunet


Carolina Brunet


Angelina Brunet


Cristina Brunet



Anne Brunet


Beth Brunet


Aline Brunet

Com os filhos neste verão, a ex-modelo que virou de novo modelo

quarta-feira, 3 de março de 2010

Ao queimar gente, Rio pode perder Jogos de 2016

EDITORIAL DO CORREIO DA LAPA

Crime e castigo,

gente queimada
e os riscos de o Brasil e
o Rio de Janeiro
perderem 2014 e 2016


Cem soldados do 18º BPM, em Jacarepaguá, e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) reforçavam na manhã de hoje o patrulhamento na Cidade de Deus, favela ocupada pela UPP, na Zona Oeste, onde ontem à noite, terça-feira 2 de março de 2010, pelo menos quatro facínoras incendiaram um micro-ônibus com 25 pessoas a bordo. Não houve tempo para escapar. Dos 13 feridos, cinco em estado grave. Destas cinco, duas vítimas foram levadas para o Hospital Souza Aguiar, no Campo de Santana, Centro do Rio de Janeiro, uma para o Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), quase no Largo do Estácio, uma para o Hospital da Amil, na Barra da Tijuca, e uma para o Hospital do Andaraí, na Zona Norte e outrora referência em tratamento de queimaduras.

Depois de mais de um ano de ocupação da Cidade de Deus pelos homens da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da PM, eis uma infeliz resposta: o Rio está sob comando de dupla insensatez: de um lado as autoridades com a política de confrontação e propaganda, do outro o crime desorganizado, o crime que faz o varejo das cargas dos carteis internacionais das drogas. Os "soldados" favelados do tráfico raramente chegam aos 30 anos de idade no Brasil.

É uma guerra de Pirro, aquele general romano que venceu, mas não convenceu. Num confronto de 30 mil contra 30 mil - os números não foram bem estes -, o comandante dizimou os inimigos, sem poupar uma vida sequer. Mas ao cabo da batalha, constatou o militar imperial que lhe restava pouco, umas poucas centenas de homens. Exclamou então: Caraca, esta vitória não valeu a pena. Ganhei mas não levei. Meus valorosos homens também tombaram aqui.

Pois a propaganda tenta fazer a vitória de Pirro valer a pena como uma política de segurança todo dia. Na década de 1960, a grande Clarice Lispector escreveu em tom de lamento delicadamente bíblico: Rio de Janeiro, cidade de seiscentos mil mendigos! Hoje a metrópole tem 900 favelas. O governo põe a UPP em cinco ou seis delas e faz propaganda. Sim, está limpando as favelas da Zona Sul, perto das praias e dos turistas, tirando a bandidagem de jovens e até adolescentes e botando no lugar serviços sociais, quadras, cursos, lan houses, banda larga de graça etc, mas, e as outras 895 comunidades?

Agora vem uma favela ocupada pela Pacificadora e incendeia um ônibus. Claro, não foi a gente humilde que botou fogo. Quem incendeia é o império, seja do crime, seja da lei. Nero, qual Cesar Maia, fez o Roma-Cidade, ajardinou tudo, urbanizou, e depois tacou fogo na Cidade Eterna. Cesar Maia, Eduardo Paes, Garotinho, Sergio Cabral, todos querem bem à Cidade Maravilhosa mais como um aparecer bem na Globo, razão de Estado, do que efetivamente oferecer boas escolas secundárias e professores preparados e bem pagos para a massa humilde.

O problema é que o poder da mídia no Brasil vai se deparar com um desafio sem precedentes nos próximos três anos. Não é nenhuma ameaça às liberdades, tipo a presidenta Dilma Rousseff se travestindo de um Hugo Chávez no próximo quadriênio. Não, nada disso, o desafio, quase uma ameaça, é uma liberdade de imprensa ainda maior, vinda do Primeiro Mundo e vinda via internet, incensurável. Com a escolha do Rio como sede olímpica em 2016, e com o Brasil devendo sediar a Fifa em 2014, quem vai avalizar ou arrebentar com a política de segurança do Brasil, seus resultados e sua propaganda, é a mídia europeia e americana.
Está chegando a hora da verdade. O Correio da Lapa reza para estar errado, não quer ser pessimista, torce para os dois mega-eventos esportivos se realizaram em nossa terra mãe gentil com civilidade e confraternização dos povos. Mas não esquece: a Colômbia tentou isso, ganhou a sede da Fifa e, na undécima hora, teve sua indicação cassada na Suíça por causa da violência. E um ano antes, o México, que sediara a Copa de 1970, ganhou o direito de repetir a dose em 1986, aquela daquele gol de mão de Maradona.

Se o Brasil não abrir o olho, a máfia internacional chantageia Deus e o Mundo e, em vez de queimar ônibus com gente humilde e humilhada numa favela, incendeia um Airbus cheio de turistas brancos de olhos azuis. Nos bastidores do sereno Financial Times, em Londres, já estariam especulando um plano B caso a propaganda brasileira perca a guerra para a violência de fato nas ruas do outrora João do Rio. O risco, segundo essas especulações estrangeiras, seria o de ocorrer uma ação espetacular do crime, seja o desorganizado infanto-juvenil desses brasileiros sangrentos, seja o crime organizado de máfias internacionais. O risco seria alguém disparar contra uma grande aeronave decolando ou aterrissando na Ilha do Governador.

Tecnicamente, é até simples derrubar um mega aparelho. Sobra trabuco no Dendê e noutras favelas nas imediações do Aeroporto Tom Jobim. Em qualquer caso diante deste cenário terrível - três vezes na madeira -, quem levaria a culpa seriam os jovens traficantes que botam fogo em ônibus com gente dentro e a política brasileira por fora, teimosa que nem mula, e ainda manca.

Hoje choramos a tragédia de 13 pessoas inocentes ardendo no inferno da intolerância. Mas estamos anestesiados em nosso individualismo, nossas convicções que a propaganda nos impinge. Sim, caçar esses facínoras piropatas. Mas não perder de vista a sensibilidade. Quem faz a criança é o pai e a mãe. Quem faz o jovem marginal, sou eu e você. Quem apregoa a redução da idade para efeitos de punição contribui para a intolerância. Em vez de atacar as causas complexas do problema, essas pessoas indignadas jogam para o efeito imediato. Não contribui para diminuir a violência quem, com sangue quente, defende a condenação desses facínoras de 16 anos como se fossem velhos conscientes de que não tiveram educação e por isso, punidos por antecipação, podem cometer atrocidades porque já estão condenados antes de cada tragédia entrar na pauta da mídia e em nossas casas.

Fossem os 13 inocentes queimados no micro-ônibus 13 brancos ingleses de olhos azuis, os cartolas esportivos de Chicago, Madri e Tóquio sorririam esfregando as mãos e cantarolando: A copa de 2014 não é mais nossa. Com brasileiro, não há quem possa. Chegamos ao fundo da fossa.

Remédio? Não temos, porque dizem que não há recursos para a educação dos jovens humildes já quase na idade de se metamorfosearem em novos facínoras. O tempo urge. O risco ruge. E o rugido não é alvissareiro.


Por Alfredo Herkenhoff

A imagem chega


Suzanne Anker
Detail from Astroculture, LED sculpture for growing vegetables, 2009

terça-feira, 2 de março de 2010

Resumo de significado da arte em um minuto



Arte é uma manifestação humana, uma expressão da vida que se reconhece. Arte é uma linguagem emotiva em diversos níveis de controle e descontrole. Arte é reconhecimento da própria arte, desenho rupestre, catedral, música, boneco de Vitalino, abstração de Soulages, ready-made de Duchamp, ficção de Verne, Oiticica, Clark, Vik, Milhazes, Cildo, Shag, Waltércio. Tudo foi arte. A contemporânea é o novo, uma forma específica de conhecimento com linguagem inédita, experimental. Se não for assim, não é arte e nem terá sido. Arte que hoje não experimenta, não se aguenta, ilustra.

By Correio da Lapa

Resumo de ciência exata em menos de 1 minuto

Ciência exata é uma linguagem que busca a sua própria confirmação, seus conceitos perduram enquanto puderem ser comprovados. As paralelas são retas que nunca se encontram no espaço euclidiano da terra grega. No sideral, curvo, as retas se encontram no espaço geodésico. A ciência exata vive de superação de problemas. A terra já foi vista como centro do Universo. Hoje, mais humilde, vive de seus pontos de vista. Um dos seus maiores desafios é ampliar a noção da matéria e das origens da vida. A ciência tem nas linguagens das artes um estímulo para avançar no mundo da física pós Einstein e da biologia pós DNA.
By Correio da Lapa

Resumo de ciências sociais em menos de 1 minuto


Ciências sociais são linguagens sobre o comportamento do homem e suas tribos. São ciências com elevado teor de subjetividade e se valem de crônicas dos livros e dos jornais para sucessivas reavaliações. Essas ciências são discursos sobre discursos anteriores. São ciências ideológicas, impositivas, buscando noções sobre a vida no tempo e na história. A maioria desses discursos se perde no próprio ato em que emerge enquanto teoria ou análise. Poucas erupções analíticas provocam terremotos culturais. Exemplos desses furacões temos em Kant, Marx, Freud, Heidegger, Foucault e Derridà.

By Correio da Lapa

Resumo do significado da poesia em um minuto


Uma rosa é uma rosa é uma rosa. Tudo certo como 2 e 2 são 5. Moro onde não mora ninguém. Estou doido para ficar maluco. Para ser doido na Paraíba é preciso ter muito juízo. Olha a rosa pequenina. Se Deus não existisse, o homem O teria inventado. Poesia é extração de sentidos novos em palavras velhas. São palavras musicalmente de bom humor.
By Correio da Lapa

Resumo do significado de filosofia em um minuto


Filosofia é o amor ao desenvolvimento de linguagens sobre a produção de conhecimento e suas comprovações no tempo subjetivo de quem investiga. Filosofia, como todo conhecimento, é um discurso sobre discursos anteriores. A filosofia busca constantemente depurar-se de subjetivismo, mesmo sabendo da enteléquia, isto é, do impasse, da impossibilidade de se completar como ciência exata.
By Correio da Lapa

Resumo do significado do sexo em menos de um minuto


Sexo é atividade instintiva de reprodução de seres vivos e atividade que gera prazer e problemas.

By Correio da Lapa

Resumo do significado do amor em um minuto


O amor é a maior e a mais generosa das virtudes. É o ato de doar sem exigência de aparição marqueteira na televisão ou qualquer outro espaço de celebração da fama. Doar é o que se tem: talento, dinheiro, solidariedade, afeto. O amor é uma força comparável por algumas pessoas a um valor sobrenatural, divino. O amor une as pessoas.
By Correio da Lapa

Resumo do significado da ira em um minuto


A ira é a revolta do ser contra pessoas e ambientes. Reveste-se em alguns casos de mágoa e afastamento, noutros de assaltos e apunhalamentos, de tortura e sangue. A ira é o contrário do amor. O assassino, mesmo se passando por bom chefe de família, pai bondoso, não passa de um charlatão.
By Correio da Lapa

Resumo do significado de política em um minuto


Política é a arte de administrar um orçamento em nome dos que dependem destes recursos. Há política na forma de uma família gastar o dinheiro que ganha e há também na forma como os partidos no poder gerenciam os impostos e as leis sempre em processo de mudança. Como quem administra tem este poder de gastar riquezas, o cargo político gera uma luta tipo vale-tudo. Como dizia um coronel baiano, em política não há crimes, só eliminação de obstáculos. Para o político, os obstáculos são a imprensa independente que denuncia o escândalo, a lei que reprime a safadeza e os adversários que exploram as falhas em qualquer circunstância.
By Correio da Lapa

Resumo do significado da Bíblia em um minuto


Livro que conta a história do universo - tempo, matéria e espírito. Antes, quando não havia nada, e nem o nada existia, surgiu Deus que, entediado, inventou seu semelhante, o homem, e fez tudo surgir em seis dias. No sétimo, descansou. E de lá para cá, haja merda...

By Correio da Lapa

segunda-feira, 1 de março de 2010

Por que há tão poucos negros no Facebook?

Quase não há jovens negros brasileiros no Facebook. A história os absolveu, mas a exclusão social é uma realidade e uma verdade estatística que a propaganda política não consegue desmentir na internet, prefere iludir na TV aberta.

Rio de Janeiro! 445 anos! Parabéns! E o resto?


Em 1º de março de 1565, Estácio de Sá, exatamente no lugar onde afloram essas rochas graníticas em primeiro plano da foto acima, lançou os fundamentos da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

De lá para cá, quer dizer, do período um pouco anterior, das nevegações, o cenário mundial registra os seguintes fatos sempre ocorridos nos idos de um primeiro de março:

Em 1493: A caravela La Pinta atraca no porto de Bayona, Espanha, de regresso da América. Foi o primeiro sucesso da expedição de Cristóvão Colombo.
Em 1498: O navegador e explorador português Vasco da Gama chega ao atual Moçambique.
Em 1553: Duarte da Costa é nomeado governador-geral do Brasil em substituição a Tomé de Sousa.
Em 1562: Começam as Guerras religiosas na França com o massacre de cerca de mil huguenotes por católicos em Wassy.
Em 1565: Estácio de Sá lança os fundamentos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao rei Sebastião I.
Em 1580: O filósofo francês Michel de Montaigne publica os livros I e II de seus 'Ensaios' (Essais). Em 1633: Samuel de Champlain reivindica seu papel de comandante da Nova França em nome do Cardeal de Richelieu.
Em 1781: O Congresso Continental adota os Artigos da Confederação.
Em 1792: Início do reinado de Francisco I da Áustria.
Em 1803: Ohio torna-se o 17º estado norte-americano, sendo o primeiro território do Território do Noroeste a ser elevado à categoria de estado.
Em 1811: Líderes da dinastia Mameluca são mortos pelo governante egípcio Mehmet Ali.
Em 1815: Napoleão Bonaparte retorna à França depois do seu exílio na ilha de Elba. Em 1835: Manuel Oribe assume a presidência do Uruguai.
Em 1840: Louis Adolphe Thiers é nomeado primeiro-ministro da França.
Em 1845: Término da Revolução Farroupilha (David Canabarro assina o Tratado de Poncho Verde com Duque de Caxias). O presidente John Tyler assina a lei autorizando os Estados Unidos da América a anexarem a República do Texas.
Em 1854: O psicólogo alemão Friedrich Eduard Beneke desaparece; dois anos mais tarde seus restos mortais são encontrados em um canal próximo a Charlottenburg, Berlim. É proclamado o Plano de Ayutla com a finalidade de destituir Antonio López de Santa Anna, então ditador do México.
Em 1867: Nebraska torna-se o 37º estado dos Estados Unidos da América; Lancaster passa a chamar-se Lincoln e torna-se a capital do estado.
Em 1870: Fim da Guerra do Paraguai.
Em 1872: O Parque Nacional de Yellowstone, localizado nos estados estado-unidenses de Wyoming, Montana e Idaho, é criado como sendo um dos primeiros parques nacionais do mundo.

Em 1879: Bolívia declara guerra ao Chile (Guerra do Pacífico).

Em 1894: Realização das primeiras eleições diretas para presidente da República do Brasil.

Em 1896: Antoine Henri Becquerel descobre a radioatividade. As tropas etíopes de Menelik II derrotam o exército colonial italiano, dando término à Primeira Guerra Ítalo-Etíope.
Em 1921: A Alemanha recusa os acordos sobre reparações de guerra. Início da Revolta de Kronstadt. Em 1940: Francisco Franco estabelece lei contra 'maçons e comunistas' (Espanha).
Em 1941: Segunda Guerra Mundial: a Bulgária adere ao Pacto Tripartite e se junta às forças do Eixo, pouco antes de ser invadida pelas forças nazistas.
Em 1942: Guerra do Pacífico: término da Batalha do Mar de Java com a vitória das forças navais japonesas sobre os Aliados.
Em 1953: Josef Stalin sofre um ataque cardíaco e morre quatro dias depois.
Em 1966: A sonda espacial soviética Venera 3 estatelou sobre a superfície de Vênus, convertendo-se na primeira nave espacial a alcançar a superfície de outro planeta.
Em 1975: É lançado o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, conhecido como Dicionário Aurélio. Em 1980: A sonda espacial Voyager 1 confirma a existência de Jano (a lua de Saturno).
Em 1982: A sonda espacial soviética Venera 13 envia à Terra as primeiras imagens coloridas da superfície de Vênus.
Em 1992: Bósnia e Herzegovina declara sua independência da Iugoslávia.
Em 2000: A Constituição da Finlândia é reescrita.
Em 2002: O satélite para observação terrestre Envisat alcança com sucesso a órbita de 800 km acima da Terra em seu 11º lançamento.
Em 2005: Síria anuncia a retirada de suas tropas do Líbano.
Em 2006: Papa Bento XVI renuncia ao título de Patriarca do Ocidente.
Em 2008: Início de uma crise diplomática entre a Colômbia, Equador e Venezuela após a morte de Raúl Reyes, membro do secretariado da FARC na Colômbia.
E em 2009: este Correio da Lapa postava o 1º de março como avistavel neste link:


http://correiodalapa.blogspot.com/2009/03/manha-de-domingo-de-sol-no-rio-444-anos.html

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Alfaiate, Zeca, Elen Nas e mais artistas no Capela

Proibido cantar

no Capela


Por Alfredo Herkenhoff (postando neste Correio da Lapa na hora do sepultamento do grande sambista carioca)*


No Capela é proibido cantar. Ordem expressa de um dos sócios. O “galego” Francisco Almuzara Suarez é claro: “Aqui ninguém canta. Nem Roberto Carlos eu deixo. Aqui não é lugar de cantoria”. O espanhol já pagou um preço alto para manter a tradição de sua pequena intolerância. Em 2003, mesas agrupadas, dezenas de jovens universitários! A entrada do velho sambista Walter Alfaiate propiciou uma salva de palmas da garotada. Bem vestido como sempre, com a elegância de costume, Alfaiate atendeu a um pedido de umas tantas jovens universitárias, no rastro de uma euforia regada a chope e canto de parabéns, este o único que rápida e excepcionalmente Seu Chico tolera. E Alfaiate, dono de um dó de peito invejável, mesmo sabendo que não podia cantar, cantou um clássico de sua querida Portela. O gerente, irritado, primeiro manda os garçons Miro (Waldomiro Ferreira Almeida), Simão, Manoel Bezerra Motta e Antônio de Souza Ferreira avisarem que não pode. Em segundos, pisca a luz do Nova Capela. E em segundos mais, desliga o ar refrigerado. Em instantes, fregueses tradicionais avisam: não dá para ganhar essa guerra. E a cantoria cessa.

Mas no Capela se compõe música. A cantoria é tolerada, quando em grupo de três, no máximo quatro pessoas, tudo baixinho, quase num solilóquio. Canta-se muito, mas parece uma reza, um segredo que todo mundo quer ouvir, mas quem não quer, manda. É o velho gerente Chico, que tem lá suas razões. A restrição faz do Capela um lugar avesso a confusões. Ali nunca sai briga. Adolescente é sempre minoria. Numa noite se vê o cantor Zeca Pagodinho liderando uma roda que saiu do Carioca da Gema, a casa de música que faz sucesso na Mem de Sá, em frente ao restaurante. Noutra madrugada, a sambista Beth Carvalho surge acompanhada sempre por um séquito de artistas e intelectuais, quase todos com nostálgicas idéias socialistas. Noutra noite, bem...

Não há abecedário suficiente para uma lista que incluiria praticamente o nome de todo mundo no reino das celebridades, de Caetano Veloso ao ex-ministro José Dirceu, de Geraldo Pereira a Preta Gil com o pai ministro Gilberto Gil, de vários ex-presidentes da Petrobras a médicos cirurgiões, de Jacob do Bandolim a Ismael Silva, de Ana Carolina a Marcelo D2.

Mas, naquele dia, Walter Alfaiate ousou cantar, coroando uma algazarra que não dava bolas para a repressão de Chico Almuzara Suarez. Com a luz piscando e o gerente ameaçando fechar a casa com mais de 60 pessoas, o barman Alfredinho Melo, dono do Bip Bip, mas na condição de mero cliente solidário, toma as dores da alegria e discute com o colega de profissão diante da máquina registradora. O gerente irredutível. Alfaiate se senta sorridente. Alfredinho vai embora zangado levando a companheira Regina. No dia seguinte, o colega de O Globo Marceu Vieira, fiel assessor de Ancelmo Góis, bota em sua coluna o incidente. Dá um puxão de orelha no gerente do Capela. O jornalista, que acompanha Alfredinho Melo por noitadas, tinha razões de sobra para divulgar o pequeno bate-boca no salão. Mas quem conhece bem a boemia sabe que se deixar, desanda. O poeta francês Paul Valéry dizia que a maior liberdade vem do maior rigor. O próprio Alfredinho Bip Bip é famoso pelas broncas que dá quando alguém sola no cavaco, no seu bar minúsculo, em Copacabana, e a maioria simplesmente não ouve porque não quer ouvir nem cantar: prefere continuar na doce conversa fiada regada a cerveja em garrafa, na calçada, que dentro do Bip Bip não cabem 25 pessoas nem em pé.

Chico Almuzara Suarez tem seu lado tolerante. Você pode fazer tudo, menos cantoria e não pagar a conta. Pode ser rico ou pobre, machão, guloso, paquerador, gay. Qualquer coisa: menos estragar o que o gerente propala com orgulho: “Estou há 55 anos nesta casa e aqui é assim: não pode cantoria e pronto! Vocês têm a Lapa inteira para cantar!”

No fim de semana seguinte ao incidente, alta madrugada, casa lotada, Walter Alfaiate irrompe e é aplaudido de pé, num desagravo de mais de um minuto. Chico sente levemente o golpe. Mas nada de cantoria.

A autoridade estava preservada, fato que se comprovaria, dois ou três meses depois, quando Zeca Pagodinho, envolto por uns 20 amigos e fãs, começou a puxar um samba de roda. Chico Almuzara Suarez não pediu nem ajuda ao garçom. Simplesmente se aproximou do aglomerado de mesas e disse: “Zeca, não....!”. Pagodinho ainda ameaçou dizer umas verdades, mas logo aquiesceu. E a alegria voltou à calma exigida pelo estilo birrento, mas sedutor, do velho Nova Capela.

No mesmo lugar, todo mundo largou tudo para ouvir, em silêncio, o mesmo Zeca versar com Marquinho China. O sambista que versa é mais ou menos como o nordestino repentista. Duela com um amigo num vale tudo de palavras. Em ambas as lutas, a música fica em segundo plano. Mas no duelo carioca, não há fórmula pronta. Zeca duelou - dizem que perdeu, mas a torcida não se manifestava durante o versar suave. O gerente Chico nada podia fazer, apenas se emocionar como as mais de 30 pessoas que testemunharam aquela noite histórica. A propósito, no Capela estamos sempre vendo outros craques de samba de roda como Serginho Procópio e Tuninho Galante.

Madrugada de 13 de maio de 2006. Capela lotado. Sim, é proibido cantar virou tema, polêmica em todas as mesas ao longo dos últimos anos. Mas, de repente, Elen Nas, linda, uns 25 aninhos, talvez 1,80m altura, ensaia um canto lírico, não mais do que 10 segundos, mas a soprano mandou um agudo tão alto que congelou todas as conversas em todas as mesas. Um frisson. Todo mundo querendo ver quem era Elen Nas, cantora de música clássica e popular, compositora, modelo, poeta, performer, citando Lemisnki e animando o mundo dos DJs entre Londres e Berlim. Agora está no Capela. E quem pensou que fosse rolar confusão mal teve tempo para refletir. Depois de uma breve pausa, a soprano engatou uma frase melódica, cantando uma ária de Adriana Lecouvreur (Io son l' umile ancella). E foi num crescendo sob aplausos. No fim, palmas emocionadas e sorrisos. Um minuto depois, o tilintar da boemia voltava ao normal. Sim, é proibido cantar no Nova Capela.


# capítulo escrito em 2006 de um sempre inédito carrossel lapiano...