







Parks, nascido em 1912, no Kansas, deu os primeiros cliques ainda nos anos 30, e também fez cinema, dirigiu Shaft. Clicou de tudo, tornando-se profissional no início dos 40. Documentou a pobreza logo ao término da Grande Depressão. Fotografou também o grand monde, das passarelas da moda em Paris a artistas de cinema e teatro, políticos e esportistas.

E fez muito fotojonalismo, documentando desde o racismo nos EUA ainda com segregação formal a ambientes de miséria na África, no Brasil e no Harlem.


No Rio de Janeiro, por exemplo, em 1961, Parks fotografou um menino (foto logo abaixo) com tuberculose na Catacumba, então uma favela na Lagoa Rodrigo de Freitas. A imagem do menino Flávio da Silva dialogando com a morte, e num contraponto com a imagem do Cristo Redentor, e ele ainda tendo de cuidar de uma penca de seis irmãos pequenos, enquanto seus pais saíam para ganhar merreca no subemprego, salvou-lhe a vida. Os americanos fizeram uma campanha de doações para a família. O garoto foi capa da Life. A reportagem foi intitulada “Uma Família das Favelas do Rio – A Miséria, Inimiga da Liberdade”. Flávio foi citado como "Menino que leva o peso do mundo nas costas".



Texto de Alfredo Herkenhoff
