quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Dobrou o número de cristãos assassinados em 2014 no mundo



A violência contra os cristãos aumentou no mundo em 2014.

 O extremismo islâmico está envolvido em 40 dos 50 países na liderança do índice global de perseguição.  A informação é da ONG protestante Portas Abertas, que anualmente ncalcula  um índice de pontos de perseguição de violência por opressão na vida eclesial, vida privada e em família, bem como violência física e material.
 Em 2014, 4.344 cristãos foram assassinados "por razões relacionadas com a sua crença".
 Os 50 países no novo  índice têm 3.170 pontos contra 3.019 no ano anterior.
 Pela primeira vez, três países registram a chamada área "negra", que é de perseguição absoluta no mapa da ONG, contra apenas uma área no índice anterior.
 A Coreia do Norte lidera  com 92 pontos em 100 possíveis, mas também estão nesta rubrica a Somália (90) e o Iraque (86).
  A ONG registrou 4.344 cristãos assassinatos contra  2.123 mortos no ano anterior.
  Esses números, entretanto, são considerados como bem abaixo dos números reais.
  Pelo menos 1.062 igrejas foram atacadas,  destruídas ou danificadas, contra 1.111 em 2013.
 O extremismo islâmico é identificado por perseguição da Portas Abertas em  40 dos 50 lugares estudados. Este extremismo ocorre em oito dos dez países líderes em violência: Nigéria, Iraque, Síria, República Centro Africano, Sudão, Paquistão, Egito e Quênia.
Antes da guerra civil na Síria, em 2011, havia neste país um milhão e oitocentos mil cristãos. Setecentos mil fugiram. Do Iraque fugiram 5 mil famílias
 Nigéria e  República Centro Africano são os dois países mais perigosos para os cristãos, totalizando em 2014  2.484 assassinatos contra 1. 088 no ano anterior.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Tempo da Saudade! Feliz 2015

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Correio da Lapa homenageia 450 pessoas pelos 450 anos do Rio


(Foto de José Medeiros)


 Correio da Lapa

  deseja a toda gente Boas Festas 

e um Feliz 2015 

com votos especiais



 para o Rio de Janeiro


que  nesta data comemora


450 anos de fundação

  

  E para iniciar esses festejos, eis que surge, depois de longa compilação, uma homenagem a 450 pessoas que de alguma forma foram marcantes na história da Cidade Maravilhosa. Sim, que citação de tanta gente há de ser falha eternamente, posto que outra lista de igual número poderia ter variação de 100 ou 200 nomes, tamanha a grandeza de tanta gente, entre vivos e saudosos, entre cariocas da gema e amantes do Rio por adoção.


 Por apenas homenagear os que cá estão, deixo a quem por aqui passa apenas o desejo de que nos lembre tantos nomes relevantes que por mera circunstância do número emblemático do aniversário da Rio não puderam entrar, a não ser que para isso forçasse e exclusão de outra pessoa.


 E os nomes não obedecem a nenhum critério ético, nem político, nem moral. Apenas nomes que de algum modo marcaram e marcam o nosso jeito de ser e viver.

 Alfredo Herkenhoff

 

 

 EIS OS 450 NOMES, COM OS DOIS PRIMEIROS 

DESTINADOS A SANAR FALHAS


Nome ausente entre tantos que por falhas cá não estão
Amante do Rio, pessoa desconhecida ou não, eu, você, nós
Abel Ferreira
Abel Pera
Adalgisa Nery
Adelino Moreira
Adelaide Chiozzo
Ademilde Fonseca
Ademir da Guia
Adriana Calcanhoto
Afonso Eduardo Reidy
Aguinaldo Silva
Alberto Ferreira
Alberto Ribeiro
Albino Pinheiro
Alcindo Guanabara
Alcione Marrom
Aldir Blanc
Alex Vianny
Alexei Bueno
Almirante
Aloísio de Oliveira
Aluísio Azevedo
Aluísio Carvão
Aluízio Machado
Alziro Zarur
Amir Haddad
André Filho
Ângela Maria
Aníbal Machado
Anna Maria Tornaghi
Antonio Adolfo
Antonio Bento
Antônio Calmon
Antonio Houaiss
Antônio Maria
Aparício Torelly
Aracy de Almeida
Araújo Porto Alegre
Armando Nogueira
Arthur Azevedo
Arthur Bispo do Rosário
Arthur Friedenreich
Arthur Nuzman
Ary Barroso
Assis Chateaubriand
Assis Valente
Ataulfo Alves
Augusto Ferreira Ramos
Augusto Malta
Áurea Martins
Baden Powell
Barão de Mauá
Beatriz Milhazes
Belmiro de Almeida
Benedita da Silva
Benedito Lacerda
Bernardinho
Beth Carvalho
Beth Faria
Bezerra da Silva
Bibi Ferreira
Bidu Sayão
Billy Blanco
Bororó
Braguinha
Braz Chediak
Cacá Diegues
Caetano Veloso
Cândido Portinari
Carlinhos de Jesus
Carlito
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Gomes
Carlos Imperial
Carlos Lessa
Carlos Lyra
Carlos Machado
Carlos Manga
Carlos Niemeyer
Carlos Oswald
Carmem Miranda
Carmen Costa
Cartola
Casimiro Montenegro Filho
Cauby Peixoto
Cazuza
Cecília Meirelles
Chacrinha
Chico Anysio
Chico Buarque
Chiquinha Gonzaga
Christiano Benedicto Ottoni
Cícero Dias
Cildo Meireles
Clara Nunes
Clarice Lispector
Clementina de Jesus
Conceição Araújo
Custódio Mesquita
Cyl Farney
Cyro Monteiro
Daisy Nunes
Dalva de Oliveira
Daniel Filho
Danilo
Danuza Leão
David Nasser
Dea Matozinhos
Denise Frossard
Dercy Gonçalves
Dias Gomes
Dick Farney
Didi
Dina Sfat
Dino Sete Cordas
Dirce Drach
Djanira
Djavan
Domingos da Guia
Domingos de Oliveira
Dorival Caymmi
Dulcina de Morais
Duque de Caxias
Edu Lobo
Eleazar de Carvalho
Elis Regina
Elizeth Cardoso
Elza Soares
Emiliano Di Cavalcanti
Emilinha Borba
Eneida de Moraes
Eny Moreira
Erasmo Carlos
Ernesto Júlio de Nazareth
Erno Schneider
Evandro Teixeira
Evaristo da Veiga  
Fernanda Montenegro
Fernando Gama
Fernando Lobo
Fernando Pamplona
Fernando Rabelo
Fernando Sabino
Ferreira Gullar
Flávio Cavalcanti
Flávio Costa
Flávio Shiró
Francisco Alves
Francisco Braga
Francisco de Assis Barbosa
Francisco Marcelino de Sousa Aguiar
Francisco Mignone
Frei Anselmo
Gal Costa
Galvão Bueno
Garrincha
Gasparino Damata
Genolino Amado
George Leuzinger
Geraldo Pereira
Getúlio Vargas
Gilberto Gil
Glauber Rocha
Gomes Freire
Gonzaguinha
Grande Otelo
Guilherme Guinle
Haroldo Costa
Heitor da Silva Costa
Heitor dos Prazeres
Heitor Villa-Lobos
Helder Câmara
Heleno de Freitas
Heleno Fragoso
Hélio Oiticica
Heloísa Buarque de Holanda
Henfil
Henrique Cazes
Henrique Pongetti
Herbert Vianna
Herivelto Martins
Hermínio Belo de Carvalho
Hernani de Irajá
Heron Domingues
Ibrahim Sued
Inimá de Paula
Irmã Zoé
Isabel Lustosa
Isabel Cruz
Ismael Nery
Ivan Lins
Ivan Serpa
J. Carlos
J. E. de Macedo Soares
Jackson do Pandeiro
Jacob do Bandolim
Jaguar
Jaime Costa
Jamari França
Jamelão
Janete Clair
Jayme Ovalle
Jece Valadão
Jô Soares
João Antônio
João Bosco
João do Rio
João Gilberto
João Havelange
João Máximo
João Nogueira
João Pernambuco
João Roberto Kelly
João VI
Joaquim Manoel de Macedo
Joel Silveira
Johnny Alf
Joracy Camargo
Jorge Benjor
Jorge Fernando
Jorge Goulart
José do Patrocínio
José Lewgoy
José Louzeiro
José Mário Pereira
José Medeiros
José Moura, O Beijoqueiro
José Olympio
José Padilha
José Pancetti
José Roberto Teixeira Leite
José Wílker
Julio Bressane
K.Lixto
Kanela
Lamartine Babo
Lan
Lars  Grael
Laurinda Santos Lobo
Lea Garcia
Leandro Joaquim
Lefê Almeida
Leila Diniz
Lélia Gonzalez
Leo Feijó
Leon Hirszman
Leonel Brizola
Leônidas da Silva
Leopoldo Miguez
Lima Barreto
Loredano
Lúcio Alves
Lúcio Cardoso
Lúcio Costa
Lúcio Rangel
Luís Bonfá
Luís Carlos Barreto
Luís Martins
Luiz F. Papi
Luiz Gonzaga
Luiz Jatobá
Luiz Rigoni
Luíza Brunet
Luizinho Eça
Lulu Santos
Lygia Clark
Machado de Assis
Maíra Fernandes
Manoel Carlos
Manuel Bandeira
Marc Ferrez
Marcos Valle
Márcia Diniz
Maria Adélia Campello
Maria Bethânia
Maria Clara Machado
Maria Lenk
Maria Martins
Marília Pera
Marina Colasanti
Marina Lima
Mário Filho
Mário Henrique Simonsen
Mário Lago
Mario Moscatelli
Mário Reis
Mário Rodrigues
Mariozinho Rocha
Margarida Pressburger
Marlene
Marques Rebelo
Maysa
Meira
Mercedes Batista
Miele
Millôr Fernandes
Milton Dacosta
Milton Nascimento
Mirabeau
Moacyr Werneck de Castro
Monarco
Moreira da Silva
Murilo Mendes
Murilo Miranda
Nana Caymmi
Nássara
Nei Lopes
Nélida Piñon
Nelson Cavaquinho
Nélson Gonçalves
Nelson Motta
Nelson Pereira dos Santos
Nelson Rodrigues
Neville de Almeida
Nicolais Antoine Taunay
Nilo Peçanha
Nilton Mendonça
Nilton Santos
Niomar Moniz Sodré
Nise da Silveira
Noel Rosa
Nonato Buzar
Nora Ney
Norma Bengell
Oduvaldo Vianna Filho
Oduvaldo Cozzi
Odylo Costa, filho
Olavo Bilac
Oldemário Touguinhó
Orestes Barbosa
Orlando Silva
Oscar Lorenzo Fernandez
Oscar Niemeyer
Oscarito
Osório Duque Estrada
Oswaldo Cruz
Oswaldo Goeldi
Otávio Augusto
Otto Lara Resende
Paschoal Carlos Magno
Paulinho da Viola
Paulo Autran
Paulo César Pinheiro
Paulo Coelho
Paulo Dantas
Paulo Francis
Paulo Gracindo
Paulo Herkenhoff
Paulo Mendes Campos
Paulo Ronai
Pedro da Cunha Menezes
Pedro Ernesto
Pedro I
Pedro II
Pedro Nava
Pereira Passos
Perfeito Fortuna
Pixinguinha
Princesa Isabel
Procópio Ferreira
Profeta Gentileza
Raimundo Castro Maia
Raphael Rabelo
Raul Sampaio
Reginaldo Farias
Ricardo Amaral
Ricardo Boechat
Ricardo Cravo Albim
Ricardo Teixeira
Rita Lee
Roberto Burle Marx
Roberto Carlos
Roberto Dinamite
Roberto Farias
Roberto Marinho
Roberto Menescal
Roberto Moura
Roberto Pontual
Roberto Rodrigues
Roberto Scheidt
Romário
Rômulo Costa
Ronaldo Fenômeno
Ronaldo Bôscoli
Ronaldo Brito
Rosa Cardoso
Rubem Braga
Rubem Fonseca
Rubem Medina
Ruy Castro
Ruth de Souza
Samuel Wainer
Sandra de Sá
Santiago Dantas
Santos Dumont
Serginho Meriti
Sérgio Bernardes
Sérgio Brito
Sérgio Buarque de Holanda
Sérgio Cabral
Sérgio Cabral Filho
Sérgio Mendes
Sérgio Porto
Sérgio Sampaio
Seth
Severino Araújo
Silas de Oliveira
Silveira Sampaio
Sílvio Caldas
Silvio Santos
Siqueira Campos
Sobral Pinto
Stanislaw Ponte Preta
Storni
Suely Carneiro
Tadashi Kaminagai
Tarsila do Amaral
Tim Maia
Tinhorão
Tito Madi
Tom Jobim
Tonia Carrero
Tony Garrido
Torquato Neto
Tristão de Athayde
Vera Lúcia Couto
Vicente Celestino
Villas-Boas Corrêa
Vilma Nascimento
Vinicius de Moraes
Virgínia Lane
Wally Salomão
Walter Clark
Walter Pinto
Watson Macedo
Wilson Batista
Wilson das Neves
Wilson Moreira
Wilson Simonal
Zbigniew Ziembinski
Zé Kéti
Zeca Pagodinho
Zezé Macedo
Zezé Moreira
Zico
Ziraldo
Zizinho
Zózimo Barroso do Amaral
Zózimo Bulbul
 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Sobre o livro "Jornal do Brasil – Memórias  de um Secretário - Pautas e Fontes”, 430 páginas tratando da  imprensa brasileira...  Aqui, nesta promoção, está a apenas 38 reais, neste valor já incluído o custo da tarifa do Correio para envio de Impresso Registrado.E mando autografado... 

 O livroo memórias, reflexões e mesmo alguns delírios,  com vários depoimentos emocionantes. Não é obra que exija leitura linear ou cronológica, é como um almanaque ilustrado. O livro traz homenagens especiais a vários craques do Jornal do Brasil, entre eles o fotógrafo Evandro Teixeira e o repórter Bartô, além dos saudosos e premiados repórteres Oldemário Touguinhó, José Gonçalves Fontes e Araújo Neto.
 Saudações
Alfredo Herkenhoff

Em tempo:Eis o que alguns profissionais disseram sobre o livro:


Belisa Ribeiro, repórter:
"Eu comprei o livro do Alfredo e recomendo, tem histórias maravilhosas!"
Luiz Salama, médico e fotógrafo em Manaus:
Comprei, recebi, li e recomendo.

Fernando Rabelo, mestre da fotografia: O livro é um tributo aos grandes repórteres e fotógrafos que passaram pelo Jornal do Brasil. Recomendo a aquisição como fonte de estudo e conhecimento.


Itala Maduell, professora no Rio de Janeiro
Valéria, escrevo pra pedir que a biblioteca da PUC adquira exemplares de dois livros importantíssimos para os alunos do Departamento de Comunicação:
O livro-base de Introdução ao Jornalismo, "Jornalismo Diário", da Ana Estela de Sousa Pinto, Editora Folha; e
"Memórias de um secretário: pautas e fontes", de Alfredo Herkenhoff (Zit Editora), sobre o Jornal do Brasil



Nilo Dante, jornalista e editor:
Pautas & Fontes reflete a jornada de Alfredo Herkenhoff através do fascinante universo que foi, um dia, a redação do Jornal do Brasil.
O relato é caudaloso e emocionado. Não se isenta da nostalgia. Mas passa ao largo da amargura, embora o autor tenha sido testemunha e vítima do naufrágio a que foi conduzido o antigo colosso da imprensa brasileira.
Herkenhoff não se aprofunda nas águas da debacle empresarial. Nem se detém na insensatez das causas ou no estelionato dos efeitos, ambos por demais conhecidos. Seu facho de luz prefere a galáxia infinita de um grande jornal (ainda que em declínio) e seus habitantes siderais.
Manejando habilmente o estilo anotações-de-repórter, o autor produz uma viagem voluptuosa. Não se obriga à cronologia. Embriaga-se na emoção. Ao fim da travessia, ancora seu turbilhão pessoal em profunda (e merecida) reverência aos dois colegas de profissão que mais o impressionaram: José Gonçalves Fontes e Oldemário Touguinhó.



Leandro Mazzini, da Coluna Esplanada no  site da UOL
Livro do ex-secretário de redação Alfredo Herkenhoff tem sido a bíblia de jornalistas e ex-leitores. ‘Jornal do Brasil – Memórias de um Secretário - Pautas e Fontes’ pode ser adquirido pelo email alfredoherkenhoff@gmail.com


Arthur Poerner, jornalista e escritor (de blazer azul):
Muito bom o livro do Alfredo Herkenhoff: memórias pessoais do autor e da trajetória secular de um jornal que marcou a história da imprensa brasileira. É obra que deveria constar da bibliografia recomendada pelos nossos cursos de Jornalismo.


Mônica Leite Costa, escritora:


Teu livro é simplesmente maravilhoso! Uma conversa com o leitor. Como li e meus avós e pais e depois eu sempre fomos assinantes do JB, (e do Correio da Manhã), eu sinto a imensa lacuna que o jornal faz no meu dia a dia. A introdução do Dines é histórica. Obrigada, Alfredo, pela leitura deliciosa que tenho. Um beijo carinhoso. Desculpe escrever aqui, foi no arroubo! Pode retirar, não me importo.


Antônio Miranda, jornalista e editor capixaba:
Indispensável!


Evandro Teixeira, mestre da fotografia:
Meu amigo Alfredo, autor de um dos livros mais importantes do jornalismo brasileiro; é um livro obrigatório para estudantes de jornalismo.


Tereza Cristina Levy, jornalista e escritora:
Lascas incríveis de pura Historia!


Fábio Lau, repórter e dono da Conexão Jornalismo:
 
O secular JB em livro. Obra imperdível.
E Ricardo Boechat no link do Youtube
https://www.youtube.com/watch?v=YCvDJS70sXU

terça-feira, 29 de julho de 2014

Para entender a crise na Ucrânia em 29 de julho de 2014

Deu no site lusitano Público


Opinião
Um olhar histórico-geopolítico sobre o conflito da Ucrânia

José Pedro Teixeira Fernandes
29/07/2014 - 12:51

Não é líquido até onde vai o grau de influência russo sobre os separatistas.

1. Vista a partir da imprensa europeia e norte-americana, a actual crise política e militar na Ucrânia parece ter um responsável óbvio: a Rússia de Vladimir Putin.
Não é a Rússia que fornece equipamentos militares e instiga os grupos separatistas na luta armada contra o poder democraticamente eleito de Kiev, no leste da Ucrânia? Não foi a Rússia que forneceu aos separatistas o míssil terra-ar que terá abatido o voo MH17 das linhas Aéreas Malásia? Não tem a Rússia ambições imperialistas de recuperar os territórios perdidos com o fim da União Soviética? A anexação da Crimeia não é uma prova clara dessas intenções expansionistas, tal como foi a guerra com a Geórgia em 2008? Não teceu Putin uma “rede de mentiras” como intitula a capa da revista britânica The Economist desta semana? Não é Putin um “pária” da comunidade internacional e o “inimigo número um do Ocidente”, como intitula a norte-americana Newsweek?

2. As interpretações simplistas e a-históricas de um problema complexo e multifacetado, como é a crise da Ucrânia, podem ser politicamente nefastas. Tendem a gerar uma sensação de (falso) conhecimento do problema e a dar um suposto fundamento moral para a actuação política. Todavia, tais certezas não resistem a uma análise mais minuciosa. Vamos por partes. Olhemos, primeiro, para a realidade geopolítica da Ucrânia. Estamos perante um Estado de grande dimensão para os padrões europeus/ocidentais - mais de 600.000 km2, com a península Crimeia, actualmente sob o poder de facto russo. (A fronteira terrestre entre os dois Estados é de mais de 1.500 km). Seria o maior Estado da União Europeia se fosse membro. Já a população não é muito significativa para esta dimensão geográfica. Desde o final da União Soviética que tem decrescido, rondando actualmente os 45 milhões de habitantes. Mas, neste conflito, o principal problema da Ucrânia não é a dimensão do seu território, nem a dimensão da sua população, mas a falta de coesão interna. A isto acresce um Estado com crónicas dificuldades em fornecer segurança, justiça e bem-estar aos seus cidadãos. Levanta-se, aqui, uma questão sensível: existe uma nação ucraniana com a qual a generalidade da população se identifica? É a identidade nacional ucraniana inclusiva para grupos minoritários substanciais, como os mais de 17% de russos étnicos e os cerca de 24% de falantes de russo como língua principal? Estas faixas da população sentem-se reflectidas na ideia oficial de nação ucraniana?

3. A heterogeneidade e falta de coesão interna da Ucrânia explicam-se essencialmente pela sua história. Um Estado ucraniano independente, com as atuais fronteiras, é uma realidade nova. A parte mais ocidental do país esteve ligada, sucessivamente, à Lituânia, à Polónia e ao antigo Império Austro-Húngaro. Só com os ajustamentos de fronteiras após a II Guerra Mundial esse território foi integrado na Ucrânia. Por sua vez, a parte a leste do rio Dniepre (desde meados dos século XVII) e a Crimeia (finais do século XVIII, sob Catarina a Grande), têm uma ligação histórica muito mais enraizada à Rússia. O caso da Crimeia é um exemplo disso. Em 1954, sob o poder soviético liderado por Nikita Khrushchev, passou de região autónoma da República Soviética da Rússia, para região autónoma da República Soviética da Ucrânia. Na altura, comemoravam-se os trezentos anos do Tratado de Pereyaslav, de 1654. O Tratado garantia a protecção do czar da Rússia aos cossacos ucranianos que se sublevaram e combateram o domínio polaco. Marcou o início de uma ligação política entre os dois povos, mas sob crescente domínio russo. Na propaganda soviética da época simbolizava a “amizade eterna” entre os povos russo e ucraniano. Teve consequências imprevistas. Com desmembramento da União Soviética, em finais de 1991, as antigas fronteiras das repúblicas soviéticas passaram a ser as novas fronteiras internacionais.

4. Não é só a questão territorial que explica a falta de coesão da Ucrânia. Esta resulta, entre outras coisas, das memórias de um passado, frequentemente marcado por grande violência e horrores no último século. O problema é, sobretudo, a maneira como este é lembrado e incorporado no presente. Uma parte da Ucrânia recorda a memória trágica do holodomor, a morte provocada pela fome de alguns milhões de pessoas durante o período Estalinista dos anos trinta. Outra parte da Ucrânia lembra a luta contra os nazis durante a ocupação da II Guerra Mundial e os crimes hediondos cometidos por estes, com a colaboração de parte da população ucraniana. O nacionalista Stepan Bandera, é o símbolo extremado das memórias que dividem no presente: herói nacional e defensor de uma Ucrânia soberana e independente para uns; fascista, xenófobo e colaboracionista para outros. A clivagem na selectividade das memórias do passado acompanha, grosso modo, a fractura geográfico-política entre a parte ocidental e parte leste do país.

 Vamos agora ao caso da Rússia e à sua memória histórica.

 Na Europa ocidental é bem conhecida expansão russa para ocidente, seja na versão dos czares, ou na versão soviética, feita sobretudo à custa da Polónia e dos Estados Bálticos. O que já é mal conhecido é que a Polónia, tal como a Suécia, foram grandes potências do leste europeu até ao século XVII e XVIII, com ambições imperiais. No seu apogeu de poder, atacaram várias vezes a Rússia, ameaçando a sua existência como Estado. É, aliás, isso que os russos comemoram no actual feriado nacional de 4 de Novembro, mantendo viva a memória levantamento popular de 1612, que expulsou as forças da Polónia-Lituânia. A data tinha grande simbolismo durante o tempo dos czares e foi reintroduzida na Rússia pós-soviética em 2005, como “dia da união”. Isto ocorre em contraste com a União Europeia, onde se vive uma era pós-nacional, na qual as ideias clássicas de nação, de estado e de soberania tendem a ser vistas como coisas do passado. Todavia, na Rússia atual, como noutras partes do mundo, estão bem vivas e nada indicia entusiasmo por uma via pós-nacional. Mas há, pelo menos, mais outro acontecimento que alimenta o ressentimento histórico dos russos contra a Polónia, também ocorrido num período crítico da sua história. Com o fim império dos czares em inícios de 1917, a revolução bolchevique de Outubro e o Tratado de Brest-Litovsk de 1918, a Rússia saiu da I Guerra Mundial com grandes perdas territoriais. A Segunda República da Polónia, que emergiu na Paz de Versalhes de 1919, viu na fragilidade russa uma oportunidade de ganhar território. Avançou militarmente para leste, tentando conquistar o actual território da Ucrânia ocidental e da Bielorrússia ao poder bolchevique. As suas tropas chegaram a ocupar Kiev em 1920, só retrocedendo pela contra-ofensiva do exército vermelho.

5. Tudo isto seriam meras curiosidades históricas se a União Europeia e a Rússia estivessem num mesmo tempo histórico pós-nacional. Não estão. Por isso, não é difícil imaginar como a iniciativa da Parceria Oriental da União Europeia, foi vista sob o prisma russo à medida que foi ganhando contornos palpáveis no terreno. Lançada em 2009, após a guerra da Rússia com a Geórgia de 2008 e o conflito sobre o gás natural entre a Rússia e a Ucrânia de inícios de 2009, teve como destinatários países do espaço ex-soviético: Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Moldávia e Ucrânia. O facto de ser promovida pela Polónia e Suécia - com o apoio entusiástico dos Estados Bálticos – deu argumentos aos nacionalistas russos para vê-la como uma manobra dos seus inimigos históricos, nomeadamente da Polónia.

A crescente presença de um poder estrangeiro no espaço ex-soviético e ex-russo, levou Putin a desencadear a contra-iniciativa de uma União Euroasiática, a partir de finais de 2011. A Ucrânia, o principal Estado em disputa, ficou no meio destas duas iniciativas antagónicas. Independentemente das intenções, a União Europeia avaliou mal a previsível reacção russa de forte oposição. Vista da Rússia, tratava-se de uma “invasão” do seu espaço de influência tradicional. Tem, por isso, a sua quota de responsabilidades na cadeia de acontecimentos.

 Por outro lado, a crise ucraniana não parece ter solução sem entendimentos pragmáticos com a Rússia. Mesmo que o poder de Kiev readquira o controlo sobre o leste do país, as forças separatistas podem transformar-se num movimento de guerrilha, com apoio do outro lado da fronteira. Se o conflito evoluir dessa forma será uma ferida permanente para a Ucrânia e um ponto de instabilidade crónica internacional.

 É compreensível a indignação europeia e ocidental subsequente à trágica queda do voo MH17, bem como a pressão política sobre a Rússia. O que é menos compreensível é a atitude política de culpabilizar unicamente a Rússia. Não é líquido até onde vai o grau de influência russo sobre os separatistas.

Nem é compreensível a falta de pressão pública europeia sobre o governo ucraniano para um entendimento de paz no terreno. A coberto da onda de indignação internacional, este parece ter aproveitado a ocasião para intensificar as operações militares. Neste contexto, a escalada da retórica de condenação e das sanções económicas arriscam-se a ser mais um passo mal calculado e a intensificar o conflito.