sábado, 28 de janeiro de 2012

Link do melhor video sobre a água e a energia na Terra, futuro, passado e presente

http://www.youtube.com/watch?v=jqxENMKaeCU&feature=watch-now-button&wide=1

Documentario de hora e meia sobre a Terra. Intitulado Home, patrocinado por inúmeras grifes, o filme tem imponência, um tour pelo planeta, a energia no passado, presente e futuro. A escasssez da água no futuro proximo. Um pessimismo dizendo que nao se pode ser pessimista, advertências mais retóricas do que cientificas, do tipo, temos dez anos para salvar o mundo de uma destruição maciça de suas cadeias ecológicas, dois anos já se passaram desde a confecção do filme.  Belísimas e trágicas imagens de uns 30 países, exemplos visuais de desertificação, degelo da calota polar do Ártico, um certo desprezo pelo que a equação cósmica pode fazer com o nosso ecossistema independente de nós e nossos esforços, afinal os dinossauros sairam de cena há 65 milhões de anos.  Nos só entramos em cena há 12 mil anos com a  escrita e há 200 mil anos com a cabeça Sapiens. O universo nos propicia vida, nos polui e nos despolui. Apesar de todas as criticas que merece, filme imperdível. (Por Alfredo Herkenhoff)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Eike Batista Verdades e mentiras sobre O X da Questão (1/12)


Eike Batista
Verdades e mentiras sobre O X da Questão (1/12)
  
Hoje é sábado, 21 de janeiro de 2012. Falta um mês e meio para sair a nova edição da revista Forbes com a lista dos maiores bilionários da Terra. A publicação costuma sair na segunda semana de março. O Brasil e o mundo com alguma curiosidade para ver em que lugar do ranking dos dez mais estará o guerreiro nacional Eike Batista.
Antes de sair a nova edição da Forbes, veremos no Carnaval Carioca em fevereiro a sempre jovial Luma de Oliveira homenageada na Escola de Samba Estácio de Sá. As más línguas diriam, dirão, já disseram, sim, Luma entrou nesse enredo da Estácio também em função do apoio financeiro que podia dar e deu à escola o seu ex-marido, o Eike pai de suas  crianças. Mas, não, Luma é um show de amor ao carnaval e ao Rio de Janeiro independente da grana da família. Homenagem mais que merecida: “(...) Meu samba me diz que a inspiração é você: Luma, eu vim aqui só pra te ver (...)” 

No Rio, todo mundo curte a polêmica sobre o mistério do enriquecimento de Eike Batista. Mesmo sem ler o livro autobiográfico que o empresário escreveu com a ajuda luxuosa do jornalista Roberto D’Ávila, as pessoas, em toda parte, nos táxis, nas praias e nos botecos, discutem a irrupção do fenômeno. Especula-se sobre a fortuna, mas ninguém o faz de forma capaz de esclarecer certas dúvidas. Nem o livro O X da Questão esclarece como uma fortuna acima dos 30 bilhões de dólares pode ser acumulada, segundo a Forbes, entre 2007, quando o empresário tinha menos de 1 bilhão, e 2011. Aliás, em 2007, Eike Batista sequer aparecia na lista dos bilionários do mundo.
Muitos homens enriqueceram juntando tostão por tostão. Outros deram saltos. Grosso modo, alguns começaram literalmente vendendo bugigangas nas ruas das cidades mundo afora. Outros, construindo estradas e pontes para governos corruptos, com sub e super faturamentos. Outros, construindo cidades, como Brasília, para onde eram levados sacos de cimento a bordo de aviões. Outros enriqueceram com aterros, como o do Flamengo e da Praia de Copacabana. Não importa quem, nem quando, homens enriquecem construindo usinas ou redes de supermercados. Enriquecem, sempre há os que têm vocação para enriquecer. (continua)

Eike Batista Verdades e mentiras sobre O X da Questão (2/12)



De uns 20 anos para cá, o mundo viu surgir novas classes de milionários. Numa primeira fase da globalização, homens galgaram a galeria dos mais ricos na Forbes via privatizações, casos típicos na Rússia dos anos 90 do presidente Boris Yeltsin até inicio da primeira década do século atual sob o comando do presidente Vladimir Putin.  No Brasil também temos esta classe de fortunas catapultadas a partir da privatização da era tucana de FHC e José Serra. Outros ricos são de classe Nasdaq, ou fortunas nascidas com a internet, com as ferramentas, os googles, youtubes, ipads, Windows, facebooks e twitters. Outros, numa leva mais recente, e é o caso de Eike Batista, são homens que enriquecem com as chamadas concessões iniciadas na Era FHC e acentuadas na Era Lula. Nessa nova classe, a riqueza fica concentrada nos patrimônios potenciais,  fica escondida. São papéis, direitos, contratos, reservas, sejam minérios em subsolos no Brasil e  países vizinhos, ouro, níquel, zinco, prata e carvão, ou sob o leito marinho, aquelas  montanhas de gás e petróleo. São os milionários das concessões off shore, ou exatamente aquilo que, com outras palavras, disse o jornalista  Diogo Mainardi: Eike Batista, o  bilionário que não possui nenhuma chaminé visível. Eike, quantas fábricas você  não tem? Ele não tem todas, ou seja, nenhuma.
  Itaituba, Alta Floresta, High River, Anglo American, Novo Planeta, ouro e multiplicações, Paracatu, Vale do Rio Doce, Rio Tinto, Treasure Valley, La Coipa, Parapanema, Morro de Ouro, as grandes minas e as grandes empresas mineradoras do mundo. A descoberta do primeiro ouro foi gerando novas descobertas. Faro aurífero do homem certo na hora certa, o ambiente em que nasceu... Eike farejando riquezas não apenas no subsolo do Brasil, mas também na América do Sul, no Canadá e na Austrália.
Mas os cariocas não conseguem se livrar da polêmica, nunca deixam de especular, pensar verdades e mentiras sobre a fortuna de Eike Batista, ranqueado como o homem mais rico do Brasil e o oitavo do mundo. Faz-se nas ruas um exercício mental diário: recebemos nesses tempos de internet uma carga de informação enorme, não importa se você é um banqueiro ou um bancário, um repórter novato ou o dono de um grupo de comunicação. A informação, algo tão crucial para que uma pessoa tome decisões, continua sendo isso e mais até hoje do que antes, sendo também uma ferramenta para que uma pessoa seja conduzida a tomar decisões que talvez não sejam corretas, ou as melhores. Saber lidar com excesso de informação é uma arte difícil e ainda pouco conhecida.
Não basta ter dinheiro para investir, não basta ter recursos, é preciso parecer de forma verdadeira que se tem muito mais do que se tem de fato. Esta aparência permite que a pessoa, dispondo dessa imagem de muita grana, empreenda novos negócios, lance ações, atraia capitais de olho em oportunidades, fature mais. (continua)

Eike Batista Verdades e mentiras sobre O X da Questão (3/12)



Se você quiser se dar ao trabalho de descobrir o que de fato significa um bilionário a mais no mundo, veja o que ele fez, o que faz e o que fará.
No mercado acionário, você compra e vende ações... São números frios que o computador exibe todo dia. Já na bolsa de mercadorias e futuros, os números são expostos como se fossem reais, quando não passam de expectativas.  Uma bolsa de futuro negocia valores 30 ou 60 vezes mais altos do que o total de negócios de uma bolsa acionária. Aqueles números altíssimos indicam apenas aposta: eu compro (aposto) 2 milhões de toneladas de trigo a tal preço daqui a seis meses.  E findo o prazo, alguém que apostou diferente, firmou contrato de venda de 2 milhões de toneladas a outro preço, se verá diante do seguinte quadro: o preço ficou mais alto do que supus e devo pagar a diferença. O preço ficou mais baixo do que eu quis comprar, devo receber a diferença. Esse mercado serve para avaliar expectativas, fornecer informações para que empresas e empresários tomem decisões. Mas não há compra e venda de nenhum quilo da farinha. Os valores altíssimos exibidos por bolsas de futuros representam valores módicos, os percentuais mínimos das diferenças de palpites sobre cotações futuras de tudo: comida, ouro, juros.
Essas revistas Forbes, no atacado, mostram números relativamente próximos da realidade no campo dos mais ricos do planeta. Mas no varejo das aparições, não, no varejo elas correm o risco de apenas endossar políticas de visibilidade de alguns nomes. Estas visibilidades, por sua vez, catapultam certos nomes, permitindo que façam maiores e melhores negócios no futuro imediato. Suspeitamos no Rio de Janeiro que em parte seja este o caso de Eike Batista. Mas não temos provas. Tão bom seria se as revistas Forbes e Fortune as tivessem.
Quem bota dois no um, quatro no dois e oito no quatro, sabe como chegará à casa 64 do tabuleiro do xadrez, chegará como uma fortuna máxima. Quem não guarda um tostão, não chegará a número algum. De grão em grão, a galinha enche o papo. O Rio de Janeiro, mais do que qualquer outra cidade do Brasil, observa a performance de Eike Batista na Forbes somente a partir de 2008. (continua)

Eike Batista Verdades e mentiras sobre O X da Questão (4/12)



 A julgar pelo levantamento da Forbes, edição de 2007, estando Eike Batista ausente naquele ano da lista dos seres humanos com mais de 1 bilhão de dólares no bolso, ele deveria, no máximo, possuir na ocasião 999 milhões 999 mil e 999 dólares, entre bens e sonhos. Não importa. Eike Batista era um zero, uma inexistência na edição de 2007. Se não aparecia, não existia. Não era bilionário.  Ou então a revista Forbes estava errada ou não teve argúcia para ver que já havia um bilionário a mais dando sopa no mundo.
 Em seu livro autobiográfico, cheio de conselhos para quem sonha enriquecer, Eike Batista afirma que acumulou o primeiro bilhão de dólares ao longo de 20 anos, ou da virada da década de 1970 para 1980 até o início do Século XXI. Fez isso localizando ouro, não barras, mas minas inteiras, as maiores. E uma vez equacionados os problemas de logística e asseguradas as avaliações dos veios auríferos, Eike as revendia para grandes empresas mineradoras. Num passe da mágica: ele ganhava muito e estas empresas, também. 
Mas o fato é que só no início de 2008 (a Forbes sempre lança a lista dos mais ricos no fim do inverno de Nova York) Eike Batista apareceu pela primeira vez na lista dos afortunados do mundo e logo de cara com mágicos 6 bilhões e 600 milhões de dólares. Donde se conclui que, em 2007, um ano antes daquela crise financeira nos EUA, o filho de Eliezer Batista, que presidiu uma das maiores empresas de mineração do mundo, a então estatal Vale do Rio Doce, acumulou em média uma riqueza de meio bilhão de dólares a cada mês, ou no mínimo um total de 5 bilhões 599 milhões e 999 dólares no período em que se tornou “bi” pela primeira vez.
 Em 2009,  Eike Batista passou a ser o bilionário de número 61 do mundo, aparecendo com 7 bilhões 600 milhões no bolso ou na Forbes. Donde se conclui que acumulou fortuna com média mensal pequena, de apenas cerca de 80 milhões de dólares por mês ao longo do ano da crise.  Em 2010, a Forbes diz que Eike Batista tinha 27 bilhões de dólares, isso significando que acrescentou à fortuna, em um ano, mais 20 bilhões, ou, noutras palavras, ganhou 1 bilhão 500 milhões de dólares a cada mês. Em 2011, sempre como o oitavo mais rico do mundo, Eike Batista aparece na revista com fortuna de 30 bilhões de dólares, ou seja, no ano anterior enriqueceu apenas mais 3 bilhões de dólares, isto é, botou no seu cofre mágico, a cada mês, a bagatela de 250 milhões. (continua)

Eike Batista Verdades e mentiras sobre O X da Questão (5/12)



Quem for cético não se sentirá errado por constatar que nunca viu nada do empresário Eike Batista tão grandioso assim. Ah! Eike possui minas de carvão na Colômbia, minas no Chile, mas quem já foi lá ver o que há nesses grotões? Eike vai produzir com a IBM o software das futuras extrações de petróleo nas lonjuras abissais abaixo da camada de sal. Ah! Ele se associou a chineses e japoneses e vai produzir Ipad na Zona Franca de Manaus! Ah! Eike vai..   Ah, ele vai... Ah! Eike Batista está fazendo um mega porto em São João da Barra, norte do Estado do Rio de Janeiro, mas até hoje por ali não levou nem trouxe nenhum grão de nada. Sim há fotos na web mostrando um projeto em construção, um gigantesco píer de atracação. Ah, mas Eike trouxe para visitar o canteiro de obras o presidente da Hyundai, a indústria gigante da Coreia, indícios de planos para um polo de estaleiros no Norte fluminense. Os coreanos já deram uns milhõezinhos ao Eike como se quisessem marcar território: sim, vamos trabalhar com você. Vamos transferir a tecnologia da precisão na indústria naval mas queremos garantia de fatias do mercado. Ah! Eike  é o dono da litorina Curitiba-Paranaguá, aquele trem que percorre despenhadeiros da Serra do Mar no Paraná, mas esta ferrovia existe desde o Século XIX. Ah! Eike vai refazer a linha férrea para que o carioca ou o turista possa ir no trenzinho de Dom Pedro II até a Serra de Petrópolis no fundo da Baía de Guanabara. Ah! Eike vai despoluir a Baía de Guanabara e a Lagoa Rodrigo de Freitas, vai tornar o Rio de Janeiro, além de belo, mais limpo. Ah! Eike é apaixonado pelo Rio! Somos todos. Sim, Eike comprou o belo Hotel Glória, colosso de 1922 diante da Baía de Guanabara! Que faça bom proveito! A reforma do prédio segue firme, mas, por favor, não destrua o Teatro Glória no térreo. Comprou por 25 anos o grande e belo edifício do Flamengo no Morro da Viúva. Ótimo negócio para Eike. Eike firmou contrato de venda de petróleo com a Shell, petróleo que o empresário descobriu na Bacia de Campos. Mas não extraiu ainda nenhum barril. Os primeiros estão emergindo agora neste verão de 2012...
 Temos sim – Eike Batista é nosso, como um ícone do empreendedorismo brasileiro – ricos mais palpáveis: uns começam vendendo cerveja, outros, televisão, outros, celulares, outros, ferro, aço, carro, entretenimento. Mas não vemos Eike Batista vendendo nada de concreto, parece que está só comprando lanchas, jatinhos, trenzinhos, hotéis. Há um lado lúdico no que se pode visualizar da fortuna de Eike Batista. Mas o empresário vende sim, inventa projetos, vende projetos e seduz adeptos, ou sócios, vende sociedade, vende ações, numa verdadeira estratégia de bola de neve. Compra uma concessão e multiplica seu valor. Diz-se que num único dia ele ganhou mais de 10 bilhões de dólares. Terá arrumado dez parceiros, ou dez corporações, cada uma lhe dando um bilhão por acreditar na viabilidade de uma concessão? Sim, por mais arrojado que seja um investidor, só bota um bilhão no Grupo EBX, a nave-mãe das empresas de Eike Batista, se tiver garantia de que, em algum momento futuro, na hora de assinar o cheque, o produto poderá de fato ser extraído da terra, seja o oil and gas do Pré-sal, seja o ouro selvagem da Amazônia, o carvão guerrilheiro da Colômbia ou o potássio peronista nos Pampas ou o níquel ou o cobre não na Patagônia chilena, mas do deserto de Atacama. (continua)