sábado, 28 de março de 2009

Pensamento e arte - Parte 4


Racionalização e dessacralização

Em O nada da arte e o todo da Natureza, Márcia Sá Cavalcante Schuback, da Södertörns University College, na Suécia, tematizando a questão da arte e da natureza em Schelling e Hölderlin, afirma:

(...) O mundo moderno é a cena de um novo homem. Esse homem novo é um homem rebelde, que não mais aceita o que a natureza lhe obriga nem o que um Deus lhe promete. A novidade do homem moderno é o modo de conceber a si mesmo como autonomia da liberdade e, assim, como aquele capaz de conferir a tudo o que é e não é as suas próprias leis. Ele concebe a si mesmo como um desacorrentado do autoritarismo da tradição e como um desgarrado do determinismo da natureza. É o mestre controlador da natureza, tanto da natureza que ele é como da que ele não é. (...) Não obstante todo esse movimento de racionalização e dessacralização, o homem moderno ainda é capaz de exclamar com Aristóteles que “em todas as coisas naturais há algo maravilhoso”. (...)



Pensamento e arte - Parte 5



Immanuel Kant no Arco: gosto não apenas se discute como é tudo o que se discute

Em Immnauel Kant e a universalidade do belo, Pedro Costa Rego, professor da Universidade do Paraná, diz: (...) a interrogação que move o projeto kantiano de uma crítica do gosto assim se formula: nossa apreciação de uma forma bela da natureza ou da arte possui ou não algum valor universal? Podemos reivindicar para um juízo do tipo “isso é belo” o assentimento de outras pessoas, eventualmente de outras épocas, com base em algum princípio de necessidade? Ou temos de admitir que nosso gosto sobre o belo permanece, malgrado impressões contrárias, confinado na categoria de nossas valorações privadas e idiossincráticas?

(...) a esperada resposta, a aposta, de Kant, que à primeira vista soa um tanto paradoxal, contra-intuitiva e quase dogmática, é essa: sim, gosto possui universalidade e, mais que isso, através dela somos conduzidos na direção de nosso puro poder de julgar. Não só de nosso poder de julgar esteticamente, mas também especulativamente e praticamente.

A aposta de Kant é, num certo sentido, contra-intuitiva porque a idéia de uma beleza universal está conectada a lúgubres empreendimentos da história da humanidade. Uma estética universalista apresentada assim, sem mais, assusta com a promessa dos seus anexos: universalismo político, planetarização ideológica, unidimensionalização vital. Como pretender, sem desmedida violência, demonstrar a validade objetiva de uma avaliação estética, sempre tão datada historicamente, situada geograficamente, condicionada empiricamente, refém das vicissitudes de uma trajetória singular, única, solitária? (...)

Ao cabo de uma controvertida e indecidida disputa acerca da beleza de uma obra de arte, por exemplo, freqüentemente tem alguém a idéia de encerrar o assunto consultando o arsenal universal e coletivo de enunciados disponíveis e sentenciados: “Gosto não se discute”.

(...) Kant se ocupou do popular “gosto não se discute” e pretendeu mostrar que a tese da privacidade estética é tão estranha, ou familiar, quanto o é a da universalidade. Afinal, o que é a fórmula do “gosto não se discute” senão uma espécie de teoria emergencial desesperada para pôr fim a uma discussão cuja simples insistência basta para desmentir a tese que a nega?

Bem depois de Kant, jocosamente, pronuncia-se Nietzsche sobre o mesmo assunto. Diz ele: não somente gosto se discute como é tudo sobre o que se discute. Nada mais sobra acerca do que discutir se decidirmos deixar de lado o gosto. (...)

A tese de Kant é sobre conhecimento especulativo, sobre ciência, sobre teoria moral e sobre metafísica não se discute, mas se disputa; apenas sobre gosto se discute. Kant entende que, para sustentar isso, precisa começar dando razões da sua distinção entre disputar e discutir. Sobre isso ele assim se pronuncia na Dialética da Faculdade do Juízo Estética: Disputar tem aqui a acepção de pretender decidir mediante demonstrações, vale dizer, com base em princípios objetivos, que necessariamente regulam a atividade das faculdades subjetivas. Discutir, por sua vez, designa aqui um exercício de persuasão fundado na simples reivindicação de assentimento universal para um juízo subjetivo indemonstrável. (...)


Pensamento e arte - Parte 6


Arte e Heidegger (foto)

Em Arte o pensamento de Heidegger, a professora Acylene Maria Cabral Ferreira, da Universidade Federal da Bahia, afirma:

Pensar sobre o tema da arte implica, entre outras coisas, a reflexão sobre a obra de arte, sobre o que a caracteriza como obra de arte, sua proveniência, mistério e beleza, sobre a criação, o artista e o artístico. Heidegger refletiu sobre essas questões, sobretudo, em seu texto A origem da obra de arte, e mostrou que a reflexão filosófica sobre o caráter de arte da obra implica, antes, o estabelecimento de correlação entre arte e verdade, pois, para ele, é próprio da arte comunicar modos de ser do mundo e do homem como expressão de acontecimento da verdade do ser e do ente. Nessa perspectiva, a arte encontra-se, intrinsecamente, relacionada com a ontologia. (...)

Em Do moderno ao contemporâneo, Celso Fernando Favaretto, professor da Universidade de São Paulo, diz lá pelas tantas:

O obstinado trabalho as vanguardas desenvolveu operações que atingiram a imagem da arte, a atitude dos artistas e o sistema da arte, produzindo alternações significativas na produção e na recepção. Ao enfatizar os projetos de ruptura, principalmente o de superação do que julgavam ser a concepção idealizada da arte, as vanguardas efetivaram a reflexividade, o procedimento conceitual, como seu princípio básico. Esta consciência de si, reflexiva das condições da arte, identifica o processo de autonomização da arte moderna com o próprio desenvolvimento da história da arte. (...)

Chega de junta-junta. Vários autores do livro não puderam ser citados por mera questão espacial. Mas fica aqui, em homenagem a tantos pensadores ausentes, a menção especial de um nome querido: Virgínia Araújo Figueiredo, a mulher que mais entende de Kant no Brasil (Compilação por Alfredo Herkenhoff)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Rubem Braga na voz de Marco Antonio - Parte 1

Cachoeiro de Itapemirim, cidade protegida pelo Pico do Itabira, ao fundo, é terra de Rubem Braga, Roberto Carlos, Marco Antonio, Sérgio Sampaio... Ah! Meu Pequeno Cachoeiro...


Sobre Rubem Braga e Marco Antonio

Por Afredo Herkenhoff

Rio de Janeiro, 27 de março de 2009: publico este depoimento do jornalista e escritor Marco Antonio de Carvalho para mostrar que ele é motivo de orgulho, está nos nossos corações e enriquece este pequeno momento especial: o Correio da Lapa comemora na data de hoje o seu primeiro mês de existência.

Marco Antonio de Carvalho organizou e liderou, em novembro e dezembro de 2006, uma série de eventos na casa Céu Aberto, na Rua do Lavradio, Lapa. Homenageou com palestras e bate-papo, entre outros, Rubem Braga, Raul Sampaio Coco e Aldir Blanc. Na palestra que proferiu sobre Rubem, o biografista contou histórias inéditas. Marco Antonio morreu de infarto em meados de 2007, e a sua biografia Rubem Braga - Um cigano fazendeiro do ar foi só seria lançada no fim daquele mesmo ano. A obra saiu pela Editora Globo e ganhou o Prêmio Jabuti.

Mas seguem os principais trechos do que deve ter sido o último depoimento público de Marco Antonio sobre a vida e a biografia de Rubem Braga. Compilei a fala graças à minha velha mania de registrar momentos marcantes. Marco Antonio dedicou os últimos 14 anos de sua vida a pesquisar tudo sobre Rubem, com o apoio de seu filho único, Roberto Braga, e dos sobrinhos Rachel e Edson Braga. Eis o depoimento de Marco Antônio naquela noite lapiana:

Rubem Braga nasceu em Cachoeiro de Itapemirim e veio ao Rio pela primeira vez aos nove anos, pela mãos da irmã Carmosina e pelo cunhado, que era um médico, niteroiense que morava em Cachoeiro. Ficaram uns dias em Icaraí e depois no Hotel Glória, durante uma semana, na festa do centenário da Independência em 1922. O deslumbramento de Rubem com o Rio começou aí. O que mais o encantava era a beleza do Rio de Janeiro, a quantidade de edifícios. Esse deslumbramento com a capital da República, com que a cidade tinha a oferecer, ficou marcado para sempre, por toda vida. Voltou para Cachoeiro e lá, no colégio, um professor de português pediu a ele um texto qualquer sobre viagem. Rubem tinha acabado de voltar do Rio de Janeiro pela primeira vez. Em dez linhas o vocabulário do menino era inacreditável. Rubem guardou pouquíssima coisa de infância,quase não tem foto. Textos de colégio não há quase nada. Mas este texto, que é uma redação sobre a viagem, conta o que era o Rio de Janeiro na sua visão aos nove anos. Ele guardou com a letrinha dele de menino de nove anos. E doou o texto para a casa Plínio Doyle - hoje está na Casa Rui Barbosa. E o texto não é de um menino de nove anos, nem de um adolescente. E texto de poucos adultos. O texto de Rubinho é inacreditável.

(Logo abaixo, mais cinco trechos do depoimento de Marco Antonio Carvalho)

Rubem Braga com Sérgio Buarque - Parte 2

Rubem Braga adolescente com Sérgio Buarque, pai de Chico Buarque

(...) Em 1928, com 15 anos, ele veio morar em Icaraí. Rubem teve um problema com um professor de matemática. O professor achava que ele era burro por não saber matemática. O pai, ex-prefeito de Cachoeiro, aceitou a decisão no mesmo dia: está bom, meu filho. E Rubem foi embora de Cachoeiro. Mesmo hoje isso é um gesto muito liberal para um pai. Rubem foi estudar no Colégio Salesiano, em Niterói, onde ficou durante um ano. Olhava para o Rio A partir daí começa a convivência com o Rio.. Era já boêmio.

Ainda adolescente, uns 16 anos... Nessa época, o pai de Chico Buarque de Holanda, Sérgio Buarque de Holanda, passou quase um ano em Cachoeiro. Meados da década de 1920. Sérgio Buarque andava com uma turma em torno dos 25 anos de idade, reunindo empresários, capitalistas. E no meio deles, havia um menino. Rubem Braga acompanhava Sérgio Buarque de Holanda e aquelas pessoas conhecidas em Cachoeiro”.

Rubem manteve relação idílica com tudo o que era infância, com o passado, com Cachoeiro, com Marataízes, onde pretendia morar pensando em tudo o que fez e o que não fez. Ele chamava isso de sonhos senis. Rubem começou a se chamar a si mesmo de velho, de velho Braga, com apenas 18 anos. Ele tinha a coisa do velho ainda muito jovem. Parece que sempre há um travo de melancolia, escreve todo dia sobre a passagem do tempo. Acho que é inevitável se tornar melancólico, só não se torna derrotista porque tem uma auto-ironia muito grande para não se levar muito a sério. Desde os 15 ou 16 anos, escrevendo no jornal Correio do Sul (propriedade dos Braga em Cachoeiro), por mais que sentisse uma dor imensa, não levava a dor muito a sério. Não caía num jargão triste, olha que pena, que pena que eu mereço, como Antonio Maria chegou a cair.
* - Depoimento de Marco Antonio de Carvalho
Por Alfredo Herkenhoff

Rubem Braga e as mulheres - Parte 3


Rubem Braga e as mulheres Tonia e Danuza Leão

Tonia Carrero conta que em 1947 Rubem se tornou seu companheiro em Paris. Eles se envolveram num curto espaço de tempo. Ela conta fatos e casos curiosos. Sem dúvida se envolveram, mas ele nunca quis se casar, que era o que ela queria. Ela queria ser a mulher. Rubem não queria morar junto. Rubem se casou só uma vez. Ele próprio dizia que a vida dele era um caos e que não queria mais. Estava sempre viajando, sempre com pouco dinheiro. Só ganhou um pouco mais no fim da vida, na TV globo. O envolvimento durou pouco e se tornou uma amizade de quase 40 anos. Se viam bastante, mas nunca mais de envolveram como homem e mulher, segundo Tonia Carrero.

Rubem era encantado com a beleza de Danuza Leão, que tinha na ocasião 17 ou 18 anos. Rubem tinha quase 40 anos a mais. O que não impediu que ela se casasse com Samuel Wainer, que era da mesma idade de Rubem. Danuza era encantada pelo texto de Rubem, que não era de falar muito. Era um grande ouvinte. Talvez seja isto um talento dele. Danuza me enviou um texto sobre Rubem. Nunca houve, segundo ela, uma paquera, Sempre foi uma coisa respeitosa.
* - Depoimento de Marco Antonio de Carvalho
Por Alfredo Herkenhoff

Rubem Braga criticava o Pasquim - Parte 4

Rubem Braga criticava o mau humor do Pasquim

Há uma história muito curiosa sobre uma pessoa, também muito bonita, em Ipanema, Ela conheceu Rubem e a partir de um determinado momento saia da praia, de biquíni, e ia para casa de Rubem, na Barão da Torre. Subia molhada, a porta dele esta sempre aberta. Então, preparava um uísque, botava uma música e dançava. E Rubem ali. Isso durou meses. Talvez um ano até que um dia ele se virou para ela e disse: não vem mais aqui não. Ela (Noelza Guimarães) perguntou: mas por que? E ele: não, não dá. Você bebe seu uísque, fica aí dançando de biquíni. Nós nunca nos conhecemos biblicamente. Então prefiro que você não venha mais aqui. Rubem escrevia muito sobre a Noelza na revista Manchete. No Pasquim ele escreveu muito pouco. Leila Diniz.. Rubem gostava muito dela, mas era outro mundo, o do Pasquim. Logo no começo Rubem disse que o Pasquim ficou chato porque os humoristas perderam o humor. Ficaram muito mal humorados por causa da situação toda do Brasil naquele momento da ditadura.
* - Depoimento de Marco Antonio de Carvalho
Por Alfredo Herkenhoff

Rubem Braga era ciumento - Parte 5

Rubem Braga era ciumento - Parte 5

Rubem era muito possessivo com as irmãs. Ciumento. Quando a irmã maia nova ficou viúva com 39 anos e cinco filhos, Rubem passou a ser uma espécie de pai das crianças. Cuidava financeiramente da família. Ela morava em Vitória. Está viva. Mas vinha muito ao Rio e saía com Rubem. Nessas vezes, ele estava sempre de olho, vigiando. Alguns dos amigos se engraçaram com ela. Ele deixava claro que eram todos boêmios, bebiam muito, mulherengos, que nenhum deles prestava. Ele fez isso também com Dona Yedda, que era mais velha um pouco do que dona Gracinha. Yedda casou-se com Murilo Miranda (amigo de Carlos Drummond e Mário de Andrade), que era um grande companheiro de Rubem de Lapa, bebedor, editor de revistas, sempre duro, sempre sem dinheiro. Os dois se conheceram numa das tantas vindas de Dona Yedda. Murilo propôs casamento a dona Yedda. Rubem foi avisar a ela que ele não prestava. Que de forma nenhuma não se casasse. É mulherengo, não tem dinheiro, bebe muito. Mas os dois se casaram e passaram vinte e tantos anos juntos. Murilo morreu jovem. Mas ele não misturava. Família é uma coisa, meus amigos boêmios, outra coisa. Não misturava. Quando dona Gracinha vinha ao Rio avisava. Vou chegar a tal hora, ficar em tal hotel e vou ai te visitar. E ele dizia: telefona primeiro. Dependendo com quem ele estivesse, onde estivesse, não recebia ninguém da família.
* - Depoimento de Marco Antonio de Carvalho
Por Alfredo Herkenhoff

Rubem Braga e amigo Otto Lara Resende - Parte 6


Rubem Braga ateu e amigo do católico Otto Lara Resende - Parte 6 *

Rubem dizia que Otto Lara Resende era tão educado, tão receptivo, que qualquer pessoa que se aproximasse do amigo, fosse quem fosse, Hitler o Stalin, era como um passarinho, o Otto ia comer na mão. Rubem morreu em dezembro de 1990 e cerca de um ano depois, morreu o grande amigo, que conviveu com ele durante 40 anos. Era uma das poucas pessoas que chegavam ao hospital onde Rubem morreu. Rubem não queria nada, nem enterro, nem homenagem nem nada, deixou texto proibindo. Oto ficou doente, teve uma coisa simples, foi operado, voltou para casa, na Gávea - a casa continua lá até hoje, mas se sentiu mal de novo e depois morreu, mas nesse espaço entre voltar para casa e ser internado novamente, numa noite, naquela casa, diante daquele vidro imenso, Otto viu do lado de fora um sabiá, e Rubem era chamado de Sabiá (quem inventou o termo foi o Stanislaw, mas Rubem não gostava do apelido: "Que sabiá nada, eu não sou sabiá, sou o urubu da crônica)". Mas eis que aparece aquele sabiá e fica bicando o vidro. Oto se vira para a mulher e diz: olha lá, é o Rubem me chamando. E voltou para o hospital e morreu. Otto era bastante religioso, católico extremado. Rubem era ateu, adversário das religiões. Mas essa historinha, que me foi contada por Otto, mostra até que ponto Rubem era uma espécie de ícone desses amigos, dessas grandes figuras que Rubem considerava maiores do que ele.
* - Depoimento de Marco Antonio de Carvalho
Por Alfredo Herkenhoff

Literatura - Conto nº. 7 - Senhorita Spam

Senhorita Spam *
Felicidade perdida na malha dessa imensa rede, um flutuar no oceano do acaso

Abri seu último email e vi, com toda a clareza, que você é a Senhorita Spam. Não importa quão bonito seja o arquivo anexado, fui tentado a imaginar que você é aquela mulher inatingível. Indago: por que você me aparece sempre como uma mensagem coletiva no correio eletrônico? Embora mensagem de bom humor, ao me incluir no conjunto de destinatários, você se torna uma pessoa mais do que delicada. Conquista a minha confiança, e creio, de todos nós, que lemos quase ao mesmo tempo os recados exemplares.

Mas hoje acordei pensando que você não existe. Que é fruto de minha ilusão, que é um fio de cabelo perdido, desses que a gente não sabe se é meu, ou seu, que é uma declaração de amor ao léu, que é só uma fantasia. Mas não importa o que eu pense, você é sempre uma pluma, a felicidade perdida na malha dessa imensa rede, um flutuar no oceano do acaso.

Por mais generosa que seja, ou pretenda, você parece guardar uma pitada de impossibilidade em cada momento da existência virtual, em cada instinto, ou inspiração. Pensar que você não existe como pessoa real é quase uma indelicadeza. Mas é impossível não espelhar a ansiedade provocada por suas mensagens, não pelo que elas contêm, sempre virtuosas, mas pelo fato de serem impessoais.

Fico pensando se estou na sua lista por acaso. Não interajo, e sequer é importante saber se li o que recebi, se gostei ou não. O que se passa dentro de quem envia mensagens tão coletivamente? Se você existisse será que seria uma pessoa ciente de que não pode dar atenção caso a caso? Se você existisse, seria pessoa empolgada com descobertas e, por isso, precisando repartir a emoção do modo mais genérico possível?

Quando um escritor produz um trabalho, envia exemplares a amigos e a outros escritores. Mas sabe que, no atacado, quem quiser que os compre e os leia. A internet reduziu ou substituiu esse ritual. Quase todo dia você está lançando o que julga ser novidade.

Mas nada sei sobre você enquanto respiração, pulmonar mesmo. Eu apostaria: você não deve ser boa em ciências exatas. Mas sente o tempo e, desafiando a Física, em aliança com a tecnologia, prossegue enviando mensagem em pacotes de destinatários.

De tantas escolhas que faz ao longo dos dias, você me surge como quem não existe porque nunca pede resposta. Você não parece uma pessoa, mas um pólo. De qualquer modo, em algum momento, merecerá reflexões, de mim, como nesse instante, e de outros que configuram a sua caixa de endereços. No fim - existe fim? -, você merecerá resposta de cada um, de todos nós.

Considerando o conselho milenar de mais ouvir do que falar, você não escapa de algumas críticas, por mais maravilhosas que sejam suas descobertas, por mais belas que sejam as mensagens. Você está enviando palavras bonitas sem curiosidade com o efeito que provocam. Já pensou em quantas vezes envia sem saber se enviou de fato? Ou melhor, se o que enviou foi recebido, lido e apreciado? Se foi apagado ou sequer interpretado? Se o arquivo anexado não foi suprimido por algum provedor?

Transparece, na decisão de enviar tais textos, que você não tem preocupação com o que se passa entre os destinatários. E se eu estiver com dor de dente? E seu estiver de saco cheio? E se eu estiver no auge de uma pesquisa, descobrindo textos ainda mais bonitos do que os que me são enviados?

Será que você, além de não existir, se disfarça de uma alguma coisa existente? Será que você é uma ong? Até quando você vai continuar se dedicando a presumir que a sua beleza de descobrir é a mesma que outros podem ou querem descobrir?

Estou confuso e, salvo engano, você se tornou a pessoa mais sensível e bonita do mundo, não do mundo de todos nós, mas do meu mundinho particular, meu mundinho que quase não produzia nenhuma resposta. Mas, por favor, com todo carinho, delete meu endereço do seu conjunto de destinatários. Quero lembrar de você como se existisse, e não como a Senhorita Spam.

* Por Alfredo Herkenhoff (este conto integra o livro Conto para fugir de balas perdidas)

A arte de negociar a alma com o tempo

O homem que encolheu até desaparecer



Eu irei ficando velho, feio, horrível. Mas este retrato se conservará eternamente jovem. Nele, nunca serei mais idoso do que neste dia de junho... Se fosse o contrário ! Se eu pudesse ser sempre moço, se o quadro envelhecesse !... Por isso, por esse milagre eu daria tudo! Sim, não há no mundo o que eu não estivesse pronto a dar em troca. Daria até a alma!"


O homem que nasceu velhinho


O Curioso Caso de Benjamin Button, filme baseado num conto de Scott Fitzgerald, direção de David Fincher, conta a história de uma criança que nasce e é logo abandonada num asilo de velhinhos. Aparenta ter 80 anos. E a história vem ao contrário, com o velhinho bebê chegando à maturidade e à juventude. Em algum momento, é como o relógio que, mesmo parado, marca a hora certa duas vezes ao dia. Benjamin cruza com a sua idade exata de vida, mas a caminho do encolhimento é fatal.

O homem que encolheu até desaparecer


Filme sensacional, em preto e branco, que a Rede Globo costumava passar no passado. O Incrível Homem que Encolheu, de 1957, dirigido por Jack Arnold. Trata da história de Scott Carey, vivido por Grant Williams, um americano comum que é atingido casualmente por uma nuvem de radioatividade - e a época era da Guerra Fria - e passa a encolher.

Com ar de ficção científica, mas com uma narrativa bem linear e realista, o filme mostra o desespero do cidadão casado, que morava numa casa com a mulher e um gato. O apequenamento físico de Scott o leva a um engrandecimento moral e intelectual. Sabe que está voltando ao infinito do nada, que tudo lhe ficará impossível, antevê o desaparecimento como um cisco no universo ou no quintal, mas luta para sobreviver. E é uma aventura a maratona a todo instante dentro de casa, com uma enchente alagando o porão onde ele estava já menor do que um cigarro.
O gato vai virando perigoso como um tigre ou um dinossauro. Scott trava uma luta com uma aranha caranguejeira no porão. Usa uma pequena agulha, enorme como se fosse uma lança pesada. o palito de fósforo é uma tora, uma árvore. E enfrenta a solidão, que já não tem voz nem tamanho para ser notado por ninguém.

Está vivinho, escapando de tudo, com enorme personalidade, mas para o mundo de antes, fora do porão, ele nem existe mais. O carretel de linha de costura é a corda salvadora. No fim do filme, alcança uma janelinha basculante do porão dando para um gramado. É noite limpa. Ali Scott olha as estrelas e observa como são infinitamente pequenas e, ao mesmo, tão grandiosas quanto solitárias. E pensa com razão cartesiana, com dúvida shakespearena: eu ainda existo. E se confunde como um átomo, cosmicamente, como se fosse ele apenas mais um astro perdido ao rés do chão num fim sublime, transmitindo uma sensação de fragilidade mesmo em quem acredita que não encolherá jamais.

O homem que trocou o tempo de envelhecer com o tempo da arte


O Retrato de Dorian Gray, de tantos filmes, romance do século 19, de Oscar Wilde, autor tido como homossexual, mas hoje com gente acreditando que fosse mais bissexual, com a sexualidade mais concretizada com mulher e mais sublimada com os homens, é a história de Dorian Gray. O personagem é um homem jovem e belo que não envelhece a partir do momento em que um pintor faz um retrato seu. Quanto mais maldade Dorian Gray faz, mais bonito permanece. Já o quadro, ao contrário, vai ganhando as rugas e a decadência física no lugar do personagem levando vida devassa, fazendo o que bem deseja. No fim, depois de muita velhacaria, Dorian Gray, já um assassino feliz, se irrita com a reaproximação do pintor e o mata com um punhal porque o artista queria expor o quadro escondido na casa. Pouco depois, o mesmo estilete é usado para dar um talho na tela. E de súbito, o quadro volta a mostrar o viço do óleo original, e o personagem jaz morto, subitamente envelhecido, encarquilhado, num fim fantástico.

Velhice antes da hora, imortalidade ilusória, troca de funções, venda de alma em troca do prazer, venda da dignidade em troca da vaidade, inocências recuperando a compreensão da complexidade da vida.Todas essas histórias são clássicas tendo o tempo como o pano de fundo, como mistério com relação às origens e as consequências de cada existência, ou como pequenos milagres da arte. Essas histórias todas remetem a uma estranha sensação, ou a uma ideia de que regressamos em vez de avançarmos em direção a um futuro imaginado, hipotético, impondo uma dúvida de que alcançamos o fim apenas para recomeçar, acertando contas.

Há homens que escolheram, colheram, encolheram e invariavelmente morreram. Outros não escolheram, não colheram, nem encolheram, mas, invariavelmente, também morreram. Outros nem se deram ao trabalho de negociar. Estes últimos não gostam de arte.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a ministra Dilma Rousseff. Será campanha eleitoral ou justo combate à crise?

UM MÊS DE CORREIO DA LAPA
UM MÊS A MAIS DE LULA E DILMA ROUSSEFF


O Correio da Lapa está prestes a completar um mês de vida e segue firme como segue também a dobradinha Lula e Dilma, como se vê abaixo na série de três flagrantes da agência noticiosa do governo federal nos últimos 30 dias... Os encontros nesse primeiro mês do blogue-jornal entre o homem mais poderoso e a mulher mais poderosa do Brasil não se limitaram a esses três flagrantes.

Será que a dupla está em campanha ou no justo combate à crise econômica?



Brasília em 26 de Fevereiro de 2009 - Hora: 15h35 - Foto: Marcello Casal Jr./Abr

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, participam da cerimônia de assinatura dos decretos de outorga das concessões das linhas de transmissão do
Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira





Vitória em 6 de Março de 2009 - Hora: 17h24 - Foto: Ricardo Stuckert/PR - Abr

O presidente Lula com a ministra Dilma Rousseff e o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, durante cerimônia de lançamento do programa Território de Paz



Brasília em 25 de Março de 2009 - Hora: 14:03 - Foto: Roosewelt Pinheiro/Abr

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, que tem a meta de construir
1 milhão de moradias

UM POEMA: Tem Pará na Lapa


Tem Pará na Lapa

Alfredo Herkenhoff

(Inspirado por Beto Monteiro, Rita Ferradaes Beleza e Mario Lago Filho)


A boemia canta o que quer
o amor, o pai, o Nada Além
Confusão, aquela mulher
recém-chegada de Belém
A Nazaré parou no Capela
A deusa do restaurante agora é ela
Mas outra do Pará já estava lá
Uma é cheiro de tucupi
A outra, Baía de Guajará
As duas me azarando, logo eu, malandro
Uma se insinua com a boca arfando
A outra seduz, paparica, qualé?
Uma quer ver o peso da Lapa
Uma quer carimbó porque quer

Pisei nas minhas próprias dissidências
Tropecei em tantas coincidências
que parei, hesitei e desisti
Larguei a vida torta, abri a porta do Capela
Disse adeus e açaí
Deixei as duas paraenses ao-deus-dará
acreditando elas em tudo que há
na Avenida Mem de Sá

Dr. House, o médico que imita Sherlock Holmes no bem e no mal

Medicina de competência máxima, ficção eficiente na TV... Quem dera os doentes do Brasil e do mundo fossem tratados e salvos assim pelo maravilhoso Dr. House...!

House, M.D. - ou Dr. House, ou simplesmente House, - é o nome da série da TV americana criada por David Shore e exibida originalmente nos EUA pela Fox em 2004. Já recebeu vários prêmios, incluindo dois Globos de Ouro. O personagem principal é o médico Gregory House, interpretado pelo inglês Hugh Laurie.
House é uma glosa de Sherlock Holmes, só que na Medicina. O médico infectologista e nefrologista se destaca pelos excelentes e surpreendentes diagnósticos. Destaca-se também pelo mau-humor, ceticismo e pelo distanciamento dos doentes. Destaca-se pelo comportamento anti-social (misantropia, parece não gostar de mulher). Considera desnecessário interagir com os doentes para além de qualquer coisa que não seja o diagnóstico. House é capaz de dizer a um moribundo com medo e temente a Deus que o homem tem fé no Divino para não se sentir um inseto.

A ação se passa num hospital universitário fictício chamado Princeton-Plainsboro Teaching Hospital, na cidade de Princeton, em New Jersey.

Cinco temporadas já foram produzidas.e continuam exibidas no Brasil na Rede Record do Dr. Edir Macedo.

Semelhança com Sherlock Holmes até na dependência de drogas

Existem várias semelhanças entre Dr. House e Sherlock Holmes. O criador da série é fã do detetive inventado por Sir Arthur Conan Doyle.

As semelhanças: o caráter psicológico que House usa para resolver os casos (bem como para não aceitá-los) e a residência do médico (apartamento 221B, o mesmo da casa de Sherlock). Outras semelhanças incluem o passatempo de House: o médico toca guitarra e piano, Sherlock toca violino. E até a dependência de drogas: Dr. House em Vicodim e Sherlock na cocaína. A amizade com Dr. James Wilson também é semelhante à amizade entre Sherlock e Watson. Elementar, meu caro.

(A fonte? Wikipedia de Portugal).

Pedro Bial, veja a seguir a semelhança física de Dr. House com o BBB9 Max:

Dr. House e o BBB9 Max, semelhanças físicas


A semelhança entre Max e Dr. House, o ator inglês Hugh Laurie, é só fisiológica. O Dr. House parece pai do enteado de Pedro Bial na casa vigiada com que a Globo quase paralisa o Brasil.





quarta-feira, 25 de março de 2009

Flamengo apóia a “Hora do Planeta” dia 28

Um ato simbólico de preocupação com o aquecimento global


Logo da Hora do Planeta

A “Hora do Planeta” é um ato simbólico no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a demonstrar sua preocupação com o aquecimento global e as mudanças climáticas.

A WWF-Brasil, que organiza o evento no país, convida empresas, governos e sociedade civil a apagarem as luzes por sessenta minutos no próximo dia 28 de março, entre 20h30 e 21h30.

O projeto foi lançado oficialmente no Brasil em 28 de janeiro, com a adesão oficial da prefeitura do Rio, com o prefeito Eduardo Paes anunciando o apagar das luzes em ícones como o Cristo Redentor, Pão de Açúcar, a orla de Copacabana, além do morro Dona Marta. Mais de 82 países e 2140 cidades do mundo estão apoiando o ato.

O Flamengo apoia a “Hora do Planeta” e convida todos os seus torcedores a aderirem ao movimento. Junte-se a nós nesse ato, convide seus amigos. O meio ambiente precisa cada vez mais de nossa ajuda.

Um estudo sobre a Rua Santa Clara, onde morreram 5 homens a tiros na guerra da 2ªfeira


Santa Clara Clareou... Copacabana

Rua Santa Clara. Localizada bem no centro do bairro, esta é a rua mais longa de Copacabana perpendicular à orla. Bastante arborizada em toda a sua extensão, a Santa Clara tem trechos com características distintas ao longo de sua trajetória e por isso foi escolhida como objeto de estudo para análise.

Para ver inteiramente o estudo intitulado "O papel do design gráfico – a identidade visual da cidade", um trabalho da UC-Rio / Departamento de Artes & Design - Análise Gráfica / 2006.1, do estudante André Duffles com orientação da Prof. Edna Lúcia Cunha Lima, anote o extenso endereço a seguir, aliás, anote não, clone no mouse e depois o copie e dê enter para ver tudo na internet. Mas eis o extenso endereço eletrônico>

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://wwwusers.rdc.puc-rio.br/ednacunhalima/2006_1_1/andre/modelo-ag_files/foto1.jpg&imgrefurl=http://wwwusers.rdc.puc-rio.br/ednacunhalima/2006_1_1/andre/index.html&usg=__C5dq9T16VL7Fiwc1q36JapB6TH0=&h=425&w=539&sz=37&hl=pt-BR&start=4&sig2=Pr6IjMZi_HtL7oQDOp3tDA&tbnid=cHj-viWFExi5WM:&tbnh=104&tbnw=132&prev=/images%3Fq%3Dguerra%2Bsanta%2Bclara%2Brio%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG&ei=zqrKScH8OJWDlAfMi_TtCQ


E A SEGUIR, MAIS SOBRE A RUA SANTA CLARA NA CRISE INTERNACIONAL

Literatura na Rua Santa Clara: eu, Meirelles, Obama e Cabral na guerra e na crise

Recessão chega ao Cartel da Rocinha e às Tabajaras

Parece que para Sérgio Cabral, Lula e Henrique Meirelles, o Brasil está a caminho de se tornar uma sociedade guerreira como a Holanda.

Nessa confusão toda, peneire o ouro do cascalho. E salve-se quem puder na crise dos ativos podres.

- (*) Eu bebia um vinho sozinho na Rua Santa Clara quando começou o tiroteio. Eu havia ido lá para trocar a lente dos meus óculos. Todo mundo fugiu do bar, muita gente sem pagar. Não me mexi. Fiquei sozinho. Só bem depois soube que havia cinco mortos... Mantive a calma com o corpo. Mas a cabeça deu um nó. Entrei num transe. Concluí que a loucura da crise financeira mundial tinha invadido Copacabana. Eis o que passou por mim naqueles minutos terríveis:

Ra- ta- tá- tá...

Ra- ta- tá- tá..!

Ra- ta- tá- tá..!

O que é um ativo podre? Um papel derivativo? O que é isso? Um papagaio que não fala? Que só chora porque ninguém vê mais valor no bico dele? Nada disso... Ativo podre, ou "um bem tóxico", no jargão de certa imprensa dos EUA, é o que está na origem da crise financeira, que nasceu na competição desenfreada das apostas bancárias e empresariais sobre valor futuro de bens não garantidos devidamente nem por produtores, nem por devedores também apostadores.

Os bancos americanos, com ajuda de seguradoras, financiaram casas para classe média baixa e para pobres. Depois, os bancos pegavam esses papéis e os revendiam para quem acreditasse que aquilo era uma ciranda bacana e sem fim. Os próprios bancos negociavam entre si uma papelada sem devedor capaz de honrá-la. E a cada negociação surgiam lucros fictícios, como o do Fundo Madoff. Aquilo era na verdade uma pirâmide, uma corrente da felicidade.

O presidente Obama está aprovando nesta semana um plano B para brecar a crise mediante recompra desses papéis podres que ninguém quer. Obama segue injetando centenas de bilhões de dólares nos bancos privados e nas seguradoras. A ideia básica da Casa Branca é recapitalizar esses setores para fazer o crédito voltar e a economia crescer novamente. Mas, à primeira vista, injetar bilhões, quiçá uns dois trilhões, nos bancos cujos executivos nadam em ouro, nadam em bônus e nadam no quentinho das mansões, parece premiar os ladrões com dinheiro dos contribuintes.

Obama e seus assessores no Fed (no Banco Central) e no Tesouro não estão tão certos de que esses ativos podres ficarão para sempre podres. Com a volta do crescimento da economia, muitos papéis voltarão a ter valor razoável, não se sabendo quanto, e para que não pareça uma socialização dos prejuízos dos bancos patrocinada pela Casa Branca, embora os ricos quebrados mantenham mordomias, Obama quer comprar só a metade dos papéis podres. Assim, se 50% derem lucro, o governo Obama, o povo dos EUA, lucra recuperando empregos. Se a recompra de parte dos papéis podres for mesmo um grande erro, como muita gente acredita, incluindo governantes europeus, Obama perde os trilhões nos 50%, e os bancos quebram de vez perdendo a outra metade, perdem a primeira e talvez última chance de não serem socializados, isto é, estatizados, justo pela potência que mais guerreou pelo liberalismo, apelido para a política de deixar o mercado jogar à vontade, especular e apostar o que não tem na cotações futuras.

Tudo estourou com a crise da tais hipotecas, aquele empréstimo de casa própria nos EUA valendo nada, porque a própria casa não vale mais nada. Há bairros inteiros, quarteirões inteiros em cidades do estado de Michigan, abandonados. Os bancos pegaram as casas dos mutuários falidos e agora as oferecem a um dólar porque naquela rua ninguém quer morar, só tem assaltante e viciado. Os mutuários se foram. Os bancos tem que pagar o IPTU local e outras taxas de manutenção. Assim, a hipoteca micou.

Mas se a economia voltar a crescer, se Obama decretar moratória geral de cinco anos na amortização para essa massa sem dinheiro, as casas voltarão a ficar cheias, e todo mundo será de novo feliz

CRISE TAMBÉM NO MEIO AMBIENTE

Ra- ta- tá- tá...
Ra- ta- tá- tá..!

Ra- ta- tá- tá..!

Todo mundo feliz, meno a natureza, que o meio ambiente, apesar de toda essa crise, continua a ser dilapidado pelo consumo. A natureza chora não a crise financeira, mas a pequenez da crise no que esta tem de incompreensão do problema ainda mais grave da degradação ambiental.

Produzimos energia retirada da natureza em áreas quase sempre distantes das grades cidades, que apenas brincam de se preocupar. O consumo é o verdadeiro vilão e ninguém o imagina em outras bases. Tudo é homeopático entre ongs e essas governanças com manias de responsabilidade social, pelo menos até hoje. Extraímos recursos da natureza numa velocidade maior do que a capacidade do ambiente de se refazer da agressão. A curto prazo não há saída. A longo, talvez não dê mais tempo...

VIOLÊNCIA HOLANDESA NA RUA SANTA CLARA?

Ra- ta- tá- tá...
Ra- ta- tá- tá..!

Ra- ta- tá- tá..!

E não é só em Detroit e Los Angeles que o problema da violência social e ambiental se agrava não. Acabo de saber que aqui na Rua Santa Clara em Copacabana umas cinco ou dez pessoas foram mortas a tiros e, num tiroteio que nunca será bem explicado nem pela polícia do governo Sergio Cabral nem pela imprensa pressreleaseana.

Na Holanda, onde ninguém usa droga, a polícia quase não tem trabalho. Lá os homicídios se multiplicam aos borbotões, mas ninguém liga no Tribunal de Haia. A Justiça de Rotterdam ou Le Havre vira as costas, apenas soma e soma e anuncia a sentença: Oba! Pelo menos não estão matando juizes da casa de Orange. Já no Brasil, e na Terra de Santa Clara, tudo é proibido, ou na verdade nada o é? Mentira na rua é proibida no Brasil? Onde está escrito que é?

No Brasil, os bancos são fortes porque os juros com que o governo os remunera é alto? Ou são fortes porque os juros que cobram do consumidor é mais alto ainda? Não, no Brasil os juros são baixinhos. Enquanto Washington hoje cobra a exorbitância de menos de 1% de juros ao ano, e em alguns casos nem cobra isso, empresta sem ônus e até disposto a perder, no Brasil os bancos oferecem cheque especial com juros de dez cento ao mês. Mas aqui não tem problema pagar ou não pagar. Aqui não faz muita diferença desde que você tenha amigos ricos na Zona Sul do Rio de Janeiro, nos Jardins em São Paulo ou numa daquelas asas perpendiculares à Esplanada dos Inválidos Ministérios de Brasília.

Então estamos conversados: pouco importa se os bancos americanos vão conseguir honrar os prejuízos que tiveram com a quebradeira das apostas especulativas nos papéis derivativos. Nos EUA, existe disposição para ir à luta. Lá tem guerra civil se preciso for.

Aqui se fala muito, se morre pouco, pelo menos nas páginas de jornal, a morte é curta, é guerra silvícola, e os parentes dos mortos temem falar ou não são sequer ouvidos porque talvez não interesse ouvi-los.

Mas na rua, nesta Rua Santa Clara, onde a mentira não é proibida de fato, e o pessoal aqui da Santa Clara sabe bem disso, a violência é culpa dos holandeses que ficam exportando exctasy e importanto ouro e diamantes há séculos.

Vocês não acham que o Rio de Janeiro, com tão poucas mortes a tiros, onde quase nunca assaltante mata, onde nunca a polícia mata, está virando uma cidade tão segura quanto Teerã de madrugada/ Tão segura quanto Tóquio de madrugada? Ou tão segura quanto Oslo de madrugada?

Nesse momento a situação já está quase tranquila, claro que estará logo voltando a ser tranquila em todo o Rio de Janeiro. Se houver guerra de polícia e narcotráfico na sua rua, não se importe. É coisa passageira. Fique quietinho. Se correr, pelo menos não pague a conta. Se você não morrer com uma bala cruzada, não se incomOde. Essas guerrinhas também não incomodam Gilmar Mendes do Supremo nem Henrique Meirelles do BC.

E o que você vir no jornal será a pura expresão da verdade dos fatos, iguais a esses que embuti nesse monte de mentira.

Ra- ta- tá- tá...
Ra- ta- tá- tá..!

Ra- ta- tá- tá..!

Caraca! Essa guerra por dinheiro e derivativos da polícia e derivativos do narcotráfico já está ficando chata...
Seu Manoel, vê minha conta aí. Vou encarar a calçada... Acho que já tranquilizou... Peguei as anotações e saí...
fim

(PS - Saí feliz pensando no show de Liza Minelli que eu iria ver na dia seguinte... E vi!)


(*) By Alfredo Herkenhoff

Febre do Twitter

A imprensa celebra o fenômeno Twitter mas esquece outras aplicações do programa

Deu no site Observatório da Imprensa
Por Carlos Castilho em 24/3/2009

A exemplo do que já aconteceu no passado com as páginas web pessoais, depois com os weblogs, com o mundo virtual do Second Life e com as comunidades online tipo Orkut, agora chegou a vez do Twitter ser elevado à categoria de modismo do momento, em matéria de novidades da internet que vendem revistas e jornais.

O Twitter, um sistema de micromensagens online com textos de até 140 caracteres, já tem três anos de existência e era usado basicamente para os usuários (quase todos nerds[) avisarem os seus amigos (seguidores no jargão dos twitters) sobre o que estavam fazendo no momento ou para os alertar sobre eventos importantes.

Agora, o Twitter virou a bola da vez na mídia, principalmente porque passou a ser visto também como uma forma de ganhar dinheiro. Foi isso que basicamente disparou a avalancha de matérias publicadas tanto na imprensa brasileira como na estrangeira, apoiada em estatísticas bombásticas como a que aponta o crescimento de 1.382% no número de usuários desde março de 2008.

(...) O fato de você poder saber a todo momento o que o seu guru virtual está fazendo, ou pretende fazer, foi o suficiente para um novo impulso à corrida pela visibilidade online, com internautas disputando um ranking de seguidores. Nessa corrida vale trocar listas de simpatizantes e usar o Twitter pessoal para fazer publicidade de empresas, como a Telefônica, de São Paulo.

Acontece que o Twitter não é só isso. Ele é usado desde 2007 como uma eficiente ferramenta de mobilização social e política, especialmente em países submetidos a regimes autoritários. As micromensagens online, junto com os “torpedos” por telefone celular, são hoje a principal forma de comunicação para organizar as chamadas flash mobs (protestos instantâneos), que já deram tantas dores de cabeça a governantes de países como o Egito, Filipinas e Bielo-Rússia.

PARA LER O ARTIGO COMPLETO, ANOTE O ENDEREÇO DA INTERNET (O OBSERVATÓRIO TAMBÉM ESTÁ RANQUEADO NA LISTA DE LINKS FAVORITOS DO CORREIO DA LAPA)>

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={45DA6A3C-ED0E-4411-9B77-FA9117F5AB96

OU ANOTE SIMPLESMENTE>

http://www.observatoriodaimprensa.com.br

Música Cinema Judy Garland Liza Minelli Anne Hathaway




Judy e Liza, Mãe e Filha, Atrizes e Cantoras Excepcionais


Judy Garland...
...
... vivida por
Anne Hathaway
.
.
.
... Liza Minelli é Brasil and Brazil

A atriz de O Diabo Veste Prada, na pela da secretária cool de uma revista reinando sobre o universo fashion, também canta e vai protagonizar a vida glamourosa e trágica da atriz americana Judy Garland, aquela criança fascinantésima no Mágico de Oz a depois a excepcional cantora que caiu nas drogas, viveu apenas cinco casamentos, morrendo aos 47 anos num incidente ou acidente de overdose. Liza, Oscar em Cabaré, é filha de Judy e não resiste a ficar muito tempo longe do Brasil, essa "droga" de país maravilhoso... Nesta terça-feira à noite, Liza conheceu a casa Vivo/MAM no Rio de Janeiro e cantou para público seleto, ou global. Liza, filha de Vincent Price (Vincente Minelli), é show como sua mãe. Confiramos algumas fotos dessas que pululam na grande rede. E logo na postagem anterior, quer dizer, matéria a seguir, a reportagem que saiu na última edição do jornal Correio do Brasil:

Anne Hathaway fará Judy Garland no cinema



Anne Hathaway vai cantar na pele de Judy Garland

Deu no Correio do Brasil Por Redação, com Reuters - de Los Angeles

Ela pode ter sido a maior surpresa da cerimônia do Oscar, em fevereiro, quando subiu ao palco para fazer um dueto com Hugh Jackman. Quem sabia que Anne Hathaway era capaz de cantar? Harvey Weinstein. O empresário, responsável por lançar grandes nomes do cinema, anunciou na segunda-feira que contratou a atriz indicada ao Oscar para fazer o papel de Judy Garland em adaptações para o cinema e o palco da biografia Get Happy: The Life of Judy Garland. Em comunicado à imprensa, Weinstein pouco informou sobre o projeto. Ainda não há nomes de roteiristas ou diretores confirmados.

Judy Garland é a lendária estrela de cinema da era dourada de Hollywood que representou Dorothy em O Mágico de Oz, de 1939, contracenou com Mickey Rooney nos filmes Andy Hardy e foi duas vezes indicada ao Oscar, por Nasce Uma Estrela e Juramento em Nurembergue.

Para ver matéria inteira, anote o endereço do Correio do Brasil>
correiodobrasil.com.br


BBB Jade Goody na mídia como defunto fresco


Corrida contra o tempo para lançar filme e também livros sobre a vida da ex-BBB que morreu

A vida de Jade Goody, personalidade da TV inglesa que morreu de câncer aos 27, no domingo, deve ser transformada em filme. O projeto está sendo tocado pelo fundo encarregado de cuidar do seu legado. Os beneficiários são os dois filhos de Jade. Paralelamente, existe uma disputa envolvendo lançamento de livros sobre ela. A editora responsável pelo título Catch A Falling Star, que saiu em setembro, rebatizou o livro, que agora se chama Jade - Fighting to the End, e alterou a capa para incluir as datas de nascimento e morte e está correndo para colocar a obra no mercado até o fim desta semana. Tudo isso para concorrer com Forever in My Heart, livro que é o diário de Jade durante o período de sua doença. A notícia é do The Times.

Esta nota saiu na edição desta quarta-feira no site sobre mídia Bluebus.com.br

Este endereço, nas últimas semanas, também noticiou a seguintes manchetinhas: Funeral de ex Big Brother será 'grande celebração', diz o empresário... Revista escandalosa sobre ex Big Brother rende reclamações do público... 900 mil viram esta noite especial sobre casamento de ex Big Brother... Produtora garante que não vai gravar morte de Big Brother, acredite...! Estrela do Big Brother negocia com a mídia suas últimas semanas de vida...

Para ler mais, anote:
Bluebus.com.br

terça-feira, 24 de março de 2009

Morreu a BBB britânica Jade Goody


O fim da BBB britânica Jade Goody


A BBB Jade Goody, celebridade que tinha tudo para ser esquecida como qualquer figurinha fácil dessas casas vigiadas, morreu de câncer no domingo depois de ficar defintivamente famosa por decidir expor sua agonia praticamente em tempo real. Jade Goody tinha 27 anos. Antes da doença, insultou uma indiana e foi acusada de racismo naqueles incidentes típicos para Pedro Bial resolver. Causou indignação e tal Ela foi diagnosticada com câncer no colo do útero em meados do ano passado e decidiu se exibir. Como big sister, deu sinais de racismo. Dizem que levava uma vida sem maiores cuidados médicos. Nada de exames periódicos e tal. Mas no fim, a decisão de se expor pela segunda vez na mídia lhe rendeu nos últimos meses o equivalente a mais de R$ 2 milhões. Ela morreu em casa, em Upshire, Essex, ao lado de sua mãe e do marido Jack Tweed, com quem se casou há pouco mais de um mês, também com exibição. Os últmos tempos de Jade Goody ajudaram a promover a importância dos exames preventivos, tendo havido um boom de mulheres por diagnóstico precoce na Grã-Bretanha. A novela do último suspiro começou em agosto passado. O câncer se espalhou rapidamente e, no domingo, o fim. A inglesa ganhou morrendo o que não ganhara em 26 anos de vida. Deixou um pé de meia para os dois filhos e deu, com a morte, uma lição de vida. E sua vida, tão curta, antes da doença era um monte de bobagem.


Os mais medíocres

O YouTube, que tudo quanfitica em tempo real, informando sobre os videos mais vistos no momento, na última hora, no dia, na semana, no mês e em todos os tempos, mostra o grau da decadência brasileira: os videos mais assistidos são os do Big Brother Brasil 9.

Nova lata da Coca Cola, a latinha carioca


As latas sleek, de 270 ml, prometem fazer sucesso entre colecionadores. Apesar da beleza do desenho da Coca Cola homenageando o sol, a latinha carioca tem 80 ml a menos do que as tradicionais. Foi lançada só nos supermercados do Rio de Janeiro.

Márcio Braga volta a criticar a Federação cujo tribunal lhe deu 1.440 dias de suspensão

Dirigente rubro-negro ressalta a ilegalidade de atos da Federação de Futebol do Rio de Janeiro

O Presidente do Flamengo Marcio Braga, em licença para recuperação de cirurgia cardiovascular, tomou conhecimento da decisão proferida pelo Tribunal de Justiça Desportiva da Federação de Futebol do Estado Rio de Janeiro - FERJ, que lhe impõs uma suspensão de 1.440 dias e tem a esclarecer o que segue:

1- Em nenhuma de suas entrevistas ou pronunciamentos se dirigiu ao referido Tribunal, cuja composição sequer conhece;

2- O Flamengo tem se insurgido reiteradamente contra atos da FERJ, como por exemplo:

a) o desconto indevido de 10% da renda bruta de cada partida realizada no Estado do Rio de Janeiro quando o estatuto só permite o desconto de até 10% da renda líquida;

b) o desconto indevido de 10% dos valores recebidos pelos direitos de transmissão do campeonato carioca, contrariando o disposto nos respectivos contratos;

c) o golpe de prorrogação do mandato do atual presidente da FERJ até 2014 em Assembléia Geral realizada às escondidas sem a convocação do Flamengo.

Estas e outras atitudes da FERJ contribuem para o enfraquecimento econômico do futebol carioca. A FERJ não pode continuar se apropriando indevidamente do patrimônio dos clubes, em especial do Flamengo.
Rio de Janeiro, 24 de março de 2009

Cuca não confirma time tiular para o jogo desta quarta, dia 25 de março, às 16h, contra o Madureira

Toró, Jônatas, Erick Flores e Kleberson disputam as vagas de Willians e Léo Moura, que estão suspensos. O elenco do Flamengo se reapresentou na manhã desta terça-feira, na Gávea, para o último treinamento antes do jogo decisivo de amanhã, contra o Madureira, às 16h, em Edson Passos. O confronto é válido pela quinta rodada da Taça Rio, o segundo turno do Campeonato Carioca. Com sete pontos, o rubro-negro está na terceira colocação do Grupo B. Botafogo e Friburguense, ambos com nove pontos, lideram o grupo.

Na atividade tática, Cuca deu bastante atenção as jogadas de bola parada. O treinador comandou um coletivo em campo reduzido, que contou com 13 jogadores para cada lado. Os titulares treinaram com: Bruno, Everton Silva, Fábio Luciano, Ronaldo Angelim e Juan; Toró, Airton, Jônatas, Kleberson, Ibson e Erick Flores; Zé Roberto e Josiel.


Timemania e a crise financeira no futebol

Sugestão radical: uma hiper-megassena para ajudar a salvar o Flamengo e os outros grandes clubes *
Durante anos, o país discutiu uma forma de ajudar os clubes a sair de uma crônica crise financeira por meio de aportes via loteria da Caixa Econômica Federal. Discutiu-se demoradamente a Timemania, finalmente aprovada, mas que se provou um fracasso rotundo, porque cheio de preconceitos burocráticos na sua formulação. A burocracia política tratou como iguais os desiguais em importância e tradição no futebol.

Baixada, memória quase esquecida no fundo do Rio de Janeiro

Sorria, você está no Youtube: Parabéns Ipahb!

Dá pra ver tudo no Youtube, até a Baixada. São videos, filmetes, documentários sobre essa gente lutadora que sabe o valor que tem e trabalha para que essa riqueza cultural quase escondida possa propiciar uma perspectiva melhor para quem hoje vive no fundo da capital, em especial os jovens sobrevivendo entre os lixões e as lan houses. Viva o amor-próprio, viva gente como Gênesis Torres, coordenador do Ipahb, o Instituto de Pesquisas e Análises Históricas da Baixada.

Gênesis Torres adverte: sim, criança abandonada tem, gente dsempregada, tem, gente vivendo de catar restos nos grandes lixões, tem, carência de bons hospitais públicos, tem. O Instituto oferece elementos para que a populaçao da região fortaleça a auto-estima, que se não anda em baixa total, anda pelo menos deprimida por falta de meios que reflitam uma identidade ameaçada.

Sim, a internet permite que todo mundo vire editor-chefe, divulgador e denuciador de mazelas sociais, mas são os veículos tradicionais, fora da internet, que melhor propiciam algo que a rede de computadores ainda não oferece: ou seja, a leitura partilhada, a leitura ritual cotidiana. No Rio capital, por exemplo, uma classe média, pela manhã, já está lendo os mesmos jornais. Em seguida, esta classe discute seus problemas com base num repertório comum de informações recentes.

Já na Baixada, não, pois o que a região enfrenta é uma espécie de esquizofrenia, um desequilíbrio de informação envolvendo muita gente que trabalha na metrópole e dorme em bairros abandonados, cujos problemas de infra-estrutura raramente ganham destaques nos jornais locais. Estes veículos são poucos, pobres, irregulares e ineficientes, na maioria, se é que se pode falar em maioria quando são tão poucos os jornais, muito deles vivendo à míngua, na dependência de uma publicidadezinha oficial, seja de uma prefeitura, seja de uma empresa, fundação ou autarquia, coisa que, aliás, costuma redundar em edições laudatórias, chapa branca, puxando o saco mesmo de quem anunciou.

Instalado em São João de Meriti, o Instituto de Pesquisas e Análises Históricas da Baixada abrange praticamente todas as cidades da região, oferecendo cursos de história local e facilitamd a vida de pesquisadores sobre fatos do passado e perspectivas do futuro. O Ipahb procura consolidar e organizar os documentos dos municípios, bem como preservar o patrimônio cultural da Baixada, franqueando o acesso do público a essas informações.

Em seus primeiros dez anos de atuação, os mais beneficiados pelo Ipahb tem sido os professores de História e Geografia, carentes de conteúdo local. O Instituto ministra ainda seminários além de animar eventuais debates sobre a definição das políticas públicas, notadamente na área de meio ambiente e turismo da Baixada.

Emerson do Qatar para o lugar de Obina

Flamengo apresenta novo reforço

O Flamengo apresentou na noite desta segunda-feira, na Sala de Imprensa Marilene Dabus, o atacante Emerson para a disputa do Campeonato Carioca (haverá tempo?), Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Campeonato Brasileiro. O jogador, de 30 anos, nascido em Nova Iguaçu, Baixada, disse que vive o momento mais feliz da sua vida.
“Depois de três ou quatro tentativas, finalmente consegui realizar o meu sonho de jogar no Flamengo. Estou realmente muito feliz. Posso até dizer que hoje é o dia mais feliz da minha vida. Sou flamenguista e estou realizando um sonho de criança em vestir essa camisa, que um dia foi usada por Zico, Júnior, Andrade e Adílio”.
O jogador disse que a oportunidade de dar uma vida melhor para sua família pesou na decisão de sair cedo do Brasil. “Sai do Brasil com 17 anos. Tive a oportunidade e não deixei passar. Eu sou de Nova Iguaçu, de uma família simples e tive a chance de dar uma vida melhor para a minha família. Acredito que fiz a escolha certa, porque hoje, graças a Deus, posso dar uma educação boa para os meus filhos e ter uma vida estável. Agora volto para o Flamengo para realizar o meu sonho. Tive grandes propostas, mas o lado financeiro não falou mais alto. Não tem dinheiro no mundo que pague uma felicidade como essa, de jogar pelo Flamengo. Por paixão e amor você faz coisas que é difícil explicar. Sempre quis jogar aqui. Não sei até quando o dinheiro é mais importante do que isso. Estou fazendo o que meu coração está mandando”.
Emerson contou um pouco da sua carreira, que foi construída no Japão e no Qatar: “Sai do São Paulo e fui para o Japão, onde joguei por cinco anos. Fui artilheiro e melhor jogador do Campeonato Japonês. Em 2005 fui jogar no Al-Sadd, do Qatar. Também fui artilheiro lá e depois fui vendido para o Rennais, da França. Em 2008 voltei para o Qatar e agora estou aqui, realizando o sonho de infância”.
Ele acha que já pode jogar dentro de uns dez dias... (Fonte: Assessoria de Imprensa da Gávea)

Vetados por Cuca
Obina e Everton não enfrentam o Madureira nesta quarta-feira

Gisele Bundchen e Cindy Crawford: uma na tela, outra nua

Nua aos 43 com o corpo perfeito para 43

A modelo Cindy Crawford, de 43 anos de idade, posou pelada para a revista Allure.Ela disfarçou as estrias e a celulite com creme de barbear. Reconheceu que com a idade "avançada" já não é a mesma de 20 anos atrás. Mas garantiu que sente o seu corpo perfeito e cuida um pouco mais rigorosamene da mãos e do colo, partes que exibe no dia-a-dia a todos os interlocutores.
Gisele Bundchen na telinha

Na próxima quinta-feira, no Canal GNT, serão exibidos dois documentários inéditos sobre Giselle Bundchen. "Gisele, made in Brazil" e "A garota mais linda do mundo" passarão às 21h e às 21h30. Tudo glamourizado sobre a vida da modelo gaúcho dentro e fora das passarelas.

Notícia clara e concisa: ordem do Wall Street Journal

Notícia rapidinha no Wall Street

O editor chefe do Wall Street Journal, Robert Thomson, distribuiu um memorando aos jornalistas, semana passada, avisando que terão de fazer um esforço-extra: os repórteres passam a produzir versão enxuta e em primeira mão dos fatos que apurarem. Assim, eles alimentarão, de modo novo e mais eficiente, a agência de notícias Dow Jones, do mesmo grupo e que enfrenta concorrentes de peso no front da economia em tempos de crise: a Reuters e a Bloomberg. O memorando exige rapidez na emissão de notícias curtas e claras antes que os profissionais concluam suas reportagens mais amplas para a versão impressa. O Wall Street produz manchetes diariamente, mas agora elas devem ganhar também em primeira mão mais visibilidade na disputa com os concorrentes nos serviços não-impressos. O memorando também informa que os jornalsitas serão avaliados conforme o número e o impacto dos seus furos no estilo um título e uma frase. O memorando causou espanto porque o editor era um crítico do estilo telegrama das manchetes no mundo digital. Robert Thomson ficou de explicar nos próximos dias os motivos de mudança de opinião ou posição. Mas adiantou ele que os leitores dão ou reconhecem o valor dos furos de reportagem, e das manchetes em estilo resumido, mais do que os próprios jornalistas.
Assinantes dos serviços da agência Dow Jones Newswires são, na maioria, investidores e profissionais do mercado financeiro que precisam receber informação do modo mais preciso e rápido. Resumindo: Reuters, Bloomberg e Dow Jones vão concorrer pela notícia de modo ainda mais ferrenho.
(Fonte The New York Times)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Lula na gastança, greve na Petrobras e Alencar nos juros

Lula pede a todo mundo para gastar e investir, nada de economizar.

Recife - “Essa não é uma crise de fazer contenção de despesas, ajuste fiscal, temos que fazer mais investimentos, projetos de infra-estrutura que gerem empregos”, disse ao discursar na inauguração de nova unidade produtora da Sadia no Nordeste, localizada no município de Vitória de Santo Antão (PE), a 50 quilômetros de Recife.
Lula criticou a posição da imprensa brasileira em relação à crise. “Se eu pegar os jornais de manhã e ler, me enfio debaixo da cama, não tenho nem vontade de sair, tem hora em que penso que o país acabou”, disse. Na avaliação do presidente, a fase mais difícil de reflexos da crise no Brasil já passou. “Acho que o período mais difícil já tivemos em outubro, novembro, dezembro.”
Ele citou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados que apontaram que em fevereiro foram criados 9.179 postos de trabalho com carteira assinada. Outubro havia sido o último mês com saldo de contratações positivo.
Lula aproveitou a visita ao estado de Pernambuco para falar sobre o Nordeste que, segundo ele, passou muito tempo “encruado”, mas que agora está se desenvolvendo “acima da média nacional”. De acordo com o presidente, a região concentra 52% dos beneficiários do programa Bolsa Família, que distribui grana viva todo mês.


Começou a greve da Petrobras em todo o país

Noticiário do Diário do Grande ABC

São Paulo - Os petroleiros da Recap (Refinaria de Capuava), em Mauá, e do Terminal de São Caetano estão em greve desde a 0h desta segunda-feira, segundo informações do Sindipetrosp (Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo). A paralisação das refinarias da região integra o movimento nacional, que tem a adesão do setor administrativo e operacional em todo o sistema da Petrobras.O diretor da regional de Mauá do Sindipetrosp, Auzélio Pereira Alves, afirma que a adesão ao movimento nas refinarias situadas no Grande ABC foi de 100%. No entanto, ele diz que não há risco de desabastecimento "Ainda não temos um balanço de como a produção está sendo afetada, mas a situação está sob controle e o atendimento à população não será afetado", garante Alves.
Segundo Federação Única dos Petroleiros), a paralisação atinge todos os terminais da Petrobras espalhados pelo País. No Estado de São Paulo, também estão em greve os terminais de Guarulhos, Barueri, Campinas, Guararema e Paulínia. A paralisação está prevista para terminar na próxima sexta-feira, dia 27. A greve foi iniciada porque a Petrobras não respondeu a três de quatro reivindicações da categoria. A entidade afirma que a estatal propôs uma PLR (Participação nos Lucros e Resultados) abaixo da que foi paga nos últimos anos. Além disso, a categoria reivindica garantia de emprego nas empresas terceirizadas, contratadas pela Petrobras; melhores condições de segurança no trabalho; e o pagamento de feriados trabalhados como hora extra.

Nota da estatal

No início da tarde desta segunda-feira, a Petrobras divulgou um comunicado informando que todas as unidades funcionam normalmente e a produção e segurança das operações e dos empregados não foram afetadas pelo movimento. Ainda de acordo com a estatal, equipes de contingência estão operando nos locais necessários.
Para ler toda a reportagem, eis o endereço:
http://economia.dgabc.com.br

Vice José Alencar: juros no Brasil são um despropósito

Noticiário do jornal DCI
Brasília - O vice-presidente da República, José Alencar, afirmou nesta segunda-feira, 23, esperar que todo o esquema do mensalão seja esclarecido, caso o empresário Marcos Valério confirme o propósito de recorrer à delação premiada para falar sobre o caso. Ele disse ainda que desconhece a intenção de Marcos Valério de pedir o benefício, mas ressaltou que o governo não tem o que temer com as novas revelações que possam ser feitas ao Ministério Público Federal.
Sobre o escândalo do Mensalão, Alencar também não se intimidou: "Como brasileiro, espero que toda a verdade venha à tona. Se a decisão dele [Marcos Valério], de entrar na delação premiada, puder trazer informações completas a respeito do problema, devemos aplaudir", disse Alencar, ao comentar a notícia de que os advogados do empresário estariam negociando com o Ministério Público um acordo de deleção premiada para que ele dê novas informações sobre o esquema, descoberto em 2005, de pagamentos de propinas a parlamentares.
O vice-presidente voltou a reclamar da taxa de juros do país. Apesar da redução de 1,5% da Selic, aprovada na última reunião do Conselho Monetário Nacional ( Copom), este mês, Alencar afirmou que os juros brasileiros ainda estão “fora de propósito”.
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Editorial: Lula, Meirelles, Alencar, Petrobras, greve, crise, juros, E todo mundo no Jobi, o boteco de luxo no Leblon

Editorial do Correio da Lapa

Comentando com bom mau humor as notícias num papo de botequim de luxo, com Lula falando da crise, Vera Fischer, do silicone, Meirelles e Alencar, dos juros, José Gabrielli e outros clientes enfrentando a greve e os preços altos...

O presidente Lula em muitos aspectos se assemelha ao presidente Obama. A crise mundial começou oficialmente há mais de seis meses, exatamene em 15 de setembro. No início, quase todo mundo notou que era megacrise e todo mundo se sentiu meio desnorteado. Agora, o mundo inteiro adota políticas semelhantes... Com alguns perigos e algumas teimosias: na Argentina, por exemplo, a Cristina Kirchner presidenta quer impor barreira para reduzir o déficit comercial com o Brasil. Ou seja, quer gastar menos, menos comércio, para que gastemos mais. Uma idiota... Obama quer barreira para proteger empregos dos americanos, ou seja, quer barreira. Não, idiota não é ainda não, mas é uma idiotice o que defende. Lula não quer barreira nenhuma no exterior, mas o Brasil impõe também muitas barreiras. Sonhador, mas com bolsa-família, Lula garante o emprego de Dilma Roussef e a sua volta, dele, Lula, ao Poder formal daqui a seis anos. O poder de fato ele não perde botando Dilma para guardar a vaga.

Petroleiros na bacia das almas de uma greve e as lutas de José Alencar

Os petroleiros querem vantagem, como se não soubessem que ter um emprego na estatal é estar num dos melhores cenários da economia brasileira, pois é monopólio, se não mais na perfuração e posse de poços, pelo menos o é na fixação do preço dos combustíveis na bomba dos postos, fixação em comum acordo com o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. Resultado, preço do litro no país quase sempre pela hora da morte e entre os piores do mundo.

José Alencar, o vice que há mais 11 anos enfrenta câncer na estômago e intestino, trava uma guerra ainda mais difícil contra o presidente do BC, Henrique Meirelles. Esta guerra começou há seis anos. E vem perdendo todas as batalhas contra os juros altos. Lembremos a Merielles que, como dizia o poeta Ezra Pound, a usura é um câncer no azul.

A discussão que rola nos botequins do Rio é a seguinte: os juros são altos por que Meirelles e sua turma do Copom temem a volta da inflação? Coisa que a juventude de hoje nem sabe mais o que foi na prática? Ou Meirelles e o Copom gostam mesmo de juros altos para deixar os bancos brasileiros sólidos como destacou esta semana a revista britânica The Ecnomist?

No Brasil há muita demanda reprimida. Com dinheiro e crédito fáceis, a inflação volta sim. Todo mundo quer trocar de geladeira, quer trocar a TV velha por uma moderníssima digital, todo mundo quer trocar a velha carroça por carro com air bag, agora obrigatório, segundo lei sancionada por Lula esta semana.

Mas cabe apenas ao Congresso, ao verdadeiro Lula e a Meirelles a responsabilidade pela impossibilidade de tanta troca e mobilidade social. Eles não deixam o Alencar trocar o padrão do Brasil.

Tolerância, Bispo Macedo, destinos do Brasil no boteco, quem tal Jobi?

Alencar é voz dissonante, é reserva emocional da serenidade e do trabalho total, intelectual e braçal, sofisticado e humilde. Alencar, no entanto, é o mais saudável dos quatro. É aquele mineirão da lavoura e a realidade têxtil... Ele não tem nenhuma intolerância de ordem alguma, nem religiosa nem de modas e vaidades. Sua mulher, por exemplo, fez promessa por um filho do casal e, há décadas, nunca mais usa nenhuma jóia, embora com dinheiro para comprar a caverna inteira de Ali Babá. Alencar até se associou partidariamente a a um bispo que se inventou e criou uma igreja depois de sair do emprego na Loterj. E hoje Edir Macedo tem um jato quase igual ou melhor do que o AeroLula. E tem a TV Record agora só fazendo proselitisimo religioso de madrugada, para audiência quase zero. O bispo Macedo avança nos calcanhares do Ibope da Rede Globo nos horários nobres. Sílvio Santos virou múmia da terceira idade enquanto a Record fica cada vez mais parecida com a Globo.

Isso não é de todo ruim. A Record está melhorando pela simplicidade e pela imitação. A Globo podia correr um pouco mais rumo a novos padrões de qualidade... Existe uma mesmice na Globo, um auto-afago, um eterno videosshow, um eterno big brother da juventude mais inexpressiva. Ou um eterno eu te elogio, tu me elogias, nós nos elogiamos... Celebridade global virou moeda fácil até no Restaurante Botequim Jobi. Lá ninguém pede autógrafo a ninguém famoso. Claro, os melhores artistas estão mesmo na Globo, no Leblon, no Jobi e noutros poucos cantos e recantos... Alguns de mala e cuia para a Vênus Universal do Bispo.

O destino do Brasil passa pelo Botequim. No Jobi tem juizes do Supremo, tem petroleiros em greve, já teve a ex-primera-dama Ruth Cardoso e família, teve a Vera Fischer... Só falta botar numa mesa, num sábado à tarde, os três: Lula, Meirelles e Alencar. E de carona, o José Gabrielli, presidente da Petrobras. E o Planalto ficaria mais relax, e o Brasil talvez se encaminhasse mais depressa rumo a um futuro imediato do bom senso, com mais dinheiro para educação e saúde, com juros mais baixos para trocar a geladeira por uma menos poluente e com mais rigor na condenação dos corruptos ladrões do dinheiro suado dos contribuintes.

Deputado do Congresso no Jobi não convém, mas se chegar será bem chegado, de preferência um romântico Fernando Gabeira, um idealista Cristóvão Buarque, um laborioso Chico Alencar, um ex-confuso José Genoíno, um janota ACM Neto. O Jobi aguarda o início do mundo.
Por Alfredo Herkenhoff
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