segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Memorias del Subdesarrollo & chutes de um quase-esquecimento

Reflexões sobre o pop, o machismo, o obsceno na política de Sarney e Virgílio, o falso moralismo da Revolução Socialista de Cuba, reflexão sobre reflexões...

O filme Memórias do Subdesenvolvimento, avistado numa sessão de cineclube do Rio de Janeiro, a querida PUC num Brasil sob ditadura, na década de 1970, é um trabalho fascinante, em preto e branco, mostrando o caos da História pela ótica poética de um delirante burguês cubano que insiste em permanecer em Cuba, solitariamente, depois da Revolução.

O burguês, protagonista de uma colagem de cinema, misto de documentário e ficção sem lenço nem documento, constata as mudanças on the road: seu mundo caiu, o novo de Havana nem lhe é tão interessante. Num solilóquio de imagem e voz, uma sucessão de síncopes, o tempo interior sobressaindo em faixas para cada espectador:

Uns pressentem novos tempos, outros, os mais antigos e imemoriais: a nova ordem econômica no caos dos desejos políticos; a velha sexualidade sob nova legislação.

Marx e seus amiguinhos pensadores observaram que os homens burgueses, além de dispor dos meios de produção, das relações de produção, o capital, o espaço físico, a terra, e o trabalho, a mão-de-obra, a vida humana, dispunham ainda da sexualidade em todo tipo de plano machista: isto é, o direito na marra de submeter a sua própria senhora burguesa a seus caprichos penianos, variações aqui pouco importam, se elas deviam ficar em casa, aprender piano ou francês, enfim, o direito de submeter qualquer mulher.

Os burgueses, desde o fim do feudalismo, tiveram acesso, também sem punição, à sexualidade das mulheres das classes sociais inferiores no campo das relações econômicas.

Marx e seus amiguinhos, alguns mais espirituais, ou espirituosos, ou literários, observaram que, como se não bastasse tanto poder econômico e machista, os burgueses tinham como um de seus prazeres o de submeter mulheres pertencentes a outros burgueses, seus concorrentes. Eu domino a minha e ganho a tua, xará.

Se havia impunidade da Justiça até nesse duelo de posse da mulher do próximo (havia o duelo real entre dois homens), pode-se imaginar o tamanho da facilidade de obtenção e submissão das mulheres pobres, nada de prostitutas desesperadas, mas mulheres recatadas, resignadas, humildes, sonhadoras e românticas.

São inúmeros os exemplos de jovens e homens maduros ricos submetendo mulheres jovens e mesmo adolescentes sem que a sociedade feudal jamais os ameaçasse ou pegasse.

Em Memorias del Subdesarrollo há um corte nisso, talvez inconsciente da parte do diretor Tomás Gutierrez Alea, talvez ao acaso, ao léu. Alea jacta est... Mas a revolução moralista e mesmo jesuítica de Fidel e Che Guevara tinha e tem uma visão quase castiça em termos de sexualidade ideal.

Fidel foi até um tipo assanhado, mesmo aqui no Rio de Janeiro, exatos 50 anos atrás (há um texto neste Correio da Lapa sobre a festa carioca de maio de 1959). Fidel escapou no meio de uma recepção com champanhe e scotch, levando uma representante da alta burguesia para praticar jogos de azar num mirante cenacular qualquer da Cidade Maravilhosa numa calliente madrugada. A festa que começou nos contrafortes do Corcovado, na altura do do Humaitá, terminou sabe-se Deus onde, mas disseram à época os precursores do colunismo mundano que a noite foi boa e rolou de tudo. Por isso nem sempre dar para dizer que o que Fidel faz é sempre o que ele diz.

Apesar de tantos problemas econômicos, o fato é que em Cuba, segundo relatos, não conheço a Ilha Comunista, a sexualidade é mais recatada do que no universo pop desses tempos de Youtube e vale-tudo pelo lucro na globalização. Talvez seja por esse recato ideal que em Cuba a prostituição de hoje se assemelhe à mais velha das profissões com estilo de décadas atrás em países capitalistas, ou seja, prostituição tão real e presente quanto escondida, não-assumida.

O premiado filme cubano dos anos 60 mostra bem essa passagem para o pop internacional justo no país que mais travava, travaria e trava até hoje o pop. Quem pega mulher em Cuba vai te quer arcar com a consequência de pegar, e tanto pior se for burguês ou turista sem poder algum na ilha de todos os sonhos.

Essas reflexões melhor ficariam nas mãos de especialistas, psicanalistas e historiadores. No tempo do feudalismo, o senhor do castelo tinha direito de tirar o cabaço da jovem caipira antes que seu pai-peão a entregasse ao noivo também camponês. Era um rito de entrega, o dono da fazenda apondo uma carimbada com o próprio esperma no não-complacente a fim de marcar na base da vida o direito de matar e dispor sexualmente de qualquer mulher que não frequentasse as primeiras filas perto do altar das principais igrejas e capelas católicas.

Hoje, com tanta facilidade, tanto desprezo pelo que é mais de uma individualidade, duas jovens mulheres pós-modernas já quase não discutem o início da sexualidade ativa porque ambas já esqueceram quantas vezes se deitaram com homens diferentes.

Essa discussão sobre machismo, qual papo de futebol, poderia se estender por campos sem fim em torno de escravidão na África e nas Américas, escravidões helênicas, egípcias, asiáticas, islâmicas etc.

Na era de Michael Jackson, até a mais velha profissão mudou de estilo: não é mais um serviço de primeira necessidade como antes, no sentido de desafogo fisiológico, num tempo em que não se via nem coxa de mulher nenhuma. Hoje a prostituição precisa de recato paradoxal para seduzir. Sedução das puta bem-sucedida é se diferenciar do mais óbvio e fácil avistável nos modismos do universo pop nas grandes cidades, nas redes de TV, capas de revista, nos realities, nas boates, praias e diversas formas dos inúmeros carnavais de massa erótica.

Parece que a velha sexualidade avança menos no mais, e que o socialismo cubano retrocede mais nos avanços sociais. E é tanta contradição que as sociedades mais capitalistas fazem melhor distribuição de oferta de serviços reais como comida, sexo e renda, com segurança policial cada vez mais eficiente, ainda que sempre muito falha, no sentido de instituição que investiga, prende e manda para o judiciário decidir a sentença.

Isso no Brasil parece absurdo, aqui os mais poderosos ainda estão em boa parte acima da lei, como no tempo do feudalismo, ou melhor, aqui ainda são poderes feudalistas, mas há avanços. O Estadão publicou a voz de José e Fernando Sarney dispondo como sempre fizeram da máquina do Estado. Sim, seus advogados dirão que nada ali foi ilegal. A dupla Sarney não entendeu ainda que o escândalo é de obscenidade, machismo político. É vergonha, apesar do uso partidarista da crise. Vergonha que também atinge o adversário da dupla Arthur Virgílio, que deixou um bofe de assessor parlamentar estudar teatro na França sorvendo vinho com o dinheiro pago pelo Gabinete no Senado durante dois anos de ausência.


Mas o Estado-cada-vez-mais-investigador avança nos EUA e na Suíça, ou Inglaterra. Ou seja, tanta palavra aqui para uma pequena tautologia: dinheiro e riqueza fazem bem para a saúde, de homens e mulheres com direitos iguais, fazem bem para o cinema e as artes em geral, para os direitos humanos, para o respeito ao meio ambiente, boas escolas, esperança de um futuro melhor.

Mas como repartir renda, ou melhor, repartir eficiência e oportunidades, em escala nacional ou planetária, se anda tão difícil partilhar até mesmo simples reflexões?

Por Alfredo Herkenhoff



A lip de Ronaldo Fenômeno e a imagem da libido pop da mídia desdiplomada

Gramado: festival com tradição na crise do desprezo da massificação do pop global

Deu no site do Zero Hora (*)

O lugar de um festival de cinema


Festival de Gramado segue a revisão de seu modelo buscando driblar a crise das mostras tradicionais de cinema

A maratona de filmes, homenagens e encontros do 37º Festival de Gramado que vai se ver até o fim da próxima semana é a continuidade de um trabalho que teve início há quatro anos, quando José Carlos Avellar (foto) e Sérgio Sanz assumiram a curadoria do evento em meio a uma crise de identidade que o fazia, cada vez mais, perder a sua força.

Filmes como La Próxima Estación, do mestre argentino Fernando Solanas, mais o uruguaio Gigante e o peruano La Teta Asustada, ambos elogiados no Festival de Berlim, dão corpo à mostra deste ano de longas latinos – para uns a verdadeira força de Gramado, para outros um equívoco de rumo do festival que noutros tempos já foi a maior vitrine para as produções brasileiras. Mas o maior impacto da política implementada pelos novos curadores se faz perceber na seleção de títulos nacionais.

Detectar tendências e debater o cinema autoral sem desprivilegiar o desfile de estrelas da tevê – eis a missão para a qual Sanz e Avellar foram contratados em 2006. O resultado positivo determinou a permanência de ambos, mas a incapacidade de Gramado impulsionar a carreira dos filmes vencedores ainda faz repensar o seu modelo. O que será do festival daqui para a frente?

– Seguir o que vem sendo adotado – diz Avellar. – A seleção de filmes de um festival têm muito a dizer sobre a produção cinematográfica. É isso que seguimos. Entrar no circuito está ruim para quem participa dos festivais? Está pior para quem não participa. Também orientamos essa seleção pensando nas dificuldades de distribuição que os títulos terão. Um festival tem de ser pensado imaginando a vida cultural de seus filmes.

O surgimento de eventos como o de Paulínia (SP), que distribuem pequenas fortunas aos vencedores, também passou a oferecer forte concorrência. Gramado se mobiliza para não ficar atrás, explica Avelar:

– Estamos seguindo o exemplo dos festivais de San Sebastian, Guadalajara e Toulouse, que pagam um “aluguel” às produtoras pela cessão das cópias que são exibidas. Assim garantimos retorno financeiro aos autores de todos os filmes, não apenas aos que saírem vencedores do festival.

Novo problema: a gripe A

Os sete homenageados de Gramado 2009 – incluindo dois gaúchos – já confirmaram presença na Serra, apesar dos rumores de que a direção da TV Globo teria aconselhado atores que estão gravando novelas a evitar eventos e viagens por conta da epidemia de gripe A.

A organização cancelou o tradicional concerto de abertura da Ospa. O concerto deste ano. excepcionalmente, foi com a Orquestra da Unisinos. A maratona no Palácio dos Festivais teve início com a exibição, fora de concurso, do clássico Memórias do Subdesenvolvimento (1968), do cubano Tomás Gutiérrez Alea.

(*) Por DANIEL FEIX

domingo, 9 de agosto de 2009

Aquilo Roxo voltou novamente

O Senado está com aquilo roxo
Por Ruth de Aquino*

“Não nasci com medo de assombração, não tenho medo de cara feia. Isso meu pai dizia desde quando eu era pequeno, que havia nascido com aquilo roxo.” Para quem não se lembra ou não era nascido, essa declaração é de Fernando Collor de Mello, senador do PTB por Alagoas, ex-presidente derrubado por impeachment em 1992. Esse populista de direita de triste memória foi recebido pelo presidente Lula na noite de terça-feira. Um dia depois de esbugalhar novamente os olhos.

O senador do PMDB Pedro Simon ficou com medo de assombração. Eu também.

Por que falar de Collor, essa figura menor no cenário nacional, um político claudicante? Alguém que iludiu os brasileiros, ao se eleger como “guardião da moralidade”, “caçador de marajás”, prometendo exterminar “com um tiro só o tigre da inflação”, e acabando por confiscar a poupança da classe média? Porque, só no Brasil de Renan Calheiros e José Sarney, Collor voltaria como fiel da balança de alguma coisa. No encontro no gabinete da Presidência, Lula teria tentado convencer Collor a apoiar a entrada da Venezuela no Mercosul.

Sempre tive dificuldade de entender a definição brasileira da expressão “formação de quadrilha” – por ser usada a torto e a direito. Mas os últimos acontecimentos são esclarecedores. A Venezuela que o Palácio do Planalto defende é a de Hugo Chávez, o populista truculento de esquerda que fecha emissoras de rádio e televisão. O aprendiz de ditador que governa por decretos e não se cala nunca. Ligado a grupos terroristas como as Farc colombianas.

A coluna da jornalista Miriam Leitão no jornal O Globo de quinta-feira 6, “Hasta cuando”, é de leitura obrigatória para quem deseja entender por que a diplomacia brasileira é severa com a Colômbia de Uribe e condescendente com a Venezuela de Chávez. Parodiando o assessor especial para Assuntos Internacionais de Lula, Marco Aurélio Garcia, o que “não está no gibi” é a tolerância brasileira com as violações de direitos na Venezuela.

Por que falar do carioca Collor? Porque sua postura de cabra-macho desequilibrado parece ter contaminado de vez as figuras da República. Não há pudor. A casa grande agora tem “tropa de choque”, e não é de elite. A baixaria, os insultos, os palavrões invadem os lares brasileiros. Os senadores parecem orgulhar-se de ter aquilo roxo. Quando jornalistas perguntaram a Collor o que ele achava da interpelação do gaúcho Pedro Simon, ele respondeu: “Manda ele ir...” e entrou no carro. Collor mandou Simon “engolir as palavras” e o proibiu de mencionar seu nome. Ao ser reabilitado, Collor parecia ter domado os surtos. Ilusão.

O embate entre o alagoano Renan Calheiros e o cearense Tasso Jereissati diante de um maranhense apático (Sarney) um dia será reproduzido em alguma novela das 8 – até agora nenhum roteirista teria ousado tanto com medo de ser processado. Mas o tratamento Vossa Excelência parece ter sido arquivado na vida real. Agora, eles se tratam por “coronel de m....” e “cangaceiro de terceira categoria”.

– Me respeite! Me respeite! Eles se gritam.

Nos respeitem, porque está duro defender a instituição. As instituições são compostas de homens. No caso, homens eleitos. Sua maior qualidade deveria ser a integridade, a decência, a compostura, já que representam o povo e são pagos por nós.

A melhor frase da semana foi de Paulo Duque, do PMDB do Rio de Janeiro e presidente do Conselho de Ética do Senado, sobre o discurso de Sarney – coalhado de imprecisões. “Achei o discurso muito bonito, muito adequado, muito verídico.” Não entendi o advérbio de intensidade. É estilo, ou agradecimento salivoso a quem resgatou da obscuridade o senador de 81 anos? Existe discurso “pouco verídico”?

Neste domingo, Dia dos Pais, com que cara esses senadores olharão para seus filhos? Se alguém soltar um palavrão na mesa, se o bate-boca se generalizar, não poderão fazer cara feia. Terão de engolir.

(*) Jornalista, da Época

Últimas novidades na personalidade de Collor


Foto de Valter Campanato/ABr
Fernando Collor
O retorno aos holofotes
Deu no jornal Zero Hora
FÁBIO SCHAFFNER - Brasília (*)

Antes da retomada das atividades do Congresso, semana passada, o senador Fernando Collor (PTB-AL) foi fotografado acendendo velas na Catedral de Notre Dame, em Paris. A imagem que surpreendeu o país, contudo, foi a de um Collor de sobrancelhas arqueadas, olhos esbugalhados e respiração ofegante, dizendo ao senador Pedro Simon (PMDB-RS) que engolisse as palavras antes de citar seu nome.

Para servidores habituados ao cotidiano do Senado, as duas cenas traduzem à perfeição o comportamento instável do ex-presidente. Tão logo assumiu o mandato, Collor trazia sempre preso à lapela um broche de Nossa Senhora de Fátima.

Porém, um de seus primeiros atos à frente da presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado, em março, foi determinar a retirada do gabinete de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

– As meninas da comissão vivem em pânico. Nunca sabem como ele vai reagir a qualquer comentário – conta um assessor do Senado.

Ao circular pelos carpetes azuis da Casa, Collor mantém sempre a postura retilínea, os olhos mirando o horizonte. Raramente conversa com jornalistas e os próprios assessores confessam temor de seu destempero verbal. Em seu gabinete, que ocupa todo o 13º andar de uma das torres do Senado, exige da garçonete que serve o cafezinho que mantenha as unhas impecáveis.

– Ouvi dizer que ele paga muito bem, deve ser pela insalubridade – ironiza uma funcionária da Casa.

Eleito em 2006 com 550 mil votos, Collor ressurgiu em Brasília vestindo o figurino de um político cordato. Embora preservasse a fleuma dos tempos em que ocupou o Palácio do Planalto (1990-1992), em nada lembrava o destempero com que reagia às denúncias de corrupção em seu governo. As raras aparições em plenário – foi o senador mais faltoso de 2007 – e o desapego à prática parlamentar logo o reduziram a um papel de coadjuvante na discussão dos temas de interesse nacional.

Nos dois primeiros anos de mandato, Collor licenciou-se do cargo por duas vezes, ficando 244 dias distante do Congresso. Até a semana passada havia feito apenas 21 discursos e apresentado seis projetos de lei.

– Ele nunca foi participativo. Não comparece às reuniões e quase não conversa com os demais senadores – resume um colega de bancada.

Réu em duas ações penais no Supremo Tribunal Federal, Collor é acusado de sonegação fiscal, falsidade ideológica, peculato, corrupção passiva, tráfico de influência e corrupção ativa. No início do ano, foi flagrado usando a verba indenizatória do Senado para custear segurança privada e fornecimento de quentinhas aos funcionários da Casa da Dinda, mansão onde residiu quando ocupava a Presidência da República.

Collor só voltou a frequentar os holofotes da imprensa em março, ao vencer a disputa pela Comissão de Infraestrutura. Na ocasião, contou com o aval do PMDB para derrotar a candidata do PT ao posto, a senadora Ideli Salvatti (SC). Após a eleição, tentou fazer um elogio à adversária, ao afirmar que a senadora “cisca para dentro”. A reação dos petistas foi imediata e Collor pediu que a expressão fosse retirada dos anais da sessão.

Proximidade com o Palácio do Planalto

Apesar da reprovação da bancada petista no Senado, Collor está cada vez mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há duas semanas, eles compartilharam um palanque em Maceió. No discurso, Lula elogiou Collor e criticou “a política de compadrio” de governos anteriores. Um dia após a discussão com Simon, Collor se encontrou com Lula novamente, desta vez no gabinete presidencial. O flerte de Lula com Collor é mais um exercício de pragmatismo do presidente, que tenta fazer o senador votar a favor da entrada da Venezuela no Mercosul. À frente da Comissão de Infraestrutura, Collor também é responsável pela fiscalização de obras do PAC.

Na última segunda-feira, Collor não estava em plenário quando Simon começou a discursar. Ele acompanhava pela televisão, em seu gabinete, o embate do gaúcho com Renan Calheiros (PMDB-AL). Ao ter o nome citado por Simon, Collor saiu apressado. Pegou o elevador e entrou sobressaltado em plenário. No aparte, disse que no momento apropriado iria revelar “fatos extremamente incômodos” a Simon.

No dia seguinte, ao ser informado que o peemedebista havia ingressado com uma representação contra ele na Corregedoria do Senado para que esclarecesse a ameaça da véspera, mais uma vez Collor recorreu a uma vaga grosseria.

– Manda ele ir... – disse Fernando Collor de Mello, refugiando-se no carro sem completar a frase.


(*) fabio.schaffner@gruporbs.com.br

E deu no G1:
O medo de Pedro Simon
diante do olhar de doido
do senador alagoano

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse nesta terça-feira que ficou angustiado com o olhar recebido por Fernando Collor (PTB-AL) durante a discussão acalorada ocorrida ontem na tribuna do Senado Federal. Segundo o político gaúcho, colegas, espantados com a reação de Collor, o questionaram se ele não teria medo de que o senador alagoano partisse para a agressão física, a exemplo do que fez seu pai, na década de 60.

Na época, o senador Arnon de Mello, pai de Collor, matou com um tiro do peito o senador acreano José Kairala no plenário. Segundo registros, Mello tentou acertar um desafeto político seu, o senador Silvestre Péricles, mas acertou, por engano, Kairala, que estava logo atrás. Mesmo com o flagrante, Mello não foi preso devido a sua imunidade parlamentar.

Crise no Senado e na família Sarney prejudicando Dilma

Lina Vieira começa a falar. Será que daria um caldo numa CPI da Vida? (*)



Dilma Rousseff mandou dizer que não se reuniu com a secretária Lina Vieira. Eis a entrevista publicada neste domingo. no jornal Folha de S. Paulo com Lina:

Fui embora e não dei retorno, diz ex-secretária

Ao ouvir o pedido para agilizar a fiscalização do filho de Sarney, Lina Vieira disse que não fez comentário, foi embora e não deu retorno à ministra Dilma.

A Folha obteve a informação de que a sra. foi chamada pela ministra Dilma ao Planalto e que ela lhe pediu para encerrar logo uma fiscalização nas empresas da família Sarney. Como foi a conversa?

LINA VIEIRA - O encontro ocorreu, mas não posso dar detalhes.

O próprio Fernando Sarney, em carta enviada à Folha e publicada no dia 26, confirmou a investigação da Receita nas empresas da família.

LINA - Tenho que respeitar o sigilo fiscal previsto no CTN [Código Tributário Nacional].

FOLHA - Vamos nos ater apenas ao encontro com a ministra. Como foi a conversa?

LINA - Na verdade, a chefe de gabinete dela, a Erenice, foi até a Receita e disse que a ministra queria conversar comigo. Eu perguntei do que se tratava, e Erenice disse que não sabia. Foi uma conversa muito rápida, não durou dez minutos. Falamos sobre algumas amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho de Sarney. Eu disse que não sabia da auditoria e que ia verificar.

FOLHA - Mas o que sra. respondeu?

LINA - Não fiz comentário, nem se eu ia atender, se não ia atender. Fui embora e não dei retorno.

FOLHA - Qual o recado que a sra. entendeu ali?

LINA - Para encerrar [a fiscalização]. Estava no processo de eleição do Senado, acho que não queriam problema com Sarney.


Correio da Lapa informa: foto de Lina Vieira com o ministro Guido Mantega. O governo Lula nega, mas se supõe que a secretária da Receita foi afastada da função por causa da confussão envolvendo pressões para que ela investigasse mais depressa, isto é, não investigasse nada nas contas e remandiolas da Família Sarney.

Frida Kahlo: 400 pinturas falsas da artista mexicana

Frida Kahlo "pintou" mais depois de morta do que enquanto estava viva

(Correio da Lapa informa: as duas imagens acima não são falsas)

Por Inês Nadais
Do site português http://ipsilon.publico.pt

Já há mais Frida Kahlos falsos do que Frida Kahlos verdadeiros, denunciaram vários especialistas na sequência da suposta aparição, há dias, de cinco novos quadros da artista mexicana. São pelo menos 400 - o suficiente para abrir um "museu de falsos". "O submundo das obras não reconhecidas de Frida tem um longo histórico e podemos dizer que ela está produzindo mais morta do que viva", resumiu Carlos Phillips Olmedo, diretor dos museus Frida Kahlo, Diego Rivera-Anahuacalli e Dolores Olmedo da Cidade do México.

Chegou a se pensar que entre as obras agora descobertas no estado mexicano de Michoacán, nas mãos de um colecionador privado, estava La Mesa Herida, uma pintura de Frida Kahlo cujo paradeiro é desconhecido. Não estava: as cinco pinturas são falsas "sem sombra de dúvidas", assegurou Teresa del Conde, investigadora do Instituto de Investigações Estéticas da Universidade Nacional Autónoma do México, na conferência de imprensa da Casa Azul. A expert
explicou ainda que a maioria das falsificações que lhe vão parar às mãos são "grotescas" - e é por isso que é tão importante "alertar os amantes de Frida para pedirem o aval de uma instituição reconhecida sempre que lhes oferecerem este tipo de obra", acrescentou Magdalena Zavala, diretora-geral de artes plásticas do Instituto Nacional de Belas-Artes.

Ao Museu Dolores Olmedo - que gerencia as coleções do Museu Frida Kahlo e do Museu Diego Rivera-Anahuacalli - chegam por mês pelo menos um Frida Kahlo ou um Diego Rivera falsos. "É interessante ver o fenômeno que Frida provoca no mundo dos falsos", afirmou Magdalena Zavala, lembrando que, mesmo quando notificados de que as suas obras são falsificações, os colecionadores insistem em expô-las. Ao todo, estão registadas 248 obras autênticas de Frida
Kahlo, entre óleos, aquarelas, desenhos e páginas de diário - mais o acervo da Casa Azul, onde Frida (1907-1954) viveu com o pintor e muralista Diego Rivera (1886-1957) uma relação turbulenta. Além de alguns quadros mais famosos da artista, o espólio da Casa Azul inclui a cama onde Frida passou parte da vida rodeada pelos retratos de Lenine, Stalin e Mao Tsé-Tung, o cavalete oferecido por Nelson Rockefeller, os espelhos em que se observava obsessivamente e as suas coleções de borboletas, de vestidos e de arte pré-colombiana.

Revolução Industrial - Nietzsche - Modernidade.

Obras de Marcel Duchamp
Roda de Bicicleta e o Grande Vidro

Modernidade costuma ser entendida como um ideário ou visão de mundo que está relacionada ao projeto de mundo moderno, empreendido em diversos momentos ao longo da Idade Moderna e consolidado com a Revolução Industrial. Está normalmente relacionada com o desenvolvimento do capitalismo. O termo era desconhecido para Nietzsche. Uma vez que a pós-modernidade se forma em oposição à modernidade, não podemos pular o fato de que foi Nietzsche, em termos abrangentes, quem iniciou o movimento de fustigação dos ideais modernos. Com ele começa a era da paixão moderna. Os seus defensores ou os seus detratores, via de regra, se posicionavam frente a aceitação ou a recusa da modernidade. Porém, Nietzsche já não estava presente quando efetivamente começam as mais profundas transformações de época, da cultura aos artefatos tecnológicos, da política a guerra e ao terrorismo, da arte clássica a anti-arte ou a arte pela arte, do local ao global, da objetividade ao ficcional e ao virtual, do bioquímico ao tecido genético. Um outro aspecto diz respeito ao seu esgotamento. Para Z. Bauman (1999 e 2004), o que mudou foi a modernidade sólida que cessa de existir e em seu lugar surge a modernidade líquida. A primeira seria justamente a que tem início com as transformações clássicas e o advento de um conjunto estável de valores e modos de vida cultural e político. Na modernidade líquida, tudo é volátil, as relações humanas não são mais tangíveis e a vida em conjunto, familiar, de casais, de grupos de amigos, de afinidades políticas e assim por diante, perde consistência e estabilidade. Cremos que essa reflexão de Bauman já está de algum modo presente em Marx quando, segundo M. Berman (1982), ele aponta para a ação do éter das revoluções modernas que desmancha tudo que é sólido.A diferença entre os dois autores é que Bauman já trabalha no campo minado da pós-modernidade que dificilmente permite que se faça planos para modos estáveis de sociedades futuros.


Marx ainda acreditava que o seu comunismo fosse o congelamento de um modo social de vida integrado e harmônico. Mas, como pergunta Berman, por que cargas d'água o comunismo não seria corroído pelo éter do suspiro modernista? Também Nietzsche faz recordar quando verificamos que a sua crítica da modernidade é direcionada exatamente para a superficialidade de sua cultura e ao apego de artistas e intelectuais modernistas nos aspectos de efeito da obra de arte e da obra de pensamento de modo geral. Mas foi Gilberto Freyre (sociólogo e antropólogo, famoso autor do livro Casa-Grande & Senzala) quem denunciou as dívidas da modernidade para com a tradição. Talvez pudéssemos dizer com Freyre que não há, a rigor, modernidade que não seja alimentada e oxigenada pela tradição. Sem tradição, sem a raiz e o regional, a modernidade não é nada. Como agora, no auge da globalização, se diz: quem não tem raiz, dança.
Fonte: Wikipedia

Controvérsias e Pós-Modernidade

Bólido, obra de Hélio Oiticia

Pós-modernidade é a condição sócio-cultural e estética do capitalismo contemporâneo, também denominado pós-industrial ou financeiro. O uso do termo se tornou corrente, embora haja controvérsias quanto ao seu significado e pertinência. Tais controvérsias possivelmente resultem da dificuldade de se examinarem processos em curso com suficiente distanciamento e, principalmente, de se perceber com clareza os limites ou os sinais de ruptura nesses processos.Segundo um dos pioneiros no emprego do termo, o francês Jean-François Lyotard, a "condição pós-moderna" caracteriza-se pelo fim das metanarrativas. Os grandes esquemas explicativos teriam caído em descrédito e não haveria mais "garantias", posto que mesmo a "ciência" já não poderia ser considerada como a fonte da verdade. Para o crítico marxista norte-americano Fredric Jameson, a Pós-Modernidade é a "lógica cultural do capitalismo tardio", correspondente à terceira fase do capitalismo, conforme o esquema proposto por Ernest Mandel. Outros autores preferem evitar o termo. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, um dos principais popularizadores do termo Pós-Modernidade no sentido de forma póstuma da modernidade, atualmente prefere usar a expressão "modernidade líquida" - uma realidade ambígua, multiforme, na qual, como na clássica expressão marxiana, tudo o que é sólido se desmancha no ar.O filósofo francês Gilles Lipovetsky prefere o termo "hipermodernidade", por considerar não ter havido de fato uma ruptura com os tempos modernos - como o prefixo "pós" dá a entender. Segundo Lipovetsky, os tempos atuais são "modernos", com uma exarcebação de certas características das sociedades modernas, tais como o individualismo, o consumismo, a ética hedonista, a fragmentação do tempo e do espaço. Já o filósofo alemão Jürgen Habermas relaciona o conceito de Pós-Modernidade a tendências políticas e culturais neoconservadoras, determinadas a combater os ideais iluministas

Embaixadas Novas do Flamengo e Viúva do goleiro Zé Carlos na TV

Flamengo no programa Mais Você da TV Globo O técnico Andrade será o convidado de Ana Maria Braga no programa "Mais Você" na próxima segunda-feira. Ele irá homenagear um torcedor rubro-negro. O programa contará também com a presença de Aline Araújo, viúva do ex-goleiro Zé Carlos. O programa começa às 8h15 na Tv Globo.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Flamengo

A Gávea reviveu neste fim de semana seus melhores dias de glória ao receber torcedores de todo o território nacional, integrantes das embaixadas rubro-negras que vieram receber seus diplomas. Engrossaram a multidão de vermelho e preto aquelas pessoas já detentoras de diplomas numa confraternização com os novos torcedores oficiais. As 16 novas embaixadas foram recepcionadas pelo presidente Delair Dumbrosck e o vice de planejamento, Mario Cruz, responsável pela criação do projeto, que também é uma forma positiva de intercâmbio cultural e ainda de prmoção do turismo na cidade do Rio de Janeiro.
As 16 novas missões são dos seguintes lugares:

Fla-Além ( Além Paraíba – MG )
Fla-Cena ( Barbacena – MG )
Fla-Cuiabá ( Cuiabá – MT )
Fla-Floresta ( Alta Floresta – MT )
Fla-Glória ( Nsa. Senhora da Glória – SE )
Fla-Irecê ( Irecê – BA )
Fla-Muriaé ( Muriaé – MG )
Fla-Passos ( Passos – MG )
Fla-RS ( Porto Alegre – RS )
Fla-Santa Inês ( Santa Inês – MA )
Fla-Santos ( Santos – SP )
Fla-Teófilo Otoni ( Teófilo Otoni – MG )
Fla-Valença ( Valença – BA )
Fla-Shangai ( Shangai – China )
Fla-Cingapura ( Cingapura )
Fla-Sucre ( Sucre – Bolívia )

Dilma ou Lina Vieira? Qual das duas está mentindo?


A candidata Dilma Rousseff quis apressar ou aliviar a apuração dos negócios suspeitos da família Sarney, diz Lina Vieira (foto), uma ex-secretária da Receita Federal e que afirma ter visto no pedido da ministra um recado para "encerrar" a investigação em torno de Fernandinho, um dos filhos do presidente do Senado. A chefe da Casa Civil nega ter feito solicitação e diz que "não houve a alegada reunião" com Lina, demitida semanas atrás.

Deu na Folha de S. Paulo

De Leonardo Souza e Andreza Matais:

A ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira diz, segundo o jornal O Globo, que, num encontro a sós no final do ano passado, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) pediu a ela que a investigação realizada pelo órgão nas empresas da família Sarney fosse concluída rapidamente.

A Folha obteve há três semanas a informação sobre o encontro e o pedido. Procurada pela reportagem, a ex-secretária confirmou. Ressaltou que não poderia dar detalhes sobre a auditoria, em respeito ao sigilo fiscal previsto no Código Tributário Nacional. Mas aceitou contar como teria sido a conversa com a ministra e pré-candidata à Presidência da República. A assessoria de Dilma diz que o encontro nunca ocorreu.

"Falamos sobre amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney." A ex-secretária disse que entendeu como um recado "para encerrar" a investigação, o que se recusou a fazer. "Fui embora e não dei retorno. Acho que eles não queriam problema com o Sarney."

Segundo Lina, o pedido de Dilma ocorreu cerca de dois meses após o fisco ter recebido ordem judicial para devassar as empresas da família Sarney. Auditores da Receita ouvidos pela Folha dizem que uma fiscalização como essa pode levar anos. Encerrá-la abruptamente seria o mesmo que "aliviar" para os alvos da investigação.

Além do sigilo fiscal, inerente a todas as ações da Receita, a auditoria sobre o clã Sarney estava sob segredo de Justiça.

No final do ano, o Palácio do Planalto cuidava das articulações para a eleição à Presidência do Senado. Em público, Sarney negava a intenção de concorrer, embora se movesse nos bastidores. A candidatura foi anunciada em janeiro e, apoiada por Lula, acabou vitoriosa.

Sarney enfrenta hoje uma série de acusações de quebra de decoro por ter usado a máquina do Congresso em favor de parentes e aliados. Continua no cargo com o apoio de Lula.

A Folha contatou a Casa Civil quatro vezes para saber se a ministra Dilma confirmava o teor da conversa com Lina Vieira. Sua assessoria de imprensa, em conversas telefônicas e por e-mail, declarou que ela "jamais pediu qualquer coisa desse tipo à secretária da Receita" e, mais, que a ministra "não se encontrou com ela". "Não houve a alegada reunião", escreveu a assessoria. Lina, por sua vez, diz se lembrar de detalhes: do cafezinho que tomou na antessala e do xale que Dilma vestia.

Conforme a Folha publicou no dia 25 de julho, a recusa de Lina em atender pedidos de políticos foi um dos fatores que levaram à sua demissão no dia 9. O motivo mais divulgado foi a divergência em público sobre a mudança de regime tributário feita pela Petrobras.

Estará Sarney , maquiavelicamente, solapando as chances de Dilma?


O Senado não é vítima de uma crise. Senadores pretensamente probos repetem que é preciso estancar a crise por causa do desgaste na imagem da casa como se esta fosse vítima das imoralidades de José Sarney. Mas não querem ver que o Senado não é vítima e que mais se assemelha a um valhacouto, um valha-me Deus Nossa Senhora. Este Senado não passa por uma crise, é uma estrutura de chantagem, sobrevive graças a um país em crise social e moral no estilo vale-tudo.

Ao contrário da Câmara de Deputados, o fato de o Senado ter apenas 81 membros e o fato de ser representação em número igual, três, para cada unidade da Federação, engendram uma mecânica oportunística, uma facilidade de composição nas votações como troca de favores. No Senado a maioria é de políticos ricos e empresários poderosos, ou representantes de grupos ricos e poderosos. O fato de um representante maranhense do Amapá ter o mesmo poder do que um senador de São Paulo, ou mesmo mais poder, está na raiz da pobreza do Norte e do Nordeste. Os senadores que se dizem patriotas nordestinos na verdade são os carrascos dos eleitores nordestinos.

sábado, 8 de agosto de 2009

Correio da Lapa é Mozilla Firefox

Nem Google Chrome nem Internet Explorer: Navegamos Mozlila por facilidade e velocidade

Gabriel, o mochileiro, o rubro-negro, morte romântica



O Flamengo está solicitando à Suderj seja respeitado um minuto de silêncio antes do jogo Flamengo x Corinthians, em homenagem póstuma ao rubro-negro Gabriel Buchmann, economista e humanista carioca desaparecido nas montanhas da Africa.Gabriel viajava aos mais remotos lugarejos do mundo trajando a camisa do Flamengo, seu clube do coração.
À familia e amigos de Gabriel, as condolências do C.R.Flamengo, diretoria, funcionários e da Nação Rubro-Negra.

CdL recebeu o conjunto texto/imagem, tirou o texto: spam visual





sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Renúncia já dos 81 senadores! Video do Caos

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, sugeriu a renúncia imediata dos 81 senadores do país e convocação de novas eleições como "solução ideal" para recuperação da perdida credibilidade do parlamento. "O Senado está em estado de calamidade institucional. O ideal seria a renúncia dos senadores", sugeriu em nota oficial da entidade. Sobre o bate-boca entre senadores senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Renan Calheiros (PMDB-AL), Britto observou: "A quebra de decoro parlamentar, protagonizada pelas lideranças - com acusações recíprocas de espantosa gravidade e em baixo calão -, configura quadro que envergonha a nação". Britto disse que a "crise não se resume ao presidente da Casa, embora o ponha em destaque. Ela é de toda instituição". Os senadores no conjunto contribuem para a crise que, segundo Britto, see4spalha como "metástase junto às bancadas". A nota do presidente da OAB propõe uma reforma para acabar com o cargo de suplente: "O voto pertence ao eleitor, não ao eleito, que é apenas seu delegado. Traindo-o, o parlamentar deve perder o mandato", encerrou.






Aqui o registro do bate-boca à vera, mas o áudio do palavrão de Renan Calheiros, meio fora do microfone, não foi realçado pela GloboNews...

Contrastes



a

Acertaram uma tijolada na cabeça de Renato Aragão, o querido Didi. Será que acertaram?




Por Alfredo Herkenhoff
O Correio da Lapa recebeu um email que tem cara de spam, não se sabendo se é verdade ou invenção o conteúdo: Renato Aragão como objeto de uma carta-resposta raivosa. Não se sabe sequer se o artista global enviou missiva pedindo doação. Não está clara se a mulher que assina a carta é também de carne e osso, ou simplesmente uma forma de propaganda política. O texto não poupa nem Didi, nem o presidente Lula nem a Rede Globo, esta acusada de manipular o Criança Esperança. É claro que este programa da Globo promove ações sociais altamente positivas, algumas até maravilhosas. E é claro que o Mundo precisa de ações socialmente responsáveis por parte das grandes empresas e instituições. Sim, no meio disso tudo, pairam dúvidas, polêmicas, há gente bem intencionada e a malandragem velha como a mais velha das profissões. Pelo sim, pelo não, segue ipsis litteris o email que enviaram ao Correio da Lapa, que não partilha desta visão ideológica radical contra a esmola como algo que atrasasse uma romântica revolução. Ao contrário, o CdL comunga o preceito cristão que valoriza a caridade. Doar a quem precisa, sem alardear isso, sem que saiba a mão esquerda o que faz a direita, e visitar doentes e encarcerados são premissas cristãs. Feito o endosso, publicamos a desumana tijolada desferida na cabeça do evangélico Renato Aragão, um grande humorista a quem o Brasil deve muitas gargalhadas e momentos felizes. Eis o longo spam que, independentemente de mentiras e verdades, serve de subsídio para reflexões:

Carta aberta de Eliane Sinhasique para Renato Aragão

Querido Didi

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu Nome para colar nas correspondências).

Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta. Não foi por 'algum' motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última Carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação. Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não Mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.


Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família. Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.

O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha?

Você diz em sua Carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua Carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é 'o cara'. Ele tem a chave do Cofre e a vontade política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece...

No último parágrafo da sua Carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da 'minha' doação, que a 'minha' doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.
Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.
Outra coisa Didi, mande uma Carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando... Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari.

P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.

PS2* Aos otários que doaram para o criança esperança. Fiquem sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.

PS3* E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE 11(ONZE) ANOS?

MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS?

BRASILEIROS PATRIOTAS (e feitos de idiotas) DIVULGUEM ESSA REVOLTA....

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Jim Jones, o pastor, não o gen. Jim Jones de Obama. Vídeo antigo e lembranças atuais Chávez X Uribe

BY ALFREDO HERKENHOFF

Retrato dos Mortos por Envenenamento do "Coquetel Tim Tones", apud TheMarvellous Chico Anysio


Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo

É o que diz o tabuleta na clareira amazônica da seita do pastor Jim Jones na Guiana. O pastor, bondoso que nem Satanás, vendo que ia levar uma dura de um deputado-investigador de verdade do Congresso dos EUA, decidiu matar o parlamentar e todos integrantes da comissão que o político formara, com repórteres nos quais o homem público confiava. Viajaram num pequeno avião para investigar denúncias de fanatismo e ladroeira, eram jornalistas e políticos que investigavam e produziam recortes de jornais... Anos depois da chacina dos membros da "CPI de Washington", reaparece aqui no Correio da Lapa esta novidade, esta velha "mentira" fadada a virar mais um recorte de blogue-jornal:

O Correio da Lapa informa: Jim Jones, o pastor americano, não o general de Barack Obama que viajou à América do Sul para explicar as bases militares na Colômbia... Lembranças do maior suicídio coletivo da era das seitas evangélicas radicais... 912 mortos 30 anos atrás na vizinha Guiana...

De lá para cá, tudo mudou. Só o nome Jim Jones repete o passado, ecoa como uma seita rimando com Senado, Jim Jones rimando com Indiana, e os jornalistas brasileiros, desdiplomados, agora como nunca dependentes de press releases e replays, com o suplente supliciador Paulo Duque dizendo que não há nada a apurar, há só recortes de jornais, não é nada, e ficamos todos a ver navios, ou melhor, abelhas cruéis que produzem não o mel da doce transparência, mas recatos, questão de ordem, Vossa Excelência, cacoetes protocolares, absolvições regimentais em doses dinossáuricas, anistia geral na Oca Alta, mesuras no Comichão da Ética, e cada um na Geleia Federal que compute ganhos e perdas na socialização midiática dos desgastes de imagem...

Neste samba lelê da guerra Colômbia versus Venezuela, temos ainda o regente Marco Aurélio Garcia, o contraponto de Lula para o Jim Jones de Obama, o assessor nacional do Brasil condenando o acordo Washington-Bogotá que tem dez anos de existência, mas condenando como se fosse algo novo, apenas reciclado pelo toque da nova Casa Branca Black. Marco Aurélio, do alto do seu Cavalo Imóvel, nunca condenou o sexo explícito de Hugo Chávez com los hermanos de Moscou, com o ditador anunciando nos últimos tempos uma aliança militar, simples operaçaõzinha conjunta tipo Unita em versão oriental.

Querer inventar guerra fria na pobreza amazônica é piada. A confusão por essas bandas é de corrupção endêmica, religiosa, bolivariana, cocainômana, fossilmente ideológica e sequestradoramente guerrilheira.

O Correio da Lapa sustenta a tese um tanto mirabolante de que os americanos de Obama na Colômbia apenas vão ampliar a fofoca Youtube contra Chávez e, de quebra, quem sabe, vender 40 ou 50 caças em oito anos para o Brasil numa pechincha, envolvendo transferência de tecnologia já quase de domínio público para a linha de montagem da Embraer em São José dos Campos.

OVIDEO DA ARTE DE AMATAR

A dramática reportagem da Rede Globo com Hélio Costa entrou para a História dos Recortes de Jornais. O pastor Jim Jones, qual José Sarney, dizia à época: Todos somos iguais. Jones quase enganou o congressista americano, mas quando este ia seguir de volta para Washington, foi esfaqueado qual Júlio César, hoje triste recorte de bronze no átrio do velho Capitólio romano. Depois da faca, os tiros...

"Morram, morram com alguma dignidade. Vamos acabar logo com isso. Acabar logo com essa agonia" Quem fala é o fanático religioso Jim Jones, o líder da seita Templo dos Povos. Num ponto perdido na selva da Guiana, ele comandava o suicídio coletivo de seus mais de 900 seguidores. O massacre aconteceu em 18 de novembro de 1978. A tragédia é até hoje um dos grandes símbolos dos efeitos nocivos da fé cega (late edition).


Jim Jones, o general, não o pastor, é Obama monitorando Chávez no Chifre da América do Sul


Na América do Sul, Jim Jones, o general, não o pastor suicida, também chamado Jim Hones, que envenenou e matou, com uma cajuada do capeta, 900 fiéis norte-americanos de sua seita evangélica-amazônica-maluca na Guiana, dando em seguida cabo de si próprio com um tiro na cabeça uns 20 anos atrás. O novo Jim Jones é enviado de Barack Obama e tenta explicar a Lula e Marco Aurélio Garcia, o diplomata sem Rio Branco, que as bases antigas na Colômbia, contra o narcotráfico, agora vão monitorar também eventuais maluquices do ditador Hugo Chávez, O Belicoso.

Eis o que deu no Estadão:
BRASÍLIA - O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general Jim Jones, disse em Brasília que os Estados Unidos não recuarão da negociação com o governo da Colômbia para a utilização de sete bases militares colombianas. Em entrevista ao Estado, o enviado do presidente americano, Barack Obama, ainda criticou a tolerância de Chávez com ação da guerrilha em seu território

Jones insistiu que se trata de "um negócio como outro qualquer", em um esforço para evitar que o governo brasileiro se deixe levar pelos argumentos presentes nos discursos de líderes da América do Sul que têm diferenças com os Estados Unidos. "O acordo não traz uma revisão de política, não (é) uma mudança dramática de posição. É o mesmo que nós já fizemos no passado. Talvez, apenas necessite de uma melhor explicação", afirmou Jones.

O governo Lula deixou claro que não quer tropas americanas na América do Sul e reiterou que pretende convencer o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, a não assinar o acordo com os EUA. Como o senhor avalia essa situação?

O presidente Uribe apresentou a Obama suas preocupações sobre segurança, e nós concordamos com elas. Vamos ajudar a Colômbia a se recuperar dos dias difíceis que passou. A ideia de que esse acordo significa uma mudança radical no apoio dos EUA à Colômbia é completamente falsa. Nós temos um acordo na área de Defesa, que envolve a presença de 800 militares e 600 civis. Agora, temos menos da metade desse contingente no país - cerca de 250 civis e 300 militares. Nossa missão é ajudar a Colômbia no treinamento de suas forças de fronteira. Vamos prover toda a ajuda que pudermos para o combate às Farc e para que a Colômbia se torne o mais livre possível do narcotráfico.

Mas a presença americana é vista pelos governos do Brasil, da Venezuela e de outros países como uma ameaça à soberania nacional. Mantemos tropas na Colômbia nos últimos 20 anos. Não sei por que as bases são vistas de maneira diferente agora. Respondemos a solicitações por explicações vindas de nações soberanas. Talvez possamos socializar um pouco melhor as informações com os nossos amigos na região, especialmente com o Brasil. Vamos enviar uma equipe de civis e de militares para percorrer a região na próxima semana e explicar, de forma transparente, o acordo. Na minha opinião, o pacto EUA-Colômbia é um acordo como qualquer outro.

O fato de o Brasil rejeitar o acordo EUA-Colômbia torna mais difícil a relação bilateral entre Washington e Brasília?

Não ouvi isso. Nas conversas que tive, nenhuma autoridade disse que o objetivo do governo brasileiro era impedir que o acordo fosse assinado. Eu ouvi perguntas muito respeitosas sobre como o acordo vai funcionar. Pude acalmá-los, ao refutar alegações falsas e ao dizer-lhes a verdade. Disse que não há nada incomum na relação entre a Colômbia e os EUA, que é de longa data.

Ao referir-se à presença americana nas bases da Colômbia, o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, relatou (terça-feira) que havia dito ao senhor que o Brasil não quer ver os EUA desperdiçarem a oportunidade de ter uma melhor relação com a América Latina.

Ele não disse isto a mim diretamente. Ele pode ter falado dessa forma a vocês. Eu não acho que a relação entre o Brasil e os EUA será essencialmente alterada por causa dessa questão, que pode ser facilmente explicada. Acredito que o presidente Uribe explicará aos demais líderes da região porque esse acordo é importante. O acordo não traz uma revisão de política, não é uma mudança dramática de posição. É o mesmo que nós já fizemos no passado e, talvez, apenas necessite de uma melhor explicação. Isto não afetará o potencial do relacionamento Brasil-EUA.

O senhor vê uma clara influência da Venezuela e de seus aliados na reação de países sul-americanos ao acordo?

Obviamente, alguns líderes da região têm um ponto de vista diferente do nosso. Sabemos, com alguma certeza, que elementos significativos das Farc estão atuando dentro da fronteira da Venezuela e o governo venezuelano não fez muito para combater isto. Essa situação contribui para um mal-estar na Colômbia. A Venezuela e outros países da região têm diferenças em relação aos EUA, mas contam com os meios, em suas políticas nacionais, para alterar essa relação no momento que quiserem. No entanto, não é aceitável que esses países deixem que suas fronteiras sejam usadas como bases para o ataque a outro país soberano da região. O que ocorre é que os EUA estão ajudando um país amigo, onde a democracia tenta sobreviver.

Podemos ver os EUA recuarem e não assinarem o acordo, em nome da suposta estabilidade da região?

A Colômbia é uma nação soberana, uma democracia que fez tremendos progressos. Eu acho que a região deveria comemorar o aprofundamento da democracia na Colômbia. Trata-se de um exemplo e também do resultado de um trabalho pesado. O governo colombiano não está tentando mudar o governo da Venezuela. Está apenas tentando defender o seu território. Não há porque desistir.


Uma das alegações dos críticos ao acordo está na falta de transparência, de informação prévia aos países vizinhos.

Sei que há muitas críticas e eu as anotei. Eu prometi a todos os meus interlocutores que nós vamos fazer o possível para ser mais sensíveis a elas. Eu também disse a eles que o meu telefone, em Washington, está aberto para eles tirarem dúvidas e disse que eu também tenho os seus números. Se há uma preocupação, me liguem ou telefonem para a secretária de Estado (Hillary Clinton). O presidente Lula pode falar com o presidente Obama. Eles se falam frequentemente.

Em relação a Honduras, o Brasil e a OEA defendem que chegou a hora de adotar novos passos para que o governo de facto aceite o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya. O que pode ser feito sobre esse tema?

Esse é um bom exemplo do relacionamento corrente entre o Brasil e os EUA. Temos de continuar a discutir as alternativas. Entre as coisas que podemos fazer estão as sanções econômicas, as restrições a viagens e os meios pelos quais o governo de facto possa sentir dificuldades. Faremos isso em consenso com os nossos amigos da região. Os EUA não o farão de forma unilateral, mas de acordo com o novo espírito de cooperação sobre o qual o presidente Obama falou.

Começou o segundo mandato do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e ainda não houve nenhum sinal de Teerã sobre uma maior transparência em relação a seu programa nuclear. Os EUA deverão apresentar aos líderes do G-20, em setembro, uma proposta com novas sanções econômicas?

O comunicado da cúpula do G-8, que ocorreu em L’Aquila, em julho passado, menciona a expectativa de que, até a cúpula do G-20, em Pittsburgh, em 24 de setembro, o Irã dê um sinal claro sobre os objetivos efetivos de seu programa nuclear. Assim, se o Irã não der esse sinal até 24 de setembro, os líderes do G-20 farão uma avaliação sobre o significado desse gesto. Decidirão se vão ignorar o fato e analisarão o que a comunidade internacional pode fazer, incluindo novas sanções econômicas.

Mas por que falar em sanções no G-20 e não no Conselho de Segurança da ONU?

Provavelmente, faremos o mesmo no Conselho de Segurança. Mas esse foi um dos resultados de L’Aquila. Trata-se de um comunicado forte do G-8. Isto significa que o Irã tem uma decisão a tomar. Eles sabem disso e nós estamos à espera dessa

Susan Boyle Photo Fashion

Na sua primeira aparição numa revista fashionista, edição de setembro da Harper's Bazaar, a cantora escocesa Susan Boyle apresenta uma senhora repaginada. Melhorou, mas não tem tanta solução.

Murdoch decide cobrar por acesso online no mundo inteiro

A News Corp, de Rupert Murdoch, passará a cobrar acesso a todos os seus sites de noticias. A cobrança entrará em vigor até meados do ano que vem e afeta títulos como The Times e The Sun. O único jornal da holding que hoje tem conteúdo fechado para assinantes é o Wall Street Journal. Murdoch afirma que a era do conteúdo jornalístico grátis para todos está encerrada: "Jornalismo de qualidade não é barato. A revoluçao digital abriu muitos canais novos e baratos para distribuição, mas nao tornou o conteúdo gratis".
Texto avistado no site bluebus.com.br

Guerra de Chávez começou: não é na mata da Colômbia, mas na mídia e contra a democracia dos seus maiores vizinhos


Um Tributo:

Eu Odeio Hugo Chávez

Por Alfredo Herkenhoff



E se um dia Chávez ameaçar uma guerra com o Brasil? Onde? Na fronteira onde só há a imensa mata instransponível? Bobagem. A guerra já existe e é de midia. O objetivo de Chávez é ganhar corações e mentes dos milhões de eleitores pobres nas maiores cidades de toda a América do Sul.

No domingo, Hugo Chávez empunhou uma Kalash, nesta quarta-feira, 5 de agosto, voltou a falar em "guerra" com a Colômbia e EUA e segurou uma senhora bazuca. Nesta quinta-feira, este Correio da Lapa rende um modesto tributo-troco ao ditador.

Vinte anos atrás, o ditador Manuel Antonio Noriega pegou um enorme facão (foto) e o ergueu na Cidade do Panamá
para afrontar George Bush Pai. Estava Noriega à frente de um governo dominado pelo narcotráfico, mas travestido de nacionalista. Ele gritou: "Que vengan los americanos". Noriega, que pouco antes teria mandado decapitar um de seus principais adversários políticos, foi apanhado em casa, de pijama, por marines na calada da noite, tal qual os militares hondurenhos fizeram com Manuel Zelaya semanas atrás. Noriega foi levado para Miami, onde cumpriu 18 anos de cana brava por tráfico, regime diferenciado, num porão, pior do que o presídio de Beira-Mar. Cumprida a pena, Noriega, velho e cansado, quis voltar para o Panamá, país que na verdade é apenas um protetorado americano, porque não tem nem moeda, tem um tal de balboa que ninguém vê, lá é só dólar, pobreza e Canal levemente estratégico ainda. E Noriega permaneceu na Flórida aguardando extradição para a França, onde novas penas o aguardariam.

Saddam Husseein, em três ou quatro ocasiões, empunhou um rifle, no começo deste milênio, e até deu tiro para o alto, dizendo a mesma coisa em árabe; Americano, pode vir quente que estou fervendo. O Iraque hoje é um horror, com mais morte do que fios de cabelo havia na cabeça do enforcado.

O ditador argentino, general Leopoldo Galtieri, também armado de uma 45 e umas doses extras de uisque made in Scotland, fez a mesma coisa, só que desafiava Margaret Thatcher, irritada em 1982 com a invasão das Ilhas Malvinas, ou Falklands. Salvo engano, Galtieri não empunhou o trabuco, mas em tom de deboche machista, e bêbado, perguntou ao cordão de nacionalistas também embriagados na Casa Rosada: Quem essa mulher pensa que é? Ou seja, pensava que estava falando com uma pessoa física, e não com a Royal Navy. E deixou a imprensa sob censura publicar o seu despautério, sinal de um despreparo.

Apesar da diplomacia do apaziguamento, apesar da diplomacia de ponte-aérea, apesar dos mediadores de plantão, dos diplomatas pacifistas, neste Mundo cada vez mais pop, com imagens cruzando fronteiras na velocidade da luz e alcançando lares de todo o planeta, insultar no estilo Youtube uma nação militarmente poderosa é complicado e, como no passado, ainda hoje costuma terminar mal.

Hugo Chávez age claramente para internacionalizar tensões, que são preâmbulos de um conflito que ninguém quer, só ele. E faz isso o tempo todo. Falou tempos atrás em tom de vanglória sobre operação conjunta Caracas-Moscou, acena para os seus amigos russos, comprou destes 5 bilhões de dólares em fuzis e tanques, e se estima que a compra em uma década e meia de poder tenha sido três ou quatro vezes maior, ou de 15 a 20 bilhões de dólares, incluindo jatos de guerra No Brasil, o Congresso está discutindo a compra de meia dúzia de caças desde o tempo do governo Fernando Henrique Cardoso. Aqui está tudo sucateado. E agora está no Brasil o assessor especial de segurança de Barack Obama.Veio explicar que o problema são as Farc e Chávez. Ofereceu até vender jatos com transferência de tecnologia. Os jatos tradicionais já são tecnologia de domínio público, apenas não vale a pena para a imensa maioria de países fazer tanto investimento se existe oferta fácil no varejo do mercado de armas. Porém com a Embraer de plantão e moderna....

Quem pensar que os 2 mil homens que Obama está prestes e enviar à Colômbia representem uma ameaça ao Brasil ou à região se ilude. O Brasil é inexpungável por terra ao Norte porque, pior do que os 2 mil metros da camada de sal no Pré-sal, existem lá uns 2 mil quilômetros de Pré-Salada Virgem, mata fechada, com malária, índio, quase nenhuma estrada, ou seja, só exuberância e problema, incluindo ecologistas, garimpeiros, guerrilheiros e ongs chatas.

A diplomacia brasileira, que já foi tão serena, já costurou a grandeza do território, hoje está dividida em duas seções. Uma é da cota pessoal de Lula, com aquele assessor especial Marco Aurélio Garcia, e a outra é a do tradicional Instituto Rio Branco, relegada porém a um segundo plano. Reconheça-se que Lula ampliou o comércio externo e faz um bom trabalho de aproximação com grande número de nações na Ásia, Europa e África. Tem seu méritos e são muitos nesse sentido.

Apenas aqui na nossa América é que Lula dá uma de rico e bonzinho com os vizinhos sacanas, todos pedindo mais e mais, mudanças bruscas nos contratos, como se o Brasil nadasse em ouro e fosse culpado de tudo, o pecador geopolitico, apenas por ser a nação mais unida e menos erodida.

E cada nação que pediu na marra, levou, Paraguai pediu e levou, Bolívia pediu e levou, Argentina pediu e levou, Uruguai está pedindo. Já a Colômbia não nos pede nada, só se explica. A Venezuela também nada nos pede, exige tudo, nada material, apenas dita normas para Brasília, que ou aquiesce ou dá vexame com silêncio ou omissão. O governo Lula cala a boca diante do boquirroto do Chávez. A popularidade do ditador parece estar crescendo muito mais depressa do que imaginam os liberais que o detestam. Chávez cresce na miséria que não é devidamente enfrentada nos países vizinhos.

Qualquer semelhança entre Noriega, Saddam e Chávez não será coincidência no futuro. Os americanos na Colômbia não vão entrar em combate, vão lá para fazer fofoca contra Chávez, vão lá com radares, satélites, hackers e experts em produção de mídia tipo youtube. A loucura pessoal ou personalista de Chávez agora será exibida em slow motion, alta definição e tempo real, com edição feita pelos Obama boys em Hollywood.

O Correio da Lapa passou a chamar formalmente Chávez de ditador porque perdeu a paciência. Ele era um desconhecido tenente-coronel quando, no início dos anos 90, deslanchou um fracassado golpe de estado dentro dos quartéis. Ficou uns dois anos na cadeia pela Intentona. Mas mesmo no xilindró militar passou a mandar no pais. Chávez, que agora pode ser eleito ad eternum, manda de fato na Venezuela há cerca de 15 ou 16 anos. A democracia que ele defende é tudo isso que ele espalha: ódio, tensão, falta de educação, intimidação, censura e espancamentos de adversários em plena luz do dia e nas ruas.