quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Como foi o primeiro dia da ArtRio 2012... Uma festa!


O primeiro dia da

 ArtRio 2012

!
SHOW
!

Texto Alfredo Herkenhoff
 Fotos de Ed Sartori


Presentes na abertura da ArtRio pessoas incríveis, entre famosas e anônimas, todo mundo muito bem vestido, cariocas, brasileiros e estrangeiros. Elegância a dar com o pau...

 Luciano Huck sem a sua Angélica e sem ninguém a lhe pedir autógrafo ou a lhe encher o saco, como apenas mais uma estrela no meio de 5 mil brilhando no primeiro dia da segunda edição da grande festa carioca das artes visuais.

O técnico Carlos Alberto Parreira, que nas horas vagas é pintor, chegou e foi direto pro primeiro Armazém, aquele que fica mais perto da Praça Mauá, e é naquele espaço que estão digamos as obras mais clássicas, as telas mais caras. 

De A a Z, todos os grandes saudosos pintores brasileiros do Século 20 presentes, de Di Cavalcanti a Guignard, de Pancetti a Iberê Camargo, um luxo só. 

 
Painel de galeria dentro da Feira de 2012

 Mas a peça mais valiosa sem dúvida era uma viva, que ficou lá o tempo todo neste primeiro Armazém, ficou recebendo artistas, amigos  e curiosos. É o marchand Jean Boghici, mas uma fênix renascendo das cinzas do nosso colecionismo.

A feira em sua segunda edição mais que triplicou com relação à do ano passado. Ontem foi das 16h às 22h. E foi bem bacana o lusco-fusco, o anoitecer, as luzes naturais da cidade, do mar da Baía de Guanabara, barcos pequenos e grandes singrando as águas, a silhueta da Ponte rio Niterói... Depois as luzes noturnas, uma beleza, charme no ar.

O casseta de la Peña, o Ruy Campos da Livraria da Travessa, o casal de curadores Rafael e Rafaela Correa, a produtora Suzy Muniz, artistas como Iole de Freitas, Antônio Dias, Nelson Félix.... Equipes dos grandes jornais como Globo e Folha, a jornalista-curadora Daniela Name, coleguinhas de imprensa a granel....

A secretária estadual de cultura do Rio, Adriana Rattes...  Emílio Kalil, o secretário municipal de cultura do Rio, também presente...
Ao contrário do ano passado, o prefeito Eduardo Paes não compareceu na abertura. Mas não foi por falta de apoio, muito pelo contrário, foi pela campanha para a reeleição certa. Podia ter ido. Não ganharia nem perderia voto.

 Curioso é que a Feira de Arte, embora evento privado, conta com grana pública, municipal e estadual, conta com apoio até federal. Mas por ser algo particular, um compra-e-vende, a feira não tem pruridos democráticos ou corporativos.  Noutras palavras, a feira decide quem estará à venda... 

 Assim, artistas cujas peças não puderam ser exibidas na ArtRio devem ter ido lá não com inveja, que eles  se sentem todos como gênios, mas com raiva da tal comissão avaliadora de quem entra e quem não entra.

Galerias importantes que foram convidadas no ano passado e fizeram desdém estão presentes na edição de agora. Algumas tiveram de pagar  por seus estandes, algumas ainda contempladas por convites generosos.

Curioso que vários grandes eventos no Rio dos últimos anos têm tido lideranças femininas, como a Fashion Week, aquele lance lá no Forte em Copacabana na recente cúpula ecológica... E assim acontece  com a ArtRio, tendo à frente a Elisângela Valadares e a Brenda Valansi, ambas estão de parabéns, sem nenhum demérito pros seus novos e dinâmicos sócios do sexo oposto... o Alexandre... Sei lá mais quem... O Bradesco, o grand monde... O Sistema Globo... A ArtRio já deixa a feira de São Paulo comendo poeira. 

Performance na ArtRio: mulher é sempre mulher

Uma ausência notável no primeiro dia foi a do colecionador e marchand Cláudio Valansi, que também está de parabéns porque sempre foi um homem de feiras e porque sempre defendeu a ideia de que o Rio de Janeiro merecia o que agora tem. E a ArtRio tem o dedo do intrépido e meio porra-louca do nosso querido Valansi. Me disseram que ele está em Miami... Sei lá...

 No ano passado, a ArtRio abriu num feriado, e sobrou elogio por isso. Desta vez inaugurou numa tarde de quarta-feira comum. Daqui de casa em Botafogo até a Praça Mauá, de táxi, foram 55 minutos de engarrafamento. Porra... Assim não dá...

  Mas a data escolhida, ontem, foi excelente. Ah! Sim, havia o feriadão da semana passada, mas os organizadores não queriam nem essa concorrência da possibilidade do ócio ou do passeio do 7 de Setembro. A data é ótima porque está coincidindo com a Bienal de São Paulo. Então as duas maiores cidades do Brasil estão em chamas, um frisson no ar, nunca se viajou tanto artista entre as duas metrópoles.  Estava todo mundo lá ontem no cais do Porto. Gente que faz. Gente criativa do Brasil inteiro.

E a sofisticação reflete a força da ArtRio, com a presença das melhores galerias do Brasil, das Américas e da Europa.  Tenho certeza de que a terceira edição vai abarcar ainda mais excelência, a Ásia em maior peso vindo por aí...

 A ArtRio, e ouvi isso de gente categorizada, já não fica nada a dever à Bienal de São Paulo, apesar de propósitos distintos.

 A partir de hoje até domingo, 30 pratas pra entrar. Creio que os organizadores poderiam pensar, nas próximas edições, em ampliar  o prazo de exposição e oferecer possibilidades de visitas agendadas de estudantes a custo zero, claro, essa  adolescentes e jovens especiais seriam selecionados nos meses antecedendo à exibição comercial. Isso porque, além de ser um negócio, a feira é cultura pra caralho.

 
Mulata de Di 
Por ser negócio, a ArtRio não tem pruridos com as mazelas sociais de nossa formação histórica. Ela convidou pra inauguração artistas, jornalistas, intelectuais e gente rica. Das mais de 5 mil que passaram por lá, não havia nenhum negro, como diria e como disse Nelson Rodrigues se referindo à passeata dos 100 mil em 1968. Pra não dizer que não havia negros na feira, esclareço com detalhes:  não havia nem mulatos no cais do porto. Vi três negros e um mulato, digamos assim. Vi duas negras e duas mulatas. E pensar que na Baixada Fluminense tão próxima, na nossa Zona Metropolitana, existem 3 milhões 900 mil brasileiros em 13 cidades, ali  os negros e mulatos perfazendo 70% da população. Sim, você pode dizer que estou exagerando. Talvez houvesse 15, 20 negros. A negritude não estava. Não por culpa da comissão avaliadora com a Juliana Cintra... Esta mulher, a todo-poderosa julgadora, tem critérios para o comércio, não panaceia pra escândalos coloniais.
 
 Salve Mary! Salve Zuenir! O elegante casal Ventura me acenou sorrindo e seguiu entre obras de arte. Que festa, o Rio é uma festa!

Romero Brito, sempre com camisa vistosa da Seleção Brasileira, deu o ar de sua graça. Mas não vi nenhum Monteiro de Carvalho ao lado dele.

 Tunga, sempre forte. Vik Muniz na área, sucesso de mídia. Mas verdade seja dita, embora elite, havia poucos globais na ArtRio. Tenho um palpite: esse pessoal de novela é meio tosco, faz pastiche de Nelson Rodrigues, ganha as massas na Baixada, mas não faz sucesso nenhum nas artes plásticas. Repito, Luciano Huck era um ilustre famoso anônimo. Ele deve ter se sentido muito bem por poder andar no meio da multidão de estrelas sem ninguém a lhe dizer Loucura! Loucura! Loucura!

Sergio Cabral e Sérgio Cabral Filho também não foram na estreia. Mas a família no poder apoiou a já poderosa ArtRio.

Guga Ferraz, Paulo Roberto De Sancti, Carlos Vergara, Waltércio Caldas, Marcio Doctor e Márcio Botner, quanta gente fina! Bruno Miguel, Affonso Costa, Jorge Coli, Franklin Pedroso, Robson Outeiro, Damasceno, os irmãos Augusto e Paulo Herkenhoff...

Fotógrafos se destacando em vernissages como os colegas Ed Sartori (autor de todas essas fotos, todas tiradas dentro da feira ontem, incluindo esta em que ele aparece de chapéu num ambiente vermelho - diante de um espelho - com um bela mulher chamada Fernanda Figueiredo) e Odir Almeida, este seguramente uma referência no mundo das artes plásticas. No Brasil inteiro, é Odir o detentor do maior acervo documentando os principais artistas nas tertúlias  visuais.

Ed Sartori e sua amiga Fernanda curtiram as chamadas obras comestíveis, feitas de balas e doces

Cumprimentei o percuciente Miguel Sayad, mas não vi a sua sócia, a querida Martha Pagy. Também, com tanta gente e tanta arte, ninguém vê tudo nem todos. Mas a ArtRio tem aquele clima gostoso e chique que La Pagy imprime na galeria Largo das Artes no esplendor histórico do Largo de São Francisco... Mas só que na área portuária tudo se dá em escala mega... E o trottoir geral no calçadão entre os armazéns e o trilho do cais... Meu Deus! É ali onde todo mundo se encontra, sorri e desfila elegância entre goles de vinho e água...

 E falando nisso, nessa coisa mais fashion, o que vi de sapato e roupa custando mais de mil dólares pisando aquele chão de estivadores não está no mapa.  Pra não dizer muito mais sobre elegância, entre as cerca de 5 mil pessoas, vi um único cara de bermuda e um outro pior ainda, de sandálias havaianas. São Paulo merece isso: tripudiar dos cariocas, esses “sandaleiros”...

 E falando em Sampa, não vi ontem nem o Ricardo Boechat nem seus amigos Peninha, o Bergamin, e o Fernandão Carlos de Andrade da Bolsa de Arte. Ah! Esses marchands! Mas Boechat, querido irmão, convence a tua Veruska e as filhotas caçulas a fazer um tour na ArtRio...

Vi uma elegante diretora do Museu do Açude, a elegantésima Vera Alencar, vi o papo de Iole de Freitas com Illana Strozemberg e Luísa Duarte ao lado dela... Sim, ao lado da Vera, a rainha do legado operístico de Castro Maia no meio da Mata Fechada no Alto da Floresta da Tijuca...

O crítico-curador Paulo Sérgio Duarte sóbrio, con quel giusto orgoglio della famiglia...  Luisa revelou ao microfone: lá em Milão ele se chamava André, coisa da ditadura, os anos de chumbo... Muito bom o papo da jovem La Duarte sobre a Iole, por sua vez com uma fala  extremamente racional em seus deambulares do fazer fenomenológico. Illana Strozemberg escorando  a empreitada, o desenho editorial de uma trajetória.  Ouvi integralmente os 50 minutos da mesa-redonda. Depois comprei o livro da Iole, saído da gráfica horas antes, chama-se “O desenho da fala”, 220 páginas, muitas fotos, 40 pratas. Eu e mais duas pessoas queríamos um autógrafo. Mas um velhinho, na minha frente, ao pedir a dedicatória a sua amiga Iole, ouviu da artista: querido, hoje não assino nada. Eu saí pela tangente. 

 Escultura ambiente de Iole de Freitas, monumental
 Parabéns para  a Suzy, baiana porreta, caprichosamente miscigenada de carioquices e volteios  capixabas, bela, era ontem só felicidade com o sucesso dos últimos lançamentos como este livro da Iole, que repetiu agradecimentos de público à  Suzy Muniz Produções...

Sim, nem tudo foi nota dez. A fila pra consumir água, café ou álcool foi show de incompetência no primeiro dia. Uma long neck ou latinha a oito reais, tudo bem, podia custar dez, não faria diferença. Mas água a cinco reais é deselegante. A água podia ser de graça. Curioso, a fila era de uns 15 minutos só pra comprar a ficha, pro atendimento, não, não havia, era rapidinho depois de pagar... 

 
Alfredo Herkenhoff diante de painel fotográfico, brincando como se estivesse num helicóptero voando acima da ArtRio

Não vi o professor Henrique Antoun nem o nosso amigo comum, o físico e poeta Luiz Alberto Machado.  Este colega, há cerca de dois anos, me ajudou a vender uma tela chamada O Mastro, do pintor José Paulo Moreira Fonseca. Quem comprou foi o filho do saudoso pintor, pagou um terço do valor do mercado para recuperar uma pequena joia da família. Fosse outro o interessado, eu não me teria desfeito daquela bela marina com riqueza pictórica de nuvens espelhando o mar, quadro pequeno, uns 40 por 50, não me lembro, mas guardei foto no meu computador.

 Aliás, eu não coleciono objetos, eu coleciono memórias. 

Correio da Lapa, Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2012 









segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Incêndios em favelas de São Paulo, CPI do Nero

Mais um hoje... Cinco incêndios em favelas de Sampa nos últimos 30 dias. Cerca de 200 em um ano. A CPI das Favelas incendiadas, criada há cinco meses, não faz nada. E a cidade que não pode parar ergue uma torre de 50 andares por mês. Tem-se a impressão de que a fúria da ganância no setor imobiliário segue a mil por hora na linha do Imperador Nero... Por que noutras metrópoles não ocorre essa loucura de queimar centenas de barracos todo mês? Queimar chama menos atenção do que expulsar como fizeram com 5 mil pessoas na favela do Pinheirinho em São José dos Campos...? Tô cabrero com essa coisa. Onde tem fogo... tem São Paulo!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Assange, dois estupros mal contados e uma execução a caminho


Assange, dois estupros mal contados 
e uma execução a caminho


A transa com duas mulheres suecas em agosto passado produziu o pedido de prisão do fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, e o pedido de asilo político na Embaixada do Equador em Londres. Seu advogado qualificou a acusação de "golpe político" e os admiradores suspeitam de uma trama governamental  por trás do que seria uma armadilha para Assange. Diariamente se vê em torno da missão diplomática o mesmo cenário:  um bloco de manifestantes favoráveis a Assange, um bloco de policiais de plantão e um pelotão de cinegrafistas.
 Foto diante da Embaixada de Quito em Londres:


As duas suecas alegaram que não têm nada a ver com o vazamento dos “cables” e sim apenas com a forma como o australiano trata as mulheres.
 Os advogados de defesa sustentam que o caso nasceu em Estocolmo apenas depois que as duas mulheres descobriram que tinham transado com o mesmo homem com diferença de poucas horas e que o caso envolve apenas sexo consentido que descambou para o desentendimento por causa do uso de camisinha.
Assange, quando o caso veio à tona, fez o seguinte lamento: já fui acusado de tudo nos últimos anos, mas nada tão grave assim.

Segundo o jornal londrino  Daily Mail, com base numa advogada sueca, Gemma Lindfield, atuando como promotora da Justiça de Estocolmo, o caso tem os seguintes contornos:

11 de agosto:  Assange chega em Estocolmo, onde ele será  o principal orador num seminário organizado por um grupo chamado Movimento da Fraternidade.
O Daily Mail informa que o contato de Assange no seminário é uma feminista radical que já foi professora universitária num evento chamado "campus oficial da igualdade sexual." Ele e ela não se conheciam, mas ela convidou Assange a se hospedar em seu apartamento. A mulher foi identificada pelas autoridades suecas apenas como “A” de Ana Carla Dascouve.

14 de agosto: Os dois foram jantar e voltaram para o apê para transar. Durante o ato sexual a camisa estourou. Ana Dascouve depois diria à polícia que Assange usou o peso do seu corpo para transar e que portanto ela foi foi vítima de "coerção ilegal".

15 de agosto: Assange fez o seu discurso no seminário e conheceu outra mulher com quem foi foi almoçar com uma turma de colegas. Depois o casal foi ao cinema onde a mulher se insinuou dizendo a ele que os dois já eram “íntimos”.  Esta mulher foi chamada pelas autoridades apenas como “W”, de Wilza Dascouve.
 Naquela noite, Ana Carla Dascouve deu uma  uma festa para Assange em sua casa, depois de twittar se gabando para os amigos, manifestando sua surpresa de estar com uma das pessoas mais legais do mundo.

 16 de agosto: A segunda mulher, isto é, a Wilza Dascouve, chama Assange e os dois voltam a se ver em Estocolmo. Eles vão de trem para a cidade natal dela, vão para o apartamento dela, onde transam. Segundo seu depoimento à polícia, Assange usou camisinha.

17 de agosto:  Wilza Dascouve diria à polícia que Assange naquela manhã  transou com ela sem camisinha enquanto ela ainda estava dormindo.

18 de agosto: Assange é acusado de ter deliberadamente molestado Ana Dascouve de modo intencional para violar a sua integridade sexual.
Logo depois que Wilza e Ana Carla se conheceram no seminário, Wilza Dascouve afirmou que teve relações sexuais sem proteção com Assange. E  Ana Carla, em seguida, disse que ela também tinha dormido com ele e que depois teria dado telefonemas para sua própria casa dizendo a Assange que queria que ele saísse do seu apartamento.

20 de agosto: Assange deixa o apartamento. As duas mulheres vão à polícia em Estocolmo para obter orientação sobre como proceder com uma queixa  contra Assange.  Wilza Dascouve queria saber se era possível forçar Assange a se submeter a um teste de HIV. Ana Dascouve disse que ela estava na delegacia  apenas para apoiar Wilza, mas também acabou dizendo à polícia que ela, igualmente, tinha  enfrentando um problema com Assange na cama.
 Uma policial de plantão, que pode ser aqui mantida anônima com o codinome de Greta Garbo  Dascouve, depois de conversar com as duas mulheres, concluiu que Wilza havia sido estuprada e Ana sofrido assédio sexual.
 O caso passou então a requerer que um promotor público concordasse com as queixas e decidisse intimar o suspeito de estupro.

21 de agosto: O procurador-geral rejeitou a acusação e negou pedido de prisão, dizendo: ocorreram apenas delitos pequenos.

Nos dias seguintes, depois de novas queixas das duas mulheres, um promotor especial reabriu o caso e expediu mandado de prisão contra Assange.
 À esssa altura, a imprensa caía em peso na história. Ana Dascouve chegou a dizer  a um jornal sueco que em ambos os casos o sexo tinha sido consensual no começo, mas que acabou descambando para o abuso.
"As acusações não foram criadas pelo Pentágono nem por ninguém”, alegou Ana Carla acrescentando: "A responsabilidade pelo que aconteceu comigo e com a outra mulher é de um homem com uma visão distorcida sobre nós, porque ele tem um problema em aceitar a palavra 'não'.

Agora resta a Assange:

  
Passar 15 anos na Embaixada de Quito em Londres.
Ganhar um salvo-conduto e ir morar no Equador, onde a Justiça pode reabrir o caso da acusação de estupro, mas jamais entregaria Assange à Suécia que, com facilidade, o entregaria aos Estados Unidos onde, por acusação de espionagem, a pena seria tranquilamente a capital, a execução. Por ora, Londres está anunciando que não vai dar salvo-conduto ao homem que desmoralizou dezenas de governos, botando na internet as mensagens cifradas de embaixadores, presidentes, primeiros-ministros, generais, parlamentares e até mensagens de espiões de todos os matizes, do mundo inteiro.
 Assange pode ser preso por qualquer vacilo na Embaixada ou em seus contornos, pode ser executado dentro da missão diplomática. Londres, por ora, insinua que busca meios legais para prender Assange mesmo dentro da missão diplomática, que é território equatoriano.
 Assange pode morrer misteriosamente numa rua qualquer no seu futuro como cidadão equatoriano. 
Rafael Correa, o presidente do Equador, é um Hugo Chávez mais comedido, não é impulsivo. Ele pensa muito antes de tomar as decisões mais loucas. Ele sabe que Assange protegido contra os serviços de inteligência de Washington lhe rende preciosos votos para a reeleição.
 Para nós, latinos, mal educados que somos com aquele clichê de que na Suécia existe o amor livre, as duas mulheres, que convidaram o estrangeiro famoso para transar em suas casas, estariam ignorando a máxima que diz: ajoelhou, tem que rezar. Acenderam o pavio, brincaram como a Monica Lewsinsky brincou com Bill Clinton e descobriram que o salão oval não era tão confortável assim. Mas Monica não se queixou. Fez, gostou e fez acordo com o acusado acuado. Ela faria tudo de novo. Hillary perdoou a pulação de cerca do marido em plena Resolute Table, a histórica mesa de trabalho de tantas decisões históricas de chefes dos Estados Unidos.
 Mas americanos não perdoam espiões nem traições. Assange é um homem marcado para morrer.
 As duas suecas, bem, não creio que estejam tão traumatizadas. São profiláticas. Disseram ambas: não, sem camisinha não, mas o negócio já estava escorregadio. Uma delas disse, não, agora não, estou com muito sono, mas a chama já estava acordada.
 Assange errou sim. Ele sabe disso. Mas não sabemos, ainda ao certo, com bases nessas informações preliminares, a coisa corre em segredo de Vara de Justiça, se o crime foi tão grave assim como pintam.
  É bem possível que Assange, se Londres não puder impedir a sua saída, venha a trabalhar para o governo do presidente Rafael Correa. O Mister Wikileaks sonhava em ser senador na Austrália. Assange, embora fomado em ciências exatas, notabilizou-se por divulgar a melhor notícia, as mensagens secretas dos governantes do mundo.
 E aqui de novo repito o meu bordão: jornalista não tem que se meter em política. O jornalista é um ser político, investiga e tal, mas, se entrar no jogo da safadeza pública, na roda dentada, fuuudeuuu!

    Por Alfredo Herkenhoff
Correio da Lapa
Rio de Janeiro. 16 de agosto de 2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O melhor Guignard queimado em Copacabana


 ARTE TERRIVELMENTE PREMONITÓRIA
 Por Alfredo Herkenhoff
 Correio da Lapa

Minha visão do quadro pintado nos primórdios da ditadura do Estado Novo... O fundo montanhoso, meio bíblico e meio cheio da mineiridade do artista, bem Brasil, verde amarelo. é meio apocalíptico.
 A flora e a fauna mais nítidas aparecem  em primeiro plano, no pé da tela e, ao mesmo tempo, este lugar mais baixo parece um penhasco, um abismo panorâmico, um clima de arca de Noé, como se a vida estivesse por um  fio apocalíptico.
 E existe insinuado um espaço, um vazio meio ovalado onde estão as montanhas de Minas, a composição, e o nome da obra, Floresta Tropical, evoca Jardim das Delícias, que na historiografia da arte tem mil exemplos, de Bosch, em especial, aquela fartura de vida longe de quaisquer restrições políticas e religiosas, mas sempre como contraponto com o perigo do Inferno que enfim consumou as nossas flores, os nossos animais e a própria arte na casa de Jean Boghici, arte terrivelmente premonitória estas flores e bicharada de Guignard, sem nenhuma proteção, tal qual a Floresta Amazônica, com Monte Belo, tal qual a nação Ianomâmi, tal qual tudo por aqui...    Tacamos fogo sem pena nem dó, é bala pra tudo e pra todo lado, em gente, na natureza, na arte...

Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2012
 

Clipe escroto: Rio 2016, Deuses do Olimpo Visitam o Rio de Janeiro


http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=6T3XtIIvPFs

Clipe escroto, mal feito, de mau gosto, um video showzinho despropositado, uma ação entre amigos, alguns decadentes. Mesma a querida Nélida Piñon nada teria a fazer num vídeo pra apresentar a cidade olímpica. Nélida, que já foi página inteira na revisya Time, no tempo da agente Carmen Barcells e do sucesso de Julio Cortázar, é uma simples desconhecida nesse mundo de jovens no esplendor dos hormônios buscando medalhas esportivas, como o é a maravilhosa Fernanda Montenegro, aqui apenas uma idosa desconhecida.
E O Pedro Motta, acho que é ele, no papel de embriagado feliz na orla... Caraca! E sambistas maravilhosos, nossos colegas pé de cana na Lapa do nosso Nova Capela...
Caraca nada a ver com o esporte.

O clipe tinha e tem que ter o melhor do Rio numa dobradinha com o seguinte parâmetro: o melhor junto com o mais conhecido do Rio e do Brasil no mundo.
Um sambinha enjoado este dos nossos maravilhosos Arlindo Cruz e Cia. Mas cantar que os deuses ficaram de perna bamba de tanto sambar, santa ignorância! Este é o pior vídeo que eu já vi no ramo.

Tinha quer ter uma evolução, alguma coisa mais apurada a partir dos dos oito minutos bem exibidos na festa de encerramento em Londres. Com Villa Lobos sim, com Jor Benjor, Jobim, Aquele abraço, Roberto Carlos, Tribalistas, mostrar Santos Dumont, Carmen Miranda. o Maracanã, gente bonita, Ipanema, manobras radicais, patins, bicicletas, skate, Sapucaí, Romário e Ronaldo. Marta ainda sem fama jogando na Baixada Fluminense.
Mostrar estrangeiros famosos aqui no Rio, tipo Jagger em Copa, Sinatra no Maraca, McCartney, Madonna, enfim, tinha que te a ligação direta do Rio com o planeta. Mas confundiram tudo, fizeram mais um videoshow de merda.
Esse vídeo não faz sucesso nem no Rio de Janeiro, que dirá no Azerbaijão, no Japão, em Xangai, em Londres ou na Coreia.

Clipe preguiçoso, a cara de um Zeca com jeito apenas de cumprir agenda. Samba orgiástico e convidados da TV Globo por uma merreca, Globo que ficou de fora da festa encerrada domingo passado. Eu censurava.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Morreu hoje Celso Blues Boy, aqui tocando para a Mallu Magalhães

Morreu hoje Celso Blues Boy. Vi o showzaço que ele fez em fins do ano passado aqui no Rio de Janeiro. Filmei com a minha xeretinha digital e botei alguns números no youtube no dia seguinte, com o coração ainda eivado de emoçao. Agora a sensação é a pior: eu devia ter voltado e ver a segunda apresentação dele no Rival. O teatro estava lotado, e estava lá o colega Rodrigo Pian que virou a noite com o roqueiro, tabagista contumaz que nem eu...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Canal Maria, TV egípcia só com mulher de preto da cabeça aos pés


New TV channel run exclusively by fully veiled women
(Tradução de Alfredo Herkenhoff, Correio da Lapa, Rio de Janeiro, em 31 de julho de 2012)
Novo canal de TV é produzido 
apenas por mulheres 
cobertas por véus
Por Sarah El Sirgany, Especial para CNN
 


 A “camerawoman” Heba Seraq-Eddin grava um programa 
de sátira social do canal de TV produzido exclusivamente 
por mulheres vestidas de niqab. 
(Camerawoman Heba Seraq-Eddin films a social satire program for a TV channel run exclusively by niqab-clad women.)


A new TV station is run by and features women wearing the niqab
The niqab is a black fabric that covers a woman's entire face except eyes. Some say the programming lets women's voices be heard; others say it's a U-turn for rights.
A emissora de TV usando o chamado o niqab,  véu feito com um tecido preto e que cobre todo o rosto da mulher, com exceção dos olhos. Alguns observadores sustentam que a programação permite que a voz das mulheres seja ouvida, outros dizem que é uma inversão no processo de conquista de direitos civis.


(CNN) -- After graduating from the mass communication department of Cairo University, Heba Seraq-Eddin couldn't find a job. Potential employers turned her down, she says, because of her veil. Heba wears the niqab, the black fabric that covers her whole face, except for the eyes.
(CNN) - Depois de se formar em Comunicação pela Universidade do Cairo, Heba Seraq-Eddin não conseguia encontrar um emprego. Os possíveis  empregadores lhe negaram qualquer chance por causa de seu véu, disse a jovem usando o niqab.

"I used to tell them I won't appear on camera, my niqab won't be visible," recalls Serag-Eddin, trained as a director and camera operator. But there were no job offers and she felt that the networks rejected the very concept of the niqab in the workplace.
"Eu costumava dizer a eles que eu não iria aparecer na câmera, meu niqab não será visível", lembra Serag-Eddin, treinada para ser operadora de câmera. Mas não havia ofertas de emprego e ela sentiu que as redes de TV rejeitavam o próprio conceito do niqab no local de trabalho.

Then she came across an ad for a new TV channel called Maria, run exclusively by niqab-clad women. She was hired right away.
Então ela avistou o anúncio de um novo canal de TV chamado Maria, tocado exclusivamente por mulheres vestidas de niqab. E ela foi contratada imediatamente.

Maria, the first channel of its kind anywhere, kicked off with the Muslim holy month of Ramadan on July 20. Until it gets more funding and staff, it's a daily four-hour broadcast on its mother channel, Al-Omma, an independent channel seen in the Middle East.
Maria é a primeira estação de TV com essas características no mundo. A emissora foi inaugurada em 20 de julho, abrindo o mês sagrado muçulmano do Ramadã. Enquanto verbas e pessoal não chegam o bastante, o canal transmite apenas quatro horas por dia, como parte da emissora Al-Omma, que é um canal independente no Oriente Médio.

In an apartment in the eastern Cairo district of Abasya, the female volunteers of Maria share two studios with Al-Omma's staff. Men occasionally help move the colored wooden panels on set and perform other technical chores. And Islam Abdallah, Al-Omma's executive director, steps in to offer advice on how to talk to the camera.
Em um apartamento no distrito oriental de Abasya, no Cairo, as mulheres no canal Maria dividem dois estúdios com o pessoal do canal Al-Omma. Homens por vezes prestam ajuda, movendo no set os painéis coloridos de madeira e fazendo ainda outras tarefas técnicas.  E o Abdallah, executivo do Al-Omma, ensina os primeiros passos sobre como agir diante da  câmera.

Critics say the programming is a "U-turn" on any Arab Spring advances.
Críticos dizem que a programação é uma "retrocesso" diante dos avanços da Primavera Árabe.

While new hires are being trained, the station is using the skills of other women who favor the hijab -- the veil that's more like a head scarf -- to help. But the objective is to depend solely on niqab-clad women. So far, they all work as volunteers.
Enquanto outras pessoas contratadas vão recebendo treinamentos, o canal Maria começa a usar  as habilidades de outras mulheres que privilegiam o chamado hijab - o véu que é mais parecido com um lenço na cabeça. Mas o objetivo é usar somente mulheres trajando o niqab. Até agora, todas elas trabalham como voluntárias.

"I felt that we finally have a place in society after being marginalized. As women wearing niqab, we had no rights, and no one to talk about us. Through Maria, we'll find people like us talking about us, with no discrimination," Seraq-Eddin says.
"Sinto que finalmente temos um lugar na sociedade depois de sermos marginalizadas. Como mulheres que usamos o véu, não tínhamos direitos e ninguém para falar sobre nós. Através do canal Maria, vamos encontrar pessoas como nós falando de nós, sem discriminação ", aiirmou Seraq-Eddin.

The niqab has sparked many debates about discrimination over the years. Public universities' ban of them during exams or in dormitories were the subject of numerous court battles and were condemned by advocacy groups. Women often complain of an unwelcoming job market with an unwritten discrimination.
O niqab provocou muitos debates sobre a discriminação ao longo dos anos. Proibição de seu uso em universidades públicas e durante os exames, ou em alojamentos,  foi objeto de inúmeras batalhas judiciais e condenado por grupos de defesa de direitos. Essas mulheres frequentemente se queixam de um mercado de trabalho hostil com uma discriminação que não existe por escrito.

Maria director Alaa Abdallah says that being part of the TV project showed her and other team members that they did, indeed, have the skills for the job.
A diretora Alaa Abdallah, do canal Maria, diz que fazer parte do projeto de televisão mostrou a ela e demais integrantes  da equipe que todas têm, de fato, capacidade para exercer o trabalho. 


 "We are trying to create a better society after the earthquake of freedom that was January 25," Alaa Abdallah explains. She says Egypt's intellectuals should support her right to speak up and her right to give a marginalized segment of society a voice.
"Estamos tentando criar uma sociedade melhor depois do terremoto de liberdade que foi o 25 de janeiro", explicou Alaa Abdallah, sustentando que intelectuais do Egito deviam apoiar o direito de falar e o de dar voz a um segmento marginalizado.

One of those intellectuals is not convinced. The network taps into the rhetoric of women's empowerment, says Adel Iskandar, media scholar at Georgetown University, but there is a "very strong case to be made that it's a gimmick."
Um desses intelectuais não está convencido disso. Diz que a emissora se aproveita da reórica sobre concessão de poderes às mulheres.  Adel Iskandar, estudioso de mídia da Universidade de Georgetown, acrescenta porém que se trata de um "caso bem claro que nasce como um engodo”.

Others are worried that the rise of political Islam in Egypt will radicalize the society. They argue that a TV network that features only women with covered faces is a "U-turn" on the path of the so-called Arab uprising.
Outros analistas estão preocupados com o crescimento do islamismo político capaz de radicalizar a sociedade egípcia. Eles argumentam que uma rede de TV que apresenta apenas as mulheres com rostos cobertos é uma "retrocesso" na trajetória da chamada Revolução árabe.

Alaa Abdallah says she avidly supports freedom of expression, but wouldn't grant her critics the same leeway she demands. "I stand by freedom of expression as long as it isn't hostile to Islam," she says, arguing that "secular and liberal" channels are "destructive" in the way they are promoting ideas that would reshape society.
Alaa Abdallah diz que é uma árdua defensora da liberdade de expressão, mas não concede a seus críticos a mesa margem de manobra que para si mesma  ela demanda. "Eu sou a favor defendo da liberdade de expressão, desde que não seja hostil ao Islã", diz ela, argumentando que canais "seculares e liberais" são "destrutivos" na medida em que promovem ideias para remodelar a sociedade.

Abu Islam Abdallah, Alaa's father and the owner of Al-Omma, believes he's restoring the balance. By stressing the niqab, he believes he evens out what he describes as the "racism" against these women.

Abu Abdallah Islam, o pai de Alaa e proprietário do Canal Al-Omma, acredita que ele está restaurando o equilíbrio. Ao promover  o niqab, ele acredita que promove um contrapeso ao que descreve como "racismo" contra estas mulheres.

He describes as heretic the type of democratic system that allows women "to dress immodestly, work as dancers and even be members of Parliament." That's "pandemonium," he says.
Ele descreve como herege um regime democrático que permite que as mulheres "se vistam despudoradamente,  trabalhem como dançarinas e sejam até mesmo integrantes do Parlamento". Isso é o "pandemônio", diz ele.


Al-Omma -- which means the nation -- is full of "anti-Christianization" rhetoric. There is less of that on Maria, named for the woman thought to have been the prophet Mohammed's Coptic wife. Its female-oriented, cultural programming "within a religious framework," as Alaa Abdallah describes it, might even have greater potential than Al-Omma and its donation-based funding model.
O canal Al-Omma -  que significa A Nação - está cheio de retórica "contra o cristianizar. Há menos desse conteúdo no canal Maria, que ganhou este nome em alusão à mulher que se te sido a esposa copta do profeta Maomé A programação cultural,  destinada a público feminino "dentro de um quadro religioso", conforme descrição de Alaa Abdallah, pode até ter um potencial maior do que o canal Al-Omma e seu modelo de financiamento baseado em doação.

Maria caters to a niche market untapped even by ultraconservative channels, according to Iskandar. But normalizing the appearance of women covered from head to toe in black could be a double-edged sword. "It takes away from their mystique, their exoticism," he argues.
Maria atende a um nicho de mercado inexplorado até mesmo por canais ultraconservadores, de acordo com Iskandar. Mas padronizar a exibição de mulheres cobertas de preto da cabeça aos pés pode ser uma faca de dois gumes. "É preciso manter distância da mística dessas pessoas, do seu exotismo", argumenta ele.


Others believe Maria might end up isolating the niqab "community" and only underline the controversy over the full veil.
Outros acreditam que o canal Maria pode acabar isolando a comunidade que usa o niqab  e apenas chamar a atenção para a controvérsia sobre o próprio véu.

Either way, the biggest challenge, according to Iskandar, will be to overcome what may be visually dull presentation with creative content.
De qualquer maneira, o maior desafio, de acordo com Iskandar, será superar, mediante um conteúdo criativo, o  que pode ser uma apresentação visual enjoada.



sábado, 21 de julho de 2012

Globo e REcord nos Jogos de Londres 2012. Fátima Bernardes corre risco.

Jornalismo em crise na Globo e no mundo

Os quatro grandes acontecimentos em curso neste 2012 são, sem ordem hierárquica, na minha subjetivérrima avaliação: a Guerra Civil na Síria, a crise econômica dos governos falidos da Europa, a reeleição ou não de Barack Obama e as Olimpíadas de Londres. A TV Globo só noticia três desses acontecimentos. Já chegaram a Londres os primeiros milhares de jornalistas para documentar a competição. Estima-se que estarão na capital 21 mil repórteres. Mas o setor comercial da TV Globo decidiu que isso não é notícia, o negócio é autocensura. A culpa não é da fortuna do Edyr Macedo ganhador de licitações. Mas do COI, com o seu péssimo exemplo de vender a transmissão para uma única emissora aberta. A mesma falha que comete a prefeitura do Rio-com-Liesa no Carnaval da Sapucaí. Se houvesse duas TVs abertas na cobertura, a concorrência seria salutar para o jornalismo e para a audiência, para atletas, foliões e telespectadores, todos nós.
Dizem que Lula tentou chave de galão com ajuda do saudoso José Alencar para levar a Record a fazer um acordo com a Globo... Dizem que Dilma também tentou a chave de galão. Macedo, vitorioso e generoso com os dois presidentes que ele tanto apoiou e apoia, até admitiu ceder e fazer parceria excepcional. Mas exigiu uma única condição, cláusula pétrea: que a Globo, em vez de exibir seu logo no canto da telinha, mostrasse o tempo todo em toda transmissão esses dizeres: "Imagem gentilmente cedida pela Rede Record". Os Manos Marinhos não aceitaram. Dizem, não sei se nada disso é verdade. Mas onde tem fumaça, tem jogo.
 
Darya Klishina, uma das dez mulheres mais bonitas dos Jogos de Londres. Ela vai disputar ouro com a Maurren Maggi no salto a distância. Outra musa hiper cotada, está entre as dez mais, é a goleiraça da Seleção feminina de futebol dos EUA. A propósito, a estreia do Brasil da Rainha Marta é já nessa quarta-feira...Tô ligado, morô?
  Nimeyer: Brasília virou um penico
O General Costa e Silva, que ficou um curto período na chefia da ditadura, detestava Brasília. Governava mais a partir da Zona Sul do Rio e do Palácio Laranjeiras do que do Plano Piloto. Um belo dia, desabafou com o seu ministro da Saúde. E diante da Esplanada dos Ministérios, lamentando e exalando pessimismo com a capital, dizendo não ver saída para aquilo tudo, perguntou ao assessor: qual o futuro dessa merda? E a resposta foi uma única palavra do ministro: "Vegas".

Sim, Brasília é o cassino dos caciques, é só jogatina com o dinheiro público. Qual a atividade principal do empresário Charlie Waterfalls? Produtos farmacêuticos? Serviços de corrupção para contratos e nomeações? Não faço ideia. Vomito.
Rola na internet uma declaração curiosa que é atribuida a Oscar Niemeyer. Ele diz que Brasília foi pensada como vaso de flores, mas acabou transformada em penico pelos políticos. Diz que em vez de formato de avião, o Plano Piloto deveria ter sido melhor desenhado, com formato de camburão.

 
Curioso nesse dueto bilingue é que Sinatra não pronuncia Ipanema como fazem os americanos, "Ipanima", mas como faz o Tom Jobim, como todos nós, "Ipanêma". Cantando enquanto fuma, The Voice dá uma bela baforada no fim. Tom parece ter inveja, mas cantar, fumar e tocar violão ao mesmo tempo não seria possível. Monstros acima do bem e do mal, esses dois não morrem nunca...
 
  Maravilhosa Fátima Bernardes...
  Dos vários programas semelhantes da Rede Globo, Encontro é o melhor. Critiquei-o exatamente pela excelência. O programa de Fátima é melhor do que o da linda Maria Beltrão na Globonews (este é meio afrescalhado), é melhor do que o da Ana Maria Braga, que é excessivamente generosa, um sitio do picapau doméstico. A querida Ana está quase virando Vovó Benta do Apê. Melhor do que o do Serginho Groisman, que é muito enrugado pra tanta juventude. É melhor do que o VideoShow, que é o mais radical daquela máxima do poeta Mallarmé: o mundo só  existe para abortar não um livro, mas a própria TV Globo, Globo parindo Globo, um replay do replay do replay. O da Fátima é melhor do que o do Jô, ligeiramente engessado no formato e horário errático. 
 E sendo o novo programa da Fátima o melhor de todos, corre riscos. É caro, uma hora e meia ao vivo diariamente. Por ter qualidade, não terá audiência alta. E isso é fatal numa grande emissora, ainda a melhor TV aberta do Brasil e uma das melhores abertas do mundo. Mas em decadência. E o principal: no universo das celebridades globais, rola uma ciumeira do cão. A TV não mostra, claro, mas aquilo tá chei de neguim querendo apunhalar o colega, ver a caveira, o ibope despencado.
 Em se confirmando essa minha hipótese, resta a questão: quanto tempo a Globo vai resistir sustentando essa alta qualidade do caríssimo programa Encontro com Fátima Bernardes? Um ano, ano e meio? Alternativas: reduzi-lo e migrá-lo para a Globo News.

 Vantagem de estender a Fátima mesmo a custo elevado... Considerações: o programa não precisa ser líder do horário, precisa apenas conter o concorrente direto e semelhante que rola na mesma hora na Record com Edu, sua culinária para classe média baixa e os coleguinhas com aquelas  fofoquinhas das celebridades da emissora do bispo em meio a pequenas inserções jornalísticas ao vivo.
Não sei se nada disso é verdade. Mas onde tem briga pelo Ibope com a Record, tem pânico na Globo. 
(Alfredo Herkenhoff, Correio da Lapa, Rio de Janeiro, 21 de julho de 2012)
 
 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Crítica ao programa de Fátima Bernardes, DP do Rio invadida por bandidos armados, mãe desesperada ataca hospital em Minas



E mais, censura às Olimpíadas de Londres na TV Globo, Angela Merkel, o Brasil e a crise na Grécia, Coluna do Correio da Lapa está de volta.. Rio de Janeiro, 4 de julho de 2012.



QUINZE GUERRILHEIROS DO NARCOTRÁFICO 

INVADEM DELEGACIA NA "CIDADE MARAVILHOSA"

 
Um marginal condenado é preso e levado a uma delegacia de polícia no Rio de Janeiro. Horas depois, 15 homens de preto, empunhando fuzis e pistolas automáticas, dão tiros para o alto, cortam o cadeado da cela e levam o amigo de volta para a favela. Rio, Cidade Maravilhosa. Eu choro. Quantos micos o Rio de Janeiro vai pagar até a Copa das Confederações que a Fifa promove na reabertura do Maracanã no ano que vem?





CRISE NA SAÚDE
DESESPERO DE MÃE COM FILHO QUASE MORRENDO E TRATAMENTOS DESIGUAIS

 Uma mãe com um bebê no colo, ardendo em febre, tendo convulsões, depois de 12 horas sem atendimento numa UPP na Grande BH, parece surtada e começa a quebrar pequenos objetos na recepção, esmurra portas, grita: não vou ficar parada esperando meu filho morrer.

 A Rede Record deu matéria ampla, mostrando os gritos e outras pessoas também sem atendimento e se solidarizando com a mãe. Já a Rede Globo, no Jornal Hoje, castrou a matéria. Tirou o áudio do justo desespero da mãe, preferiu enfatizar que a mãe corre o risco de ser punida pelo Justiça por depredar patrimônio público. A Globo valoriza ainda o que a direção do hospital  afirmou ter feito: uma avaliação da criança enferma, seu caso não era tão urgente diante de tantos outros atendimentos. O Jornal Hoje foi simplesmente horrendo hoje.



CENSURA NA TV GLOBO
 A três semanas do início dos Jogos Olímpicos de Londres, soa patético o ato de censura total que a TV Globo impôs ao seu jornalismo, que não pode sequer citar expressões como Olimpíadas e Jogos Olímpicos. Isso se deve ao fato de a Rede Record ter conseguido exclusividade da transmissão do evento. Pelo mesmo motivo, no ano passado, a Globo, quatro anos depois de o Rio de Janeiro ter sediado os Jogos Pan-americanos, censurou o Pan de Guadalajara.

É triste ver que quatro anos antes de o Rio de Janeiro sediar as Olimpíadas de 2016, a Globo censura o maior evento esportivo do mundo, como se a emissora pudesse sobreviver com saúde negando a realidade.

 Nos anos 80 e 90, quando as Organizações Globo cresciam rapidamente,. Seus eventos sociais eram noticiados por outros veículos concorrentes.  Mas, por exemplo, quando o Jornal do Brasil promovia pioneiramente as maratonas no Rio, o jornal O Globo nada publicava.



MUDANÇA NO JORNALISMO BRASILEIRO É DE BUNDA
A propósito, isso me faz lembrar de um episodio que sem repetia na redação do falecido Jornal do Brasil. O repórter e saudoso amigo Oldemário Touguinhó costumava dizer para o pessoal da primeira página: sabe o que mudou no jornalismo, no JB? Antigamente, se alguém do Comercial vinha aqui na hora do fechamento e dizia: olha, tenho aqui um anúncio de página inteira que acabou de chegar. O que faço com ele? O diretor da redação diria: enfia na bunda. Hoje, quando o comercial traz à última hora um anúncio grande, vai ao editor-chefe e diz: olha, tenho aqui uma página inteira do Banco X. E você reage assim: mas o que que eu faço com a minha grande reportagem na página 15? E o cara da Publicidade diz: Enfia na bunda.
No jornalismo brasileiro, e isso vale para todos os veículos, a mudança que houve é de bunda.


 TLEVISÃO
PROGRAMA DE FÁTIMA BERNARDES COMEÇA CHEIO DE PROBLEMAS
A simpática Fátima Bernardes, que um dia entrevistei para uma longa matéria publicada lá em meados dos anos 90 na revista paulistana chamada se não me engano Corpo,  estreou dias atrás um programa que leva seu nome. É o melhor do gênero, mas ainda assim embute vícios e riscos. Traz assuntos densos que são tratados longamente numa hora que me parece imprópria para TV aberta.  Procura fazer uma mescla de brasileiros anônimos com as celebridades globais de sempre, que na Vênus Platinada o mundo é o eterno Videoshow falando de si próprio, das suas estrelas da teledramaturgia. Mas o programa da Fátima exibe também, desnecessariamente, muitas caras anônimas num palanquinho tipo circo do interior, algo que atrapalha a concentração do telespectador. A bem da verdade, a Madame Oprah tem seu auditoriozinho e tal lá nos Estados Unidos, tem seu palanque, mas não dá mole, a câmera não perde tempo nem audiência exibindo quem está ali só pra dar um climazinho de calor humano.  No programa da Fátima, a plateia esfria o ritmo.
 Nada sei de ibope até agora nesses primeiros dias de Fátima, mas temo que um programa caro, diário, de hora e meia, vá causar problemas por aí.


 BIAL VEM AÍ, xi!
Pedro Bial parece que vem com programa semelhante ao da Fátima. No último BBB, segundo me disseram, houve a pior audiência e o melhor faturamento. Mas TV aberta não sustenta esse fenômeno.  Não importa eventual aumento de publicidade nos programas iniciais de Fátima e Bial. 

Se o Ibope claudicar, como agora estou intuindo que vai, haverá problemas a médio prazo para a longevidade da bela iniciativa, que são dois belíssimos profissionais.


 


CRISE EUROPEIA:
 SERÁ QUE O BRASIL RECEBERIA  UMA AJUDA 
19 VEZES MAIOR  DO QUE A RECEBIDA PELA GRÉCIA?
A Grécia tem 11 milhões de habitantes e ganhou ajuda de 110 bilhões de euros, isso dá mais ou menos 10 bilhões de euros para cada milhão de habitantes. Se a crise fosse no Brasil, teríamos de receber, a toque de caixa, o equivalente a 2 trilhões de euros.
 Existe dinheiro na Europa, belos capitais, belas indústrias. O problema é que investir lá no Velho Continente é prejuízo certo.  Com a moeda comum, os países da Zona do Euro não podem emitir, não podem criar inflação rápida para aquecer a economia. 

 A receita alemã é dura e perigosa: apertar o cinto de milhões de europeus que não trabalham muito e gastam muito graças a seus governos generosos, também gastadores e agora totalmente endividados.  Há de se buscar um equilíbrio. Permitir que os vários governos tenham mais manobra para aquecer a economia, ou pelo menos reduzir a recessão, e ao mesmo tempo apertar o cinto, ma no troppo, ou pelo menos não tão rapidamente. Há de escalonar as duas visões: a do sacrifício exigido pela chanceler alemã Angel Merkel e a resitência das sociedades e  governos em crise: sim, vou reduzir o meu desequilíbrio fiscal, mas não tão subitamente.

 Pelo sim, pelo não, os capitais europeus independentes, isto é,  das grandes corporações, não investem na região em crise. Melhor fazer nos países emergentes. Ou quando muito, emprestar ao governo dos Estados Unidos, comprar títulos do Tesouro bancado pela Casa Branca, pelo Pentágono e pela própria pujança da democracia americana.



CINEMINHA BOM

 Ainda não vi o novo filme de Woody Allen passado em Roma, mas adorei. Não vi o passado em Paris e adorei. Vi, anos atrás, aquele Manhattan, e também adorei.


CAÇA SENSACIONAL
 PILOTO QUE ESPATIFOU VIDRAÇAS EM BRASÍLIA É HERÓI
 DAS METÁFORAS NACIONAIS 
Um jato dá um rasante em Brasília e quebra umas poucas vidraças do palácio do Judiciário. Se todas as vidraças dos palácios na Praça dos Três Poderes e dos prédios na Esplanada dos Ministérios se espatifassem, o Brasil não viveria um choque de transparência, que esses vidros teimam em ficar intactos diante de tanto desleixo país afora, mas certamente o Distrito Federal ficaria mais arejado. 

A Esquadrilha da Fumaça não fez um bom trabalho. O rasante tem que ser da frota inteira.


Por Alfredo Herkenhoff - Coluna do Correio da  Lapa em 4 de julho de 2012.
Rio de Janeiro.