sábado, 20 de fevereiro de 2010

Haiti Now & O Haiti é Aqui




"Quando você for convidado pra subir no adro
da Fundação Casa de Jorge Amado
pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(Que são quase todos pretos)
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos, quase pretos de tão pobres
são tratados.
E não importa se olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados
para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque, um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados
de escola secundária em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula.
Não importa nada: nem o traço do sobrado
Nem a lente do Fantástico, nem o disco de Paul Simon.
Ninguém, ninguém é cidadão.

Se você for ver a festa do Pelô,
e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti.


O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui.


E na TV se você vir um deputado
em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo,
qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça da democratização
Do ensino de primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender
a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê
tanto espírito no feto
e nenhum no marginal.
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua
sobre um
saco de lixo brilhante do Leblon
E ao ouvir o silencio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos
são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos,
quase pretos de tão pobres.

E pobres são como podres
e todos sabem como se tratam os pretos


E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba

Pense no Haiti, reze pelo Haiti.
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui."
(Haiti - Caetano Veloso e Gilberto Gil)



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Máscara do dia de hoje

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Viva o Vasco vs. Botafogo na Taça Guanabara!

Derrota do Flamengo para o Botafogo
tem cara do susto do Barueri antes do Hexa!

Tal como oFluminense no fracasso diante do Vasco na outra semifinal, com Fred perdendo gols imperdíveis, o Flamengo desperdiçou chances, e o Botafogo mereceu a vitória por 2 a 1. No ano passado, o Flamengo não ganhou a Taça Guanabara, mas levou o Campeonato Carioca. E no Brasileiro, ao perder do Barueri, o rubro-negro se re-ergueu, bateu em todos e ficou com o Hexa. Então o Flamengo talvez tenha agora perdido na hora certa para o revigorado time sob o comando do grande Joel Santana. O time da Gávea estava na Sapucaí e noutras farras do Carnaval. E todos sabemos que o ano de 2010 só começa na semana que vem. Talvez o Flamengo tenha acordado com a eliminação na quarta-feira de cinzas. Mas, podemos criticar: Andrade não conseguiu disciplinar a equipe que insistiu em martelar quase que só pelo meio. E no segundo gol, o goleiro Bruno já estava caído, sentado, antes do jovem alvinegro arrematar a bola. O excelente Bruno tem dois defeitos de fundamento: leva muito gol de cobrança de falta e se precipita em tentar adivinhar o canto com a bola ainda rolando na área. Nos pênaltis ele é o melhor. Salvou quatro em 2009 durante partidas. Mas quando a bola está no bate e rebate dentro da área, ainda se precipita. Melhor goleiro em atividade no Brasil junto com Rogério Ceni, Bruno precisa ter calma quando estiver frente a um arremate a sangue frio. Na noite passada, Bruno não teve culpa no segundo gol. Mas se estivesse de pé, restaria uma chance de usar seu belo reflexo. Desperdiçou a chance por puro precipitação: caiu para o lado direito indevidamente, antes do chute que enviou a bola sem força à sua esquerda. Estivesse de pé concentrado, talvez pegasse. Mas repito, ainda é o melhor goleiro em atividade no país.

Por Alfredo Herkenhoff
Correio da Lapa

Rio 2010: 83 promessas de Eduardo Paes em 2008

As principais promessas feitas pelo candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante a campanha eleitoral de 2008, quando derrotou em segundo turno o candidato Fernando Gabeira:

TRANSPORTE
1. Implantar o bilhete único, que permite ao usuário pegar mais de uma condução pagando só uma tarifa. Mas o sistema terá de se sustentar sozinho. 'Não vou subsidiar empresas de ônibus'.
2. Licitar as cerca de 400 linhas de ônibus do município e reorganizar o sistema.
3. Legalizar e licitar as linhas de vans, e regulamentar o transporte complementar.
4. Ajudar o estado a implantar a linha 4 do metrô, da Barra a Botafogo (orçada em R$1,2 bilhão).
5. Ajudar o estado a implantar o novo trajeto da linha 2 do metrô, para evitar baldeação no Estácio.
6. Fazer a ligação entre a Barra e os subúrbios de Madureira e Penha, por meio de ônibus articulados, o projeto T-5.
7. Pôr limites de velocidade diferentes à noite em áreas consideradas de risco. Também substituir os pardais por lombadas eletrônicas, visíveis. Sincronizar os sinais de trânsito.
8. Renovar a frota de ônibus para dar acesso aos deficientes.
9. Ajudar a Supervia a adquirir novos trens.
10. Regulamentar os pontos de embarque e desembarque de vans e reduzir a taxa do Darm (Documento de Arrecadação Municipal) das vans.
11. Dar meia-passagem a universitários. Criar passe livre para pessoas com tratamento continuado na rede municipal de saúde.
12. Expandir os postos GNV.

TRIBUTOS
13. Não aumentar o IPTU. Engordar a receita por meio da base de arrecadação.
14. Implantar a nota fiscal eletrônica, que permite acompanhar on line a emissão de comprovantes que geram
arrecadação de ISS. O sistema é um meio de aumentar a arrecadação sem subir impostos.
15. Criar parcerias com os governos estadual e federal visando dar incentivos fiscais às empresas que empregarem o deficiente.
16. Reduzir o ISS das áreas de tecnologia, turismo e seguros. Dar benefícios tributários às cooperativas de táxi.

EDUCAÇÃO
17. Acabar com a aprovação automática nas escolas da rede municipal de ensino.
18. Aumentar a rede de creches, triplicando o número de vagas. Oferecer 160 mil vagas nas pré-escolas, colocando todas as crianças de 4 e 5 anos.
19. Usar clubes e áreas afins para atividades extracurriculares de alunos da rede municipal.
20. Instituir aulas de reforço em todas as escolas municipais, contratar mais professores e investir em qualificação e remuneração.
21. Criar o Pró-Técnico, de bolsas em cursos técnicos.
22. Ampliar a rede de vilas olímpicas e criar programas de prevenção às drogas nas escolas.
23. Ampliar o Ônibus da Liberdade (transporte gratuito a alunos).
24. Criar o Fundo Municipal de Apoio à Pesquisa.

LIXO
25. Não levar o aterro sanitário para Paciência.
26. Criar um programa de reciclagem de lixo.

FAVELAS
27. Aproveitar áreas abandonadas ao longo da Av. Brasil para construir unidades habitacionais.
28. Ampliar o PAC das Favelas nos grandes complexos, como Lins e Penha.
29. Continuar o Favela-Bairro, com adaptações para retomar a concepção original.
30. Ampliar os Pousos para fiscalizar construção em favelas. 'Não vou permitir novas ocupações'.
31. Para ter o apoio do candidato derrotado do PRB, Marcelo Crivella, prometeu implementar o Cimento Social, com adaptações.
32. Pôr em prática o Plano Municipal de Habitação de Interesse Social, para aplicar R$50 milhões, por ano, no
financiamento de cem mil casas populares. Os recursos seriam garantidos com a parceria entre estado e União, além do apoio da iniciativa privada.

SAÚDE
33. Ampliar o Programa Saúde da Família, que no Rio, hoje, tem cobertura de apenas 7%. Criar 60 consultórios de Saúde da Família, funcionando em três turnos.
34. Construir 40 Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) 24 horas, com cinco milhões de atendimento por ano, retirando das filas dos hospitais 20 mil pessoas/dia. Méier e Madureira ganharão as primeiras UPAs.
35. Colocar os postos de saúde abrindo às 6h e fechando às 20h, com plantão permanente de clínicos, pediatras e ginecologistas.
36. Criar um gabinete integrado contra a dengue e um plano emergencial de combate ao mosquito. Contratar, logo, 1.850 agentes de saúde para isso. Postos de saúde e todas as unidades de saúde poderão fazer exame de sangue para diagnosticar a doença.
37. Assumir o papel de gestor pleno da saúde no município.
38. Criar um programa de atendimento domiciliar ao idoso. Criar 20 centros de convivência dos idosos. Readequar as instalações dos centros de saúde municipais pondo rampas, elevadores e outras facilidades.
39. Transformar postos de saúde em Clínicas da Família, com pediatria, ginecologia e odontologia.
40. Ampliar o programa Remédio em Casa para pacientes crônicos.
41. Construir o Hospital da Mulher, em Realengo; uma maternidade em Campo Grande, além de reativar a antiga Maternidade Leila Diniz. As gestantes que fizerem seis consultas de pré-natal vão receber um documento garantindo a maternidade onde terão o filho.
42. Construir cinco centros de reabilitação para deficientes.
43. Criar 150 equipes do Programa de Atendimento Domiciliar ao Idoso (PADI) e implantar 20 Lares do Idoso.
44. Criar 50 equipes multidisciplinares nas escolas, com pediatra, ginecologista, oftalmologista, dentista, psicólogo, fonoaudiólogo e assistente social.
45. Converter unidades de saúde do município em Centros de Referência da Saúde da Mulher, com criação de cinco destes centros.
46. Criar o Hospital do Idoso, na Tijuca.
47. Melhorar o Hospital de Acari e o Paulino Werneck (com obras começando em 2009), aumentar o atendimento do Salgado Filho e do PAM do Méier, além de reequipar todos os hospitais municipais, contratando mais médicos e enfermeiros.
48. Criar três centros de referência para obesos.

ORDEM
49. Criar uma Secretaria de Ordem Pública, para o ordenamento e o combate a pequenos delitos. No início, vai priorizar a Tijuca.
50. Criar corredores iluminados nas áreas que concentram bares e restaurantes, como a Lapa. A Guarda Municipal combaterá os flanelinhas.
51. Adaptar os espaços públicos de lazer aos deficientes.
52. Recuperar e conservar a pavimentação das ruas.
53. Iluminar adequadamente as ruas, em particular os acessos aos corredores de transporte público, aos pontos de ônibus e às estações de trem e metrô.
54. Propor à Câmara um novo Plano Diretor.
55. Construir novos abrigos para população de rua.
56. Criar um centro de cidadania em Bangu. 5
57. Criar um mergulhão sob a linha do trem de Madureira.
58. Adotar o projeto Cidade Limpa, de São Paulo, para limitar a publicidade nas ruas.

CAMELÔS
59. Ordenar, regularizar as áreas em que pode haver camelôs, dar licença e fiscalizar. Mas 'a Guarda Municipal não vai bater em camelô'. APACs
60. Manter as Apacs, com as normas que protegem casarões e prédios de interesse cultural. Serão complementadas com estudos de impacto de vizinhança para construções em áreas adensadas.

ADMINISTRAÇÃO
61. Manter todos os benefícios do governo atual aos servidores municipais, como carta de crédito, plano de saúde, não cobrança da contribuição previdenciária dos inativos, e dar reajuste salarial anual. Não unir a previdência municipal à do estado.
62. Criar um sistema de acompanhamento orçamentário municipal pela sociedade. Discutir o orçamento cidadão, uma versão do orçamento participativo.
63. Instituir a Secretaria municipal da Mulher.

TURISMO E MEIO AMBIENTE
64. Levar saneamento básico a 100% da Zona Oeste em parceria com o governo do estado.
65. Recuperar as praias da Baía de Sepetiba, e as lagoas da Barra e de Jacarepaguá. Dragar os canais. Retomar o projeto Guardiões dos Rios, que contrata mão-de-obra comunitária para atuar na limpeza dos rios da cidade.
66. Implantar o projeto de reflorestamento Guardiões das Matas
67. Articular com investidores privados a construção e a concessão de um centro de convenções no Aterro do
Flamengo. Estimular a expansão da rede hoteleira na Barra da Tijuca.
Dinamizar o Centro de Convenções da Cidade Nova.
68. Transformar o Porto e o entorno do Maracanã em áreas turísticas. Investir na promoção da cidade no país e no exterior.
69. Transformar Copacabana em capital brasileira do turismo de terceira idade.
70. Captar recursos para despoluir a bacia de Jacarepaguá.

SEGURANÇA
71. Treinar a Guarda Municipal para trabalhar em cooperação com a polícia. A Guarda terá poder de polícia para combater o pequeno delito, terá seu efetivo aumentado e trabalhará 24 horas.
72. Reformular a Guarda Municipal com o fim do regime celetista, e aumento do efetivo, além de redistribuição da força pela cidade (ênfase na Zona Norte).
73. Equipar o efetivo da Guarda Municipal com armas não-letais e rádios de comunicação.
74. Valorizar as subprefeituras e redefinir seus limites de modo que coincidam com as Áreas Integradas de Segurança Pública.
75. Ampliar o programa Bairro Bacana em parceria com o governo do estado, priorizando áreas com alto índice de crimes de rua.
76. Multiplicar o número de câmeras de vigilância nos principais acessos aos pontos turísticos. Criar um corredor de segurança para o turismo.
77. Criar em parceria com o governo do estado uma nova Delegacia de Atendimento ao Idoso em Copacabana.
78. Apoiar iniciativas de combate à homofobia.

CULTURA E ESPORTE
79. Criar o Incentivo Jovem, para identificar iniciativas culturais e esportivas.
80. Criar um parque de lazer em Madureira. Recuperar o Imperator, no Méier.
81. Manter a terceirização da gestão do carnaval, licitando-a.
82. Conceder a Cidade da Música à iniciativa privada.
83. Criar um calendário cultural, tendo, a cada mês, 12 grandes eventos.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Lições de anatomia no Carnaval do Xixi 2010

Viva a Unidos da Tijuca! Viva a comunidade do Borel. Muito Cruel, menino, é bom ficar de olho aí, o que eles falam não se deve nem ouvir! Reconhecer a importância social das jóias e a história das grandes casas do ramo como a Tiffany & Co., além de visões de gente de notório saber nessas questões de pedras preciosas. Os bastidores nos velhos carnavais de Van Cleef & Arpels. Mas o que vale um diamante na mão de um mendigo como Paulo Gamboa querendo comer um cachorro quente, beber uma cachaça e fazer um pipi nas ruas que já foram um dia de João do Rio? O governador Arruda quase comemorou a quase vitória da Beija Flor com o enredo chapa branca sobre os 50 anos de Brasília. A São Clemente chapa Branca voltou à série A com um enredo puxando o saco de Ed. Paes e Rodrigo. Império Serrano, sem grana e sem poder político, ficou em sexto cantando a alma encantadora do Rio dos grandes carnavais de outrora. Pelo menos não caiu para a terceirona do samba. A presença de Madonna frustrou o alpinismo social das pseudo celebriddes pretendendo um lugar ao holofote global. Quitéria Chagas, noiva de um italiano, voltou da Itália para sair de rainha da bateria imperiana. A maior passista dos dias de hoje está cada vez mais longe da Série A. Paulo Barros, o vitorioso, antes de se vangloriar, elogiou a beleza das outras escolas. Originário da Baixada, o carnavalesco é apenas mais um exemplo de como esta região maltratadada da metrópole é carioca do fundo da Baía de Guanabara. Grande Rio, de Caxias, e Beija Flor, de Nilópolis, apesar do poder político da Liesa e do apoio que recebem da mídia e do poder público, são exemplos maravilhosos de escolas com super participação da gente humilde que vive em seu entorno. A Liesa já esteve sob a liderança de Castor de Andrade e Luís Drummond. A Mocidade e a Imperatriz, depois disso, começam a sofrer a tortura dos décimos. Não fora Paulo Barros com seus segredos estupendos, teria dado Arruda na Sapucaí. A excelente técnica das duas escolas da Baixada e o poder político quase as levaram.a ganhar neste 2010. Mas mesmo se a Beija Flor tivesse ganhado, e Arruda comemorado na prisão, ninguém ousaria falar de décimos nas meias e nas cuecas. O que rolou, rolou, são pedras preciosas no carnaval rebolation do Brasil. Diogo Nogueira, o portelense, em vez de ajudar a escola de Madureira, preferiu a profissão e foi cantar samba dolente para quem prefere frevo. Também no Recife cantou samba do papai Zeca Pagodinho o seu discípulo Dudu Nobre. Porta-voz sonoro na campanha de Eduardo Paes no segundo turno, Dudu fugiu do carnaval do xixi. Apesar do calor de 40 graus, nunca se bebeu tanta bebida quente como nesta folia. A 51, a Ypioca e outras paratis agradecem pela ajuda extermporânea com a repressão ao vazamento da loura gelada e diurética. Horas depois deste Correio da Lapa pedir 100 mil banheiros em 2011 e nenhuma prisão, a prefeitura carioca anunciou nesta quarta de cinzas que vai aumentar bastante o número de mictório com tecnologia batava no ano que vem. Mas a solução é mais simples: mobilizar 50 mil botecos e restaurantes da metrópole com seus banheiros, incentivá-los a permanecer abertos, criar com isso até empregos provisórios. Carnaval é atividade econômica para o ano inteiro e, nos quatro dias de folia, é isso mesmo, folia com xixi, sexo, samba e política.

Por Alfredo Herkenhoff

Para saber um pouco sobre uma canção com uma triste emoção da comunidade do Borel (hoje alegre pela vitória neste carnaval de 2010), clique no link a seguir e veja letra e ouça música do saudoso Sérgio Sampaio na interpretação esplêndida de Luiz Melodia >

http://correiodalapa.blogspot.com/2009/08/cruel-cancao-de-sergio-sampaio-contra-o.html

Mijões e ação litisconsorte contra Eduardo Paes


Editorial do Carnaval do Xixi
no Correio da Lapa da Indignação *


Rodrigo e Eduardo, os campeõs
de atos obscenos na folia carioca de 2010


Rio Acima, Salvador Abaixo, Recife no Meio... Cadeia para o Povo que Urina!


A política de choque de ordem da prefeitura do Rio de Janeiro resultou em cerca de 300 prisões ao longo do Carnaval do Xixi. O secretário Rodrigo Bethlem apareceu na TV dizendo, no fundo, no fundo, que o cidadão tem que se educar na marra. O pau-mandado do prefeito Eduardo Paes tenta fazer num toque de mágica o que ninguém no mundo conseguiu: transformar o conceito de necessidade visceral em ato supérfluo, adiável.

Ficou claro, com o número pífio de mijões levados a delegacias depois da urinação em logradouro público, que o ato de prender não foi repressivo ao ato de urinar, mas mera política deliberada, via constrangimento dos detidos, incluindo turistas estrangeiros, de exibição de força, arrogância, ameaça, terror.

Os exemplos da reação dos foliões são incontáveis. Na folia do Barbas, por exemplo, em Botafogo, havia cerca de 10 mil pessoas e apenas quatro ou cinco banheiros químicos. Um casal com uma filha de oito anos desistiu, com menos de uma hora de cantoria, de continuar festejando, e aquela família empreendeu uma corrida desesperada para não ser presa e fazer pipi, foram 15 minutos de tortura, no caso da mulher agravada com o fato de ter neolpasia e ter sido submetida a quimioterapia. Os dois ou três bares não davam conta da demanda. Fila impossível para se deparar com uma cloaca municipal, um problema agravado pelas autoridades que proibiram os bueiros como alternativa, é bom não esquecer.

Centenas de milhares de pipi foram feitos mesmo assoim na rua sob o risco de uma prisão em flagrante. Qualquer clínico geral, qualquer vereador de boa vontade, qualquer cidadão comum sabe que não há banheiros em número necessário. A sociedade se viu enganada ainda pelos meios de comunicação, engajados na política de boa vizinhança, puxa-saquismo ou que nome tenha esse esforço de enfeitar e preparar a cidade para a Fifa 2014 e os Jogos de 2016.


Ninguém se dispôs a mostrar o óbvio. Mesmo com foliões optando por bebida destilada em detrimento da loura diurética, não havia força no mundo, nem a arrogância da administração Eduardo Paes, capaz de mudar o significado de fazer as necessidades.

Ao transformar o folião num preso acusado de ato criminoso, quando apenas não havia opção a tempo para fazer as necessidades, Eduardo Paes e Rodrigo Bethlem provavelmente cometeram algum tipo de abuso. Pessoas que eram vítimas da necessidade premente, que é fazer a necessidade de urinação, foram transformadas em exemplos de má conduta, levadas a DPs repletas de ladrões, assassinos e estupradores. Essas pessoas ainda deverão passar por novos constrangimentos, quando convocadas para dar andamento aos processos.



A sugestão do Correio da Lapa é que essas pessoas promovam uma ação conjunta contra o poder público, tipo litisconsorte, para evitar despesas. E que assim consigam provar que são, na imensa maioria, pessoas cumpridoras de seus deveres e que urinaram não por desrespeito nem incontinência civil, mas porque não aguentaram mais as filas.

Acusadas de crime, foram humilhadas e ainda vivem a ameaça de serem condenadas, perdendo a condição de primárias perante a Justiça. Foram descritas como obscenas. Merecem indenização.

A prefeitura agora tem a obrigação de ser mais criativa. Esta repressão estapafúrdia ameaça aumentar as chances de qualquer adversário de Eduardo Paes na eleição para
presidente do Brasil e para governador no Rio de Janeiro em outubro que vem.

Ninguém que vai a um bloco de carnaval está preocupado com a privada exclusiva das autoridades nem fica moralmente abalado se vir um folião ou foliã urinando num canto da cidade. Uma mulher de biquininho no plenário do Senado. ou no gabinete do governador Sérgio Cabral, seria, sim, uma paisagem obscena. Na orla
do Rio, não. Do mesmo modo, urinar num bueiro da Av. Paulista ao meio-dia de um quinta-feira útil, sim, soará como insulto à urbanidade. Mas no meio de 20 mil foliões, não, no meio de 500 mil cantando quem não chora não mama, segura, meu bem, a chupeta, não mesmo.

Rodrigo e Eduardo foram os campeões de atos obscenos no Carnaval Carioca de 2010. A prefeitura do Rio, querendo esvaziar o carnaval popular e espontâneo dos blocos, constrange pessoas bacanas e exibe a sua intolerância criminosa.

Carnaval limpo, só o oficial, tipo desfile-ópera no sambódromo, com 60 mil pagantes, metade turista. Já a grande maioria no Rio, como em Salvador e no Recife, brinca sabendo que não há banheiro suficiente. Sorte dos milhões no Nordeste por não terem lá um prefeito tão intolerante e agressivo como o discípulo de César Maia.

Que tipo de reparação pode a Justiça exigir de política tão desrespeitosa dos direitos humanos?

Simples: Cem mil banheiros em 2011 ou então nenhuma prisão! Mobilizar botequins, criar empregos temporários, oferecer a rede de banheiros dos prédios públicos. Higienizar sim, mas primeiro a mente, e nunca aceitar a intolerância de uma política de casta e falsamente castiça que oferece ar refrigerado aos amigos e cadeia aos foliões. Xô!

* Por Alfredo Herkenhoff

Para ver outra
reflexão sobre o Carnaval do Xixi aqui neste Correio da Lapa, clicar no link abaixo:

http://correiodalapa.blogspot.com/2010/02/editorial-do-xixi-no-carnaval-de-2010.html

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Xixi do Carnaval no cinema

Acostumado a sentir o perfume das celebridades, o diretor da novela "Desejo Proibido", Luiz Antônio Pilar, teve rotina de folião mal-cheirosa neste carnaval. Ele passou seis dias visitando blocos do Rio para rodar o documentário “O Xixi do Carnaval”, sobre a estranha tradição carnavalesca de urinar nas ruas.

“A idéia surgiu no ano passado, mas, na verdade, resolvi fazer o filme porque esse hábito generalizado sempre me impressionou. Resolvi sair sozinho nas ruas com minha câmera e um microfone para fazer o registro”, explica ele, que agora se dedica a resumir as seis horas gravadas num curta de 20 minutos.

O diretor se concentrou nos blocos da Zona Sul e do Centro do Rio durante as filmagens. O objetivo era mostrar que existem foliões mal educados em todas as classes sociais. “Não é só o povão que se entrega a esse hábito”, disse Luiz.

Ele conta que flagrou muitos universitários aliviando a bexiga nos becos da cidade. “Sou rainha das mijonas e gosto do carnaval do Rio justamente por que aqui tem esse tipo de liberdade”, contou uma estudante da USP ao cineasta.

O documentário vai trazer outros depoimentos controversos, como o de uma estudante que se disse nostálgica com o cheiro de urina. “Eu sou uma maria-mijona mesmo e isso me traz um sentimento de nostalgia, porque quando eu tinha oito anos, passei em frente ao Sambódromo e perguntei a minha avó : ‘Que cheiro é esse, vó?’. E ela me respondeu: ‘Minha neta, esse é o cheiro do carnaval’, disse a jovem tentando se justificar.

Entre os entrevistados que se disseram contrários à prática, Luiz vai mostrar o caso de uma senhora que, de tão cansada de ter de lavar a calçada depois das festas em sua rua, resolveu alugar o banheiro de sua casa. A proposta, pelo menos do ponto de vista financeiro, foi um sucesso: ela arrecadou R$ 200 num único dia.

Apesar de o tema sugerir descontração pelas situações inusitadas que levanta, o diretor garante que documentário não ficou engraçado. “Há momentos cômicos, mas também há passagens sérias, de denúncia. Flagrei homens e mulheres urinando na frente de crianças e de famílias e registrei áreas extensas sem banheiros químicos”, explica Luiz, que vai tentar colocar o curta-metragem no Festival do Rio.

Texto avistado no portal G1

Árvore sagrada: o baobá de Romildo Guerrante



meio ambiente

O baobá de Quissamã

Árvore sagrada da África chegou com os escravos, cresceu ao lado de uma bela fazenda e hoje é o adorno principal do museu mais importante da cidade

Texto e foto: Romildo Guerrante*

Há quem afirme em Pernambuco que o baobá da Praça da República, um dos mais de 20 nascidos naquele Estado com a escravidão, teria sido a árvore a inspirar Antoine de Saint-Exupéry no episódio em que o Pequeno Príncipe manifesta preocupação com a pequenez do asteroide em que vive e onde proliferam árvores tão grandes.

Pernambuco talvez seja o estado brasileiro onde haja mais dessas magníficas espécies naturais de Madagascar que registram presença também no Senegal, em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e que chegaram também à Austrália. Em Pernambuco tem baobá até no balneário de Porto de Galinhas.

Mas a inspiração de Saint-Exupéry pode ter nascido em Natal, dizem os locais, porque lá também pousou o aviador de Lyon na abertura de rotas de correios da Latecoère para o Sul. E lá também há inúmeros exemplares de baobás. Mas Saint-Exupéry não voava só para a América do Sul, ia muito à África, conheceu o Saara, o deserto é muito presente na sua obra. É mais provável que tenha vindo do continente africano a suave inspiração para o memorável piloto quando cumpria seu exílio nos Estados Unidos.

Se não foi um dos baobás de Pernambuco ou do Rio Grande do Norte o responsável pela inspiração do escritor, bem que poderia ter sido o solitário espécime da Praia de Iracema, em Fortaleza, hoje humilhado como ponto de encontro de prostitutas. Só não poderia ter sido nenhum dos três baobás existentes no Rio de Janeiro, muito menos o de Quissamã, no litoral norte-fluminense, porque, ao que se sabe, por lá não passou o ousado francês de Lyon que viria a desaparecer no mar em frente a Marselha, abatido por um piloto alemão quando participava da guerra na Europa.

Não se sabe quantos anos tem o baobá de Quissamã, mas se sabe de sua presença ali em frente à casa sede da Fazenda Quissamã, hoje museu da cidade, pelo menos desde 1863. Teria vindo com os escravos que aportavam clandestinamente no porto de Barra do Furado, longe da vigilância exercida nos grandes portos de chegada ao Brasil depois que trazer escravos ficou proibido, um passo antes de proibição total da escravatura.

Baobás envolvem sua idade em denso mistério. São milenares os que vivem na pátria africana, mas se comportam com o mesmo recato das velhas senhoras cuja idade é um mistério. Os baobás exigem uma ginástica da ciência para descobrir o quanto viveram.

Diferentemente das suas irmãs do reino vegetal, a árvore africana não cresce em aneis, reveladores naturais do tempo de vida das espécies vegetais. Exige cortes em seu caule quase oco e muitas horas de laboratório com teste de carbono para se chegar a um tempo aproximado, com margem de erro de 50 anos.

O de Quissamã tem marcas do tempo que contam sua vida de outra forma. Ainda não foi para o laboratório. Mas seu tronco traz encravada uma argola de prender escravos. Terrível ironia. A árvore sagrada da África, venerada por seus filhos, foi por eles trazida ao Brasil e aqui se transformou em carcereira dos colonizadores da cana-de-açúcar. Ou teriam sido os sacerdotes que, mesclados com escravos, de lá vieram com as sementes para idolatrá-las quando se fizessem adultas e portentosas?

Árvore de “portinarianas coxas”, como a descreveu o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto em suas andanças diplomáticas pelo Senegal, a Adansonia digitata – seu nome científico – pode ter chegado ao Brasil, provavelmente no século VII, de três formas. Uma das hipóteses sustenta que as sementes foram trazidas pelo conde Maurício de Nassau durante a ocupação holandesa. Outra, que teriam sido transportadas por traficantes de escravos ou sacerdotes pagãos. Mas tem uma ainda mais remota: as aves migratórias seriam responsáveis por tê-las nas entranhas em forma de sementes que restaram do processo de digestão.

Árvore mágica, o baobá serve até de caíxa d`água nas regiões áridas da África. Árvore que, escavada em seu tronco, que pode chegar a 11 metros de diâmetro, é capaz de armazenar 120 mil litros da água, commoditie cada vez mais escassa nas savanas. Seu fruto é rico em sais minerais, sua flor, polinizada por morcegos, é remédio para muitos males.

Na mitologia, é a árvore da palavra, da sabedoria. Seus galhos desajeitadamente espichados para o alto representam a invocação dos deuses para que ajudem seus filhos. Tem tudo pra ser sagrada, venerada, altar dos povos d`África que não tinham muito a quem apelar.

Quem sabia muito dos baobás, e os descreveu com riqueza de detalhes no século 15, foi o guardião da Torre do Tombo, em Portugal. Com tanta informação sob sua guarda, o cronista Gomes Eanes de Azurara foi sucinto e preciso na apreciação dos baobás, descrevendo a aparência da árvore (“estranha”), o porte, seus frutos e os hábitos alimentares dos que dela se serviam. Só não registrou a sublime divindade daquele ícone dos sacerdotes afro-pagãos que aportou aqui longe dos olhos dos que mandavam no país.

*Jornalista. E-mail: romildo.guerrante@gmail.com

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Cresce a taxa de homicídios no Rio de Janeiro

Foram cometidos 5.794 homicídios no Estado do Rio de Janeiro em 2009, o que representa um aumento de 1,3% em relação ao ano de 2008, quando ocorreram 5.717 assassinatos, de acordo com os números divulgados esta semana pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Contudo, numa tentativa tresloucada e desesperada de minimizar o impacto negativo do anúncio do aumento dos casos de assassinatos, a Secretaria de Segurança lançou mão de um critério extremamente perigoso para a credibilidade de um órgão público: ela recorreu a dados projetados, ou seja, fictícios até que se confirmem, e os apresentou como reais, para tentar relativizar o recrudescimento comprovado dos homicídios e apresentar uma queda flagrantemente irreal. A Secretaria informou que embora, em números absolutos, tenha havido crescimento (5.717 mortes em 2008 e 5.794 em 2009), ao se levar em consideração a população existente no ano de 2008, e a projetada (?) para o de 2009, houve uma redução proporcional da taxa de homicídios. De acordo com o cálculo artificioso da Secretaria de Segurança, a taxa de homicídios em 2008 foi 34,7 casos por 100 mil habitantes, enquanto a de 2009 foi de 34,6 mortes por 100 mil habitantes. No entanto, as autoridades da pasta não informam os contingentes populacionais dos dois anos estatisticamente comparados, ou seja, o de 2008 e o projetado para 2009. Porém, para que os 5.794 homicídios ocorridos em 2009 representassem uma taxa de 34,6 por 100 mil habitantes, teríamos que ter uma população de 16.745.664, quando, na verdade, segundo o IBGE, a população do Estado do Rio estimada para 2009 era de 16.010.429 habitantes. Por isso, a taxa de homicídios para 100 mil habitantes não foi, em 2009, de 34,6, mas sim de 36,2 – superior inclusive aos 34,7 registrados em 2007.
By Marcelo Itagiba


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Editorial do Xixi no Carnaval de 2010

Correio da Lapa e o Editorial do Xixi

Polêmicas do xixi restringido: com a prisão de Arruda, quem vai substituí-lo na Sapucaí? Um bom menino não faz pipi na cama. Ana Maria Braga dá um bom conselho como alternativa global para o terrorismo da proibição do xixi democrático na campanha de Eduardo Paes e Cabral em aliança com os meios de comunicação ... Xixi é necessidade ou ato de obediência? Mulher não faz na rua porque quer, mas porque não dá mais para segurar a onda... O prefeito botou 4 mil banheiros químicos no Rio de Janeiro, mas nem 15 mil resolveriam o problema. Os números... Ah! Os números... *


A televisão brasileira está parecendo a Central de Comunicação do Palácio de Versalhes ao tempo da âncora Maria Antonieta, aquela que sugeriu a massa querendo o seu pescoço por passar fome: Se eles não têm pão, por que não comem bolo? Haja brioche. Autoridades e mídia estão humilhando a plebe ignara no seu justo direito de pular o carnaval da guilhotina e fazer as necessidades. Urinar agora só quando você encontrar disponível um bom banheiro, de preferência limpinho com papel higiênico Neve. Mas quem disse que dá tempo? Mijar no carnaval de multidão não é uma opção, se no banheiro ou fora dele, mas uma necessidade problemática. Sempre foi assim.

Se todos os 4 mil banheiros que o prefeito Eduardo Paes, o Dudu, e seu secretário Rodrigo Bethlem, o Betoven, espalharam pela metrópole estivessem apenas na Avenida Rio Branco, ainda assim haveria dificuldade de atendimento para os 500 mil foliões que no ano passado foram atrás do Monobloco. O que dizer da multidão ainda maior na farra do Bola Preta? É fácil calcular. Se são 400 mil foliões, dá um banheiro químico para cada 100 pessoas. Imaginemos uma festa na casa de Ana Maria Braga com 100 pessoas e um único banheiro! Não haveria descarga bastante para tanto brioche... Imagino a cena antológica do filme Il Gattopardo, de Visconti, tema de Tommaso di Lampedusa, com Burt Lancaster, Alain Delon e La Cardinale. Era a baile fiscal da nobreza na Sicília às vésperas da unificação italiana no inicio da segunda metade seculo 19! Os nobres mijavam nos festejos no palácio rural. A urina em seguida era guardada em centenas de recipientes, penicos, vasos e outros vasilhames num grande salão adrede preparado para ser tal depósito. Era o carnaval com tonéis de xixi nobre e a curva da história de Garibaldi se aproximando. No Brasil entre Dilma Rousseff e José Serra, a curva também está próxima, dois tecnocratas, dois sistemas partidários e urinários comuns, sei não...

Com as enchentes em 45 capítulos diários de São Paulo, o xixi de São Pedro mostrou o seguinte: a candidatura de Serra desceu por água abaixo, fez água, desabou, já era. Vai dar Dilma Xixi Rousseff em primeiro turno, nada de pipizinho em segundo clichê, nada de novo aguaceiro, nenhum novo apagão para a gente fazer no escondidinho.
.
Bem sugeriu nesta sexta de carnaval a Ana Maria Braga: se for difícil segurar, faça xixi numa garrafinha, discretamente, e entorne tudo depois num bueiro, mas garrafinha, genitália feminina, sei não... Depois de nove meses vem o resultado. De qualquer forma, Ana Maia é até agora a vedete ou a repórter mais verdadeira dessa falsa polêmica inventada como campanha pelo discípulo de Cesar Maia.


Hoje vemos a mídia anunciar que 50 mijões foram detidos horas antes do Carnaval começar no Rio de Janeiro. Temos uma forma perfeita de insultar o brasileiro folião, mais uma vez. Essa arrogância da política oficial é sinal de insegurança, medo de notícias talvez não tão boas sobre Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016. A mentira e o jornalismo chapa branca em muitos canais de TV não resolvem o problema óbvio: falta infra, sempre faltou. Mas agora sobra a propaganda e a docilidade midiática, como se essa política pudesse resolver tanto problema óbvio.

Mulher não mija na rua porque quer. Mija porque não aguenta mais, mija por necessidade. A fila do banheiro químico, para quem está com a bexiga cheia, se converte numa tortura. Vai mijar nas calças, vai ser preso, não importa. A conversa fiada da propaganda de Dudu Guerra e Driguinho Betoven não equaciona a urgência urológica.

No balacobaco do Bola Preta, camelôs vendem agua mineral de dois litros. Mulheres apertadas, fingindo que bebem orgiasticamente dois litros, entornam o precioso H2O sobre o rosto e os seios, urinado mililitros ao mesmo tempo, confundindo os dois líquidos. Camelôs vendem até folhas de papelão para que o folião faça paredinha em cima de bueiro. Estes buracos são até alugados ou sobre eles colegas fazem paredinha para colegas mijarem com um mínimo de privacidade.

Os meios de comunicação, as ameaças da arrogância municipal , nada disso pode parar o óbvio. Se desceu redondo, vai continuar obedecendo à lei de Sir Isaac Newton. Muito a propósito, 30 anos atrás, vi o velho Sérgio Cabral comentando uma grande reforma em Mangueira. O Palácio do Samba, de forma pioneira, oferecia uma quantidade de vasos sanitários compatível com o volume da Brahma distribuída na quadra da Verde e Rosa.

Para cada folião mijão de rua exibido pela mídia, estima-se, neste Correio da Lapa, que haja outros 5 mil urinando naquele mesmo momento, fora das lentes e escapando das garras municipais e estaduais. Assim como se diz que o número de ratos em Nova York é maior do que a população de nova-iorquinos, que há mais ratos paulistanos do que paulistanos eleitores de Serra e Dilma somados, podemos dizer que há mais gente fazendo necessidades do que sonha a vã filosofice da Maria Antonieta do Palácio da Cidade, ou do pauteiro da grade de rede de TV Municipal-Estadual.

O gênio do Rô Betoven ainda teve o desplante de usar a seguinte imagem: se necessidade pudesse justificar o xixi na rua, então quem passa fome poderia roubar. Ora, pois o único caso em que o roubo não é crime, está no código, é o chamado furto famélico. Mas seria querer demais que essa turma de jovens tecnocratas entendesse de fenômeno de massa. O que eles querem é esvaziar o Rio, sua espontaneidade, aterrorizar a população justo na hora da liberação meio irracional do carnaval.

Cachorros podem fazer xixi na rua. Não é conduta afrontosa em logradouro público. Mas gente não pode fazer necessidade, tem de escolher um bom lugar pra se mijar, Copacabana. Para a prefeitura, mijar é supérfluo, é como o pão de Antonieta.

Claro que a campanha tem seu lado bom. Convencer muita gente que faz xixi na rua apenas por comodidade a fazê-lo somente em caso de necessidade que não se posterga sine die.

Mas está claro que por trás dessa campanha de higienização há o medo de o Brasil e o Rio perderem na undécima hora o prêmio de terem sido escolhidos como sede do Mundial da Fifa e dos Jogos de 2016. Dudu Paes acha que se re-elege e quer sim o Rio bem bacana já em 2014. Por isso, sem pessoal qualificado o bastante, joga para a arquibancada, governa para a mídia, opta pelo modo mais barato de fazer sucesso efêmero.

Hoje muios meios de comunicação evitam críticas aprofundadas a Dudu, Cabral Filho e Lula. Os três governos são três grandes anunciantes. Daí para se ter a sensação de que a mídia em geral escorrega perigosamente pela trilha unsafe do jornalismo chapa branca é um pulo.

Quero brincar e dizer ao mundo inteiro a alegria de mijar num bom banheiro.

Dudu quer “miamizar” ou “melbournizar” o Rio de Janeiro a toque de caixa. Isso não é viável. O carnaval não é Time Square. Em Salvador, no Recife e noutra grande cidade, o fenômeno da urinação nacional nas ruas do carnaval se repete. Nenhuma lei revoga a necessidade. E a polícia, como se não tivesse o que fazer, é convocada a prender mijões alegres que consumiram a cerveja da Ambev, que inunda a grande mídia de publicidade. As cervejarias não cuidam do óbvio, os rejeitos dos produtos que elas vendem devem integrar o processo de produção. Alô Ministro Carlos Minc! Falta seu dedo nessa enrolação!.

Mas quanta obviedade nessas linhas políticas. Vamos mijar menos, galera. Mas se a coisa apertar, faça a escolha. Mijar nas próprias calças, mijar num bueiro, atrás de uma igreja ou diante de um prédio público fechado, com banheiros fechados. Ou então correr à delegacia mais próxima e mijar junto dos presos, depois é só dizer bye bye para eles e para os guardas de plantão. Ou então pegar um táxi e mijar no Piranhão da prefeitura em dia de plantão. Ou ainda mijar nas instalações refrigeradas dos grandes meios de comunicação. Se der tempo.

Dom João VI sem tempo mijava no logradouro público. Dom Pedro I fazia sexo em logradouro público, 18 filhos com dez mulheres, comeu escravas, nobreza e até uma freira. Dom Pedro II comeu poucas, mas numa delas fez a filhota Isabel, que mandou construir banheiro público no centro do Rio por causa do asco que a fedentina das redentoras mijadas lhe causavam. Mas resolver a xixizada geral que é bom, que nada. Nem a princesa resolveu.

Cada bueiro é um banheiro. Cada necessidade é uma constatação fisiológica. E é puro terrorismo esse delírio de condenar o folião humilde que já vive condenado o ano inteiro. É isso aí, justo na hora em que a massa se diverte e solta a franga, vem a dupla Dudu e Betoven dizer que é proibido fazer xixi, dizem que xixi não é uma necessidade, e sim um ato político de boa aceitação.

Bexigas de Evoé, restrinjam-se, reprimam-se, evitem o óbvio. Que nada, minhas adoráveis bexigas, evitem acreditar nas autoridades do Rio de Janeiro. Bons modos não se impõem com cascata midiática. Bom jornalismo oportunista não convence o espectador brasileiro que, diversamente do telespectador britânico, é bombardeado com publicidade de cerveja. Em Londres, com o frio, é difícil botar o pau para fora. Congela e quebra. Lá não há demanda reprimida pelo consumo de loura gelada nas ruas abaixo de zero. Em Time Square, nem se pode beber. Aqui pode tudo, beber até cair, me dá um dinheiro aí, só não pode mijar na rua porque Dudu, Betoven e os meios de comunicação disseram que é muito feio e decretaram guerra às exigências urológicas. Preferiram abolir o senso crítico de mostrar que é muita gente, muito liquido, muita necessidade, sem nenhum verdadeiro atendimento. Nem 15 mil banheiros químicos resolveriam a premência do xixi da multidão carioca. Tem que ganhar a cidade, corações e mentes, os botequins, os hotéis, os serviços públicos com banheiros abertos nos dias do reino da folia. O resto é papo de brioche de Dudu e Betoven. Quem beber, verá, ou mijar-se-á.

Agora, com a prisão do governador Arruda, quem vai ocupar o lugar dele no desfile da Sapucaí em homenagem aos 50 anos de Brasília, tema da Beija Flor? Sugestões? Qualquer outra autoridade mijona é bem-vinda... Quem, então?

Um bom menino não faz xixi na cama

Meus oito anos:

Oh! que saudades que tenho
Da urina da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Que urina, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã.
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! Que saudades que tenho
Da urina de minha vida

* Coluneta Temporã by Alfredo Herkenhoff
Correio da Lapa a meia bomba, a meio pau!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Menina de 7 anos vai rebolar na frente da bateria

Coluna do JB, assinada por um cara "muderninho". E que é contra.
JB , por Marcelo Migliaccio

A Justiça ameaçou proibir, mas acabou liberando uma menina de 7 anos para ser a madrinha da bateria da escola de samba Unidos do Viradouro.

O fato em si aparentemente não tem nada demais: uma criança sambando no Carnaval.

Mas,se lembrarmos que as madrinhas de bateria sempre foram mulheres adultas, consideradas símbolos sexuais, a coisa começa a dar margem a outras reflexões.

Quem não se lembra de Luma de Oliveira desfilando com uma coleira com o nome do marido? Luiza Brunet, Monique Evans, enfim, a lista de madrinhas de bateria que posaram para revistas masculinas é enorme. Quando uma envelhece, vem logo outra no esplendor de sua forma para deixar os homens de queixo caído na avenida. Juliana Paes, Débora Secco...

Entendidos de Carnaval dizem que uma beldade rebolando diante dos ritmistas lhes dá mais disposição para descerem a lenha em seus instrumentos. Acredito.

Agora, colocaram uma cri ança nesse posto.

Claro, não se pode proibir legalmente, mas se fosse a minha filha eu não gostaria. Digo mais: não deixaria.

O crime de pedofilia é um dos que mais crescem no mundo. De um lado, estão pervertidos capazes de manchar a pureza da infância com sua crueldade. Gente que não se importa em desgraçar alguém pelo resto da vida só para realizar seus caprichos doentios.

Mas, do outro lado desse crime hediondo, está a contribuição dos pais que erotizam precocemente seus filhos. Mães que compram minissaias, tamanquinhos e tops provocantes para suas filhas, que deveriam estar de tênis, correndo pra lá e pra cá, mas ficam posando de adultas.

Isso é um incentivo à pedofilia.

Outro dia, eu estava no Mc Donald's e vi uma senhora com duas crianças, uma menina e um menino que não tinham mais de 10 anos de idade. Depois de observar um pouco, notei que a mulher era mãe da menina e tinha levado a filha e um amiguinho na lanchonete para que eles NAMORASSEM! Enquanto os dois pirralhos conversavam de rosto quase colado, falando baixinho, ambos produzidos com "roupas de sair", a adulta observava a cena com um olhar satisfeito.

Quase vomitei meu sanduíche. Tive ímpeto de dizer umas verdades àquela idiota, mas achei melhor ficar quieto, porque detesto barraco.

Adultos sem noção estão sempre perguntando a crianças se já têm namorado. Quando minha filha era pequena uma vez alguém fez essa pergunta cretina. Claro que eu disse que ela não tinha idade para namorar. Ela tinha 2 anos!!!!!!!!!

A diretoria da Viradouro já disse que a pequena rainha da bateria usará roupas comportadas (isso depois de um juiz ameaçar proibir que ela desfilasse). Mesmo assim, para mim, vai ser um absurdo.

É mais um capítulo da erotização precoce das crianças, incentivada pela televisão e por pais ignorantes.

Depois, esses mesmos pais terão que criar seus netos, porque as filhas engravidaram cedo demais e não estarão a fim de deixar de curtir a vida para cuidar de criança.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Agruras do casamento na visão do homem infeliz

Supervamp (entrou na linha maldita total) sent: Histórias de Homens Casados...

Um homem colocou nos classificados :
- 'Procura-se esposa'.
No dia seguinte ele recebeu centenas de cartas. Todas diziam a mesma coisa:
- 'Pode ficar com a minha'.



O filho pergunta para o pai:
'Papai, quanto custa para casar?'
E o pai responde:
'Não sei, filho, ainda estou pagando'..



O filho:
- 'Pai, é verdade que em algumas partes da África o homem não conhece sua esposa até casar com ela ?'.
O pai:
- 'Aqui também é assim, filho'.



Um casal estava discutindo sobre as finanças. O marido explodiu e falou:
- 'Se não fosse pelo meu dinheiro, essa casa não estaria aqui.'
A mulher respondeu:
- 'Querido, se não fosse pelo seu dinheiro, EU não estaria aqui'



Uma mulher estava conversando com uma amiga:
- 'Fui eu que fiz o meu marido milionário'.
- 'E o que seu marido era antes?' - pergunta a amiga.
A mulher responde:
- 'Bilionário'.






Um homem estava reclamando com um amigo:
- 'Eu tinha tudo - dinheiro, uma casa bonita, um carro esporte, o amor de uma linda mulher, e então...tudo acabou.
- 'O que aconteceu?' perguntou seu amigo.
- 'Minha mulher descobriu...'.



Um homem entra em sua casa correndo e grita para a sua mulher:
- 'Marta, arrume as suas coisas. Eu acabei de ganhar na loteria!'
Marta responde:
- 'Você acha melhor que eu leve roupas para frio ou calor?'
O homem responde:
- 'Leve tudo, você vai embora'.



Não falo com a minha esposa há mais de um ano
- Por que? - pergunta um amigo
- Porque não gosto de interrompê-la...






Um homem disse que seu cartão de crédito foi roubado, mas ele decidiu não avisar a polícia porque o ladrão estava gastando menos que a sua mulher.


A melhor maneira de lembrar o aniversário da sua mulher, para sempre é esquecer uma vez.


O primeiro cara (todo orgulhoso):
- 'Minha mulher é um anjo!'
O segundo cara:
- 'Você tem sorte, a minha ainda está viva'



Qual a semelhança entre a Av. Paulista e o casamento?
Ambos começam no Paraíso e terminam na Consolação .



- Qual os dois tipos de pessoas felizes que existem?
- Homens solteiros e mulheres casadas...



- Qual a semelhança entre um casamento e um submarino?
- Ambos bóiam, bóiam, mas foram feitos mesmo para afundar...


Casamento: o dobro da despesa com a metade da diversão.


Uma vez um homem disse:
- 'Nunca soube o que é estar realmente feliz até casar. Aí já era tarde demais...'.


Um amigo pergunta ao outro recém casado...
Como está a vida após o casamento???
O outro responde:
Após o casamento não há vida !!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Estágios da vida do homem e da mulher

Supervamp sent:


TABELA DO CASAMENTO

ANTES...

DEPOIS...

Duas por noite.

Duas por mês.

Você me deixa sem fôlego!!!

Você está me sufocando!!!

Não pára!!!

Nem vem!!!

Estar ao teu lado!!!

Vire para o seu lado!!!

Me pergunto que faria sem ela...

Me pergunto o que faço com ela...

Erótica!!!

Neurótica!!!

Ela adora como controlo a situação...

Ela diz que sou um manipulador egoísta...

Ontem transamos no sofá...

Ontem dormi no sofá...

Minha gatinha, meu ursinho, minha coelhinha... (bichinhos pequenos e fofinhos).

(Os bichos crescem): sua vaca, seu cachorro, sua galinha, seu veado...

Os embalos de Sábado a Noite...

O futebol de domingo anoite...

Você vai comer só isso?

Talvez fosse melhor comer só a salada...

É como se eu estivesse sonhando!!!

Estou tendo um pesadelo!!!

Concordamos em tudo!!!

Ela não pode tomar nenhuma decisão?

Cueca de seda...

Samba-canção (aquela do pacote com 3).

Adoro suas curvas...

Eu nunca disse que você está gorda?

Ele está completamente perdido por mim!!!

Porque ele não pede informações?

Croissant e capuccino...

Café com margarina...

Você fica tão sexy de preto!!!

Suas roupas são tão deprimentes! !!

Camarão..

Sardinha em lata...

Biquíni asa delta...

Maiô tipo americano...

Garrafa de vinho...

TANG sabor uva...

Camisa dentro da calça...

Barriga fora da calça...

Não acredito que tenhamos nos encontrado!! !

Não acredito que acabei ficando com você!!!

Vem para cama que eu estou te esperando!!!

Levanta seu molenga, que tá na hora!!!

Vem cá benzinho que eu esquento seu pezinho!!!

Sai com esse pé frio pra lá!!!

Meu bem pra cá, meu bem pra lá...

Meus bens pra cá, seus bens pra lá...

Vou te COMER na cama!!!

Vou te FUDER na justiça!!!


Livro e editora, tempo, aflições e amadurecimento


O tempo dos livros
"Por que livros demoram tanto?", me perguntou um autor num tom aflito.

Essa pergunta é irrespondível. Cada livro tem seu tempo, e é preciso respeitá-lo. É preciso aprender a caminhar com o livro. Aprender que ele nos mostre o caminho. Não adianta ser caprichoso com ele. Um livro não atende as nossa vontades. Atende somente às suas vontades, que são muitas.

A convivência com livros me mostrou que todos são aparentemente iguais e inteiramente individuais. Como os seres humanos, os livros se parecem por fora, mas por dentro, são distintos. Podem conter páginas e palavras, mas o conteúdo dita o seu peso.

O caminho para se fazer um livro começa na irremediável criação. "As palavras fluem, os poemas nascem prontos", me disse outra autora, me explicando a urgência de publicá-los.

Eu sei, eu sei, é assim mesmo, os poemas ovíparos nascem prontos, como os ovos. Já os poemas vivíparos, são lapidados, um a um, como diamantes. E cada releitura os lapidamos um pouco mais, me explicou outro poeta que publiquei. Quanto se aprende com esses autores!

Mas, e tempo do livro? O que determina quanto ele demorará a ficar pronto? Isso nem o melhor astrólogo poderá responder, pois livros têm sua maturação prescrita nas folhas das árvores de onde são colhidas as suas páginas. Livro é matéria viva, não é um objeto, é um ser, por isso, vive como quer, faz o que quer, e nós somos os intermediários entre pensá-los e publicá-los.

Dê tempo ao livro. É tudo o que ele precisa para ficar pronto. Não o apresse, não o afobe, não o aflija. Ele precisa de tempo para evoluir, crescer e adquirir a sua forma. Há livros que nascem prontos, outros se fazem lentamente, com o passar de meses e anos. E se tentamos acelerar este processo, acabaremos por danar sua construção.

Meu autor conformou-se ao me ouvir dizer: "Vamos dar tempo ao livro, e fazê-lo sem pressa". É o único modo de termos certeza de que ele ficará perfeito.

By Thereza Christina Rocque da Motta em 6 de fevereiro de 2010 no Rio de Janeiro.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Gabeira vai tentar a sucessão de Sérgio Cabral


O deputado federal Fernando Gabeira (PV) assumiu, pela primeira vez, que é pré-candidato ao cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro. A revelação foi feita na gravação da entrevista concedida ao deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) para o programa De Olho no Rio, que vai ao ar amanhã, domingo, às 12h15, pela CNT.
- A alternância no poder é fundamental para a democracia e o Rio precisa de uma nova forma de fazer política, afastando as oligarquias que o dominam há décadas. Por isso, eu sou pré-candidato ao governo do estado, tendo o Márcio Fortes como pré-candidato ao cargo de vice-governador na frente partidária, liderada pelo PSDB, que decidiu lançar meu nome para as eleições deste ano – revelou Fernando Gabeira.

Segundo o pré-candidato, há muito a ser feito pelo Rio de Janeiro, que, na sua opinião, passou por um período de grande decadência política e econômica nos anos 70 e 80 com a transferência da capital do país para Brasília, na década de 60.

- Somente nos anos 90 começaram a ocorrer ações concretas contra o esvaziamento econômico. Hoje, o Estado do Rio de Janeiro e a sua capital vivem os desafios de retomar o desenvolvimento e o crescimento econômico, sobretudo com a previsão de aumento da produção de petróleo, para, consequentemente, conseguir crescer nas áreas de saneamento básico, segurança pública e ecologia – diagnosticou Gabeira.

O político que chamou a atenção para o fato de o petróleo não ser uma fonte de energia renovável.

- Precisamos ter planejamento estratégico do ponto de vista ecológico, para que o petróleo, quando se esgotar em nosso país, seja substituído por outras fontes de energia que não ofereçam riscos ao equilíbrio ecológico e que devem ter a sua produção intensificada desde agora – sentenciou Gabeira.