terça-feira, 10 de novembro de 2009

Marcelo Minhon, aliás, Marcos, nada é + Minhoca

Marcos Miñon, o novo garoto propaganda da outra TV, é um saco de nada, de estopa cheirando a falta de peso, talento de adubo.

Enjôo nos Ares, cabelos brancos, melhor talkling jegue das contrafações históricas, entrevistando o cabelo preto pintado do Evanor Menstruíta, é uma piada, uma blitz de desordem no bom rock dos anos 80. Prestou um desserviço à verdade, fez propaganda para quem só vive disso. São talentosos todos eles, mas a garotada que viu, e gostou, não conta. Apenas é formada para tornar o Brasil ainda pior do que já é. País das bruzundangas, da mentira oficial do marquetingue corporativo.

O Fluminense, se o Coritiba perder um jogo antes da quarta e última partida das que faltam para acabar o Campeonato Brasileiro, dependerá só de si para escapar do matemático de flocos de flatos, o tal Tristão e Isolda Sargento Garcia... O Fluzão pega o Coritiba descendo a ladeira na 38ª. O Co tem 41 pontos; o Flu, 36. Se o Co perder uma agora, e o Flu ganhar a próxima, e as outras duas antes da última, os dois times vão para o mano a mano no Coito Final do Pereira Clube. E em matéria de furo, a peneira do Coritiba é mais arrombada.

A TV Brasil, do ministro Casas Frankling Sendas Pernambucanas Martins, ganhou uma verbinha de 2 bilhões de reais em 2009 para baixar o que já era traço. Gastasse uma merreca dessa baba, contratando celebridades de Igreja evangélica, ou de TV Lunática, Boa, Onesta e do Governo, a briga da nova estatal digital teria graça, ou audiência. Mas, ao contrário, rola o que já era, um cabide, mais um cabidaço descabido. Está faltando vulgaridade na TV estatal brasileira. Está sobrando tédio inteligente. Acorda, Lula. Acode os que têm audiência quase zero.

Este blogue está chegando ao fim. Agradece à alta qualidade, mas busca prioritariamente o começo de outra coisa.

Marcelo Adnet, o garoto propaganda da Wolks, não foi ainda para a Rede Globo porque, provavelmente, estuda oferta de algum bispo grego que aceite conversa de promiscuidade mediterrânea. A ideia de Adnet, que também é cantor lírico, talvez nem combine com o moralismo nem da Rede do Padre, nem na Rede da Feira Particular. O carro do palhaço é de boi. A audiência muge. As multinacionais já sacaram o bom humor do jovem. Nada na Globo rivaliza com o talento dele. Mas tudo na Globo é demorado. Até o fracasso demora a sair do ar na campeã de audiência. Enquanto isso, a parelha do Marcelo com o sapo mascarado com violão brinca de jogar dinheiro no saco da viola do Canal 25.

Estamos estranhamente enigmáticos, mais do que o ideal. PS: O Plano é Simples. Tudo que não foi dito aqui é aquilo que você será capaz de pensar a prazo.

Saudações e Sondagens
Correio da Lapa sem pena nem dó da sua pobre excelência!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A Jiripoca Anti-Lula de Caetano Globodependente

Editorial de um Carnaval da Estética
Ou
De como o Correio da Lapa recolhe cacos e cacoetes nas ruas de João do Rio


O computador está fazendo, já em seus primórdios, grande concorrência com a televisão. No fundo do poço, as principais TVs abertas do Brasil estão exibindo maciçamente um tipo de música que denigre a tradição tão rica da MPB. Quando Caetano Veloso, na virada do milênio, defende a menina Sandy e grupos de pagode, vale a pena lembrar dos anos de chumbo em que ele era ídolo de uma garotada inconformada com o regime militar da ditadura brasileira e lembrar do suíço Smetak, pelo artista baiano mesmo incensado, falando que falar de música é uma bobagem, e fazê-la, o maior barato.
Não se discute o talento do artista Caetano, mas o crítico Caetano está tão deslumbrado com o seu sucesso (cresceu muito no exterior) que passou a desprezar o seu público crítico brasileiro hoje acima dos 40 anos. Só porque ganhou um grammyzinho se acha maior do que Lula. Lula dá de dez em Caetano. Artista igual ao baiano tem uns três só na Bahia, João, Gil e Walter Queiroz. Político igual a Lula tem só mais dois na história: Dom Pedro II e Getúlio Cargas D'Água e Tiro no Coração...
O público maduro antes comprava Caetano e não o delicado Peninha. Gosta de ouvir Caetano interpretando os hispânicos, que o baiano é um verdadeiro virtuose no canto, mas não tem mais nenhuma vontade de saber o que ele pensa do Brasil. Caetano não pensa, vomita vaidade via Sistema Globo de Novela.
Aquela frase célebre de Oswald sobre Coelho Neto ("Não li e não gostei"), hoje está no frontispício do pensamento de Caetano. Deu entrevista? Não vi, não ouvi e não gostei. Lançou disco na internet? Não acessei e não me estressei.
Prefiro comprar e ouvir a voz cantada de Caetano, que é sempre boa, boa não, maravilhosa, mas ninguém precisa sofrer com suas falações. A repercussão de seus comentários egocêntricos saiu da esfera da crítica musical e frequenta programas humorísticos e crônicas picarescas.
O velho compositor trocou o senso crítico pela arrogância de defender o indefensável. Elogiou fulano? Também pudera, fulano é da sua turma da indústria da felicidade. Não se canta mais, pula-se. "Vamos pulá!", entoa Sandy. Vem Daniela e grita: levanta o bracinho. Vem o pagodeiro e exibe o seu traseiro dizendo que todos devem rebolar desta ou daquela maneira. É o reino da MPB aeróbica, tchan-erótica. Ginástica beócia, é tudo ginástica. O funk não invade a Zona Sul do Rio de Janeiro, mas a contamina com o seu lado mais espaventoso, e haja gritos de guerra de popozuda, tigrão e pressão na tchutchuca nos condomínios da Barra entre academias e artes marciais. A funk carioca e o axé baiano viraram um manual de esforço físico-sexual. O carnaval baiano deixou de ser ritual, passando a ser uma indústria do pós-cacau, produzindo o bagaço do frenesi urbano cotidiano que vai de capital em capital com a tal folia espontânea fora de época, mas com ingresso na mão e cordão de isolamento.
O baixo nível da TV está atingindo o fundo do poço e isso deve causar consequências imprevisíveis, mas certamente não positivas, na geração que está nascendo hoje ou está entrando no mundo do simbólico.
A apresentadora Xuxa que não canta bem, mas não sendo cantora não tem problema, e nem canta jamais uma única música do folclore brasileiro, como já fez tão bem Caetano, faz ginástica melhor, mas não sai da mesmice de vamos fazer ginástica. O ditado latino de mente sã em corpo são foi comprovadamente derrubado pela juventude nazista, levada a celebrar a ginástica enquanto o cérebro era levado ao esgoto da história.
A MPB da indústria da felicidade está exigindo, com a sedução do ritmo intenso, que todos parem de criticar e aceitem, rebolando, ouvir tanta baboseira física e mística. Gnomo, gnomo.
Além disso tudo, a grade de TV nos fins de semana parece destinada aos desassistidos pela sorte e que ainda por cima estão longe da praia. E tome música sertaneja com falso sotaque de gringo: KLB. E é a filha da dupla sertaneja, é a outra filha da outra dupla sertaneja, todo mundo da dinastia aprendendo a cantar com os pais de uma fase fraca do cancioneiro popular.
Essas críticas talvez nem sejam minhas, mas mero apanhado do barulho geral que se ouve em toda cidade, em qualquer cidade. Todo mundo pode ver que o pagodeiro mineiro Alexandre Pires tem boa voz, boa ginga e é homem de sete instrumentos, além de figura simpática e até carismática. Fugiu para Miami.
O rock de tantas tatuagens não tem sido um alento nesse inicio de milênio, mas um sopro ocasional, enquanto o telespectador que desconhece a internet tem de aturar ainda inúmeros números de menor qualidade. A TV recebeu 30 mil canções num festival anos atrás e não andou um minuto para frente, não conseguiu vender ineditismo de qualidade porque parece que ninguém quer experiência no repertório da TV Aberta. Será verdade?
E assim vai se fortalecendo a mesmice do ritmo, dos arranjos desarranjados pelos cacoetes: ritmo do com certeza, podre, sinistro e manero. Tudo efêmero na pobre fase da MPB. As maravilhosas exceções se sintam instadas a brigar por mais espaço na grade.
Fellini, cuja genialidade é incensada gratamente por Caetano Veloso de cinco em cinco anos, dizia que a televisão prostituía a imagem. Talvez Caetano, um dia, reconheça os seus exageros verbais e, com o seu talento, lute por uma grade melhor. Como? Parando de elogiar quem não merece prioridade e fazendo música ou incentivando jovens artistas sem alardear que Joaquim Nabuco é novidade. Novidade é Nabucodonosor, ou o jovem José Thomaz... Nabuco. Mas Caetano é bom, bom não, maravilhoso, não resta mais dúvida.
Estávamos nos primórdios dos primórdios. Rolava um show no Canecão, e o falecido Julio Cortazar, de passagem pelo Rio de Janeiro, tão bombasticamente quanto a frase "o rei está nu", mandou a sua descoberta no início dos anos 70: "Caetano e Maria Bethânia são uma só pessoa." Talvez não tenham sido exatamente como nessas palavras aspeadas, mas o escritor argentino não quis dizer que os dois cantores de Santo Amaro da Purificação fossem uma só pessoa pela semelhança de vocação, física, sanguínea e musical, mas uma só pessoa no sentido de uma única entidade.
Não resta dúvida de que Caetano é monarquista, como foi Nabuco, acreditando piamente no racismo anti-racista que o faz se sentir um príncipe, um ser excluído da plebe ignara de jornalistas. Como um dos maiores artistas brasileiros do século passado, Caetano sempre acreditou que a arte dá realeza aos que a fazem. Parece monarquista não no sentido de linhagem genética. Dizendo-se mulato orgulhoso do interior da Bahia, é príncipe no sentido de ser parte de uma casta de criadores privilegiados. Com justo direito, exige as benesses do Caminho das Índias e do Poder em pleno século 21.
Começou mostrando um mundo picotatado entre mil imagens (Alegria alegria) em que várias linguagens se juntam e separam formando novos sentidos. Esta captação de múltiplos num único gesto ou gesta já havia sido antecipada por Hélio Oiticica nos parangolés. A Tropicália, tão bem apoiada teórica e criticamente pelos irmãos concretistas de São Paulo, nasceu já como uma releitura estética do artista plástico que dizia: "Eu faço música", num contraponto com o performático músico Cage, que alardeava: "Odeio a harmonia."
De aparência desleixada no início da carreira, Caetano Veloso surgiu na mídia mostrando amplo conhecimento da MPB - botou nome em Maria Bethânia a partir de um sucesso de Nélson Gonçalves que ele admirava com apenas quatro anos de idade (escusado dizer que o filho de Santo Amaro é apenas quatro ou cinco anos mais velho do que a irmã Bethânia Veloso).
E essa precocidade não parou mais. O desleixo, divertido enquanto se repetia em trabalhos experimentais, culminou com Araçá Azul, o último disco em que o baiano ainda não procurava o esmero no cantar. Desde o disco Terra Caetano vem se confirmando como um intérprete apuradíssimo, seja em canções clássicas, seja nas suas próprias, marcadas quase sempre por uma poética especular, com versos entrecortados em qualquer quer seja o canto, amoroso, religioso ou nirvânico como Odara, ou mesmo no social ferino como O Haiti é aqui, ou mesmo nesses roquinhos fraquinhos dos tempos mais recentes de 2007, 8 e 9.
Polêmico por natureza, Caetano foi o terror de muitos textos jornalísticos. Joaquim Ferreira no tempo que a revista Veja existia não sabia nem o que era um coco. Aquela jornalista que disse que a canção Gosto muito de você, Leãozinho é horrível..., mas ela é que é horrível. Depois ela se arrependeria do que escrevera, mas coitada, Maria Helena Dutra já morreu de há muito.
Sandy Jr. é melhor do que muito crítico que se acha bom, ou coisa parecida. Roberto Moura em vida era mais chato do que Tinhorão no sentido de rigor do gosto.
Na maior parte das vezes, há de se concordar com Caetano. A imprensa tem sido mesmo marcada pela pressa, essa inimiga da perfeição. Mas, bem ou mal, jornalismo diário tem sido feito por jornalistas que vivem a profissão 24 horas por dia e nada indica que isso vá mudar. Pode-se ficar com raiva de jornal, pelos erros que comete, mas isso não tira o encanto da leitura diária de notícias num espaço ritual, posto que é leitura dividida por um segmento comum da sociedade. Ler jornal é partilhar ideias e relatos com os nossos vizinhos. I Hate neiboughrs...
Afora esses exageros de Caetano ao falar mal de gente boa que não dá a mínima para ele, o artista está coberto de razão quando critica a imprensa. Jornalista é pior do que polícia, no sentido de proteger o corporativo, e muitas vezes é infantilmente irresponsável por não checar suficientemente a informação que escreve e publica.
Pequenas divergências, porém, entre outros pequenos exageros de Caetano, jamais ameaçarão o seu status de semideus da MPB. Caetano é o máximo porque antecipa tendências, ao mesmo tempo em que toca em pontos fracos de outras manifestações artísticas cujos autores estejam se arvorando a sucessores. Por vezes, Caetano antecipa tendências terríveis, como a de achar que ele está certo e Lula, errado.
Nesse sentido, Caetano é humaníssimo e, edipianamente, confirma leitura foucaultiana de que Édipo não estava muito preocupado em saber se copulou com a mãe ou matou o seu pai, mas sim se, em sendo isso verdade, saber se perderia o poder.
Como príncipe, Caetano usufrui as delícias da corte, da Versalhes platinada, campeão das canções de novela. Por que não elogiar Sandy se ela canta bonitinho, é dedicada desde os cinco anos de idade e, em vários aspectos, tem tanta afinação quanto a italiana Laura Pausini?
Por que não elogiar Alexandre Pires, desancado pela imprensa quando entrou no palco na noite em que o Canecão era reduto do samba carioca e deu conta do recado? Se não fosse autêntico, black Pires não teria sido recebido entre lágrimas da mais pura emoção pelas meninas cabrochas ao visitar o Buraco Quente no Morro de Mangueira. Se ele é querido na Escola verde-e-rosa que canta Tom Jobim e Chico Buarque, quem é a imprensa para dizer que Alexandre Pires não tem seus méritos?
Humanamente, como Édipo, Caetano elogia vários artistas, desde que não o ameacem no trono real, de onde governa da Grécia ao Leblon como porta-voz do juízo cultural final.
Poder-se-ia dizer que Caetano suspeita de que João Gilberto seja um artista mais importante do que ele próprio, mas João não leva jeito de curtir vida social, não é chegado aos rabigalos da Versalhes Platinada. Com Bethânia, talvez seja João o único baiano não festeiro 24 horas por dia. Por isso o escritor Julio Cortazar achou que descobrira que ou Bethânia ou Caetano não existia. Mas o fato de Bethânia ser meio moita, a la Garbo, nada tem relação com a qualidade excepcional da música que os três baianos cantam.
Critica-se Caetano por qualquer coisa que diga. O sucesso estrondoso de Peninha foi por muitos jornalistas visto como o daquela música (Sozinho), que Tim Maia e Sandra de Sá também gravaram, ou daquela música deliciosa que o baiano sabe fazer, mas faz pouco. Vem um disco mais experimental, e se critica porque sem Peninha o artista baiano vende pouco. Caetano vende mais quando privilegia canções e menos quando, quase sempre, esquece o marketing fonográfico. Caetano é globodependente. Não toca no rádio. É impingido pela TV Amiga. Na internet, no Youtube, espaço em que a fruição tem muito de busca e pouco de imposição, Caetano tem centenas de milhares de hits, mas nem de longe é um campeão de hits.
Caetano já virou vovô há muito tempo na era digital.
Caetano é o estrangeiro de si próprio, é o que veio para ser medido, vigiado, comparado, amado e odiado, não importando o que faça nem como faça. No Estrangeiro, aliás, também um disco com pequenos experimentalismos, sobra, à la Peninha, o clássico Na Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso. De novo se critica o disco em que a melhor música é justamente a que não é de Caetano.
Exagerado sim, mas de longe um cracaço da MPB. Podia até estar gravando um CD cheio de Peninha e Ary Barroso para vender bem, mas nenhuma gravadora ousa pedir a Caetano que faça mais do que está disposto a fazer. É o príncipe da criação, parece preguiçoso, malemolente, que dorme mais do que Martinho da Vila, mas por dentro a usina não pára, a criação não pára.
Fina estampa, versão exclusivamente hispânica, virou o salvo-conduto internacional de Caetano que não precisa mais ficar discutindo com os conterrâneos para provar a que veio.
Caetano é arte, e mesmo que não fizesse sucesso algum, não fosse o menino da Globo e não travasse polêmicas ora úteis ora estéreis com a imprensa, ainda assim seria o maravilhoso criador matricial da canção da brasilidade moderna.
É muita petulância usar este Correio da Lapa para assacar contra a sensibilidade estética do astro baiano. Mas o blogue-estapafúrdia procura as suas vítimas, ressuscitando-as na medida em que elogia o que perderam. Ainda bem que você esperou muitos anos para, acumulando tanta sandice, receber o impacto de uma única vez. Como crítico de cinema, você é um excelente jornalista. O problema a é que a Sétima Arte, como o futebol, permite que qualquer um fale. Seja da arte da bolas nos pés, seja da primeira arte industrial do penúltimo século da era finda.
Não, não me escondi. Tentei, ao contrário, conviver na fervura da liberdade de expressão, mas me lembrei, quando o comunismo ia acabando, que Lênin tinha seus motivos quando dizia que só existe liberdade de imprensa com liberdade de fornecimento de papel. Liberdade de ir e vir, a que não existe na musical ilha de Cuba, é a mesma que não existe no Brasilzão em que a imensa maioria dos músicos está passando dificuldades que tornam muito difícil conseguir comprar uma passagem de ônibus, que dirá a música premiada de Caetano pelo Grammy.
O melhor de Caetano é o silêncio de João Gilberto. O melhor de Caetano é a burrice de suas opiniões políticas omitidas enquanto canta. Caetano é um excelente compositor, mas não é tão bom quanto ele imagina. Há melhores. O melhor de Caetano é o canto, não é a performance no palco. O melhor de Caetano é a música no rádio, na TV e no CD. Ou seja, a sua presença não tem a menor importância. Não é bom de teatro, não é bom de Cinema Falado, não é bom de crônica política. Caetano é glodependente e ponto.com.
Quase todo mundo na rua pensa que Caetano é gay, mas ele jamais deu provas de que o seja, muito pelo contrário, e que se dane se for ou não. Preferências se respeitam e ponto. A preferência de Caetano, ao criticar Lula e elogiar Marina Silva é apenas uma barafunda. Marina é Lula e, na hora H, se o Comandante do Goró pedir, ela retira a candidatura. Do mesmo modo é Ciro Gomes. Isso tudo é cortina de fumaça. Caetano parece que é Serra enrustido, não assume que é. Ambos são analfabetos em comunicação de massa. Caetano fica brincando de não ser partidarista. Caetano é global. Sem a Globo, desaparece em instantes no turbilhão da falta de audiência.
É gênio sim, mas costuma ser também deselegante, tem aquela deselegância indiscreta de falar que fulano, um tal de Lula, não sabe falar.
Caraca! Isso não vai acabar nunca?

Quase tudo que escrevo não é o que penso. Quase tudo o que penso se esconde no meio das coisas que ouço e reproduzo aqui como um espelhamento embaralhado de ideias coletivas e multifacetadas como a própria poética de Caetano... A cobra mordeu Caetano...

Por Alfredo Herkenhoff

Lula se preparando para mais um Verão

Ai Que Calor!

Simon acerta no gol de Obina. Fluminense dentro!

Previsões radiosas do Correio da Lapa para o futebol na reta final *

Palmeiras deu mais um passo dinâmico para sair do G4 e não ganhar nem vaga para a Libertadores...

Sim, esta crônica oferece melhor leitura se o internauta estiver de posse da tabela com as quatro últimas rodadas do Campeonato Brasileiro de 2009.

Juro que vi, como viu o juiz Carlos Simon, uma falta de Obina no momento em que a bola partia em direção à área do Fluminense, no Maracanã de sol quente no 8 de novembro de 2009. Obina, com o braço esquerdo, faz uma carga rapidíssima, fração de milésimo de segundo, quase imperceptível mesmo na câmera lenta da TV paulista fazendo coro com o chororô dos palmeirenses. Claro, depois Obina sofre um pênalti claro. Mas com tanta luz do sol, Simon tem crédito. Quem não tem, pelo péssimo futebol, é o Palmeiras, que ganhou apenas cinco pontos dos últimos 21 que disputou. Desce a ladeira e vai descer mais, por arrogância. Vagner Love está medíocre.

Muricy está nu e mesmo propalando que não comenta erro de juiz, chiou. Prefere ver que a partida dependeu de uma falha de arbitragem? O calor é igual para todos, árbitros, jogadores e torcedores. Só a TV Globo não perde a cabeça porque sustenta o grid e manda os jogadores para campo às 15h da tarde pelo GMT, ou 16h pelo fuso horário de verão. Grid ou grade criminosa... E o MP não faz nada...

A rodada foi marcada por câimbra em toda parte: Maracanã, Mineirão, Nordeste, Sul. Muito calor, jogos decisivos, empenho máximo dos atletas. Só a Globo no geladinho da audiência exigindo a crueldade dos contratos das 4 da tarde no sol do Verão antecipado. Grid sacana. Grade antidesportiva.

Time bom desconta falha de arbitragem e massacra o time pior. Hoje, os cinco melhores times, na reta final do Brasileiro, são Fluminense, Cruzeiro, São Paulo, Flamengo e Botafogo. Quem pegar qualquer um desses, treme de véspera.

O Fluzão, com 36 pontos, está a cinco do Botafogo e do Coritiba, ambos com 41. Mas como o Fluminense deve atropelar o Coritiba na última rodada no Couto Pereira, o tricolor carioca tem de pensar o seguinte: está, em tese, ou na verdade, a apenas dois pontos do rival paranaense na luta contra a degola.

O Fluminense hoje, com padrão de jogo excelente, equipe unida, torcida bombando, não ganhou do Cruzeiro de virada por acaso no Mineirão. O Botafogo não destruiu o sonho do Inter no Beira-Rio por acaso. O Cruzeiro não virou espetacularmente uma partida contra o agora extinto Sport em Recife por acaso. O Flamengo não derrotou espetacularmente o Atlético Mineiro do G4 no Mineirão por acaso. O São Paulo, mesmo com três a menos em campo, não empatou com o Grêmio no Olímpico por acaso. A reta final está exibindo só as verdades dos melhores times nesta fase decisiva.

O Flu ainda tem chance de cair, mas só acontecerá isso se o Coritiba e o Atlético Paranaense pararem de descer a ladeira, o que é improvável, porque são dois times deploráveis, e está chegando a hora da verdade.

O Atlético Paranaense, que venceu neste fim de semana, deve ter comemorado no domingo a sua última vitória de 2009. o Atlético-PR só tem pepino pela frente e tem altas chances de não ganhar nem dois pontos, ou dois empates, nas quatro partidas que lhe restam.

Portanto, o Fluminense, que deve fechar o ano com mais quatro vitórias, e assim faria 48 pontos, ou se empatar uma, fecha com 46 pontos, deve escapar do rebaixamento. Mas a emoção dessas previsões tem data marcada: Fluminense e Coritiba, na última rodada... A 38ª... Quem guardar essas palavras... Verá...

Mas se eu estiver errado, se a minha bola de cristal estiver com a pilha descarregada, bem, substituo-as por alcalinas emergencialmente.

Só o Botafogo pode salvar o Flamengo no sonho do hexa. O São Paulo só tem mamão com açúcar nas rodadas finais, com exceção do jogo contra o Glorioso que, se for esperto, leva a peleja para o Maracanã, em vez de Engenhão. Se o Botafogo se sentir livre do rebaixamento, entrega o jogo aos são-paulinos apenas para se vingar de todo o chororô dos últimos anos.

Mas talvez o Fogão tenha que ajudar o Mengão porque vai pegar o Barueri logo mais... E o Barueri é o mais errático dos times deste ano. Joga super bem numa rodada, e super mal noutra. Se o Botafogo tropeçar diante do Barueri na grande São Paulo, vai dar tudo contra o time que tem mais chance de ganhar este campeonato e está na liderança.

Botafogo ainda pega o Palmeiras? Meu Deus, quanta emoção!

Não deixaram o Flamengo chegar. Foi o Flamengo que chegou por seus próprios meios.

Na reta final, estilo húngaro, começaremos a aplicar goleadas nos elencos mais fracos, ansiosos ou desorganizados.

O Fluminense é o Avaí na reta final, na hora certa...

O Chile descobriu um meio de prejudicar o Flamengo ao convocar o meia Maldonado para um amistoso da Seleção na Europa na semana que vem. E assim o Mengão vai sem o chileno para Recife contra o Náutico. Dizem, nos botequins cariocas, que o Malaquias do Morumbi andou passeando por Santiago. O Barueri entende bem essas palavras...

Sim, esta crônica oferece melhor leitura se o internauta estiver de posse da tabela com as quatro últimas rodadas do Campeonato Brasileiro de 2009.

* Por Alfredo Herkenhoff

Correio da Lapa

Futebol do Amor, 11 artimanhas da vaidosa hétero

Por Paola Vieira... Quem será? De onde pondera? Rio, São Paulo, Vitória ou Porto Alegre? Onze linhas, onze jogadas, onze mil qualquer coisa... Ei-las:

1 - Fingir naturalidade durante um exame ginecológico.

2 - Usar o poder de uma calça jeans para rediagramar a estrutura do corpo.

3 - Ter crise conjugal, crise existencial, crise de identidade e crise de nervos!

4 - Ser mãe solteira, mãe casada, mãe separada, mãe do marido.

5 - Lavar a calcinha no chuveiro. E depois pendurá-la na torneira,para horror do sexo masculino.

6 - Rasgar a meia na entrada da festa.

7 - Sentir-se pronta para conquistar o mundo, quando está usando um batom novo!

8 - Chorar no banheiro, e ficar se olhando no espelho para ver qual melhor ângulo.

9 - Achar que o seu relacionamento acabou, e depois descobrir que era tudo tensão pré-menstrual. (Esta é perfeita!!!!)

10 - Nunca saber se é para dividir a conta, ou se é para ficar meiguinha.

11 - Dizer não, para ele insistir bastante, e aí ter que dizer sim!



SÓ AS MULHERES ENTENDEM:


1 - Por que é bom ter cinco pares de sapatos pretos.

2 - A diferença entre creme, marfim, e bege claro.

3 - Achar o homem ideal é difícil, mas achar um bom cabeleireiro é praticamente impossível.



E O TÓPICO NÚMERO 1 QUE SÓ AS MULHERES ENTENDEM:


1 - As outras mulheres!



ORAÇÃO DAS MULHERES:

'Querido Deus,
Até agora o meu dia foi bom:
não fiz fofoca,
não perdi a paciência,
não fui gananciosa, sarcástica, rabugenta,
chata e nem irônica.
Controlei minha TPM,
não reclamei,
não praguejei,
não gritei,
nem tive ataques de ciúmes.
Não comi chocolate.
Também não fiz débitos em meu cartão de crédito
(nem do meu marido) e nem dei cheques pré-datados.
Mas peço a sua proteção, Senhor, pois estou para
levantar da cama a qualquer momento...
Amém!


PS: Envie esta mensagem para todas as mulheres, com as quais você está feliz por tê-las como amigas e aos homens para compreendê-las ainda mais!!!


Afinal, que mulher nunca comeu uma caixa de BIS por ansiedade, uma folha de alface por vaidade e um cafajeste por saudade?

sábado, 7 de novembro de 2009

Lévi-Strauss neolítico

Sou um homem do neolítico

Lévi-Strauss era cortês, mas o sorriso gelado e seco intimidava. Ninguém o tratava por você

Por Gilles Lapouge, avistado no site do Estadão


"Penso o Brasil como um perfume", dizia com sua fala magnífica, econômica, estruturada

André Douek/AE - 18/10/1985

"Penso o Brasil como um perfume", dizia com sua fala magnífica, econômica, estruturada

PARIS - A última vez que o vi foi em 2004 ou 2005. Fui visitá-lo na Rue des Marronniers, 2, perto da Praça do Trocadéro, a dois passos do Museu do Homem. Claude Lévi-Strauss recebeu-me no vestíbulo do quarto andar. Cortês. Sorriso gelado e seco. Jamais alguém o tratou por "você". Ele me intimidava. Eu tremia. Sua polidez era uma parede de vidro através da qual se podia ver esse homem como se vê uma constelação num telescópio. Procurei, vagamente, como num museu, uma etiqueta identificando o objeto: "Antropólogo do século 20".

Ele me conduziu à biblioteca - uma quantidade enorme de livros, japoneses ou tibetanos mais do que brasileiros, em couro e pergaminho, muito bem arrumados, embora esse arranjo obedecesse a lógicas tão obscuras que eu não consegui entender nada. Ele diminuíra de tamanho. Estava mais encolhido. Usado como um tecido antigo, precioso, seda ou cetim. Um perfil de pássaro. O cabelo, ralo e fino, parecia uma pluma eriçada pelo vento dos séculos. A pele quebradiça. O olho arregalado - um olho de águia. Claude Lévi-Strauss era a imagem de um grande professor de francês do século 19. Usava um terno cinza de um tecido muito fino. Clássico.

Pensei no jovem brilhante que, em 1936, lecionou na USP e depois explorou o Mato Grosso, quando produziu algumas obras-primas que foram um divisor de águas na história da etnologia. Por trás dessa silhueta delgada, caída e meio transparente, revi o jovem professor de 1935: um belo homem, altivo, taciturno, levado, por graça de O Estado de S. Paulo, de Julio Mesquita e George Dumas, para o centro de um país vertiginoso, em companhia de outros gigantes, como Pierre Monbeig, Fernand Braudel, Roger Bastide.

Claude Lévi-Strauss era, no início, um filósofo. Foi o Mato Grosso, em 1935, que fez sair desse filósofo um antropólogo. Na época, era casado com Dina, etnóloga (muito extrovertida, muito sexy), que fez diversos filmes sobre os bororos e os vaqueiros. Eles se separaram em 1939 e Lévi-Strauss casou-se novamente. Duas ou três vezes, não sei. Certa vez ele me disse, com aquele sorriso irônico, sarcástico, tão precioso: "Você sabe, sou um homem do neolítico. Com certeza, sou polígamo, mas na França a poligamia é algo complicado. Assim, sou polígamo ao longo do tempo, jamais num mesmo momento".

Pouco tempo depois, Claude Lévi-Strauss prepara uma expedição para a região dos Rios Juruena e Ji-Paraná, o que não é muito apreciado pelo governo de Getúlio Vargas. A permissão é dada, mas retirada em seguida. Homens de peso, entre eles Mário de Andrade, conseguem desbloquear o processo, desde que um etnólogo brasileiro o acompanhe.

Luiz de Castro Faria referiu-se a essa expedição admirando a mecânica intelectual de Lévi-Strauss. Mas sem empatia. "Era um homem polido e distante... uma figura difícil. Silencioso, assumia aqueles ares típicos do pensador". E conclui secamente: "No plano científico, foi um fracasso".

Para Castro Faria, Lévi-Strauss não era um ás em se locomover na pesquisa de campo. Nem dominava muito bem os equipamentos. "Certo dia, desapareceu num atalho. A tensão foi geral." Na realidade, Lévi-Strauss se perdera na mata e deu um tiro para o alto. Mas se esqueceu de descer da mula. Resultado: a mula correu para um lado e ele caiu do outro. E todo o mundo se pôs à procura da mula e do etnólogo.

Essa história é engraçada, mas não maldosa, sobretudo porque Castro Farias reafirma o seu respeito pela autoridade de Lévi-Strauss. Ela serviu apenas para dar crédito às críticas que alguns antropólogos (americanos) faziam ao antropólogo: um gênio, mas etnólogo de gabinete, um homem que após cinco anos de Brasil e da América nunca mais deixou sua biblioteca, o Collège de France ou a Academia Francesa. O que é verdade.

Em suas lembranças, Castro Faria cometeu um erro quando disse que "Lévi-Strauss falava português quase sem sotaque". Não é verdade. Certa vez tentei conversar em português com ele. "Jamais falei muito bem o português", disse. "O que falo é o português do interior, dos caipiras, mas não o das cidades."

No entanto, ele amava São Paulo. E certa vez, uma referência a São Paulo me pareceu tê-lo perturbado. Foi um momento raro, em 1994. Ele tinha acabado de publicar um livro de fotos feitas no Brasil. Esse homem tão frio, tão fechado, comoveu-se. Mas não foi de olhar para aquelas velhas e belas fotos de 1936 (da mesma maneira que escreveu "odeio viagens" ele poderia ter dito "odeio fotos"). Não. O que lhe permitia viajar pelos anos até a São Paulo de 1935 era o cheiro: "Penso o Brasil como um perfume quente".

A fala desse homem taciturno era magnífica. Deslumbrante. Era clara, econômica, rápida, estruturada. Nenhuma imperfeição. Nenhuma repetição. Na verdade, ele não era eloquente. Para ser eloquente é preciso vacilar um pouco, perder-se, ficar transtornado, lutar com as palavras. O discurso de Lévi-Strauss era perfeito, como uma peça de cerâmica saindo do forno. Quando quero lembrar-me dele, é sua voz que me serve de veículo. Uma voz grave, sem ostentação. Como um silêncio, um tremor do silêncio.

De volta à França, em 1948, ele viaja pouco - para o Japão, de vez em quando, no mais, idas e vindas entre o Trocadéro e o Collège de France. Uma vida caseira. Laboriosa. Música. Museus. Alguns amigos selecionados. Escrevia seus livros como um artesão faz marchetaria. Uma primeira versão à máquina. Depois, correções infinitas, de diferentes cores entrelaçadas (como seria interessante ver esse work in progress) e enfim a versão final, impecável. Quase no fim da vida, ele passa pelo Collège de France duas vezes por semana para ver seus alunos, esclarecer suas dúvidas.

Muito jovem, Lévi-Strauss aderiu aos estudantes socialistas. Mais tarde, tornou-se apenas um espectador distante. Só se manifestava para defender os povos nus, os povos ameaçados. As rebeliões de maio de 1968 o divertiram no início, mas depois passou a detestá-las. Elas eram contra todo o sistema ritual da sociedade francesa, e os ritos, aos olhos do antropólogo, não deveriam ser maltratados. Caso contrário, seria o caos.

Era de uma modéstia extrema e orgulhosa. Por volta de 1970, a revista L’Express encomendou-me um trabalho sobre grandes pensadores, como Jacques Lacan, Roland Barthes, Michel Foucault, Claude Lévi-Strauss. Lacan ficou entusiasmado. Lévi-Strauss recusou-se a participar. Disse que não era um grande pensador, mas um especialista em mitos e máscaras. Amava a geografia, a geologia, a música, a poesia, "mas grande pensador, que ideia!" Consequência: não fiz o trabalho pedido pelo L’Express porque o personagem mais fascinante tinha se esquivado.

Creio que Lévi-Strauss já estava farto dessas sociedades destruidoras, insensíveis à beleza das coisas, que acabam com os esplendores da natureza. Ao tumulto, ao caos, às injustiças, como também às próprias fadigas, suas doenças, ele respondia com o estoicismo refinado com que se opunha à injustiça das coisas.

Ele já aguardava, claro, que o soberbo, miraculoso e cambiante tecido da vida se desfizesse. Vivia num mundo submerso, do qual continuava a desmontar os mecanismos, estruturas, constâncias, racionalidades, segmentos de ordem. Mas não sabia muito bem por que ainda se mantinha vivo. Pensava em outras sabedorias que não aquelas da Europa. Sonhava com os pensamentos selvagens, com os tupinambás, o budismo, embora continuasse ocidental. Não era desses intelectuais que esquecem o Ocidente para, repentinamente, abraçar a sabedoria dos brâmanes ou dos bororos. Algumas noites, acho que ele pensava no cheiro das florestas, no cintilar dos rios da Amazônia, talvez em nuvens.

Senado entregue às capivaras


Sua Excelência

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Como produzir o livro? Perguntas mais frequentes

Ontem um autor me perguntou à queima-roupa: "O que é quarta capa?" Eu, num primeiro instante, pensei, "Ora! Todo livro tem e ele não sabe". Depois, ponderei: "Eu deveria ter dito contra capa". Mas acho que nem esse termo ele saberia, pois esse publiquês só é usado por editores e autores iniciados, não iniciantes.
Há palavras que são utilizadas no dia a dia da editora e falamos sem pensar: "Veja o colofão". "Está na página de crédito". "Verifique a folha de rosto". "Não se esqueça da falsa folha de rosto". "Cheque o índice" (essa é fácil). "Qual a mancha da página?" "Qual a entrelinha?" "Vamos começar a diagramação". "O projeto gráfico ficou interessante". "Ficou bom o layout do livro". Hã?
É como conversa de médico, advogado ou economista, só eles entendem. Falem português!, diria um autor mais aflito. Então, quarta capa ninguém sabe. É que a primeira capa é a da frente, aí temos a segunda e terceira dentro do livro e a quarta é a última, de trás... "Ah, por que não explicou logo?"
Hoje, também, me perguntaram: "O que é produção editorial?" Parece que estamos falando chinês, não é? Querida, é justamente o trabalho de fazer o livro, sem a produção editorial o livro não existe.
Tem pessoas que imaginam que livro é xerox: "Imprime meu livro aí", e apertássemos um botão e saísse o livro pronto do outro lado. É quase isso, mas só depois de ajustarmos, alinharmos, arrumarmos, checarmos, revisarmos e gramarmos para colocar tudo no lugar certo, e haja olho para achar todos os errinhos que ficam escondidos atrás dos outros, pois vemos um e não vemos outro, logo ao lado.
Quantos mais erros houver num original, mais difícil de pegar todos: um erro sempre acaba passando, que vem desde a primeira digitação feita pelo autor e resiste a todas as revisões, e passa, invicto, para a impressão, gritando: "Ehhhh, vocês não me pegaram!"
Que coisa... É o pesadelo de qualquer editor. Há erros pavorosos que ficam na capa, na contra capa, na orelha, no fronstispício (essa é nova, né?), no cabeçalho, na dedicatória, etc., etc., etc.
Não existe uma edição sem erro. Se não houver nenhum erro aparente, sempre há algum escondido, que só o editor vê. E ninguém vai saber onde está, só um olho mais arguto vai conseguir perceber a discrepância.
Um dos meus livros, "Lilases", saiu sem erros. Nenhum erro ortográfico. Mas na hora de imprimir uma imagem na segunda e terceira capas (internas), imprimiram de cabeça para baixo. Só eu sabia disso. O livro já esgotou, e ninguém percebeu mesmo, só se olhasse com muita atenção para ver que uma das imagens da capa estava reproduzida dentro, só que de ponta-cabeça.
Isso me convenceu que esses erros só acontecem para nos provar que não somos Deus. Que fazemos livros "quase" perfeitos. Que para se fazer livros perfeitos é preciso muita, mas muita sorte e competência. Quem lida com edições sabe os azares que assomam os livros na hora da impressão. Como existe o anjo da impressão, existe o anjo sabotador de impressão. Essa é uma tese antiga minha que vejo toda vez ser corroborada.
Quando eu digo a um autor: "Preciso de um texto para a orelha". Ele responde: "O quê? Quem escreve isso?" Os autores novatos que me perdoem, mas um pouco de conhecimento editorial é fundamental. Vejam os livros à sua volta e descobrirão neles como fazer o seu, pelo menos a entender como eles são feitos.
Podemos evitar falar o publiquês, mas quando entramos na seara de um profissional, temos de chamar as coisas pelo nome que elas têm, e não dá para chamar colofão de outro nome - página de fechamento do livro, pode até ser - mas ninguém chama bisturi de "faquinha", é bisturi e ponto.
Assim, aprendemos, aos poucos, as palavras que cercam o ofício de publicar - livros são sedutores, eles nos ensinam o que não sabemos, seja lendo-os ou fazendo-os.

Rio de Janeiro, 6 de novembro de 2009 - 1h10

Por Thereza Christina Motta, da Ibis Libris
http://ibislibrisbooklog.blogspot.com/

Nice girl, Beyoncé, still American, just in case

Beyoncé is almost nothing


Bonita

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Flamengo vs Atlético, carta do Rio a Aécio Neves

Fórmula 1: o fracasso da Toyota


O Japão está sem representante na F1


A Toyota se retirou da Fórmula 1 nesta quarta-feira com efeito imediato, deixando o Japão sem uma equipe na principal categoria do automobilismo mundial. O presidente da empresa, Akio Toyoda (foto), se desculpou pelo fracasso da equipe na tentativa de vencer sequer uma corrida desde que chegou à categoria em 2002, apesar de um orçamento anual estimado em cerca de US$ 300 milhões.


– Foi uma decisão muito difícil, mas inevitável – afirmou Toyoda em conferência de imprensa em Tóquio.

– Desde o ano passado, com a piora do cenário econômico, temos sofrido com a questão de continuar ou não na F1. Estamos saindo da categoria completamente. Dou minhas completas desculpas aos fãs da Toyota por não atingirmos os objetivos que traçamos – completou.

A decisão da maior montadora do mundo de deixar a categoria vem num momento em que a indústria automotiva começa a se estabilizar após queda nas vendas em meio à crise financeira.

A saída da Toyota como equipe e fornecedora de motores é outro golpe na Fórmula 1 depois que a segunda maior montadora do Japão, a Honda, anunciou sua retirada da categoria em dezembro do ano passado.

Assim, o Japão fica sem nenhuma equipe na F1 e mantém o ritmo de retirada de empresas do país de esportes a motor, que já viu a Subaru e a Suzuki deixarem o campeonato mundial de rali. A fabricante de motos Kawasaki também encerrou sua equipe na MotoGP acompanhando o recuo do mercado. A fabricante japonesa de pneus Bridgestone anunciou na segunda-feira que não renovará seu contrato de fornecimento de pneus com a F1 depois da temporada 2010.

A Toyota, cujo chefe de equipe, Tadashi Yamashina, estava aos prantos na conferência de imprensa nesta quarta-feira, somou 13 pódios e 87 pontos na F1.

A empresa japonesa deixa somente três montadoras na Fórmula 1 - Ferrari (Fiat), Mercedes e Renault.


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dulce Quental faz show no Rio neste dia 7/11/2009


Obama derrotado nas urnas

Democratas sofrem revés eleitoral em Nova Jersey e na Virginia *


NOVA YORK, EUA — Os democratas sofreram derrotas importantes nos Estados Unidos na terça-feira: os governadores da Virginia e de Nova Jersey foram superados nas urnas por candidatos republicanos, em votações locais que eram consideradas um grande teste para o presidente Barack Obama, um ano antes das cruciais eleições de 2010.

O republicano Chris Christie derrotou o atual governador de Nova Jersey, o democrata Jon Corzine.

Christie obteve 49% dos votos contra 45% para Corzine, em uma das eleições mais disputadas de terça-feira nos Estados Unidos, segundo os resultados oficiais preliminares.

Corzine foi apoiado ativamente pelo presidente Barack Obama, que fez campanha a seu favor no domingo, mas foi derrotado em uma disputa acirrada por Christie, que conquistou assim um antigo reduto democrata para os republocanos.

Na Virginia, os democratas também sofreram uma derrota, para o republicano Bob McDonnell, eleito governador com 59% dos votos, segundo a apuração quase total dos votos.

Os resultados da terça-feira eram consideradas um teste um ano antes da votação crucial de meio de mandato do presidente Obama, que renovará um terço do Senado, toda a Câmara de Representantes e mais de dois terços dos cargos de governador.

"A vitória esmagadora do Partido Republicano na Virginia é um revés para o presidente Obama e o Partido Democrata", afirma o presidente do Comitê Nacional Republicano, Michael Steele, em um comunicado.

"Envia um sinal claro de que os eleitores já tiveram o suficiente da agenda liberal do presidente", completa.

Mas o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, tentou minimizar a importância das eleições locais.

"Não acreditamos que signifiquem muito para 2010. Não penso que o presidente as considere significativas para nossos esforços legislativos e para o futuro político", comentou.

As pesquisas de boca de urna mostram que 55% dos eleitores da Virginia e 60% dos votantes de Nova Jersey não basearam suas decisões na atuação do presidente.

No norte do estado de Nova York, onde estava em jogo uma cadeira no Congresso federal, a eleição foi um prêmio de consolo para os democratas, cujo candidato Bill Owens se impôs com 49% dos votos, segundo resultados preliminares.

O "outsider" do Partido Conservador, Douglas Hoffman, apoiado pela ala à direita dos republicanos, recebeu 46% dos votos.

Em outra eleição importante de terça-feira, mas sem consequências para a batalha entre republicanos e democratas, o prefeito de Nova York e homem mais rico da cidade, Michael Bloomberg, foi reeleito para um terceiro mandato consecutivo de quatro anos.

Bloomberg, candidato independente, obteve 51% dos votos contra o democrata William Thopmson, que apesar de ter superado amplamente as previsões das pesquisas com 46% - segundo projeções do jornal New York Times e do canal NBC - não conseguiu tirar o comando da cidade do magnata dos meios de comunicação.

Eleito pela primeira vez em 2001, dois meses depois dos atentados de 11 de setembro, Bloomberg conseguiu assim um terceiro mandato, depois de investir na campanha eleitoral 100 milhões de dólares de sua fortuna de US$ 17 bilhões.

Os eleitores também votaram para prefeito em outras cidades importantes como Atlanta, Pittsburgh, Detroit, Houston e Seattle.

Ao mesmo tempo, o estado do Maine rejeitou em referendo uma lei promulgada em maio que autoriza o casamento gay.

Por 53% a 47%, após a apuração de 87% dos votos, os eleitores do Maine foram contrários à lei aprovada em maio.

A lei, aprovada pelo Congresso estadual e promulgada pelo governador John Baldacci em maio, autorizava o casamento homossexual, também permitido em outros cinco estados do país.

Já no estado Washington as projeções indicam que o direito dos homossexuais à união civil foi aprovado por um resultado apertado, 51 a 49%.

Fonte: AFP

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Artigo "Para Onde Vamos", de FHC, e seus críticos

Conteúdo: artigo de FH criticando Lula, o Lulismo e Dilma na grande mídia, seguido de duas duras críticas ao texto do ex-presidente:

Para onde vamos?


Por Fernando Henrique Cardoso

A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da terra”, de riqueza fácil que beneficia a poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

Só que cada pequena transgressão, cada desvio, vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advenha do nosso Príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o país, devagarinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democráticos.

É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista” deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental em uma companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem qualquer pudor, passear pelo Brasil às custas do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Essa supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Em pauta, temos a transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no orçamento e minguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo TCU. Não importa: no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha casa, minha vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU - contra a letra expressa da Constituição - vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que tivesse se esquecido de acrescentar “l’État c’est moi”. Mas não esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições, sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.

Ora dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso, os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil, os fundos de pensão não são apenas acionistas - com a liberdade de vender e comprar em bolsas - mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo antes que seja tarde.

*Ex-presidente da República


Um réquiem para FHC

Por Gilson Caroni Filho - do Rio de Janeiro


PSDB quer FHC longe da campanha

As palavras são as armas. E foi acreditando em sua capacidade de manejá-las com destreza que Fernando Henrique Cardoso tentou atacar o presidente Lula em seu artigo publicado no jornal O Globo, do último domingo. Em sua vaidade desmedida, imaginava-se escrevendo um texto inaugural, um manifesto histórico capaz de desvendar a cena política, retirando a oposição do estado letárgico em que se encontra. O efeito foi exatamente o contrário.

O texto mal escrito, sem sentido em muitos parágrafos, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre a política econômica do governo e a da gestão petista: A única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. Triste para o prestigiado sociólogo, deplorável para o experiente político.

Comparações são ociosas, mesmo porque cada polemista tem o seu tempo na história. Mas não é de hoje que o sonho do“"príncipe dos sociólogos" é ser um Carlos Lacerda redivivo. Vê a si próprio como um panfletário versátil e demolidor, capaz de usar as palavras como metralhadoras giratórias nas mãos de um guerrilheiro. O problema é que seu estilo é tosco e seus escritos ininteligíveis. Não é capaz de açular os medos da classe média, mesmo usando os velhos ingredientes que vão da ameaça de uma república sindicalista a um quadro incontrolável de corrupção. Não aprendeu que, sem o apoio das bases sociais que o acompanham, seu suposto prestígio pessoal conta pouco.

Para criar condições de instabilidade superestrutural não bastam editoriais, artigos e noticiários de jornalistas de direita. É preciso que as classes dominantes se encontrem excepcionalmente reunidas em torno de um só objetivo. Para isso, do outro lado, tem que haver um governo fragilizado, com escassa base de apoio, incapaz de promover crescimento econômico com redistribuição de renda. Reeditar uma“"Marcha da Família com Deus, pela liberdade" não é o troféu fácil que o voluntarismo pedante imagina.

Quando escreve que "é possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública", seu objetivo é tão claro como raso.

É uma volta ao passado como farsa. Aos tempos em que os nacionalistas lutavam por uma solução independente para extração e refino do petróleo, de importância estratégica para o desenvolvimento do país, enquanto os entreguistas definiam-se abertamente pela exploração do produto pelo capital estrangeiro. Claro que estamos tratando de realidades distintas no tempo e no espaço, mas a motivação da direita é idêntica. E é a ela que a inspiração de FHC se dirige, inebriado como se cavalgasse uma fulgurante carreira política. O desespero e o patético andam sempre de mãos juntas. Ainda mais se lembramos "quem cevou os facilitadores de negócios na máquina pública" no período que vai de 1994 a 2002.

Criticando o que chama de "autoritarismo popular", o candidato a polemista prossegue: "Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam."

A recorrência aos riscos de uma república sindicalista mostra a linhagem golpista do artigo de FHC, mas a falta de prudência, indispensável para quem pensa estar escrevendo um novo Manifesto dos Coronéis, leva a indagações. O autoritarismo de mercado, marca do seu mandato, é exemplo de democracia? A era da ligeireza econômica, da irresponsabilidade estatal ante a economia fortalecia as instituições do Estado Democrático de Direito? Ou não seria exatamente o oposto? Um bloco de poder composto pelo agronegócio, grandes corporações midiáticas e uma burguesia desde sempre associada, que privilegiava a ampliação crescente das margens de lucro, ignorando os custos sociais que isso implicava. Qual a autoridade política do ex-presidente para interpelar o atual?

O que foi seu governo senão uma tentativa desastrosa de adaptar o aparelho de Estado às exigências criadas pelo neoliberalismo, contendo, a todo custo, as reivindicações dos trabalhadores do campo e da cidade? No final, com uma impopularidade recorde, a superestrutura política entrou em crise e os aliados contemplaram a rota de afastamento. É a isso que FHC nos convida a voltar?

Outra observação interessante pode ser extraída desse trecho: "Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas?". Aqui, o lacerdista frustrado ultrapassou qualquer limite da sensatez. Abriu o flanco, ao permitir a inversão da pergunta que faz.

Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no "Dossiê da Vale do Rio Doce", "o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna". Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões. Em nenhum outro período a máquina estatal foi usada para transferir recursos públicos para o capital privado como nos dois governos do tucanato. Foi a esse continuísmo que a população deu um basta em outubro de 2002.

O que se pode depreender das linhas escritas pelo tucano que queria ser corvo? FHC se especializou na arte do embarque em canoas onde o lugar do náufrago está antecipadamente destinado ao canoeiro de ocasião. Julgava estar redigindo um artigo que funcionaria como divisor de águas. Mas afundou junto com ele. Escreveu o seu próprio réquiem, levando junto velhos próceres do PSDB. Um trabalho e tanto. Extremamente apropriado para leitura no dia 2 de novembro.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Correio do Brasil e do Jornal do Brasil.
Fonte: Correio do Brasil


Azenha: FHC acusa Lula de fazer obras históricas

Um bom jogador de futebol deve saber quando parar. Um bom politico, idem. De um ex-presidente da República, espera-se compostura. Mas não deixa de ser curioso observar aquele momento revelador, em que fica claro que o corpo do jogador responde atrasado às exigências da mente. Ou quando a gente nota que um líder decadente se agarra furiosamente ao que já foi para preservar a autoimagem.

Por Luiz Carlos Azenha, no Eu Vi o Mundo
Texto avistado no site Vermelho

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de nos brindar com uma exposição pública desse "momento mágico". Com um texto rancoroso (um artigo publicado neste domingo em diversos jornais do país), por vezes desconexo, em que claramente concluiu primeiro -- o mundo vai acabar e a culpa é do governo Lula -- e depois correu atrás de argumentos para justificar a tese.

FHC começa acusando Lula, não se sabe exatamente do que: "Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advenha do nosso Príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o país, devagarinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democrático".

Qual é o sentido disso? Como faltam argumentos objetivos ao ex-presidente, ele descreve o problema como se fosse uma doença insidiosa, da qual o próprio Lula pode até ser vítima. Tenho a impressão que FHC está tentando dizer que, "quando eu era presidente, o Brasil era uma democracia. Agora, está deixando de ser", por causa de algum vírus maligno.

Eu, sinceramente, não consegui enxergar no texto uma unidade lógica. FHC recorre a todos os chavões que sugerem uma conspiração anarco-sindicalista. Como disse um leitor deste site, mais parece uma produção intelectual do professor Hariovaldo: "Em pauta, temos a transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no orçamento e minguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo TCU. Não importa: no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha casa, minha vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos".

É a primeira vez na História da política nacional em que alguém é ACUSADO de fazer obras importantes e históricas. Obras que, obviamente, não foram feitas nos oito anos de FHC. Por quê? A quem servem essas obras? Quais foram as grandes obras de FHC e a quem serviram?

Sim, sim, eu sei que o manifesto de FHC foi político. Foi um chamamento às bases mais reacionárias e conservadoras do Brasil. E uma forma de tentar deslocar o debate de uma comparação entre os governos FHC e Lula no campo econômico, onde os números para os tucanos são devastadores, para o campo da política, em que embusteiros como o próprio ex-presidente contam com a máquina publicitária da mídia corporativa para propagar suas teorias conspiratórias e reproduzir o discurso do medo.

Pouco importa se o discurso não faz sentido. Quem está falando em razão? O que o ex-presidente faz é açular o medo da classe média, a insegurança que ela sente diante da ascensão social de pretos, pobres e nordestinos. O texto de FHC explora toda a gama de preconceitos contra Lula, Dilma "a mentirosa", os sindicalistas, poderes difusos e obscuros que operam nos bastidores, as estrelas do PT. Tem, portanto, um objetivo político bem definido: mobilizar o pavor contra "essa gentinha".

Mas esse ato de priapismo ideológico não deixa de ter suas vantagens: abre espaço para que façamos uma comparação objetiva sobre as diferenças entre os oito anos de FHC e os oito anos de Lula no poder. Não era esse o sonho do Planalto?
Fim

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ritos de passagem, obras de arte


Puberdade, quadro do norueguês Ed Munch; foto da atriz americana Megan Fox

Rubinho na Williams promete + Um Título Zero

Williams anuncia contratação de Rubens Barrichello

Correio da Lapa comentando a notícia
Piloto brasileiro, o eterno não-campeão, troca a escuderia mais forte da F1 por uma das mais decadentes

A Williams anunciou nesta segunda-feira a contratação de Rubens Barrichello, terceiro colocado em 2009 e que terá como companheiro o alemão Nico Hulkenberg, campeão da GP2. A contratação de Barrichello foi noticiada informalmente logo depois do GP do Japão, há um mês. O chefe da Frank Williams elogiou o piloto: "Rubens dispensa apresentações. Ele não é apenas o piloto mais experiente da Fórmula 1, mas também um piloto talentoso e apaixonado que brigou duramente pelo título deste ano".

Nico Hulkenberg conquistou o título da GP2 em 2009, na sua estreia na modalidade que é vista como vestibular da F'. Ele foi campeão também da F-3 Europeia, da Formula Masters, da A1GP e a F-BMW

A Williams não conquista um primeiro lugar desde o GP do Brasil de 2004, vencido então por Juan Pablo Montoya. OU seja, Rubinho est´[a trocando a equipe que ganhou tudo em 2009 por uma que não ganha absolutamente nada há cinco anos. Ou seja, Rubinho vai finalmente mostrar que ele não ganhará mais um título em 2010, pelo motivo simples que nem com Ferrari nem com Brawn suas chances aumentam. O segundo de Rubinho não é precisão suíça e mais parece uma eternidade. Eterno segundo piloto, eterno jovem, piloto terno, suave, sem faca entre os dentes, nunca vestido para matar.

Vettel em Abu Dhabi tira o vice-campeonato de Barrichello
Do site F-1 na Web

Sebastian Vettel (foto), da Red Bull, entrou para a história da F-1 como o primeiro vencedor do GP de Abu Dhabi, no impressionante, mas sem muito desafios, circuito de Yas Marina. Hamilton, que havia dominado durante todo o final de semana, teve problemas com os freios, dando a vitória e o vice campeonato ao jovem alemão da RBR. Pela Brawn, Jenson Button foi o 3º e Rubens Barrichello o quarto colocado.

Arte picaresca, pornô ou picaretagem



Imagens meramente ilustrativas, capturadas em navegação randômica, sobre sexo, pobreza e vaidade

Trechos do livro:


Amor, Apesar de Tudo




As Anotações de Mário Lúcio Zarino Sobral


Alex Heliogábulo

(...) Entre uma viagem e outra, relendo um pouco algumas anotações, notei que quase não descrevi minhas relações carnais. Se mal falei de tantas mulheres anônimas, por que eu deveria expor logo a Genimar? Ela era maravilhosa. Era sim, mas o homem apaixonado nem fica ansioso com o seu empenho sexual ou com o de sua amada. Embora tenhamos tido poucos dias com intervalo de várias semanas entre as duas luas-de-mel, sabíamos, relaxadamente, que estávamos só começando a descobrir o mundo, o universo, a mágica de nós mesmos. Estávamos completamente seguros de que o futuro era nosso com toda a sua grandeza e generosidade. Transamos pouco até, mas isso não tinha importância, que a quantidade naquele momento era um dado ridículo, fora de perspectiva do que imaginávamos.

Voltei a rotina de mulheres e reflexões. Comi outras muito mais e melhor, mas jamais tive uma nova Genimar, a mulher que quase me tirou de um mundo do qual eu não sabia se queria fugir. Mas Genimar conseguiu me deixar, da forma mais absoluta possível, o sentimento de saudade num coração cicatrizado, um coração, pela obra de bons médicos, restaurado, novinho em folha para bombear, hidraulicamente, o meu músculo sexual.

Parti sem rumo com a cearense que se chamava Genilda. Que aventura levar uma mulher da vida morrendo de fome pelas estradas desse imenso país!

Angu da Genilda

Concurso de bumbum meu amor pum concurso de michela meu amor é ela vejo o que te traz é uma bela banda bola que rebola tu quer tu manda concurso de amor com tanta nudez chegou a minha vez de sonhar teu sabor disputa de tamanho cheiro de lavanda a gruta do teu ser é uma atração fatal que vem chamando gente numa ciranda olhando te amando dando felicidade este ir e vir pirando no teu jeito de se mexer meter neste corpinho uma idéia franca uma suavidade etérea vai romper o dia um perigo amigo o erétil fértil trem no túnel do prazer entrar e esconder toda uma cidade uma única moeda compra teu doce lar comprar o ar gelado desta boate no perfume de água tônica entre garçons o que tu insinua é verdade nua o pau brasil vermelho em tua lua cheia tateia com pele de tomate e bate e acha e racha qualquer ranhura quanto mais escura mais pura cortesia a noite fria esquenta a cortesã abre-te toda como uma rã sapeca perereca molha o meu gin Samanta Vera Mônica o que adianta me engana com Diana Leda e Geni a noite é do ramo é do balacobaco eu amo a literatura em teu sovaco uma balançada e logo surge a manhã substituindo a noitada louca da tua maçã eu mordo eu como mas é tu que urge e engasga sorvendo o sol que brilha em cada gota vã orvalho que espuma do meu trabalho escrevendo nas orelhas do divã, retraio tu empurra quase dá um murro mas não desencaixa o artista que vai no burro caminha por caminhos de uma montanha por onde escorrega a égua alpinista é fome social é amoral na hora é amora preta é amor carnal com pinta de ser forte como um troglodita tira este culote este mu tá manso canso de entrar e de sair tão mal segura a minha agrura vou fazer com sorte de quem cavalga no teu curral boi que voa em bolha de chumbo atravessando a galeria do teu bumbo afundando no teu lombo abissal ao menor grunhido franze a fronte geme e insiste que te monte nunca desiste de dar completo o que é preferência nacional relembra talvez não seja a primeira vez mas com mais altivez cede o que é doação trilha de um atalho que conduz a nada mas tu sabe que este nada é tudo gozo coração aflito ou envergonhado.

Campina Grande, sexo e vertigem

Dirijo este carro pela Paraíba e penso que o mundo, neste momento em que me dirijo para lá, para mais um puteiro, é o assunto, e este assunto é explicado como todos os demais assuntos que este assunto não explica. A razão subdivide cada escolha diuturnamente, ad infinitum.

Deixei Genilda no aeroporto, paguei-lhe uma passagem para ver seus parentes em São Paulo e lhe desejei boa viagem e boa sorte. No nosso convívio, nas fraldas da Serra da Borborema, notei que sofria por ser negra e achava que o preconceito racial no Ceará era maior do que no Sul. Fiquei intrigado com tanta semelhança nos nomes das michelas. Genis e Genildas. E a semelhança ainda com o nome Genimar era algo enorme que me assustava. Mas os nomes de guerra obedecem a um modismo nunca estudado. Na minha infância, ouvia falar de revoada de Celestes, Susanas e Saritas noturnas no Beco das Carmelitas, na Lapa do amigo poeta Luiz F. Papi.

Mas tudo o que penso é aquilo que no mesmo momento em que penso não posso pensar. Água é água porque não é o resto, não é fogo, não é refresco, não é carótida, não é anágua que noutra hora eu poderia pensar.

Vou dirigindo pensando nessas palavras que me levam a outras palavras e frases que me levam a outras frases, numa espiral sem fim, certo de que nunca se pode parar de pensar. O pensamento é como bicicleta em movimento. Se parar, deixa de ser, pode ser bicicleta e pode ser movimento, mas nunca mais bicicleta em movimento, e nunca mais a mesma bicicleta em movimento, porque o pensamento, ainda que silencioso enquanto coisa mental, pressupõe um ato anterior único, o ato da leitura, ainda que a leitura seja também meramente um pensamento inaugural de outra leitura anterior, e isso não tem fim.

Pensamentos, ou expressões do pensamento expostas em qualquer suporte físico, palavras no livro, pinturas na tela, imagens no cinema, apesar de sua repetição, seja mecânica, seja pela imutabilidade com que se apresentam, já são pensamentos da leitura contínua.

Estamos aprisionados na dualidade de cada instante contínuo. Eu poderia ser um professor de pensamentos sonhando em criar uma lição de como parar de pensar, isto é, parar de ler. Mas não sou porque não alcanço esse silêncio.

A simplicidade do ato inevitável de pensar, ou ato inevitável de ler, de escolher o assunto, ou de excluir os demais assuntos, de pronunciar uma palavra, ou de calar as demais palavras, é uma bicicleta tão simples que somos atacados pela vontade de parar de andar.

Assim como o maior desejo do cansaço é o descanso, o maior desejo do pensamento é parar de pensar. O sono, o sonho, a ausência de sonho e quaisquer formas similares de ausência apenas nos aproximam dessa necessidade de repousar a mente num lago que nada espelhe, uma Campina Grande sem nenhum paraibano. Para muitos, a morte seria uma possibilidade do descansar em paz. Mas do clube fechado ninguém costuma sair para ensinar, aos vivos de Campina Grande, se a lógica da materialidade, se a imutabilidade de certos conceitos, como dois e dois são quatro, é uma lógica com substrato místico, mágico, milagroso.

A lógica da termodinâmica, da continuidade de temperaturas criando a igualdade de temperaturas pelos corpos vizinhos, pode ser complicada para quem nunca fez uma aula de Física, mas para quem está apenas testando o próprio órgão noutro órgão, como por exemplo comendo uma mulher, a lógica é simples, é como um daqueles atos que nos aproximam do relaxamento do pensamento, daquela necessidade instintiva de não pensar, ou de quase parar de pensar, numa necessidade também instintiva de vertigem, de um tempo que não se mede e no qual somos incapazes de lembrar por que chegamos onde estamos.

É comum pensar que a prostituta só quer dinheiro e está pensando na conta da luz enquanto um estranho na Paraíba põe o caralho entre a suas pernas, espirrando-lhe esporro nas entranhas. O homem que vai com a prostituta é, num espelhamento da termodinâmica, um homem prostituto. Se o bom negócio satisfaz as partes, a puta satisfaz o homem prostituto. Pouco se diz deste homem que, noutro momento e lugar, é tido como um homem de bem e amém. Mas na continuidade do assunto, o homem prostituto reza pela mesma cartilha, pelo mesmo lugar-comum do preço da venda do corpo, sinônimo da compra do mesmo corpo. Se estou lá, sempre, sou o prostituto reflexivo. Sou a descoberta da minha verdadeira profissão.

Pensar isso não me torna infeliz. Ao contrário, quanto mais reflexões, leituras de minhas próprias frases, vou produzindo, mais calmamente me relaciono com as minhas michelas. Admiro o sexto sentido de várias delas que, num primeiro olhar, me lêem e me convidam, sabendo que quando há muitas palavras sobre um mesmo assunto, temos uma história, vale dizer, lembrança, conforto, dinheiro ou prazer.

O prazer, ao contrário da razão, não é digital. Se tivesse cor, o prazer seria oscilantemente acinzentado. O prazer é o acidente da razão, é a puta, é a explosão da criação. O esperma é o primeiro mar. A vagina é a primeira nave, o primeiro milagre, a costela de Adão, a feijoada, a maionese, a couve-mineira, a machadinha, enquanto o Saci vai pulando num pênis só atrás de Nancy, Joyce, Shirley, Rosycler, Iracy e todas as Genis desse imenso pernil chamado Brasil. Sou um porco, sei amar a beleza, sei de minhas leitoas, minhas leitoras e leitos. Para meu deleite, vou mijando leite, pulando nas rimas e aliterações da bicicleta até parar o meu Gol no campus de um novo prostíbulo. Me sinto meio mestre, meio monge, meio moleque, meio tarado, meio rico, meio perdido, meio tudo, meio meio. Vou olhando para as que me olham. Sorrisos, pequenos meneios e já disputam a minha preferência. Não quero a mais bonita nem a mais simpática. Sigo porta adentro rumo ao balcão da anfitriã Maria da Borborema. Estou repleto de palavras e elas cheias de amor para me dar. Quero todas. Não tenho pressa. Vou ficar alguns dias e aviso à cafetina: quero comer todas, mas uma de cada vez. Quero-as como cada uma sendo um pedaço da minha história. Quero temperá-las com o meu sêmen e degluti-las com a minha língua e meu hálito abençoado por cerejas, clitóris perfumados exalando humores e amores. Endoido, dirão alguns, sim, endoido, mas é melhor endoidar com elas do que ser lúcido sozinho com os próprios colhões.


Jogando com a história

Sem mais nem menos me recordo de tempos atrás, quando me encontrei na noite com aquele que agora andam apelidando de Último Romântico. A nova novidade que ele apresentava debaixo do braço era um texto do Padre Antônio Vieira dizendo que o jogo é um perigo e tal quando jogado a dinheiro. Li e decidi incluir na viagem dos vícios, em respeito um pouco à minha origem latina, precisamente portuguesa e italiana, e um pouco à virada de milênio em meio a esse processo de globalização pouco dado a balanços mais profundos. (...)

Imperiano Ivan Milanez internado no Rio

Ivan Milanez, na Lapa, em foto de 2006 tirada por Alfredo Herkenhoff

O compositor e músico Ivan Milanez está internado na Santa Casa da Misericórdia, no Centro do Rio de Janeiro. Ele deve passar por uma cirurgia em breve e precisa de doadores de sangue. Quem puder ajudar, é só pintar (de segunda a sexta, das 7h30 às 13h) no hospital. O endereço é Rua Santa Luzia, 206. No sábado o horário é das 8h às 12h. Chegando lá é só citar o nome do sambista imperiano e dizer que o amigo está na enfermaria nº 7, leito 2.

PSDB de José Serra, o exterminador da oposição

Avistado no blog de Ricardo Noblat

De Elio Gaspari, em O Globo:

Quem não gosta de Nosso Guia precisa se mobilizar para impedir que o PSDB destrua a oposição brasileira. O tucanato tornou-se um ingrediente tóxico tanto no atacado como no varejo.

No atacado, o governador José Serra quer paralisar o partido, jogando para março o anúncio do nome do candidato à Presidência da República. Se o problema fosse apenas de prazo, Serra teria argumentos para justificar sua posição. Lamentavelmente, a questão é outra: ainda não se sabe se Serra quer trocar uma reeleição certa para governador por uma candidatura a presidente que a cada dia parece mais pedregosa. Talvez nem ele mesmo saiba.

Recordar é viver: durante todo o ano de 2005 a popularidade de Lula sofreu uma forte erosão. Entre agosto e dezembro as pesquisas do Datafolha indicavam que ele perderia a eleição do ano seguinte para Serra. Em janeiro de 2006 o quadro começou a virar e no final de fevereiro Nosso Guia botou oito pontos de frente. Em março Serra tirou o time de campo.

Serra quer esperar até março sem que haja qualquer garantia de que irá para a briga. Já o governador Aécio Neves quer uma decisão rápida, caso contrário disputará uma cadeira de senador. Não se poderia esperar que o neto de Tancredo Neves fosse a uma disputa de mato-ou-morro, mas o ultimato de Aécio indica que ele já achou a saída de emergência.

O PSDB tornou-se um tóxico também no varejo. Em vez de fazer oposição, sua bancada no Congresso associa-se às piores iniciativas da bancada governista e da banda esperta do PMDB.

O tucanato denuncia as maracutaias petistas, mas é incapaz de levantar a voz diante das malfeitorias dos seus hierarcas. Noves fora o mensalão mineiro, em cujo processo está denunciado pelo Ministério Público o ex-presidente do partido, senador Eduardo Azeredo, o tucanato teve um governador e um senador cassados pelo Supremo Tribunal Federal (Cássio Cunha Lima e Expedito Júnior). Isso deixando-se de lado a ruína de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul.

O PSDB deu os votos necessários para que o Senado e a Câmara aprovassem a Bolsa IPI que borrifaria os exportadores com créditos de R$ 34 bilhões, pelo menos. Fez isso mesmo depois do Supremo Tribunal Federal ter derrubado a pretensão dos empresários. Vexame final: Lula vetou o mimo.

Na semana passada, iniciativas de três tucanos (Flexa Ribeiro, Marcos Monte e Roberto Rocha) puxaram os interesses do ruralismo das trevas para aprovar um projeto de anistia para desmatadores. A moralidade foi defendida por militantes do movimento Greenpeace que, acorrentados a poltronas do plenário da Câmara, fizeram um escarcéu e transferiram a votação do projeto.

domingo, 1 de novembro de 2009

Fluminense vira sobre o Cruzeiro e deixa lanterna

Clube das Laranjeiras perdia por 2 a 0 e reagiu no segundo tempo: com dois de Fred, ganhou por 3 a 2

IVANA MOREIRA - Agencia Estado

BELO HORIZONTE - Jogando diante do lanterna do campeonato, o Cruzeiro perdeu pênalti, abriu 2 a 0 no placar, mas foi derrotado de virada por 3 a 2 pelo Fluminense, neste domingo, contando com o apoio de sua torcida, no Mineirão. O resultado encerrou a série invicta do time mineiro, melhor time do segundo turno, que vinha de cinco vitórias seguidas e buscava um lugar no G-4.
O Cruzeiro permaneceu na sexta posição da tabela, mas estacionou nos 51 pontos e ficou mais distante do líder Palmeiras, que soma 58. Já o Fluminense chegou aos 33 pontos e subiu da última para a penúltima colocação. O Sport, que perdeu do Náutico, assumiu a lanterna da competição.
O Cruzeiro começou o jogo deste domingo colocando pressão no adversário. Em menos de 10 minutos, teve três chances claras de gol. Guerrón e Wellington Paulista falharam nas finalizações. Mas, aos 13, o time da casa foi recompensado. Henrique deu passe para Gilberto que rolou para Jonathan. O lateral bateu firme e não deu chance para o goleiro Fernando Henrique.
Aos 25 minutos, o Cruzeiro teve outra chance para marcar. Guérron foi derrubado dentro da área. Pênalti. Na cobrança, o artilheiro Wellington Paulista deslocou Fernando Henrique, mas errou o gol, para tristeza da torcida. O atacante se redimiu cinco minutos depois. Ele recebeu lançamento longo na área, driblou o zagueiro e bateu no canto do gol para ampliar o placar.
O Fluminense voltou com garra do intervalo e dominou o segundo tempo. Aos 10 minutos, Conca levantou a bola na área. Maicon tentou dominar no peito e deixou a bola escapar. Gum pegou a sobra e mandou para o fundo da rede.
Embalado, o time visitante não deu tempo para o Cruzeiro se recuperar do gol. O empate veio no lance seguinte. Fred recebeu na área e bateu cruzado. Antes da bola entrar, o zagueiro Gil tentou cortar e colocou a bola para dentro do gol.
Se não bastasse o empate, o Fluminense conseguiu a virada, aos 25. Novamente, Maicon recebeu a bola, invadiu a área e rolou para o atacante Fred bater rasteiro e desempatar o jogo. Depois disso, o Cruzeiro não teve forças para buscar sequer o empate e frustrou os mais de 50 mil torcedores que compareceram ao Mineirão.
Agora o Cruzeiro tentará se manter na briga pelo G-4 no próximo sábado, diante do Sport, na Ilha do Retiro. O Fluminense terá pela frente a missão de encarar o líder Palmeiras, domingo, no Maracanã.

FICHA
Cruzeiro -
Fábio, Jonathan, Gil, Thiago Heleno (Fernandinho), Diego Renan, Henrique, Fabrício, Marquinhos Paraná, Gilberto, Guerrón (Leandro Lima) e Wellington Paulista (Eliandro). Técnico: Adilson Batista.

Fluminense - Fernando Henrique, Mariano, Gum, Dalton, Dieguinho (Urrutia), Diogo, Diguinho (Digão), Equi González (Tartá), Darío Conca, Maicon e Fred. Técnico: Cuca.

Gols - Jonathan, aos 13, Wellington Paulista, aos 30 minutos do primeiro tempo. Gum, aos 10, Fred, aos 13 e aos 26 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos - Diego Renan, Gilberto, Marquinhos Paraná (Cruzeiro); Diogo, Digão (Fluminense).
Árbitro - Sandro Meira Ricci (DF).
Renda - R$ 830.627,84.
Público - 49.140 pagantes.
Local - Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG).