De uns 20 anos para cá, o mundo viu surgir novas classes de milionários. Numa primeira fase da globalização, homens galgaram a galeria dos mais ricos na Forbes via privatizações, casos típicos na Rússia dos anos 90 do presidente Boris Yeltsin até inicio da primeira década do século atual sob o comando do presidente Vladimir Putin. No Brasil também temos esta classe de fortunas catapultadas a partir da privatização da era tucana de FHC e José Serra. Outros ricos são de classe Nasdaq, ou fortunas nascidas com a internet, com as ferramentas, os googles, youtubes, ipads, Windows, facebooks e twitters. Outros, numa leva mais recente, e é o caso de Eike Batista, são homens que enriquecem com as chamadas concessões iniciadas na Era FHC e acentuadas na Era Lula. Nessa nova classe, a riqueza fica concentrada nos patrimônios potenciais, fica escondida. São papéis, direitos, contratos, reservas, sejam minérios em subsolos no Brasil e países vizinhos, ouro, níquel, zinco, prata e carvão, ou sob o leito marinho, aquelas montanhas de gás e petróleo. São os milionários das concessões off shore, ou exatamente aquilo que, com outras palavras, disse o jornalista Diogo Mainardi: Eike Batista, o bilionário que não possui nenhuma chaminé visível. Eike, quantas fábricas você não tem? Ele não tem todas, ou seja, nenhuma.
Itaituba, Alta Floresta, High River, Anglo American, Novo Planeta, ouro e multiplicações, Paracatu, Vale do Rio Doce, Rio Tinto, Treasure Valley, La Coipa, Parapanema, Morro de Ouro, as grandes minas e as grandes empresas mineradoras do mundo. A descoberta do primeiro ouro foi gerando novas descobertas. Faro aurífero do homem certo na hora certa, o ambiente em que nasceu... Eike farejando riquezas não apenas no subsolo do Brasil, mas também na América do Sul, no Canadá e na Austrália.
Mas os cariocas não conseguem se livrar da polêmica, nunca deixam de especular, pensar verdades e mentiras sobre a fortuna de Eike Batista, ranqueado como o homem mais rico do Brasil e o oitavo do mundo. Faz-se nas ruas um exercício mental diário: recebemos nesses tempos de internet uma carga de informação enorme, não importa se você é um banqueiro ou um bancário, um repórter novato ou o dono de um grupo de comunicação. A informação, algo tão crucial para que uma pessoa tome decisões, continua sendo isso e mais até hoje do que antes, sendo também uma ferramenta para que uma pessoa seja conduzida a tomar decisões que talvez não sejam corretas, ou as melhores. Saber lidar com excesso de informação é uma arte difícil e ainda pouco conhecida.
Não basta ter dinheiro para investir, não basta ter recursos, é preciso parecer de forma verdadeira que se tem muito mais do que se tem de fato. Esta aparência permite que a pessoa, dispondo dessa imagem de muita grana, empreenda novos negócios, lance ações, atraia capitais de olho em oportunidades, fature mais. (continua)