sábado, 21 de janeiro de 2012

Eike Batista Verdades e mentiras sobre O X da Questão (11/12)



Sim a biografia O X da Questão exibe uma trajetória glamorosa de Eike Batista, mas o livro é bom, apesar de esclarecer pouco sobre como de fato surgiu o nosso maior empresário. A sensação é a de que Eike Batista subverteu duas máximas dos negócios, inverteu duas frases gêmeas que se assemelham às duas faces de uma moeda. Quando se tem um projeto, uma ideia, um sonho, aliás sonho é a palavra mais mencionada no livro, a primeira atitude é se manter sereno, porque nesta fase o segredo é a alma do negócio. Quando a iniciativa ou o sonho começa a deslanchar, vem a segunda fase em que a propaganda é a alma do negócio. Pois Eike parece transformar o sonho em sinônimo de propaganda. Quando Eike tem um projeto ele bota a boca no mundo e lança ações, os investidores correm para comprar seus papéis, ou para se associar ao homem que hoje no mundo parece ter como ninguém o dom de Midas, o que toca vira ouro.
Eike poderia responder a essa reflexão mostrando que nos primeiros 20 anos de garimpo ele fez silêncio. Era época de sequestro. Não comprou a CSN embora tivesse mais grana do que Benjamin Steinbruch. Não queria nem visibilidade nem fuxico... Comprar estatal que fora comandada por seu pai... O que iriam dizer?
Bem, o mercado é cruel, como o próprio Eike assegura na biografia de propaganda e autoajuda. O capital é cruel e covarde. O dinheiro é arisco. Assim como vem, vai. Impérios se erguem e desabam.
Sim, Eike é o milionário ainda sem nenhuma chaminé visível, mas as primeiras estão a caminho.  Eike diz no livro que o grupo EX emprega hoje 20 mil pessoas e que, em breve, empregará 80 mil. Diz que não tem vergonha de ser rico porque gera riqueza para a sociedade, ou para que o Brasil de nossos filhos e netos seja bem melhor. Mas, no Rio, por enquanto, ainda paira a sensação de que só temos a canção do Noel... Quando o apito da fábrica de tecidos vem ferir os meus ouvidos eu me lembro de você... A Cidade Só é Maravilhosa da Praça Mauá ao Leblon... Tantos problemas que só a UPP e sonhos de despoluição não resolvem.
No livro é emocionante o otimismo de Eike Batista com as perspectivas alvissareiras do Brasil e de outros países emergentes, notadamente a China. Também bate bem no coração dos leitores ver o otimismo e o amor de Eike Batista pela cidade do Rio de Janeiro. Seriam sinais de que Eike pode eventualmente entrar para a política? Como amigo de Lula, Dilma Rousseff e Sérgio Cabral, Eike poderia fazer uma bela carreira para tirar o Parlamento dessa letargia de corrupção sem fim. Por enquanto, parece que ficará de bom tamanho se Eike apenas ajudar o governador do Rio de Janeiro a subir a rampa do Palácio do Planalto. Contará certamente com o nosso apoio. Ainda sobre democracia, Eike, em entrevistas, mas não no livro, revelou que doou cerca de 5 milhões para as campanhas dos principais dos principais partidos na última eleição em que se destacaram Dilma, Serra e Marina. (continua)